quinta-feira, 29 de outubro de 2026

VALE A PENA LER

 Nota do blogger:

O conteúdo descrito na epístola que se segue, não é de minha autoria; é de um digníssimo Agente da Polícia de Segurança Pública Portuguesa.Contudo, pela lição de civismo, ética e respeito nela expressa, para expôr com suavidade e raciocínio justos, o “rosto” de um sentimento magoado, - com justa razão -, determinei, pela primeira vez, dispô-la no já amplo universo do meu blog, que lhe concederá asas para voar através do Mundo,  como uma demonstração fidedigna de que muitas vezes por detrás de um canudo pode estar escondido um idiota.

 (António Figueiredo e Silva)

 

VALE A PENA LER

Lesenswert

值得一讀

ΑΞΙΟ ΔΙΑΒΑΣΜΑΤΟΣ
VALE LA PENA LEGGERE

ĐÁNG ĐỌC

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Sr. Pacheco, falo-lhe como Agente da PSP, mas acima de tudo como homem, cidadão e trabalhador, não admito que me chamem inimigo do povo só porque visto uma farda. Não sou menos trabalhador do que o senhor, não tenho menos direitos e muito menos mereço menos respeito. a minha farda não apaga a minha humanidade, os meus valores nem os sacrifícios que faço diariamente.

Enquanto alguns fazem discursos e apontam o dedo à polícia, eu e os meus camaradas estamos na rua, de dia e de noite, a abdicar de tempo com as nossas famílias para garantir a segurança de todos.

Sabe o que mais me revolta, Sr. Pacheco? É ouvir quem tanto fala em defender os trabalhadores desprezar os homens e mulheres que também trabalham, sofrem e lutam por uma vida digna, apenas porque são polícias.

Não preciso que goste de mim nem da instituição que represento. Mas exijo respeito.

E fique com uma certeza: mesmo que hoje me considere seu inimigo, amanhã, se estiver em perigo, serei dos primeiros a ajudá-lo. Não por concordar consigo, mas porque tenho princípios, honra e sentido de dever...

Não sou inimigo do povo, Sr. Pacheco. Faço parte dele, termino dizendo-lhe isto, olhos nos olhos, a farda que visto não me torna superior a ninguém, mas também não permite que ninguém me trate como inferior. O senhor pode atacar a minha profissão, questionar a minha autoridade e até desprezar a minha farda. Mas nunca conseguirá retirar-me o orgulho de servir os portugueses, há uma diferença que faço questão de deixar bem clara, o senhor pode escolher estar contra mim. Eu, enquanto polícia, não posso escolher deixá-lo desprotegido. É essa a diferença entre o preconceito de quem aponta o dedo e o compromisso de quem veste esta farda.

NÃO SOU INIMIGO DO POVO. SOU FILHO DESTE POVO, TRABALHO PARA ESTE POVO E, SE FOR PRECISO, ARRISCO A MINHA VIDA POR ESTE POVO. E DISSO, SR. PACHECO, NUNCA TEREI VERGONHA.

 

José Luís Ferreira

domingo, 18 de outubro de 2026

UM PENSAMENTO

 

Quem não quer pensar, é fanático;

quem não pode pensar, idiota;

quem não ousa pensar, um medroso.

(Francis Bacon)

 

UM PENSAMENTO

MỘT SUY NGHĨ

МЫСЛЬ

एक विचार

A THOUGHT

一個想法

EIN GEDANKE

خاطرة

একটি চিন্তা

מחשבה

一つの考え

 


    Se ainda me é permitido pensar, obstino em fazer a vontade à minha vontade em querer fazê-lo, mesmo que o esforço para manter o meu intelecto em actividade seja penoso. Mas, apesar da minha obstinada persistência, algo se passa no meu todo, que já não sou aquilo que fui. O tempo não regride nem sente compaixão por mim. É Natural.

Estou velho. Não sinto constrangimento algum em assumir que estou chancelado pela dureza do carimbo etário, que há mais de oitenta e dois anos, pela surrelfa, me tem vindo a perseguir. Noto que toda a minha estrutura óssea, está enferrujada e laqueia por todos os lados;  não me oferece aquela verticalidade imponente de  que outrora eu gozava, e além disso, ainda me adjudica um caminhar ligeiramente claudicante, que, quando o interrompo para pausar, é frequente surgir uma alma caridosa, dotada de bom poder de observação, e, por altruísmo, amabilidade e complacência, me questiona:

- O Sr. está bem? Precisa de ajuda?

