sexta-feira, 18 de maio de 2012

CAFÉ SEM AÇÚCAR (Novas Oportunidades)


CAFÉ SEM AÇÚCAR
 (Novas Oportunidades)



Aqui há uns tempos…
- Então, rapaz, o que é que tens feito durante estes tempos em que não nos temos visto? Perguntei eu, a um amigo com quem não contactava talvez há mais de um ano.
- Olha, cá bou andando a coçá-los; agora também ando a tirar o 9º ano, atrabés daquela coisa qu’ é as nobas oportunidades. Bieram ter comigo e eu foi.
E tu achas-te com capacidade para isso? Perguntei.
- Num sei, o que sei é que eles pago-me p’ra isso; mas põe-me lá uns númaros pu riba dos oitros que eu num cumprendo nada daquilo. E rindo com acentuada malícia, ainda acrescenta:
- Eu mal sei cuntar até dez!?
Este diminuto fragmento de um longo diálogo, que se manteve durante umas horas alimentado com matéria diversificada, acompanhado com umas lascas de bom presunto e uma óptima pinga à mistura, tem por finalidade impor uma certa aferição às palavras verbadas por Passos Coelho, no que concerne ao programa das Novas Oportunidades.
Não sou pessoa que vá muito com ele, mas que a ele assiste uma determinada razão, não deixa de ser uma realidade, cuja sombra, talvez para muitos não seja vantajosa.
Claro está que muito têm especulado sobre o conteúdo da sua verborreia, interpretando-o literalmente por uma questão de interesse e não por desconhecimento do fundamento que séria e implicitamente o caracteriza. Não duvido que seja do conhecimento geral, excluindo os irreflectidos e os interesseiros na tesourada, que a maioria dos “estudantes” afectos a esse programa, entrou lá a saber dizer tá-tá e saíu a saber dizer tótó. Nada mais. Nada mais, não é bem assim, porque na realidade mudaram as vogais da prosa sem alterarem as consoantes e o solfejo musical da mesma, o que pode considerar-se, à luz mortiça e gemada da ignorância construída sobre um monte barrento de ostentação sem fundações, uma já óptima cavacadela na nossa “clivagem científica”.
Claro está, que muitos deles, apesar de “diplomados”, continuam à espera de uma ocupação rentável, tenebroso infortúnio que eu realmente eu lamento, mas lá vão coitados, em nervosos desabafos de incontida indignação, derramando as suas lamúrias repletas de sôcos na gramática portuguesa, que nem as Novas Oportunidades conseguiram – souberam -  aplainar.        
Nós sabemos que houve muita coisa mal feita - e continua a haver – e foi passando em branco, apesar de estarmos tecnicamente falidos mas não oficialmente hipotecados. Actualmente as coisas fiam mais fino, porque não vejo que sejamos donos do nosso próprio destino. As linhas com que cosemos a nossa governação são importadas coercivamente pela implacável imposição de um Triunvirato a soldo do grande capital.
“Empenharam-se” de nos “oferecer” café bem açucarado e fiado; agora que se fartaram, somos coagidos a beber café sem açúcar, e, qualquer dia, nem café teremos.
Por isso, caros ledores e entendedores das minhas epístolas, a meu ver, as Novas Oportunidades, tal como foram manuseadas, serviram presumivelmente para fazer inchar as contas bancárias a uma minoria, perante transversalidade da oblação de umas migalhas a uma pluralidade de ceguêtas. Nas entrelinhas, sob uma interpretação directa e a frio, foi isto que Passos Coelho teve por intenção exprimir.
Finalmente, por causa desta e de muitas outras coisas mal concebidas, mal administradas e mal fiscalizadas, cá nos encontramos a nosso contra gosto, a beber café sem açúcar. E vá lá, vá lá!?
O que não sabemos, é até quando!...


António Figueiredo e Silva
Coimbra

OBS: Ainda não estou em conformidade
 com o acordo luso-brasileiro.


17/05/2012
  

sexta-feira, 27 de abril de 2012

DEVIAM VER...



