É preciso
ter alguma “competência”, (manhosa),
para ser
um incompetente inabilitado.
(Carla F. Silva)
A COMPETÊNCIA DA INCOMPETÊNCIA
Então,
vou passar à minha elucidação alegórica, que corre o risco de poder não ser aceite,
por não ser compreendida, por idiotice de muitos ou por deficiência crónica da
minha pedagogia, uma vez que eu não me tenho como um Mestre.
Então
vamos ao tema.
Habitualmente,
a pessoa honesta, franca e aberta, vive sempre no limiar da carência; por muito
que labute raramente ou nunca, abarca o seu objectivo almejado. A seriedade cristalina,
ainda que se nos afigure o inverso, é sempre uma barreira atravessada no trilho
que leva ao sucesso.
Aquele
que nada faz, mas é bem aviado de lábia fluente, vivacidade e astúcia, mesmo
sendo um idiota, é aquele que muitas vezes triunfa, e acaba por transformar-se
num incapacitado mandatário, dono de uma capacidade não pura, porém, flatulenta.
A sua mediocridade intelectiva, impede-o de reconhecer ou assumir, a sua
incompetência. Esta perturbação causa-lhe uma agonia emocional que lhe prensa o
espírito de tal maneira, que mesmo a dormir, não alcança a serenidade incorpórea.
Essa
fenda psicológica, nódoa do incompetente, espelha-se principalmente em
exibições materialistas, não por necessidade, mas porque sim. Se não mais, para
fazer ver à sociedade, que está bem de vida, (mas não psicologicamente), e pode
esbanjar à vontade! Apresenta-se inchado. É a única maneira, embora estúpida,
que encontrou, para compensar a frustração nele interiorizada. A modéstia, a
humildade e a contenção, nele não existem. Boas vestimentas, caríssimas
máquinas, - na razão directa das suas posses, como é natural -, e avantajadas
comezainas, onde Baco e Pantagruel são as “divindades” mais veneradas.
Além disso, está sempre convencido de que, a sua mediocridade, é a única
“competência” ao cimo da terra.
Qualquer
tentativa que façamos para chamá-lo à razão e demonstrar-lhe o inverso, ele
valer-se-á frustradamente da sobranceria, como contrapeso para equilíbrio da
sua incapacidade.
É uma
forma, pode dizer-se, pouco louvável, de tentar encobrir o seu défice, existente
na capacidade cognitiva e intelectual. Apesar de ser considerado figura
desprotegida da Natureza, julga-se figura de alto gabarito. Só que isso não será o suficiente; porque, se
não formos competentes não sabemos que somos inteligentes.
Isto é
que é uma gaita!? Para o que me havia de dar!
António
Figueiredo e Silva
Coimbra,
02/03/2026
Nota:
Não
uso o AO90.
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