Palavras essas, que, mesmo com os “calos a doer” ou amargurado com sofrimento cardíaco a comprimir-me o peito, - que é o mais frequente -, arranjo sempre um sorriso para ocultar a minha angústia e procuro articular por palavras simples e amáveis, a minha franca gratidão.

A mona, já parcamente pilosa, o que dela resta, está côr de neve, mas no seu interior ainda abriga e protege um encéfalo, que, com razoável faculdade analítica, não com a celeridade que tinha, é verdade, contudo, a suficiente para ainda me conceder a satisfação e a capacidade de espadeirar o indispensável em qualquer contenda, na defesa das minhas asserções.

Mesmo assim, noto a assiduidade de uma apatia que está a tentar vedar-me o interesse por tudo o que me circunda. Para compensar, “vingo-me” a caligrafar. Apesar disso, o meu léxico, vagarosamente tem vindo a ausentar-se; no decorrer de diálogos, já surgem algumas reticências por falta de velocidade no raciocínio, e é natural até, que a sonância da minha voz se tenha modificado; apesar de alguma mouquice, dia e noite sou prendado com música irritante para “adormecer”; contínuos e fastidiosos tinnitus nos ouvidos, cuja “melodia” me faz bailar até esfrangalhar o meu sistema nervoso. Como não podia deixar de ser, também o par olhométrico já foi “assaltado” pelas cataratas, (não do Niagara ou do Iguaçu), cujo nevoeiro me foi debelado a tempo, com mestria e perfeição; agora já me é facultado ver muito bem, notas de quinhentos euros a uma distância razoável, - mas essas malandras recusam-se a dar nas vistas.

A dentição, com a qual eu durante anos, trinquei e roí as côdeas que o Diabo amassou, já não é a minha; dessa genuína família dental de trinta e dois elementos, só restam quatro, e esses já andam a rabujar por uma recuperação, ameaçando que qualquer dia fazem greve ou manifestação, sustentadas por cáries reivindicativas.  

Todo o sistema vascular está seriamente obstruído; tem-me auxiliado a viver, a Cirurgia Vascular do Hospital de Santo António – Porto; quanto às mazelas da parte cardíaca, se ainda existo, ao Centro Hospitalar da Universidade de Coimbra o devo.

Apesar de todos os arranjos executados nas Oficinas Hospitalares, não posso queixar-me de não ter sido um indivíduo com sorte, a qual, se deixa de existir, mais ninguém me pode acudir.

Se tal acontecer, (certo é… quando, não sei?!), só quero deixar bem clara esta concepção:

Felizes daqueles que, mesmo no percurso íngreme da descida existencial, conservam, ainda que debilitada, a faculdade de cogitar. O pensamento é a única coisa que voa mais rápido do que a luz, e tem capacidade para atingir horizontes infinitos. A incontestável e irrepetível liberdade que espontaneamente foi concedida ao Ser Humano, é a de cada um poder pensar o que quiser; porém, ficando sempre refém dos seus pensamentos. Estes, benignos ou malévolos, são inapagáveis. O nosso córtex não desarrisca, não esconde nem emenda. Podem estar alojados nas prateleiras mais profundas da nossa mente, mas, quando chega a hora própria, em fracções de segundo, eles manifestam a sua presença, para o que der e vier.

E agora, para finalizar:

Antes de pensar, raciocinem no que vão pensar.

Parece laracha, não parece? Mas não é.

 

António Figueiredo e Silva

 

Coimbra, (PORTUGAL), 18 de Outubro de 2026

 

Nota:

Não cumpro com os padrões do AO90

 

sábado, 17 de outubro de 2026

ANTEVIDÊNCIA

 

O trabalho dos dominadores, é dividir os dominados.

(Pierre Bourdieu)



ANTEVIDÊNCIA

TẦM NHÌN XA

Voraussicht

استشراف

遠見

ΠΡΟΒΛΕΨΗ

רְאִיַת הַנוֹלָד

दूरदर्शिता

FORESIGHT

ПРЕДВИДЕНИЕ

 


    Algo redemoinha no meu juízo que não me deixa repousar. É uma tempestade de tamanha magnitude, que eu não consigo refrear os seus efeitos.

O governar.