DEVIAM VER…
(a porcaria que fizeram)


No nosso cosmos social existem matacões donde emanam “sentenças” particulares, que, por relação, me fazem lembrar a já carcomida piada do amigo que estava a ajudar outro a estacionar o carro:
- Anda, anda, anda, anda… Puuum! Anda, anda cá ver a merda que fizeste.
Claro que esta laracha, não tem, como é evidente, nada a ver com qualquer veículo, mas simplesmente com o famoso revolvimento abrilesco, cujo objectivo seria – e digo muito bem – o caminho para a democracia, com um aplainamento da igualdade, criação de oportunidades e legislação mais justa, porém intransigente na sua aplicação. Foi isto que foi apregoado aos quatro ventos através de dissertações imbuídas de patriotismo populista e ambicioso, que não tem nada a ver com aquele que realmente emana do peito de um verdadeiro patriota.
Lamentavelmente nada disto veio a acontecer. São factos que podem ser certificados sem termos de recorrer a uma cultura altamente “limada”.
No entanto, este acontecimento é anualmente festejado como se Deus tivesse descido do Céu à terra para ver uma cambada de néscios, que mesmo com as tarraxas a esborrachar-lhes a carne, ainda sentem fôlego e alegria para dar entusiásticas ovações ao dia, e consequentemente àqueles que deram azo ao memorável - para mim pela negativa - acontecimento. Alguns dos arquitectos, pseudo-estrategas e mestres, arguindo uma atitude contestativa, verbalizaram que iam tomar como forma de protesto – espertos! – contra o governo vigente, a abstenção e muito boa, de fazer a sua vomitiva aparição, no grande dia de festividade para uns e de funestação para outros. Não senti a carência de nenhum deles e também faziam falta tais comemorações, que no final festejaram o momento inicial das fundações para os alicerces, sobre os quais foi executada a construção do obelisco que demarcou o início da derrocada deste país.
Estes senhores, continuam a viver e a amealhar à custa do tesouro público armados em senhores feudais e ainda rosnam com pútrida altivez a arreganhar os dentes da ganância, como se tivessem sido em absoluto, os pais de toda esta desordem. Penso que interesses sociais e financeiros a isso os movem e não o amor à pátria que a todos foi insuflado.
Sei porém, que não foram somente esses senhores amuados, que levaram este pequeno quadrilátero onde nos encontramos a esta situação calamitosa, mas deram o indispensável e colossal empurrão, para que tal pudesse vir a acontecer, não sem antes se orientarem bem orientados. Desde então até hoje, houve muita gentinha que não soube realmente governar esta barcaça, sem contudo abdicarem dos seus próprios interesses e os agarrarem com mãos de ferro.
Alguns grudaram de tal maneira aos tachos que já fazem parte da crosta pestilenta que nos tem tentado e conseguido absorver o suor.
Os que ficaram dentro da concha, ainda que não tivesse feito falta nenhuma a sua aparição, deviam tê-la feito, para admirarem com a sua alegria biliar o resultado da borrada que fizeram.

António Figueiredo e Silva

www.antoniofigueiredo.pt.vu   

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

SÍNDROMA DA PELE CURTA

“SÍNDROMA DA PELE CURTA”

É na realidade uma moléstia que está a afectar Portugal no presente momento, e que os “médicos” da economia ainda não deram conta, ou então, fazem-se de lorpas.

Esta doença está a mutilar com toda a brida, a já atrofiada capacidade económica dos portugueses e a enxertar no seu lugar uma miséria franciscana, no decurso da qual, muito infortúnio vai abrolhar.

De todos os contendores políticos, não sinto que algum se tenha importado muito com isso, baseando-se no entanto na realidade emergente que voga à tona sem rumo certo, para criar subterfúgios com o objectivo fundamental de assegurar os seus assentos de tribunos e todas as caçarolas dos compinchas a eles afectos.

Com os meus sessenta e sete anos de existência e a observação das politiquices encenadas que têm “governado” e desgovernado este endémico país, posso concluir que da extrema-direita à estrema-esquerda, são todos semelhantes; quer na teimosia, quer na lengalenga com que irritam ou adormecem o já débil cérebro cabaçal do nosso povo, que por mais sobreirada que tenha apanhado na cabeçona, a sua evolução manteve inalterável a sua doentia inércia.

