sábado, 17 de outubro de 2026

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O trabalho dos dominadores, é dividir os dominados.

(Pierre Bourdieu)



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    Algo redemoinha no meu juízo que não me deixa repousar. É uma tempestade de tamanha magnitude, que eu não consigo refrear os seus efeitos.

O governar.

Como é meu hábito “acreditar”, é muito mais fácil governar o que não é nosso, do que aquilo que nos pertence.

A sabedoria da política, não determina isso; antes o oposto. A estadística foi formulada para estabilizar diferenças entre as várias populações que andam a passarinhar à tona pelo Globo. Porém, a maioria daqueles que se têm dedicado a essa área, estão a borrifar-se para as populações que dizem administrar.

O interesse primordial, tem sido governarem-se a si próprios em primeiro lugar; o resto não passa de canções de embalar, cuja sonância musical e cadência, artificiosamente estudados, têm o dom de provocar entorpecimento nos cérebros mais débeis, que olvidam haver por detrás da política, jogos de interesses encobertos; é certo que não ouso afirmar que não haja políticos credíveis na execução do seu papel. Se o fizesse estaria a mentir. Sim, eles existem; mas são poucos.

Apesar de nunca ter mergulhado no mundo da política, (hoje mais politiqueiro do que politico), “nem saber nada sobre essa matéria”, actualmente, com oitenta e dois anos a roçarem-me o pêlo, posso afirmar com segurança, que já passei por maus momentos, resultantes de governações imperfeitas. Tivessem sido ou sejam elas, ditatoriais, democráticas, socialistas ou comunistas.   

Até ao momento, ao olhar para a maior parte daqueles que têm vindo a montar no dorso do estado mundial da política, o descrédito tem vindo a minar o meu espírito com picarêtas de desilusão, por contemplar que, “se de um lado chove, do outro venta”. “Que venha o Diabo e escolha”.

O facto de não ser o meu país de origem, nem nunca por lá haver passado ou vivido, ajuízo que não me vai ser quartada a divulgação do meu conceito, relativo àquele burburinho  que tem vindo a ensopar as cabeças ao povo Brasileiro. Não ponho de parte, porém, que este bulício ocorre em quase todo o mundo. A luta pelo poder.

Todavia, antes de prosseguir com a dissertação, quero frisar que, nem um nem outro, se situam dentro dos meus parâmetros gustativos.

 O Sr., (ainda presidente), Luiz Inácio Lula, que se considera ter sido um “óptimo governante”, (se assim não fosse, não teria afluído ao quarto mandato),  já esteve na “jaula” quinhentos e oitenta dias, (certamente por promover a “filantropia”, não sei!?), vem agora argumentar que, “Bolsonaro (Flávio), só está preocupado com o poder”.

Isto dá-me vontade de rir!

Então e ele, o Sr. Inácio Lula, que tanto papagueia, está apoquentado com quê?

Vê-se ao longe, que entre ambos existe uma dualidade de interesses, sem sombra de dúvida, análogos, - para não dizer idênticos ou mesmo, equivalentes.

No decorrer de toda esta ladainha, apresso-me a lavrar em duas ou três linhas a minha predição sobre a maratona às presidenciais brasileiras, consolidada na certeza de que, liderança não significa soberania. Mas existe muita gentinha que mistura estes dois princípios e os resultados finais usualmente são contraditórios.

Deem as voltas que derem, quem vai vencer é Flávio Bolsonaro; posteriormente, ao seu pai ser-lhe-á removida a pulseira tíbio-társica e terminará o seu engaiolamento preventivo. Livre como um passarinho e como um bom pai, naturalmente irá contribuir para a estabilidade do êxtase do seu descendente.  

Quando as rédeas do poder mudam de posição e a alcândora passa para outro “pássaro”, é comum as directrizes do poder também se alterarem e saracotearem ao sabor das ventosidades da amizade, da retaliação, do compadrio, do favoritismo e do engrandecimento fácil, que vão levantar muita da sujeira antes camuflada; aí, é que a “porca torce o rabo”.

E não digo mais, para não “pecar”, mas… “estou reticente” quanto ao porvir do Sr. Inácio Lula da Silva. É muito bem capaz de voltar a ser “encafuado”.

É que a política, lastimavelmente conglutina duas faces; a temperança e a vingança.

Mas, tempo o dirá.

 

António Figueiredo e Silva

Coimbra, (PORTUGAL), 17 de Outubro, de 2026

 

Nota:

Sou contra a aplicação do AO90.

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