terça-feira, 29 de setembro de 2009

A ALBARDA NUM É P'RÓ BURRO

"ALBARDA QUE NUM É P’RÓ BURRO"

É caso para dizer que os tempos são outros! Já lá vai o tempo em que um proletário com um bocado de paleio, enfiava um boné na tola e através de discursos de impregnados de inflamação revolucionária, conseguia distorcer os cérebros meio amorfos das massas e catalizá-las para as suas arestas de pensamento; instalando seguidamente a ditadura do proletariado e concedendo aos seus apoiantes umas benesses como uns campos de trabalho forçado em território Siberiano, onde o Inverno era soalheiro e o Verão dava para fazer sky. Tudo porque eram burgueses e fascistas.
Agora é outra loiça!? Apresentam-se arreados de bons fatos, se calhar confeccionados em Londres, como os dos maiores fascistas dos nosso burgo, de quem tão mal sempre disseram, - e dizem - armados em “lulas”, depois de se terem apresentado como candidatos às presidenciais, cheios de patriotismo e compaixão dos trabalhadores, - outra vez? - sobre os quais sorrateiramente equilibram os seus tachos. Assim tem feito o kamarada Jerónimo, seguindo religiosamente as directrizes da nomenklatura.
Explodindo baba, ranho e infindas nuvens de gafanhotos, com o seu paleio assaz reticente e carente fluidez na dicção, lá vai mandando umas repetitivas traulitadas fora de moda, já pouco convincentes, porquanto com puída razão, que tendem estar em desacordo com a imagem “proletária” que afirma representar e pretende transmitir. Não quero dizer que não esteja certo, porém, por muita água choca que exista, há sempre quem com ela mitigue a sede.
As massas, a estratégia, os trabalhadores, o fascismo, a precariedade o capitalismo - que se não existisse não existiria trabalho - a derrota da direita, a subida da esquerda, etc., são os ingredientes usuais, sem os quais não consegue fazer o escabeche de cebolada picante e criticista.
Como uma marioneta, lá vai arreando as marteladas que lhe são autorizadas a mandar segundo discursos pré fabricados pelos mentores do partido, num ciclópico esforço para tentar uma imitação rasca dos símbolos da pauta musical, daquele cuja inteligência se distancia da dele, a milhares de anos-luz: o Dr. Álvaro Cunhal!... Que, apesar de nunca eu ter perfilado nas suas ideias, sempre o admirei pelo seu pragmatismo e persistência na defesa do porquê, a que ele me parecia ser fiel, muito embora não tivesse nada a ver com democracia.
Esse não precisava que lhe fizessem os discursos; a retórica revoltada fluía-lhe do interior da alma imbuída numa crença em que ele cegamente acreditava e pela qual pelejou até ao seu derradeiro esforço. Era um autêntico revolucionário!... Um óptimo catalisador de massas!
De resto, o actual leitor de retóricas do PCP, fraco precursor do Mestre, apesar de todo o seu esforço na imitação de tão contestada figura, a meu ver não convence; faz-me lembrar a figura principal que deu origem ao livro “O MANDARIM” de Eça de Queirós.
Um dia irão ver que “A ALBARDA NÃO É PARA O BURRO”.

António Figueiredo e Silva
Coimbra

Blog: www.antoniofigueiredo.pt.vu





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