Sei que a doença referida neste momento ainda não tem cura e provavelmente nunca terá. Gostaria que assim não fosse, porque isso permitir-nos-ia desvestir o colete da preocupação ao alijar a pressão psicológica que nos esborracha a vontade e nos continua a conduzir ao fracasso.

A maleita da pele curta obrigou a que deixássemos de ter vontade própria como povo independente e soberano, ao permitir que um obstinado triunvirato de ácaros, atafulhados de más intenções - e a soldo americano -, irrompesse por aqui dentro para dar ordens, impôr como se governa à sua maneira e à medida alargada das suas conveniências.

Fomos manhosamente financiados por essa cambada, para destruirmos a nossa economia e ingenuamente aceitámos, isto é, aceitaram por nós. Agora, meus meninos, não adianta trancar as portas e há que liquidar a dívida, porque é de facto a única coisa de que somos soberanos e promitentes devedores.

Dentro e na periferia do círculo político, todos gesticulando, espumando, cuspindo e insultando-se entre si, arrazoam que fariam melhor. Melhor o quê?! São só artistas! Tanto o são os que lá estão, como os que por lá passaram e os que desapareceram e não fizeram nada e voltaram a aparecer para nada fazerem na mesma, a não ser para completarem um número “X”, que apesar da crise, imperativamente teimam em manter.

Por isso dilatam os impostos, sobem as taxas moderadoras, rebaixam os ordenados, adelgaçam as comparticipações medicamentosas e outras, aumentam o desemprego, com consequências de mais despesa nas finanças públicas, que se reflectem nos desgraçados dos contribuintes, etc. Enfim, é um tal apertar de arrôcho que por certo muitos “burros” não irão aguentar e certamente a “burricada” vai começar a “escoicinhar” com fúria asinina numa tentativa de rebentar as cilhas imorais que a oprimem e a fazem perder a razão de existir com este síndroma sobre o seu calejado lombo. “O MAL DA PELE CURTA” é o resultado, o desfecho, provocado por uma cambada de interesseiros, incompetentes e hipo-realistas na arte de administrar.

Sei, caros ledores, que muitos de vós não sabeis o que é o mal da pele curta, e, para melhor vos elucidar do dessa maleita, vou contar-vos esta pequenina historieta:

Havia um fulano que de tão subalimentado que andava, a certa altura apercebeu-se que quando fechava os olhos abria-se-lhe o esfíncter e para além do barulho arrotativo e denunciador do sítio da sua proveniência, almiscarava tudo à sua volta com um cheiro pestilento a couves pôdres.

Depois de ter sido observado por algumas entidades que ele julgava entendidas no assunto e sem nada ter conseguido saber, resolveu consultar numa remota aldeia do interior, um médico de frieiras - que também por aí há bastantes.

Após ter entrado no consultório, o esculápio pediu que ele se despisse completamente. Olhou-o de alto a baixo com letárgica calma, examinou-o demoradamente com toques cirúrgicos como quem percebe da coisa e às tantas pediu-lhe que fechasse os olhos. Ao fazê-lo, lá saiu a ventania mal cheirosa e com som ensurdecedor, que há muito vinha atormentando o pobre homem.

O médico, com olhar apreensivo e queixo pousado sobre a mão direita com ar meditativo, manda chamar a esposa, do seu cliente, que se encontrava na sala de espera, e relata a científica e assertiva diagnose:

- Minha senhora o seu marido sofre de uma doença que a meu ver, provavelmente não irá ter cura… Tem o nome de “SÍNDROMA DA PELE CURTA”.

- Mas isso é o quê, Sr. doutor?

- Sabe, devido às necessidades por que tem passado, a pele reduziu o seu tamanho, isto é, ficou mais curta; daí que quando ele fecha os olhos forçosamente tem que abrir o cú.

Caros lentes, é este o mal de que está a sofrer o nosso país. Por isso, esticar de um lado para descobrir o outro os resultados só podem ser utópicos. Outros desfechos não vislumbro; se não se esvaírem no vazio da utopia, imergirão seguramente nas garras do catastrofismo.

