Quanto
mais corrupto é um Governo,
Mais
numerosas são as leis.
(Tácito)
DEGRADAÇÃO SOCIAL
SOZIALE DEGRADIERUNG
СОЦИАЛЬНАЯ ДЕГРАДАЦИЯ
SOCIAL DEGRADATION
СОЦІАЛЬНА ДЕГРАДАЦІЯ
Logo, a clareza da lei está
impedida de apresentar a sua verdadeira limpidez, visto que, a corrupção assim
o determina. Assim sendo, quando interpretada por consciências doentias, devido
à subjugação de interesses gananciosos, a moral descampa, o azimute muda, e o “galo
do campanário judicioso” segue, girando ao do sabor da severidade e favoritismo
da ventania que sopra.
Muito me
deslumbra a ilustração que da frase de Tácito emana, e o extenso
trajecto que ela teve de percorrer até chegar a mim e entrar na minha já
carcomida mioleira. Constato que ele tinha razão. Actualmente as leis são
muitas, e cavacadas por “artesãos”, segundo as suas conveniências. A sua forma,
permite uma indeterminável locomoção serpentina na interpretação do seu articulado,
resultando que da mesma, sejam decididas sentenças imorais, indecentes e desadequadas
ao acto praticado; não obstando, contudo, que não possa acontecer o oposto.
Pelo
que tenho vindo a observar, a doença corruptiva é uma componente, (além de
outras mazelas), que tem acompanhado o Homem desde a sua concepção.
Mais ou
menos acentuada, todos os viventes Humanos armazenam esta imperfeição que é
moldada em função da sua consciência, da sua genética, da sua ambição, da sua
vaidade e da degradação da comunidade que o circunda.
A
actual sociedade é especialista em actividades ilícitas, com grande incidência
para o desvio de verbas públicas. A fraude, em numerosos elementos do elenco
governamental, é o “pão nosso de cada dia”. Mas, para que isso aconteça, com
maior ou menor frequência, tem o protectorado da variação interpretativa das
leis. Se estas fossem concebidas à semelhança do Código de Hamurabi, ("ôlho
por ôlho, dente por dente”), que era fundamentado na famosa Lei de
Talião, que indicava que o castigo a aplicar, devia ser proporcional ao
delito, certamente que havia mais contenção nas ilicitudes cometidas.
A maior
incidência desta situação, que desagua na indecência, e no desrespeito, é articulada
entre muitos daqueles que nos governam, que em espontânea conexão com
familiares, e/ou empresas, sigilosamente recorrem ao entrelaçamento de dados com
o preciso obectivo de enceguecer a visibilidade da fraudulência dos esquemas forjados.
Tudo
isto tem sido possível, graças ao beneplácito “cego”, de comanditas
organizadas; porque a isca mais gorda, cai constantemente na gamela insaciável,
da ganância que as alimenta.
Ao “pequenino”,
apenas cabe os restos urticantes das decisões mal tomadas, promovidas pela
degradação que subsiste nesta sociedade alienada e tolhida pela ambição, onde a
“Dura lex sed lex” é apenas uma nesga perante a realidade dos factos.
António
Figueiredo e Silva
Coimbra,
21/03/2026
Nota:
Não utilizo o AO90.
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