segunda-feira, 20 de maio de 2019

“ABENÇOADO” “BLESSED” “Блажен” “Gesegnet” "מבורך"


A força do desejo da carne, facilmente vence
as barreiras morais do homem insatisfeito.
(Textos Judaicos)


“ABENÇOADO”
 “BLESSED”
“Блажен”
“Gesegnet”
"מבורך"

A ser verdadeiro, fico muito feliz este acontecimento, porque, o índice de natalidade tem andado paralítico, sem se saber bem a causa, e também por saber que aquele homem não é requintado; tanto papa vitaminas como proteínas; é daqueles que tanto gosta de maçãs como de carne, porém com descomunal tendência para a nutrição à base de citrinos, à semelhança de Adão – é, “quem sai aos seus, não degenera”.
Por outro lado, estou convencido que é exímio no aproveitamento daquilo que muitos rejeitam. Digo isto, porque, pelo que tenho observado anda tanta carne boa e tenra, e tanta maçã corada e aromatizada pela frescura, em exposição nas montras da nossa sociedade e parece que ninguém lhes passa cartuxo; dá a impressão de que essa “fruta” e essa chicha  têm menos interesse do que a carne e fruta virtuais exibidas nos “Tablet’s” ou nos “Smartphones”, onde papalvos, revelando alguma alienação, se divertem, rindo solitários e se auto-fotografando, com ar de acentuado narcisismo, numa demonstração, diria, de quem não tem os parafusos bem afinados, ou que lhes falta reapertar algum.
O padre, coitado, certamente que não fez mais do que sucumbir ao chamamento da Natureza que, num assomo congénito e momentâneo, “enlouqueceu” e estimulou um derrame de robusta lascívia, numa instigação à prova da sua virilidade, levando-o a abdicar do “pecador” jejum e da esquisitice, que a outros, muito provavelmente contaminava. A Natureza é surpreendente! Tem tanto e insólito como de engraçado!
Na minha óptica já mostrou ser um padre evoluído, porque, graças ao seu sentido contabilístico, deve ter concluído que as coisas feitas por atacado, reduzem seu custo; houve menos investimento em mão-de-obra.
Mas, voltando à vaca fria:
“E creou Deus as bestas da terra, segundo as suas espécies”. 
E disse: “Façamos o homem à nossa imagem e semelhança”.
E creou Deus o homem à sua imagem: macho e fêmea Ele os creou.”
 Deus abençoou, mas não se esqueceu de dizer: “Crescei e multiplicai-vos e enchei toda a terra e dominai-a!” – pelo menos é o que está escrito.
Naturalmente o sacerdote até pode ser um crente fervoroso e ter tido a aparição de um Querubim ou Serafim, a recordar-lhe as determinações religiosas há séculos instituídas, e haver-lhe comunicado: “meu filho, não estamos em época de desperdiçar carne nem a fruta, porque a vida está pela hora da morte” – tem piada, que até o nosso Governo sabe disso, mas não valoriza.
Como a fé move montanhas, apesar de ter a noção de granjear grandes hipóteses de se submeter às críticas da comunidade, seguiu a orientação da sua consciência, contribuindo deste modo para o povoamento e domínio da terra, coisa de que muitos se têm abstido.
É por tudo isto merecedor desta apologia, uma vez que o clérigo fez mais do que seguir o conselho das Sagradas Escrituras., seraficamente relembradas.
Isto, a meu ver, foi um acto de coragem que não passa ao lado da reprovação social, mas que a Vontade Divina certamente vai perdoar directamente, sem sequer passar pelo Purgatório – que penso estar cá localizado, mas sem saber aonde.
Bem-haja Padre.
Abençoado seja.

António Figueiredo e Silva
Coimbra, 19/05/2019

Lembradura: Ainda não estou aderi às regras do Novo Acordo
 Ortográfico, por considerá-lo um aborto da nossa língua.  



sábado, 18 de maio de 2019

“AMNÉSIA”


Uma desculpa é pior e mais terrível
 do que uma mentira; pois uma desculpa
é uma mentira disfarçada.
(Alexander Pop)

“AMNÉSIA”

Como tantos outros elementos de colossal intervenção no nosso elenco governativo, na nossa defesa e na economia, ou enterrados a chafurdar na lama da corrupção, promovendo, no escuro, o garimpo do filão aurífero que lhes permitiu terem uma vida sem agruras, mas que, das mais diversas maneiras contribuíram para o afundamento das nossas finanças e da credibilidade do nome de Portugal no Mundo, remendam as consequências desses “propósitos” pouco abonatórios, com frases amnésicas que só a psicanálise e os lorpas podem indulgenciar; “não me lembro”, “não sei”, “não sabia”, “desconhecia”, “já tenho a memória fraca” etc. Também estou a sentir que esse “maldito” achaque já chegou a minha caixa dos pirolitos.
 É verdade. 
Como também não me lembro se alguma vez escrevi sobre o não me lembrar, resolvi fazê-lo hoje, pela simples razão daqueles que, talvez por vontade própria não se quiseram lembrar das enormes burricadas que fizeram, me lembraram de o fazer.
O “não me lembro”, “não sei”, “desconheço”, que eram comportamentos tidos como frequentes, devido às mais diversas reacções do ser humano decorrentes do passar tempo ou consequência de enfermidade, transformaram-se actualmente numa tendência abusiva que não tem nada a ver com mazelas físicas, mentais ou temporais, mas servem apenas como muletas de fuga, quando não há interesse que o conhecimento da verdade seja publicitado e a justiça não seja feita.
Isto é que é uma grande gaita!
Também “não me lembro, ou desconheço” (?) quando aconteceram tais trapalhadas, onde e com quem; contudo, o certo é que têm ocorrido – de cada buraco, sai um rato. Tem sido e continua a ser, o método mais “tolerável”, porém censurado, de esquiva às responsabilidades, quando elas existem, na camuflagem política e não só, e o Diabo as consegue descortinar e trazê-las a léu.
É o recurso manhoso à falta de “lembradura” e à “ignorância”, que tem safo muitas ratazanas da nossa elite de caca, de serem “forçados” a passar umas férias num dos famosos hotéis de Évora ou Tomar – até nem duvido que o não sejam!? – e coagidos a devolver tudo o que por intencional “desconhecimento” e descaradamente defraudaram.
Neste pequeno “rectângulo” situado ao um canto da Europa, ninguém se lembra de nada, ninguém sabe de nada, e ninguém faz nada para acabar com estes “esquecimentos” que resultam quase sempre em indulgências tuteladas por lei.
Ainda agora acabei de escrever e já não me lembro de nada.
Mas que puta de moléstia esta!

António Figueiredo e Silva
Coimbra, 18/005/2019