António Figueiredo e Silva

Coimbra

Blog: www.antoniofigueiredo.pt.vu

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

PSEUDOCRÍTICO




PSEUDOCRÍTICO (bordoada)


Sou, não sou?! Ignorante, também sou, não sou?! E que mais imperfeições não teriam passado pelas vielas neuronais de um cérebro que me quer parecer bastante endémico, talvez pelo aluimento provocado por um leal e obcecado sectarismo ideológico onde a realidade desmaia!?...
Bem, eu até compreendo, porque apesar das inúmeras imperfeições que me envolvem, sou bastante condescendente para aqueles que me parecem ser uns pobres de espírito e, apesar de serem por vezes incómodos na sociedade que integram, além de contribuírem com o seu préstimo polémico, têm naturalmente o seu lugar assegurado no Céu.
Nunca foi e provavelmente não será minha intenção converter-me num “arauto da verdade”, porquanto, creio que a Divina Providência, não criou o ser humano com esse fim. Se a ele tivesse sido soprada a verdade, o Mundo seria mesmo informe e vazio, como no princípio. Faltaria a harmonia, decorrente da luta entre o verdadeiro e o antagónico
Sou apenas um tecelão opinativo, direito que me assiste, mesmo que a minha opinião seja adubada pela descortesia de afectar alguns laparôtos que se aquilatam de bem mais bem “letreirados”(?).
Toda esta lengalenga, vem a propósito de uma crónica que saiu em diversos periódicos, sendo um deles “O DIARIO DE COIMBRA” (em 06/09/10) a qual se intitulava “CARCÔMA NA PALHÊTA”, onde arrazoava que havia uma “administração de escopêta e por demais duvidosa”; que o Primeiro-ministro (na altura o Ti Zé Sócrates) me fazia lembrar o “Imperador Nero que cantarolava e arranhava a harpa enquanto Roma queimava”; onde dizia na mesma crónica que, “para os portugueses, o problema não está em o “barco” atolar-se; a dificuldade reside nos custos que todos teremos de suportar por causa do timão que por incúria foi mal manobrado e o timoneiro não paga por isso. Isto é, não existem arguições pelas irresponsabilidades cometidas”.
Bem, depois de terem sido publicadas, estas e outras verdades (se calhar eram mentiras e eu desconheçia!), apareceram uns comentariozitos medianamente, a meu ver mal forjados, teclados e manuscritos, via internet e também através de amáveis cartas que recebi, os quais têm estado arrumadinhos na prateleira temporal, a amadurecer ao calor morno da nociva política – dizia eu - que vinha a ser feita, à espera do desabrochamento.
Por fim, efectuou-se a eclosão e a calamidade instalou-se entre nós, sem sombra de incertezas e quer me parecer sem margem de manobra.
Dos anónimos nada me interessa; porém, daqueles que divulgaram somente um sabicho da sua identificação, penso que é altura de saberem que os seus pareceres e maquinações, não caíram em saco rôto ou se esfumaram no nevoeiro temporal.
Eu sei esperar.
Então e agora? Não me venham dizer que o que eu disse era mentira!?
O Sr. Vargas (?...), lamentavelmente vai ter de saber que o mais me dói, com justiça ou sem ela, não são as críticas; o que mais me molesta é que infelizmente ainda haja muita gentinha de mente cerrada neste país.
Para que fique chancelado no encéfalo do Sr. Vargas, se ainda tiver “arquivo” disponível para isso, devo argumentar que me é naturalmente vedado equacionar sobre o que rumina na cabeça dos outros. No entanto, já me é outorgado arrancar conclusões e tecer juízos de valor, em função de factos ou acções por eles manifestadas, se por coerência ou conveniência, isso não sei…. Quase que adivinho!
Mas que por aí há gato fanaticamente interesseiro escondido, há.
Melhor do que eu, o Sr. Vargas saberá


António Figueiredo e Silva
Coimbra

Blog: www.antoniofigueiredo.pt.vu

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

"EUTANÁSIA"

