ESCUTAI...



 

 

A esperteza sustenta-se do desconhecimento

existente nas pessoas pouco esclarecidas.

(António Figueiredo e Silva)

 

ESCUTAI…

(Aos portugueses)

 

Antes de prosseguir com a palestra, quero admitir que posso estar errado.

Se ainda por cá me encontrar, creiam que, sentir-me-ei contente houver errado. Não é a primeira vez, nem será a última, que, uma avaliação, tida como franca, e princípio, até aproximada da coerência, inusitadamente possa desviar-se da análise de quem a emitiu – do presente caso, eu; mas, também não será a primeira vez que um desvio, muitas vezes culminou num inesperado sucesso, para os objectivos pretendidos, que por incerteza, haviam sido postos em causa.

Portanto, vou continuar a caligrafar o que raciocino, relativamente ao magote de candidatos que se apresentaram como postulantes à Presidência da República Portuguesa.

Primeiro, quero esclarecer que, para um território tão limitado, seria dispensável uma “turma” tão grande; isto leva-me a entender que a vaidade, e o esfaimado desejo ao tacho, tiveram um grande influxo nas decisões de alguns. Isso deu como resultado a fragmentação do eleitorado, - entre si, já com muita divergência -, como a todos os portugueses é dado constatar.

Finalmente, após um renhido conflito campal, onde cada um, em função da sua habilidade, ia esgrimindo com garra, as artísticas composições dos seus discursos atulhados de promessas, em que davam tudo aos portugueses; desde aumento de salários, pensões, garantiam reorganização do ensino, “revolucionariam” o SNS, aumentariam o emprego, diminuiriam os impostos, forneceriam matéria prima para a construção de habitações para quem as não tem, com incentivos, (ainda não vi como), incrementavam a productividade na indústria, encolheriam a corrupção, - já muito enraizada -, fariam algumas transmutações na legislação da Constituição da República, etc. todos empolaram as vantagens e intumesceram o patriotismo, do qual, alguns não me convenceram. Porém, aqui, não vou apontar o dedo a ninguém. O certo é que a estratégia resultou. Para mim, com um desagradável desfecho. Remanesceram, dois. Cada qual, com os seus defeitos e virtudes, - como é natural. Mas o certo é, que os portugueses ficaram limitados, ou mesmo espremidos; como é hábito dizer-se, “entre a espada e a parêde”. Se “de um lado chove, do outro lado venta”.

Não me foi custoso chegar a esta conclusão.

Um, ainda na sua juvenilidade, foi lavado e abençoado com a “água-benta” e fantasiosa do marxismo, que “não interessa a ninguém”, pela pureza ilusória na asseveração, de que a igualdade se estende a todos. Pura miragem. No entanto, é natural que com o avançar da idade, esse aspirante ao cume presidencial, haja reconhecido a diferença entre o sonho e a realidade. Oxalá, que sim.

O outro, apesar da exposição de factos sujeitos a verdades incontestáveis, fala demais, e não dialoga; provoca e alterca. É um exímio mestre nas afinidades “propagandísticas” no que toca ao populismo. A apreçar pela sua linguagem corporal, não lhe legitimo veracidade alguma nos seus propósitos, - não tem nada a ver com as verdades que aponta -, além de não lhe não evidenciar diplomacia alguma, para a posição que se propõe a entronar; é arrogante, desestabilizador da urbanidade, e leva-me a não acreditar nas deliberações que expõe. Olho-o, envolto numa aura de fingimento, apostado em tirar proveito da ambliopia mental das massas extasiadas, que com a sua verborreia tem adormecido.

Então, se a economia nacional se encontra depauperada, - porque é verdade -, de onde poderão surgir os proventos para colmatar todas esses prometimentos?

Não vejo como!? Pode haver muitos milagres; mas, com sacos de dinheiro, nunca tive conhecimento de nenhum.

Neste contexto, a minha apreciação é esta: “que venha o Diabo, e escolha”.

Porém, em face das circunstâncias actuais que reinam em Portugal, pela minha parte, tenho de ser eu a fazer a selecção. E vou concretizá-la. Por muito que me possa desgostar, não vou fazer parte do quadro abstencionista. Em qualquer panorama eleitoral, é a pior coisa que se pode fazer. A intenção de voto, deve ser sempre expressa.

Agora, mais polémicas, com que fim?! As “faixas curriculares” de ambos, já são sobejamente conhecidas.

Pessoalmente, já estou fartinho de tagarelices, embustes e actuações circenses, que têm vindo inundar os órgãos difusores de informação.

Então…

Portugueses; é nosso dever e obrigação, fazermos uma opção, embora limitada pela imprevisibilidade do “cenário” que se nos apresenta; optar por aquele que se nos afigure ser menos prejudicial. “Do mal, o menor”.

Todavia, perante o estudo ponderadamente elaborado pelo meu “franzino” raciocínio, mesmo assumindo a debilidade do entendimento, o “thrampismo” em Portugal, deve ser evitado.

Decidam de acordo com a vossa consciência.

VAMOS LÁ A VER SE ESTE ANO CORRE MELHOR.

 

António Figueiredo e Silva

Coimbra, 24/01/2026

Nota:

Não utilizo o AO90.

 

 

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