sábado, 23 de fevereiro de 2013

A MÚSICA! ALMA DA EXISTÊNCIA.



A música está em tudo.
Do universo sai um hino.
(Victor Hugo)


A MÚSICA!
Alma da existência.


Apesar de não ser musicólogo, compositor, maestro ou um expert do mundo harmónico, consigo sentir os seus efeitos e dentro da minha modesta erudição, sei que sou regido por ele, sendo por isso meu dever, atribuir-lhe a sua infinita grandeza.
Profetizo largas hipóteses de poder cair nas garras do criticismo, mas assumirei o risco e procurarei edificar as alegações necessárias com vista à defesa do meu ponto de vista, caso isso venha a ser necessário.
Isto pode advir pela afirmação que vou aprontar, com base nos meus conhecimentos que, muito embora não sejam de grande monta, apraz-me afirmar que sem o som, (sem música), o universo, no seu todo, seria quimérico.
A música não é mais do que o produto de uma multiplicação diferenciada de sons, nascidos de vibrações e dispostos de forma organizada sobre um documento chamado partitura, sobre a qual podem ser interpretados e regidos, elevando-os deste modo à condição sonora.
Apesar da sua diversidade na polifonia, ainda que as suas ondas de propagação não tenham ao mesmo comprimento dentro do sistema doplleriano, obedecem com total submissão a um tempo, a um ritmo, que goza de rigorosa universalidade. Só assim se compreende, que os entendidos na matéria consigam, em qualquer parte do mundo, independentemente da mão que prende a batuta, reger qualquer orquestra, por mais elementos ou por maior diversidade instrumental de que ela seja composta, mantendo sempre a justeza dos valores pautados.
O Universo é pulsante. É um elemento onde toda a matéria vibra, para dar origem à vida, à existência. Tudo nele está subjugado à lei das vibrações e das ressonâncias. São a sua alma. O próprio cosmos tem um pulsar ritmado, e, como a vida, na qual estamos inseridos, faz parte do todo universal; esse pulsar rítmico afecta-nos e mantém-nos sempre em harmonia com esse todo do qual fazemos parte, através daquilo que vulgarmente chamamos de, relógio biológico (ritmo da vida).
Este regulador de vida é inalterável, se não mais, pelo menos em toda a existência constituinte deste planeta; ainda que variem as latitudes, as longitudes, as condições climatéricas ou até mesmo o estado de espírito, a uniformidade do seu pulsar mantém-se e sempre em consonância com o diapasão cósmico.
É perante este inaudível pulsar que, alguns virtuosos, pela sua sensibilidade artística e acção criadora, conseguem organizar as partes dispersas, porém existentes, da sonoridade, em melodias cuja susceptibilidade afecta de alguma forma a nossa parte espiritual ao cruzar com os nossos sentidos.
A música pode levar-nos ao êxtase, à paixão, à agressividade, à dolência à luta. Ela interfere na subida ou abaixamento dos nossos níveis de adrenalina.
Quero aqui manifestar a minha admiração e prestar a minha gratidão a todos os virtuosos que, mercê da sua paciência e do seu espírito criativo têm conseguido bulir com a essência do ser vivente, através das suas desvairadas ou ziguezagueantes harmonias.  
Não quero deixar de aqui frisar que vibrações existem e não se ouvem, que podem levar um vivente para outra dimensão; mas isso, ainda que obedecendo na mesma, ao compasso cósmico, já é outra música.
Uma coisa é certa: sem música a inexistência do universo nem um facto será.

António Figueiredo e Silva
Coimbra


Tributo ao meu caro amigo “Zé” Firmino Morais Soares,
maestro, compositor, e professor do Conservatório
de Música de Coimbra.

Com dedicatória também a “Zé” Pedro Figueiredo,
maestro da Banda de Música de Loureiro.
Oliveira de Azeméis

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