“EUTANÁSIA”

Quando o direito de morrer sem sofrimento não é autorizado pela vontade expressa do enfermo no gozo pleno das suas faculdades mentais, este converter-se numa forma de assassinato, cuja atitude pode ser justiçada pelas linhas emanadas da ética, da moral e da cultura sociais.
É certo que existem formas diversas, que não deixam de ser apenas tangenciais, de justificar a volatilização da vida humana sem a sua autorização atestada, em proveito da sobrevivência de alguns, que mesmo assim vão ficar a pelejar entre si pelo lugar do topo do monte de esterco (merda) de que é feito o género humano.
Entre altercados opróbrios e desmaiadas opiniões falaciosas, a nata pútrida da nossa sociedade, que se tem por ser constituída por pessoas de bem, está apostada em roubar-nos a existência sem o nosso beneplácito, pela aplicação sub-reptícia de normas artesanais feitas à marrêta numa bigorna de desastroso ferreiro, onde as doutrinas são distorcidas com a ajuda do calor da ambição atiçado pelo sopro protector da impunidade.
Repare-se no burilamento rasca das novas normas, ratificadas ou por aprovar, e na apresentação do seu talhe e do seu recheio. São de tal modo complicadas e em tão grande número que nos embaralham o entendimento opinativo, restando porém a indubitável “percepção” de que querem tramar-nos a existência como seres normais. Arrumar-nos, fazer-nos desaparecer, cortar-nos o fôlego: isto é, aplicar-nos artificialmente a paragem cardio-respiratória. Extinção santa! O problema é que antes de atingir-mos este patamar, iremos de definhar aos poucos a nível físico e psicológico. Começamos a deixar de existir em vida, porque viver não é somente bulir.
Se não houver comparticipações, nem dinheiro para eles, não se mercam fármacos; fina-se devagar, devagarinho, mas vai-se. Se o número de transplantes for diminuído, como está previsto, bate-se a caçolêta - em muito ou pouco tempo, mas bate-se - e é dinheiro que se aforra.

, tem que se aprender a ruminar porque o capim ainda é de borla e não carece de gás ou electricidade para sua confecção; ao casebre podem voltar as candeias de azeite ou voltar o uso do gasómetro que substitui perfeitamente as lâmpadas de halogéneo; estas coisas tecidas actualmente vão dar-nos por certo “grande e invejável qualidade de fim de vida”, ao limitar-nos a nossa duração. O objectivo é esse mesmo; acabar os dias grunhindo.
São realidades do género e outras similares que interessam aos governantes, uma vez que, juntas com análogas medidas de contenção, lhes permitem reduzir a despesa que objectivamente baixa em relação a uma “eutanásia” muito bem pensada e muito bem urdida, cujo objectivo é arranjar maquia para tapar os buracos que não foram abertos pela massa obreira.
Então não é? Assim, a velhada desaparece com mais rapidez e reconheça-se quantos mil milhões o Estado já não vai ter que desembolsar.
Este estado de coisas não é devido somente à crise global, mas também à carência interna de falta de pulso na governança, cuja endemia vem a contaminar este país desde 1974. Sucessivos governos permitiram “assaltos” descarados às finanças públicas com as subsequentes transferências dos dinheiros para além fronteiras, como ilhas Caimão, Cabo Verde, Suíça etc.. Até ao boçal e pançudo palhaço-do-chapéu-de-palha foi permitido abrir um buraco negro na ilha da Madeira! E ainda por cima dá-se ao luxo de gozar com os do Contnante! Isto apesar de hilariante é ridículo!
Consequências de toda esta trapalhada, nenhumas. São imunes.
Por isso há que apertar a cilha às dóceis récuas que cá existem para colmatar as fossas que não abrimos, recorrendo a uma “eutanásia” colectiva com maior incidência na velhada, que a fungar e com pingo no nariz, anda estorvar por todos os cantos e esquinas mas a comer à custa do que já contribuíram quando foram novos. Agora que não prestam, devem ser risçados do mapa demográfico. É triste, mas não mentira!
Todas as medidas a serem tomadas tendem a transformar a criatura humana num ser vegetativo, num zombie, até definhar e embarcar no esquecimento eterno.
Esta forma de “eutanásia” tem por analogia um princípio básico: “morrer por morrer, que morra o meu pai que é mais velho”. É isto que já está a passar-se e com propensão para o agravamento.
Ainda a festa vai no adro, e certamente que já muito cangalheiro esfrega as mãos de contente, até que de contentes esfreguem outros por ele.
O descontentamento está a avolumar-se de tal forma entre os portugueses, que não ficarei nada admirado se àmanhã puder vir a acontecer uma tomada da Bastilha cá dentro e este molde de “eutanásia” se vire contra os seus “progenitores”.


