GRANIZADA DESNECESSÁRIA


“Para bom entendedor, meia palavra basta”

(Provérbio antigo)

 

GRANIZADA DESNECESSÁRIA

    Com alguma frequência, a qualidade, excelência e primor, de uma escrita, não reside na interpretação integral da redacção que lhe dá corpo; porém, nas entrelinhas, que criam o sopro que lhe insufla a vida.

Entendo que essa particularidade não está ao alcance de todos os ledores, porque, além das particularidades do espaço que ocupa, pavimentado por consoantes e vogais, submetidas a um “rígido” e afinado sistema de pontuação, - nem sempre -, existem mentes que não alcançam separar o corpo que as linhas “aparentam” conferir e buscar nas entrelinhas, o âmago da alma que anima o texto; que lhe concede vitalidade; que o faz florescer e inundar de satisfação, o espírito daqueles que tiveram intelecto para lá chegarem. No entanto, reconheço que não é tarefa fácil; mesmo para muitos “timoneiros letrados”, que se abrigam à sombra protectora de um canudo, (diploma), para a obtenção do qual, despenderam centenas ou até milhares de horas para sua memorização, - mas não para seu entendimento. 

É evidente que, com esta minha conclusão, não pretendo asseverar uma certeza. Contudo, creio que não lhe será interditada a sua razão de ser.

A fase interpretativa da escrita, (rotulada de hermenêutica), foi, e é, das matérias mais trabalhosas e mais sublimes, que meus olhos têm enxergado, (agora com alguma dificuldade), e aos poucos, se foi alojando no meu córtex cerebral, para forjar o meu entendimento, (que como ser humano, pode ser dúbio), mas muito ficou arquivado para memória futura. Contudo, os capítulos necessários desse repositório de folhas invisíveis, com incrível rapidez tem despontado nos momentos em que deles tenho carecido - enquanto o declínio cognitivo se não projecta sobre mim.

E, para concluir: esta resenha, é fruta da árvore-do-tempo; ela apresenta a todos nós, as mais variadas qualidades, que vão do saber à ignorância, com apeadeiros na patetice; mas a escolha é nossa.

Durante o meu trajecto de vida, com “algumas” horas consagradas à leitura, vezes sem conta remigrei ao princípio, para no fim poder deleitar-me com o assombro ou tristeza, da realidade escondida no interior da ortografia que dava corpo ao texto; para uma mesma disposição de vocábulos que uma redacção tenha, os conceitos são passíveis de divergência entre si. Aqui, é ponto assente.

Assim:

O melhor não é o que está escrito; o melhor reside nas entrelinhas.

 

António Figueiredo e Silva

Coimbra, 18/01/2026

E agora, a motivo da redacção arriba grafada:

Foi por mim escrito um artigo, sob o título, “É REVOLTANTE”.

Cuja totalidade se encontra no link:

https://antoniofsilva.blogspot.com/2026/01/e-revoltante.html

 

Pelo que tenho vindo a observar, fiquei surpreendido com as “sapientes” interpretações, (inda qu’in piqueno númbro), alcançadas por “alguns”, não digo anormais, porque não é apropriado, mas, pascácios, - é mais suave -, que não tiveram capacidade mental, para a interpretação, já não direi completa, contudo parcial, do artigo em causa.

Isso levou a que, pelo meio da maioria observações feitas com critério, respeito e entendimento, também tivessem sido semeadas algumas baboseiras; que, para além da irrisória ortografia, (p’ra num dezer burrescas), subiam ao cume rasca e desrespeitoso dos impropérios.

Pelo que, através da escrita, é possível conhecer o comportamento das pessoas, só quero dizer a esses “aborígenes”, que se comportem como cidadãos educados. A ver pelas observações postadas por alguns, eles ajuízam que os meios de comunicação são semelhantes ao burburinho de a uma tasca. Mas não. A liberdade consiste em podermos manifestar o nosso desagrado, expôr as divergências, emitir opiniões, censurar e comentar, sem sairmos fora do civismo, como é natural.

Se assim não acontecer, a paz da vivência comunitária, entra em derrocada e colapsa. Depois é que ninguém se entenderá.

Perceberam?

Tenham juízo!? PARA QUE O ANO EM CURSO, SEJA BOM PARA TODOS.

(o Autor)

Nota:

Não uso o AO90.


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