segunda-feira, 11 de março de 2019

INVERSÃO DE VALORES ИНВЕСТИРОВАНИЕ ЦЕННОСТЕЙ ANLAGE DER WERTE


 Quando o infortúnio se torna geral num país,
o egoísmo universaliza-se.
(Barão de Montesquieu)
Quando o infortúnio se torna geral num país,
o egoísmo universaliza-se.
(Barão de Montesquieu)

INVERSÃO DE VALORES
ИНВЕСТИРОВАНИЕ ЦЕННОСТЕЙ
ANLAGE DER WERTE


Praticamente aos setenta e cinco anos de idade, onde já sinto o tempo de antena a diminuir, a “pena escorregar-me das mãos” e os circuitos do pensamento com sintomas de colapso, ainda me flui uns sobejos da minha força vital, coragem e obstinação que sempre me animaram, para, embora lastimando, poder afirmar com toda a clareza, que houve uma inversão de valores, muito difícil de reverter.
Como tal, não adianta continuarmos a dar de mamar a outra ideia que não esta; estamos num país apinhado de oportunistas, cujas castas são de difícil eliminação devido à construção do seu “ADN”, que se funde numa forte espiral interligada por uma sólida coesão de interesses comuns, que se divide em três classes: “salteadores, corruptos e vigaristas.
Portugal está completamente esburacado por centenas ou milhares dessas “toupeiras”, que no escuro, não se fatigam em escavar buracos no solo económico e revolver a terra, que utilizam para tapar os olhos a quem tem o dever e a obrigação de observar, e as conduzem ao enriquecimento fácil, cimentado na razão das suas necessidades, posteriormente suportadas pela maior fatia populacional.
Porém, o que mais me constrange, são as artimanhas engendradas para tornear os princípios estabelecidos, com vista à sua impunidade, facultando-lhes a vida. Tal e qual um normal cidadão, continuam por aí a passear, levando uma vidinha faustosa, a zombar do povo e prontos a pedirem indemnizações ou enfiar no chilindró, aqueles que se arroguem a atirar-lhes ao focinho todas as realidades sobre seu comportamento indecente e indecoroso.
Não será necessário referir que essas castas sempre existiram, mas é de frisar, que não em tão grande percentagem como actualmente – e digo isto sem ser necessário recorrer ao INE.
Ultimamente, as investigações, quer jornalísticas, quer executadas por instituições governamentais, são suficientes para demonstrar o que acabei de proferir.
É “visível” que tem havido um saque descarado a nível nacional, precisamente por causa da inversão de valores, que não é “condenável” nos graúdos, mas é punível na “arraia miúda”, ficando aqui também manifestada a “sensação” de que a lei não tem primado pela igualdade de direitos e deveres, aplicando uns ou outros em diferentes medidas, consoante a posição social dos cidadãos. Ora isto não deve acontecer.
É evidente que não nos é permitido direcionar o indicador a quem quer que seja, mas sabemos muito bem, onde muitas dessas toupeiras se encontram e somos conhecedores das diversas maneiras de as, eliminar não digo, porém, confiná-las em “espaços hoteleiros” semelhantes ao de Évora, com tudo pago por nós.
 Depois suportada a integral solvência da sua estadia compulsiva, ainda nos sobraria dinheiro, que creio ser suficiente, para estabilizar a nossa economia, legando-nos a possibilidade de desfrutarmos de uma existência mais desafogada, e podermos respirar num ambiente menos poluído pelo cheiro fedorento dessas “ratazanas”.
Isto só é conseguido com a reposição dos valores no lugar devido. Para que tal suceda, é necessidade imperativa de alguém, com bravura e uns tubérculos tisnados e rijos, comumente conhecidos por… “TOMATES”.
Mas, com grande tristeza nos percebemos, que quando aparece alguém com esses predicados, o sistema, não obstante todas a traves que a custo o vão suportando, estarem corrompidas e podres, encarrega-se de estruturar e “legalizar” procedimentos - ainda que arredados da ética - com vista à “liquidação” desse alguém, remetendo o empecilho para um “espaço reservado aos imprestáveis”, atabicado de prateleiras de incompetência e cortinados de teias de aranha.
Uma maneira estranha de domesticar a justa “descortesia” da razão, quando a própria razão apresenta motivos para isso.
É triste, mas é verdade.