António Figueiredo e Silva
Coimbra

terça-feira, 22 de março de 2011

ARTE DE BEM MONTAR

Esta crónica já foi escrita em 17/04/2007,
tendo sido publicada em diversos periódicos.
Vejam os portugueses, ao tempo que andam
a ser montados e só agora estão a sentir na carne
o dilacerar das esporas. Demorou muito tempo,
porém quer-me parecer terem abandonado a letargia (?).
É triste!
ARTE DE BEM MONTAR…
(Carta aberta ao Primeiro-ministro)


Exmo. Sr.


Enquanto estou embalado pela “convicção” transmitida através dos falamentos de alento e confiança que V. Exa. tem dado aos portugueses no decurso das palestras televisivas, eu quase me sinto verdadeiramente como um peixe na água, por sinal bastante poluída para o meu gosto. Oxalá que não me arrependa e não venha a sentir-me como o boi na bosta, remoendo a pensativa palha proveniente do campo da incompetência. Não colocando à margem esta circunstância, provavelmente será a mais certa. Mas longe de mim tal ideia!? Isto é apenas uma divagação e penso que não me irá levar a mal por isso.
A governação tem sido boa, isto é, à maneira de V. Exa.. Os portugueses, apesar de um macilento sorriso, até tiveram mais dinheiro para gastar em prendas neste Natal, segundo as resenhas levadas a efeito pelas diversas emissoras de televisão, que gravitam à roda do sensacionalismo, principal objectivo da sua caça às audições, que de boca aberta e mente cerrada, ouvem verdades e mentiras sem saberem destrinçar o trigo do joio.
Saiba V. Exa. que eu nunca acreditei no pai natal, razão essa que me leva a ser apreensivo, não acreditando com excitado fanatismo em tudo o que ausculto. Por tal razão, penso que os portugueses foram “salvos” pelos cartões de crédito generosamente oferecidos pelas instituições bancárias, cujo gesto de falso altruísmo irá ser pago com língua de palmo e meio.
Estamos a viver à fartazana, não estamos? Comidinha não nos falta; louvado seja Deus e aos fiados; temos muito futebol, onde até se usam corruptos apitos dourados; demo-nos ao luxo de perdoar as dívidas a alguns países africanos e injectamos uns trocados noutros, sem qualquer exigência; democracia também não nos falta, senão eu não poderia estar aqui a dizer estas “bacoradas”; no entanto, devo dizer que até estava a precisar de um “hotel” à custa do contribuinte, pois já não sou de tenra idade e sinto mais necessidade de meditar do que de trabalhar. Mais agora, com o encerramento de Urgências Hospitalares, abaixamento da comparticipação medicamentosa, quinhão hoteleiro no alojamento hospitalar e nas intervenções bistúricas, subida de 6% na energia eléctrica, uma bicadazinha na H2O, “pequenino” ajustamento no preço dos inflamáveis provenientes do ouro negro, acerto previsto nas indústrias de panificação que ronda os 20%, subidazinha no preço dos transportes e irrisório aumento das reformas, confesso que, abrasiado como ando, tenho muito medo de andar à solta!?... O que acha V. Exa. deste meu pavor? Será por acaso esta pergunta inconveniente?... Ou pertinente?
