quinta-feira, 2 de abril de 2026

A COMPETÊNCIA DA INCOMPETÊNCIA

 

É preciso ter alguma “competência”, (manhosa),

para ser um incompetente inabilitado.

(Carla F. Silva)

A COMPETÊNCIA DA INCOMPETÊNCIA

 


    A competência da incompreensão, é um fenómeno, “estranho”; mas, o certo é, que ele existe; pode dizer-se mesmo, competência da incompetência; é crucial ser competente para ser-se incompetente. No fundo, aparenta uma realidade paradoxal, uma vez que reúne conceitos opostos; contudo, não deixa de não ter uma explicação lógica, e denunciadora de uma verdade escondida no interior de um pascácio.

Então, vou passar à minha elucidação alegórica, que corre o risco de poder não ser aceite, por não ser compreendida, por idiotice de muitos ou por deficiência crónica da minha pedagogia, uma vez que eu não me tenho como um Mestre.

Então vamos ao tema.   

Habitualmente, a pessoa honesta, franca e aberta, vive sempre no limiar da carência; por muito que labute raramente ou nunca, abarca o seu objectivo almejado. A seriedade cristalina, ainda que se nos afigure o inverso, é sempre uma barreira atravessada no trilho que leva ao sucesso.  

Aquele que nada faz, mas é bem aviado de lábia fluente, vivacidade e astúcia, mesmo sendo um idiota, é aquele que muitas vezes triunfa, e acaba por transformar-se num incapacitado mandatário, dono de uma capacidade não pura, porém, flatulenta. A sua mediocridade intelectiva, impede-o de reconhecer ou assumir, a sua incompetência. Esta perturbação causa-lhe uma agonia emocional que lhe prensa o espírito de tal maneira, que mesmo a dormir, não alcança a serenidade incorpórea.

Essa fenda psicológica, nódoa do incompetente, espelha-se principalmente em exibições materialistas, não por necessidade, mas porque sim. Se não mais, para fazer ver à sociedade, que está bem de vida, (mas não psicologicamente), e pode esbanjar à vontade! Apresenta-se inchado. É a única maneira, embora estúpida, que encontrou, para compensar a frustração nele interiorizada. A modéstia, a humildade e a contenção, nele não existem. Boas vestimentas, caríssimas máquinas, - na razão directa das suas posses, como é natural -, e avantajadas comezainas, onde   Baco e Pantagruel são as “divindades” mais veneradas. Além disso, está sempre convencido de que, a sua mediocridade, é a única “competência” ao cimo da terra.

Qualquer tentativa que façamos para chamá-lo à razão e demonstrar-lhe o inverso, ele valer-se-á frustradamente da sobranceria, como contrapeso para equilíbrio da sua incapacidade.

É uma forma, pode dizer-se, pouco louvável, de tentar encobrir o seu défice, existente na capacidade cognitiva e intelectual. Apesar de ser considerado figura desprotegida da Natureza, julga-se figura de alto gabarito.  Só que isso não será o suficiente; porque, se não formos competentes não sabemos que somos inteligentes.

Isto é que é uma gaita!? Para o que me havia de dar!

 

António Figueiredo e Silva

Coimbra, 02/03/2026

 

Nota:

Não uso o AO90.

 




 

Sem comentários:

Enviar um comentário

A COMPETÊNCIA DA INCOMPETÊNCIA

  É preciso ter alguma “competência”, (manhosa), para ser um incompetente inabilitado. (Carla F. Silva) A COMPETÊNCIA DA INCOMPETÊNCIA...