sábado, 9 de junho de 2018

CARDIOLOGIA do CHUC



CARDIOLOGIA do CHUC
(Centro Hospitalar da Universidade de Coimbra)

Durante o nosso trajecto existencial, deparam-se situações cujas circunstâncias são condenáveis pela contundência da minha crítica depreciativa; outras subsistem, que são carentes de enaltecimentos merecidos, aos quais, por uma questão de coerência para comigo próprio, não me faço rogado.  Trovoando e ventando para o lado mau, ou deslocando a pena ao dócil sabor e suavidade da brisa do bom senso, para o lado bom, eis-me pronto para o que der e vier. Neste caso, para o lado bom.
É evidente que não é meu propósito tecer quaisquer comparações ou depreciar outros sectores análogos pertencentes ao mesmo organismo público, que é o CHUC - Centro Hospitalar da Universidade de Coimbra. Porém, sinto-me no dever de infundir meia dúzia de vocábulos de consideração, encaminhados à enfermaria de cardiologia, mais propriamente à Unidade de Cuidados Intensivos (UCIC), porque os elementos humanos que lá labutam, são providos de um civismo e de uma amabilidade fora do comum - virtudes actualmente em desuso - que constituem um lenitivo para aqueles que por ali passam, nervosos e pensativos, taciturnos e de vitalidade esgotada, à procura da certeza de mais uns anitos de vida com qualidade.
Por ser este o segmento hospitalar que, não sei se infeliz ou felizmente, melhor conheço, penso que lhes devo esta atenção, e por muito que possa dizer, as palavras serão sempre escassas para lhes demonstrar a minha mais profunda gratidão pela maneira cívica como me têm tratado, cujas qualidades, pelo que me tem sido dado observar, também são aplicadas aos outros enfermos.
É nesta enfermaria que, com acentuada tenacidade, cada um à sua maneira e segundo os seus conhecimentos, todos se juntam com altruísmo, e até algum sacrifício, aplicando o máximo do seu empenho e saber, para normalizar a nossa estabilidade emocional e para que os nossos corações continuem a palpitar por mais algum tempo, até que a Natureza resolva impôr a sua fatídica implacabilidade.
Aos elementos dessa  unidade hospitalar, a minha mais franca gratidão.

António Figueiredo e Silva

Coimbra, 09/06/2018


 


quarta-feira, 30 de maio de 2018

O PREÇO DO HOMEM


Todo o homem tem um preço, diz a frase.
Não é verdade. Mas para cada homem
existe uma isca que ele não consegue
 deixar de morder.
(Friedrich Nietzche)

O PREÇO DO HOMEM
      (Pura falácia)
       ЦЕНА ЧЕЛОВЕКА
THE PRICE OF MAN
די פּרייַז פון מענטש

Teimo em partir do princípio que todo o homem – quando digo o homem, quero referir-me ao ser humano, em geral - tem o um preço para as suas acções, boas ou prejudiciais, que possa cometer socialmente. É precisamente por ter um valor estabelecido, quer seja de ordem material, quer seja de ordem moral, que ele pratica excessos ou carências, argumentando as mais descabidas justificações, onde a razão apontada devia ser única e simplesmente a ambição. Esta é a razão que fortalece e estimula o instinto a cometer acções, cujas consequências podem ou não, serem passivas de reprovação.
Está “escrito” na intuição de cada ser humano o seu preço, e este é susceptível variar na sua grandeza, quer numismática quer de satisfação imaterial, mas mantendo-se esta, sempre na razão directa da ambição que no momento o sustenta, quer para o bem, quer para o mal.
A tecelagem aqui escriturada dá a sensação de ser erigida sobre análises paradoxais, movidas por pensamentos combalidos; contudo, não é isso que acontece.
A exemplificar, existem muitas pessoas que praticam o bem, porém não o fazem de “graça”; têm um preço, um valor, uma importância para a seu procedimento; esse preço consiste no contentamento que sentem em estar de bem consigo próprias ajudando o próximo. Este é o preço exigido pêlos mais sensatos onde a bondade é o honroso timbre da sua maneira de ser; conquanto que, não deixa de não ser considerado um preço, que é sempre directamente proporcional à sua própria exigência. “Pagam” para manter sadia a sua estabilidade emocional, a sua paz de espírito, não arredando, todavia, aqueles que o fazem para se fazerem notados e bajulados; daí, a pluralidade do preço.
Até este limiar, a certeza da existência da prodigalidade é uma realidade, seja ela realizada no quadro do fingimento ou da honestidade.
A partir deste patamar já podemos considerar o outro preço. O preço mafioso. É esta fasquia que fornece o alimento à ganância, fonte de todos os males que sempre assolaram a humanidade - hoje mais do que nunca. A sofreguidão da avidez permite que o ponto culminante da satisfação nunca seja atingido. É um poço sem fundo em que, infelizmente, o fim justifica os meios.
Mesmo os que alardeiam serem incorruptíveis, têm o seu preço marcado, porque a ânsia do dinheiro e do poder, apesar de não cegarem a mente, danificam-na, limitando-a à uma doutrinação religiosa em que a pecúnia fácil e rápida, permite a cópula entre ambas, por uma ideologia decorrente da catalisação de duas componentes: dinheiro/poder. Desta combinação foi parida a oligarquia, que é mais ou menos o sistema que nos tem desgovernado até ao momento.
A concluir, a figura humana obedece a dois valores: um emocional, outro ambicional. Sendo este último é o mais prejudicial socialmente, porque é decorrente de um baluarte com base no excesso, no oportunismo, na fragilidade dos mais desfavorecidos e ilimitado numa voracidade patológica.
Mas o ser humano sujeita-se à escravidão de si próprio, e escraviza o seu semelhante porque alimenta um pensamento faraónico; nunca reflecte que vai desviver e alimenta a ideia de que, quando “embarcar” desta para melhor, leva tudo consigo e vai para o outro lado – que ninguém sabe onde é – cantar de galo.
PURA FALÁCIA.

António Figueiredo e Silva
Coimbra, 30/05/2018
www.antoniofsilva.blogspot.com