Apesar de eu ser bastante “pessimista”, como pode verificar, tenho gostado das palavras sabiamente articuladas por V. Exa. e sei que são imbuídas de uma facundidade fora do normal, o que mostra ser um verdadeiro aldrete, cuja oratória é convincente na sua forma e, sem sombra de dúvida, apodíticas de uma boa governichação. E muito mais o serão, para aqueles que “sabem” o que é política, que não eu, e para todos os outros cuja miopia cerebral alterou a densidade intelectual da sua massa encefálica.
Sabe Sr. Primeiro-ministro, quando uma pessoa passa dos sessenta, aquela fasquia que muitos parvalhões intitulam de terceira idade, já não diz coisa com coisa; mas deixe-me lá desarrolhar o meu gargalo um bocadinho, porque entendo que já baixei as “calças” demais, e daqui a pouco...!
Até agora versei, suponho eu, sobre a parte socio-económica, desenfreada peste negra que está assolando impiedosamente os portugueses, sobretudo os mais desfavorecidos – o que lhes vale são as Bem-Aventuranças, mas que não dão comer a ninguém.
Sem me alongar demasiado, gostaria de dissertar somente um pouco sobre a parte unicamente social, começando pela segurança que não temos. Ah, pois não!?... V. Exa. não sabia? Então se à própria polícia não é concedido o poder de defender-se das agressões físicas e verbais de que muitas vezes é vítima, como pode ela defender-nos? Seria um contra-senso fazê-lo. Se o professorado é tão depreciado e desautorizado, como pode conceder uma cabal educação, quer científica quer cívica? Actualmente, eu não gostaria de ser professor, Sr. Primeiro-ministro! E sei que muitos o são, devido à carência que têm de um salário, porque por motivação, certamente que o ensino desertificaria e ficaríamos com uma superfície territorial pejada de camelos. Agora, devido à abastança de iliteracia no nosso país, já é permitido ou está em vias disso, o professor ser aquilatado por qualquer asino ou desensinado, que pode não dizer duas p’rá caixa, mas faz barulho… E por vezes vence. Sobre a justiça, não é necessário dizer nada, porque é cógnita a sua “indubitável” credibilidade e rectidão, isto é, quando não aparece nenhum “pedregulho” pelo caminho e os nossos são muito pedrosos, como certamente V. Exa. já se deve ter inteirado.
Olhe Sr. Primeiro-minisro José Sócrates; já deve estar fartinho de padecer ao ouvir o asneiredo deste velho ranhoso e iletrado, porém como ainda não ervilhei, não vou terminar sem antes sugerir uma coisa a V. Exa.: muito eu gostaria, que à semelhança do nosso rei D. Duarte de Bragança, mui entendido na arte de cavalear, que até escreveu um livro intitulado”Arte de Bem Cavalgar Toda a Sela”, V. Exa. escrevesse também um, que similarmente ficaria para a história, porém, que tivesse por título, “Arte de Bem Montar Todo o Asno”.
Não seria despropositado, pois não!? Eu penso que devia ser fantástico!