António Figueiredo e Silva
Coimbra, /10/03/2019

 


  
  

domingo, 10 de março de 2019

APARTIDARISMO


Não é possível discutir racionalmente
com alguém que prefere matar-nos, a ser
 convencido pelos nossos argumentos.
 (Karl Raimund Poppe)


APARTIDARISMO

Por uma questão de afirmação da minha liberdade de palrar e de ortografar, faço questão de manter-me o máximo possível, arredado de quaisquer ideologias ou sectarismos que proliferam na alma das diversas facções políticas do meu país. Só assim posso garantir a mim mesmo a independência indispensável para poder estilhaçar com imparcialidade, as teorias, ou mesmo as práticas, menos éticas daqueles que, no meu entender, merecem, ou, da mesma forma, louvar os que, elogios souberam granjear pela firmeza e rectidão do seu carácter perante a comunidade.
É deste modo que entendo a sabedoria da democracia e a razão da sua existência.
Espontaneamente, questionar-me-ão; “então, mas este desmiolado não tem voto na matéria”? Claro que tenho, não sou diferente dos de mais, e quando a mesa abre as pernas e a greta da urna fica à disposição da minha consciência, é evidente que lhe enfio o meu o meu parecer na forma de sufrágio, para a ajudar a encher o espaço interior onde pairam os mistérios de interrogação e da esperança, e, ao mesmo tempo, para descarregar a análise da minha percepção, já com longo tempo de amadurecimento, mas não livre, como é natural, de interrogações e reticências.
Não me considero diferente dos outros, só que, sou alérgico às lavagens cerebrais, não me constrangendo no entanto, que cada um se prontifique a recebê-las, segundo a sua maneira de ser, pensar e deslocar-se, no universo social onde está agregado, moldando-se à natureza do sopro que lhes balizou o norteamento aquando da sua concepção natural, ou a favor das pulsões ardilosamente geradas pelas conveniências pessoais.
De uma realidade tenho a certeza; quer uns quer outros, ambas as partes podem equivocar-se. Mas só erra quem é humano, e só volta a cair no mesmo engano, quem é maníaco-depressivo no pico da crise, ou geneticamente estúpido; no segundo parâmetro, cientificamente sabe-se que a “demência” genética é auto-imune; logo, não existe terapia possível para desenraizar o palerma da estupidez natural que o embrulha, com vista ser iluminado pela luz cintilante da razão, resultando daqui a maior fatia da inconstância, não só local, porém, global.
Nunca fui amante do espartilhamento à liberdade da minha consciência e tudo tenho feito nesse sentido para a manter sadia ao longo do trajeto da minha existência, mas reconheço, contudo, que não tem sido nada fácil.
O fundamentalismo, seja de que modelo for, atarraxa a liberdade de pensamento, condicionado dessa forma o valor opinativo do entendimento, porque é decorrente uma razão que pugna pela defesa intransigente e cega, de determinadas regras ou princípios, sem deixar espaço de manobra, deixando os seus “veneradores” sem vontade própria e muitas vezes usados no incitamento da desestabilização comunitária.
É precisamente pelos raciocínios aqui apontadas, que, com ou sem razão, - o tal benefício da dúvida -  faço questão em manter a minha própria independência, conquanto que prossiga a reverenciar a liberdade dos outros e a compreender as suas preferências, sejam elas construídas de olhos abertos ou mentes cerradas.
Ambiciono a autoridade própria para poder falar e redigir desafrontadamente, sem me sentir aperreado pelas camisas de forças doutrinárias.
Daí, o meu apartidarismo.

António Figueiredo e Silva
Coimbra, 10/03/2019