ESTOU FARTO
"Quando
a ordem se desmembra,
a confusão
patrocina um princípio de justiça".
É uma das
formas de tornar a injustiça justa.
(A. Figueiredo)
ESTOU
FARTO
Neste instante, acabei de sentar-me à secretária, já dilacerada de pelo uso, para teclar, umas dúzias de palavras a sobre a podridão que tem vindo a contaminar a conduta do civismo em Portugal; A PÁTRIA QUE ME VIU NASCER, E QUE EU, COM 17 NOS DE IDADE, TIVE MUITO ORGULHO EM INGRESSAR COMO VOLUNTÁRIO, NA SUA DEFESA E DO SEU IMPÉRIO, BEM ASSIM, COMO DOS VALORES CÍVICOS À ÉPOCA INSTITUÍDOS.
Poderão alguns “mancebos
mal instruídos, com os miolos minados pelo fanatismo, - real ou fingido” -, ou
idiotice congénita, não estarem de acordo com a minha forma de raciocinar, mas
isso nada me apoquenta. Não me faltarão argumentos para defender a minha tese
sobre a matéria em questão, que se sintetiza ao apodrecimento do estado
comportamental da comunidade reinante, neste tão bonito “talhão” à beira mar
plantado.
Estarão a caminho
cinquenta e dois anos que germinou um golpe de estado neste país, que visava
varrer a ditadura, para, em sua “monarquia”, implantar e salvaguardar a
democracia, liberdade de expressão e implantação da igualdade de direitos e
deveres a todos os cidadãos.
Os anos foram passando,
e hoje, sinto-me desgostoso, revoltado e agrilhoado, por tudo o que eu na
época, havia vaticinado, ter-se afinal, realizado.
A dignidade de Portugal
no Mundo, lentamente foi decepada por entidades que, apregoando servirem a
nação, com arteirice e descaramento, se serviram da dela, em benefício dos interesses deles próprios – salvo raras
excepções.
O Império Português,
outrora colonizado, foi de mão-beijada cedido à bicharada e subsequentemente “exterminado”;
hoje não é mais do que um mundo que alberga um antro de ácaros, que se distraem
a chupar as suas mais valias, enquanto grande parte do seu povo – que bem
conheci – se vê na necessidade de vasculhar
nutrimento nas estrumeiras, e os seus desafogos e insurreições são reprimidos
pela força do poder instituído, com recurso ao uso do bastão, e, se necessário,
ao premir do gatilho - que despoleta balas sem olhos nem sentimentos.
Depois da “herança”
compulsiva que lhes foi deixada, e os seus (des) governantes se terem comportado,
como oportunistas herdeiros e não como progressistas sucessores, é que deflagrou
que, grande parte da penúria que hoje temos conhecimento, graças à divulgação informativa,
pode ser constatada. Esta é a realidade das condições lamentáveis em que
actualmente se depara “quase” todo o extinto Império, que há meio século vinha
a ser timonado pelos portugueses.
Como obstinado que sou, não abandono o
objectivo; vou seguir o azimute para o Sul da Europa, mais propriamente para o
Sudeste da Península Ibérica, tendo em mira ao meu pais. PORTUGAL! Com toda a
sua deslumbrante faixa costeira banhada pelo Oceano Atlântico, revestida por
praias aprazíveis, onde se pode sentir o afago da calmaria do Estio, e respirar
nessa deleitosa soalheira o ar fresco “encharcado” pelo cheiro a maresia!
Ainda que reduzido na área,
Portugal desfruta de um ponto estratégico na Europa, com uma belíssima e
aprazível zona costeira em todo e seu comprimento, que, pela sua beleza natural,
constitui um atractivo turístico de elevada qualidade, - e de meter cobiça!
Todavia, observo, - e
sinto -, que no decorrer de todo este Lustro, no que respeita ao sector
governativo, - em toda a sua amplitude -, este não tem tido capacidade para dar
cumprimento aos seus prometimentos e aos seus deveres; quer na parte interna,
económica e social, quer na implementação da dignidade e prestígio global. Como
toupeiras, estamos p’áqui arrumados a um canto da Europa, “a ver passar os
comboios e os navios”, enquanto ardilosa e manhosamente nos vem a ser insuflada
uma aflição compulsiva, cada vez mais acelerada que nos vai acidulando a vida e
corroendo a mioleira.
Estou farto!
Admito que somos
pequenos na área territorial; mas não ignoro que a dimensão da “nossa” mente, tem-se
comportado na razão directa da superfície que nos acolhe. Contudo, essa pequenez
intelectual, não pode servir para justificar as asneiras que indesculpavelmente
têm vindo a ser cometidas.
O nosso Império, foi abandalhadamente
desmantelado; as reservas auríferas, garantia do nosso poder económico, foram desconjuntadas;
as privatizações, antes do domínio público, organizadas e copiosamente lucrativas,
esburacaram; a corrupção campeia a céu aberto, porém coberta pela escuridão do
sigilo até ao nascer do dia *“D”; a justiça, apresenta-se inquinada, não pela
letra de lei, que é uma realidade inegável, contudo pela interpretação “filosófica”
da mesma, que varia em cada cabeça, e oscila ao sabor dos ventos da conveniência;
às forças de protecção dos cidadãos, foi-lhes retirado poder de dissuasão de
conflitos; são forçados a serem insultados e a suportar agressões, passíveis de
atingir a desgraça; o civismo, apressadamente tem vindo a enveredar pelo caminho
da bandalheira; com a abundância de cursos superiores para tudo, a doutorice
está a ser minada pela idiotice; os mestres do ensino vêm a ser violentamente insultados
e agredidos, sem qualquer poder de defesa ou protecção; por qualquer causa “mal
aferida” e mal ponderada, chovem caldeiradas de greves e jorram insultos por
tudo quanto é canto, - aproveitando, como sempre, os fins-de-sema, etc..
Foram escancaradas as
portas fronteiriças, o que possibilitou a qualquer badameco entrar livremente e
asilar neste país, mesmo “sem se saber onde ele pendura o pote” – não, quem entra
em minha casa, tenho de saber a sua proveniência, quem é, e tem de se cingir aos
costumes vigentes. A violência e o desrespeito estão em franco progresso e não
aparece ninguém com intrepidez para o estancar; a desordem tem-se manifestado
de tal forma, que, indecorosamente, até permitiu o assassinato da língua portuguesa.
Ao que chegámos!
ESTOU FARTO DE VIVER
NESTA SOCIEDADE DE HIPÓCRITAS, OPORTINISTAS, CÍNICOS E LADRÕES; CORJAS QUE
PRIMAM PELA DESARTICULAÇÃO DA ESTABILIDADE QUE VINHA A OXIGENAR A ORDEM E O
PROGRESSO NESTE PAÍS.
António Figueiredo e
Silva
Coimbra, 13/01/2026
Nota:
Não utilizo o AO90.


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