António Figueiredo e Silva
Coimbra

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

OS POLIDORES DE ESQUINAS

OS POLIDORES DE ESQUINAS
(RISÍVEL, CÁUSTICO MAS JOVIAL!?)


Os polidores de esquinas!... Proxenetas exploradores da mandriice por conta própria, e muitos deles, sanguessugas do nosso suor, por conta da protecção governamental.
Nesta análise não estão incluídos reformados, aposentados, desempregados compulsivos, decorrentes da miséria portucalense, ou inválidos por deficiência física ou psíquica.
Não!... Os polidores de esquinas são uma classe à parte onde os dias não têm horas e o tempo vai passando sem solavancos, no vazio de um débil marasmo.
Ainda que com o mesmo objectivo, o de não fazer a ponta de um corno, todos têm características diferenciadas.
Uma grande parte deles, dependurados numa beata de cigarro acesa onde a cinza tem o dobro do tamanho, encostados às paredes com os olhos a meia haste, meditando sem cérebro no vazio da preguiça, sua preocupação de sempre. De vez em quando lá mandam uma catarrótica tossidela para expulsar parte da nicotina e advertir quem passa, de que ainda estão vivos.
Há outros que depois de extenuados por um dia de trabalho sem fazer nada, levantam-se às onze ou duas da tarde, miram-se num caco de espelho sujo com algumas cagadelas de mosca, dependurado num ferrugento prego na parede da “latrina”, passam as costas das surradas manápulas pelos olhos, fazem uma mija, vestem uma T-shirt e umas calças de ganga que raramente vêm sabão, enfiam os cascos numas sapatilhas já puídas, besuntam a guedelha com um bocado de gel sem se pentearem, pois agora é moda, enfiam nos queixos um cigarrito que é adquirido com o rendimento mínimo garantido, que a Segurança Social na sua “Divina” bondade se encarrega de fornecer, e lá se dirigem à tasca do costume para encetarem o dia com um favaios, um porto, um bagaço ou mesmo um copo de zurrapa tinto. Aparecem os amigos da mesma laia e entabulam uma conversa “científica” de deitar fora. Entre os diálogos e as pausas, enquanto a barba por rapar vai crescendo mais, vão penetrando umas sardinhitas ou uns mal curtidos tremoços, e assim passa mais um dia, que culmina com um pifão dos diabos, para eles única prova evidente de que a terra roda e se não se segurarem às paredes estão sujeitos a dormirem numa valeta até que a “cabra” passe. Quando passa!? Porque alguns dão continuação.
Outros ainda, acordam a vagir, a contorcerem-se como verdadeiros praticantes de ioga, agarrados aos músculos e ao estômago, maldizendo a vida que por opção escolheram. Esses não chegaram sequer a despir-se. Espremidos pela ressaca do “pó” e da bebida, saem esbaforidos para garimparem algumas moedas num peditório disfarçado “arrumando” carros, ou até mesmo solicitando cinquenta cêntimos que lhe “faltam” para o bilhete de regresso a Lisboa, com o fim de custearem a próxima “batidela”, o próximo chuto, porque o “fornecedor” não fia. Quando o conseguem, safam-se sorrateiramente para um canto qualquer e com ansiosas ganas, enfiam a endovenosa a leste de qualquer desinfecção, seguido de um extasiado arregalar de olhos e um abafado suspiro de alívio, aaaaaaah!!! Já está. O trabalho do dia está feito. Mas se for necessário porque exista má índole ou premente necessidade, também irá trabalhar umas horas em part-time durante a noite. Há muitas montras para partir, muitas portas para arrombar, o policiamento é também muito incapacitado e a lei branda demais; mas estes têm que ser suportados porque alimentam muitos postos de trabalho, sendo por isso um mal necessário.
Mas não é surpresa para nós a proliferação de outros com qualidades diferentes; muito educados e muito limpinhos, que não têm nada a ver com o resto da cambada, só que nasceram com um espírito filosoficamente existencialista, onde o gosto pelo trabalho morreu à nascença, e vivem os dias com uma sabedoria biblicamente certa: “vede as aves do céu que não semeiam e têm sempre que comer”! Certo!... Só que Deus esqueceu-se de dizer que alguém semeava por elas.
O gosto pela ociosidade e pela despreocupação transformou-se num desgosto pelo trabalho, não deixando porém de se lamentarem da puta da vida, que os não ajuda. “Criam-lhes” uma chaticezita aqui, outra ali, mas a culpa é sempre dos outros. Isto é como nós acidentalmente darmos uma topada numa pedra e a culpa ser da pedra. Esses que estão no topo da fasquia, analogicamente em relação aos restantes, nem são carne nem são peixe; lá vão vivendo, com um lamento aqui, uma risada acolá, mesmo sem a garantia do rendimento mínimo garantido, com algum penoso sacrifício e a muito custo, lá vão arranjando para a bica ou a cervejita.Com uma resignação fora do comum, vão alegremente levando a cruz ao Calvário, o que, para quem não gosta de trabalhar, não por falta de força física mas por falta de força de vontade, já não é nada mau!
Resignação acima de tudo!


António Figueiredo e Silva



UM PENSAMENTO

  Quem não quer pensar, é fanático; quem não pode pensar, idiota; quem não ousa pensar, um medroso. (Francis Bacon)   UM PENSAMENT...