sexta-feira, 25 de setembro de 2026

LÁ VAI TUDO P'RÓ MANÊTA


Nota do Autor:

Para aliviar dores no espírito, de quando em vez, dá-me na môna” desandar no tempo e remirar o passado, numa busca de refrigério.

A presente narrativa, disso é prova manifesta; encontrei-a escondida no meu “baú de recordações”, durante dezanove anos. Porém, dada a realidade actual que a interpretação da mesma traceja, decidi torna-la pública.

Às tantas, tenho razões para isso!?

Mas, o leitor o dirá.

 

 

“LÁ VAI TUDO P’RÓ MANETA”!

 


    Obviamente que não conheci a figura que deu origem a esta composição lexical entre os portugueses, mas sabe-se que foi uma pessoa de má catadura, obstinadamente renitente, cuja intransigência no castigar era seu carimbo característico. Bastante penoso era o fim daqueles que tinham a desventura de serem chamados à sua presença por lhe terem feito frente ou não lhe ter caído nas boas graças. Ao que historicamente é contado,

  Quero referir-me a Louis Henri Loison (1771-1816), que foi comandante da 2ª Divisão de Infantaria aquando da Invasões Francesas a Portugal.

Tão afamado ficou pela ferocidade das suas barbaridades aplicadas na submissão da localidade de Peso da Régua, que veio a ser nomeado por Junot para “amansar” os agitadores alfacinhas anti-franceses, que se dedicavam a movimentar as massas de Lisboa e arredores.

Ali chegado, sob o seu comando muitas pessoas foram assassinadas; os saques e as violações foram o pão-nosso de cada dia. Um verdadeiro terror!

Era conhecido por, “O Manêta”; por haver perdido um braço numa diversão à caça no seu país.

Ao que parece, era tão bom a chefiar, como a diligenciar imolações àqueles que não comungavam  da sua vontade.

A forma militarista e sádica que o distinguiu, primeiro em Peso da Régua e seguidamente em Lisboa, deu origem a que o General Junot, o tivesse “agraciado” com mais uma “digressão” para o Alentejo, mais propriamente em Évora, onde prosseguiu também com uma onda de violações, mortes e saques.

Certamente que a sua figura não teria deixado muitas saudades pelos lugares por onde atravessou; contudo, herdamos, não somente a lembrança do seu sádico e implacável tributo, mas também, como “bons sucessores” que fomos, mesmo a brincar, grafámo-lo como contributo para o aumento lexical da língua portuguesa.

No entanto, a concepção subentendida nesta frase, não deixa de não se aproximar da realidade actual, no que diz respeito ao sistema governativo, que há um lustro tem vindo a acentuar a martirização da vida dos portugueses.  

Agora, é que é caso p’ra dezer… “Lá bai tudo p’ró manêta”.

Pelo menos eu, estou convicto disso!?

Mas, lastimavelmente, medito que já não  irei sentir essa agonia.

 

 

António Figueiredo e Silva

Coimbra, 2/05/2007

 

Obs:

Hoje vou postá-la no meu blog,

que naquele tempo ainda não tinha ,

 para esta possa também dar, um passeio Global.

 

 

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