quinta-feira, 12 de outubro de 2017

A MENTE HUMANA

Loucos são os psicólogos que insistem
 em entender a mente Humana.
(Katarine Norbertino)

A MENTE HUMANA

Uma pessoa com o meu temperamento, não consegue viver sem um cavalo de batalha fogoso e persistente. O meu corcel é a escrita, cujo cavalgar me põe num estado catártico e me dá assombrosa satisfação. Qualquer campo para mim, é um espaço de liberdade a explorar.
Hoje deu-me na veneta para escrever a respeito mente humana, sobre a qual, brilhantes intelectos da ciência se têm dedicado com invulgar sofreguidão de saber, ao seu intensivo e minucioso estudo, sem contudo terem conseguido dominar extensão absoluta do sistema que a envolve na sombra - ainda de colossal mistério - cuja fortificação não permite a penetração no seu cerne.
 A complexidade que ela enclausura num cerrado e fantástico hermetismo, tem tanto de fantasioso como de medonho, incutindo no ser humano uma vontade férrea na sua desmistificação sem até agora o ter conseguido em toda a grandeza, que se lhe depara como incomensurável, se não, intransponível
A mente é formada por uma estrutura tão entrelaçada, que, não obstante os avanços no campo científico, ela foge como enguias lodosas às asseverações da compreensão do homem; por mais artifícios que tenham sido usados, a pensamento continua a ser um mistério, não direi insondável, porém, muitíssimo longe de conseguir romper a sua impenetrabilidade.
Naturalmente que estou consciente de que não fico à margem das influências do inconsciente - que se crê ser uma das partes dela constituintes - que, apesar de ser uma parte enigmática que a consciência desconhece, este, sem que nos apercebamos, não deixa de exercer grande influência no comportamento humano, que compreende a nossa maneira de pensar e agir, estendendo-se também até ao campo onírico, fonte de interrogações e superstições que têm desafiado o pensamento homem. O inconsciente é, por assim dizer, um espaço fechado no desconhecido do nosso ser, onde estão acumuladas todas as nossas pulsões susceptíveis de uma interacção com o nosso subconsciente, à revelia do nosso consciente.
Assim sendo, porquê à revelia do nosso consciente? Porque o consciente é o espaço da mente, que nos permite executar todas acções das quais o ser está ciente da sua racionalidade; porém, é frequente ao homem, fazer coisas ou assumir posturas, benévolas ou maliciosas, em que a razão não justifica a consciência; são estas actuações, decorrentes dos impulsos imanados do inconsciente que conseguiram entrar no subconsciente e transformar em realidade o que neles, de bom ou de mau, estava latente.
Contudo, se a parte consciente é alertada dessas pulsões e sente que determinados actos não devem ser consumados, estes ficam retidos, comprimidos, no subconsciente, e resultam naquilo que a psicanálise titula de recalcamentos.
Estas repressões, ainda que reféns da vontade e presas no subconsciente, por vezes conseguem mobilizar-se e afectar o ser humano, inquinando artificiosamente a sua maneira de ser e de agir, e, sem que ele disso dê conta, o seu “ego” fica afectado; decorrendo daí que o seu comportamento possa obedecer à sujeição de condutas diversas, cujas razões de causa, ainda que aparentes, não são passíveis contudo, da negação da sua existência.
 Com bom poder de observação e paciência, poder-se-á no entanto alcançar, ainda que superficialmente, o que paira na consciência de um ser humano, analisando os pormenores, de preferência pequenos, como o olhar, os tiques, o tom de voz, a sua expressividade facial, os gestos o nervosismo ou a calma – muitas vezes aparente, etc.   
A linguagem corporal fala por si, e revela muito do que se passa na mente de quem mascara, ou é sincero, mas… mesmo assim, é difícil agir e julgar com uma consciência correta e dentro da razão, porque a própria razão fica muito além do nosso entendimento.
Para os mais atentos e sensíveis observadores muita coisa se pode descortinar do que passa pela intelecto das pessoas, porém, a grande fatia fica no segredo dos deuses, rotulado de:
 “MENTE HUMANA, UM CAMINHO INTRANSPONÍVEL”.

António Figueiredo e Silva
Coimbra, 10/10/2017
www.antoniofsilva.blogspot.com



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