sábado, 6 de abril de 2013

TODO O CUIDADO É POUCO



Ladrão que rouba a Nação,
tem programa na Televisão.
(novo prov. Português)


TODO O CUIDADO É POUCO

Podemos não ser férteis em muitas coisas, mas em humor, devemos andar a raspar a primeira fila da criatividade, a ver pelo provérbio acima narrado, de um qualquer autor desconhecido.
A ladroíce quando é realizada com proficiência e destreza, torna-se num acto capaz de transfigurar a imagem do mais reles criminoso num ícone internacionalmente conhecido. Isto ocorre, não para servir como exemplo de moralidade mas para desenvolver a criação de audências, a árvore das patacas de uns grupos de espertos, contudo, com as mentes lisas de qualquer réstia de consciência ou pedagogia. E não há ordenação que lhes possa arrolhar esse propósito objectivista nocivo à sociedade, cujo vício bisbilhoteiro é o seu filão de mineração. As pessoas sentem, por índole própria, uma atracção forte pelo ridículo, pela fatalidade e por tudo o que lhes aguce a coriosidade ou lhes mexa com o instinto animalesco dissimulado mas latente; mais do que isso, muitas vezes seguem como verdadeiros ceguêtas, exemplos errados, ou, com o entendimento depredado por sucessivas catequizações, incorrem na acção repetitiva do mesmo tropeção que posteriormente lhes vai dificultar, não só a própria vivência, como também a existência do seu semelhante.
É precisamente com estes dados que a comunicação social mais tendenciosa, constrói a estrutura do seu tablado, de onde faz veicular a prosaica, porém falaciosa musicalidade catequizadora de umas dúzias de indivíduos a quem a ambição pela grandeza fácil despersonalizou. Mas é desse coreto que tira altos dividendos, sem se encomodar com as lavagens cerebrais que dali possam ser emitidas. Fá-lo, não por falta de conhecimento da “moléstia” e da sua nocividade, mas por interesses lucrativos subjacentes à divulgação.
O mais recente exemplo, é o do canal estatal RTP 1, que mesmo com uma forte movimentação popular contra, mantém o propósito de contemplar com uma emissão para o ar das palavras, sem fiabilidade alguma, de José Sócrates Pinto de Sousa, em comentários supostamente semanais.
Ora, a pretenção desse brilhante fala-barato, não é por certo, esclarecer nada nem ajudar a repor a estabilidade na bandalheira que ajudou a deflagrar; é, pelo contrário, a tentativa de dar uma borrifadela na limpeza da sua imagem, justificar a sua atitude desgovernativa que foi assente em vários factores cuja lisura duvidosa durante muito tempo ocultou, e, acima de tudo, confundir os portugueses, virtude desvirtuada na qual é exímio sabedor.
O seu propósito é fácil de vaticinar; a época de eleições aproxima-se e deve ser seu desejo aplainar o caminho com vista a arrancar mais uma nicada ao costado dos portugueses, assim eles se deixem levar. Por isso e com a ajuda divulgadora da RTP1, aí o temos, com toda a arteirice que lhe é peculiar, apto para estimular a dormência colectiva no Zé Pacóvio.
Todo o cuidado é pouco.

António Figueiredo e Silva
Coimbra 03/04/2013
www.antoniofigueiredo.pt.vu




   





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