Nota do Autor:
Para aliviar dores no espírito, de quando em vez,
dá-me na môna” desandar no tempo e remirar o passado, numa busca de refrigério.
A presente narrativa, disso é prova manifesta;
encontrei-a escondida no meu “baú de recordações”, durante dezanove anos. Porém,
dada a realidade actual que a interpretação da mesma traceja, decidi torna-la
pública.
Às tantas, tenho razões para isso!?
Mas, o leitor o dirá.
“LÁ VAI TUDO P’RÓ MANETA”!
Quero referir-me a Louis Henri Loison
(1771-1816), que foi comandante da 2ª Divisão de Infantaria aquando da Invasões
Francesas a Portugal.
Tão afamado ficou pela ferocidade das suas
barbaridades aplicadas na submissão da localidade de Peso da Régua, que veio a
ser nomeado por Junot para “amansar” os agitadores alfacinhas anti-franceses,
que se dedicavam a movimentar as massas de Lisboa e arredores.
Ali chegado, sob o seu comando muitas pessoas foram
assassinadas; os saques e as violações foram o pão-nosso de cada dia. Um
verdadeiro terror!
Era conhecido por, “O Manêta”; por haver perdido
um braço numa diversão à caça no seu país.
Ao que parece, era tão bom a chefiar, como a diligenciar
imolações àqueles que não comungavam da
sua vontade.
A forma militarista e sádica que o distinguiu, primeiro
em Peso da Régua e seguidamente em Lisboa, deu origem a que o General Junot, o
tivesse “agraciado” com mais uma “digressão” para o Alentejo, mais propriamente
em Évora, onde prosseguiu também com uma onda de violações, mortes e saques.
Certamente que a sua figura não teria deixado muitas
saudades pelos lugares por onde atravessou; contudo, herdamos, não somente a
lembrança do seu sádico e implacável tributo, mas também, como “bons sucessores”
que fomos, mesmo a brincar, grafámo-lo como contributo para o aumento lexical
da língua portuguesa.
No entanto, a concepção subentendida nesta frase, não
deixa de não se aproximar da realidade actual, no que diz respeito ao sistema
governativo, que há um lustro tem vindo a acentuar a martirização da vida dos
portugueses.
Agora, é que é caso p’ra dezer… “Lá bai
tudo p’ró manêta”.
Pelo menos eu, estou convicto disso!?
Mas, lastimavelmente, medito que já não irei sentir essa agonia.
António Figueiredo e Silva
Coimbra, 2/05/2007
Obs:
Hoje vou postá-la no meu blog,
que naquele tempo ainda não tinha ,
para esta possa
também dar, um passeio Global.

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