Como é meu hábito “acreditar”, é muito mais fácil governar o que não é nosso, do que aquilo que nos pertence.

A sabedoria da política, não determina isso; antes o oposto. A estadística foi formulada para estabilizar diferenças entre as várias populações que andam a passarinhar à tona pelo Globo. Porém, a maioria daqueles que se têm dedicado a essa área, estão a borrifar-se para as populações que dizem administrar.

O interesse primordial, tem sido governarem-se a si próprios em primeiro lugar; o resto não passa de canções de embalar, cuja sonância musical e cadência, artificiosamente estudados, têm o dom de provocar entorpecimento nos cérebros mais débeis, que olvidam haver por detrás da política, jogos de interesses encobertos; é certo que não ouso afirmar que não haja políticos credíveis na execução do seu papel. Se o fizesse estaria a mentir. Sim, eles existem; mas são poucos.

Apesar de nunca ter mergulhado no mundo da política, (hoje mais politiqueiro do que politico), “nem saber nada sobre essa matéria”, actualmente, com oitenta e dois anos a roçarem-me o pêlo, posso afirmar com segurança, que já passei por maus momentos, resultantes de governações imperfeitas. Tivessem sido ou sejam elas, ditatoriais, democráticas, socialistas ou comunistas.   

Até ao momento, ao olhar para a maior parte daqueles que têm vindo a montar no dorso do estado mundial da política, o descrédito tem vindo a minar o meu espírito com picarêtas de desilusão, por contemplar que, “se de um lado chove, do outro venta”. “Que venha o Diabo e escolha”.

O facto de não ser o meu país de origem, nem nunca por lá haver passado ou vivido, ajuízo que não me vai ser quartada a divulgação do meu conceito, relativo àquele burburinho  que tem vindo a ensopar as cabeças ao povo Brasileiro. Não ponho de parte, porém, que este bulício ocorre em quase todo o mundo. A luta pelo poder.

Todavia, antes de prosseguir com a dissertação, quero frisar que, nem um nem outro, se situam dentro dos meus parâmetros gustativos.

 O Sr., (ainda presidente), Luiz Inácio Lula, que se considera ter sido um “óptimo governante”, (se assim não fosse, não teria afluído ao quarto mandato),  já esteve na “jaula” quinhentos e oitenta dias, (certamente por promover a “filantropia”, não sei!?), vem agora argumentar que, “Bolsonaro (Flávio), só está preocupado com o poder”.

Isto dá-me vontade de rir!

Então e ele, o Sr. Inácio Lula, que tanto papagueia, está apoquentado com quê?

Vê-se ao longe, que entre ambos existe uma dualidade de interesses, sem sombra de dúvida, análogos, - para não dizer idênticos ou mesmo, equivalentes.

No decorrer de toda esta ladainha, apresso-me a lavrar em duas ou três linhas a minha predição sobre a maratona às presidenciais brasileiras, consolidada na certeza de que, liderança não significa soberania. Mas existe muita gentinha que mistura estes dois princípios e os resultados finais usualmente são contraditórios.

Deem as voltas que derem, quem vai vencer é Flávio Bolsonaro; posteriormente, ao seu pai ser-lhe-á removida a pulseira tíbio-társica e terminará o seu engaiolamento preventivo. Livre como um passarinho e como um bom pai, naturalmente irá contribuir para a estabilidade do êxtase do seu descendente.  

Quando as rédeas do poder mudam de posição e a alcândora passa para outro “pássaro”, é comum as directrizes do poder também se alterarem e saracotearem ao sabor das ventosidades da amizade, da retaliação, do compadrio, do favoritismo e do engrandecimento fácil, que vão levantar muita da sujeira antes camuflada; aí, é que a “porca torce o rabo”.

E não digo mais, para não “pecar”, mas… “estou reticente” quanto ao porvir do Sr. Inácio Lula da Silva. É muito bem capaz de voltar a ser “encafuado”.

É que a política, lastimavelmente conglutina duas faces; a temperança e a vingança.

Mas, tempo o dirá.

 

António Figueiredo e Silva

Coimbra, (PORTUGAL), 17 de Outubro, de 2026

 

Nota:

Sou contra a aplicação do AO90.

domingo, 4 de outubro de 2026

A PARVOÍCE E A HIPOCRISIA

 

"A hipocrisia é a homenagem que o vício presta à virtude”.

(François de La Rochefoucauld)

A PARVOÍCE E A HIPOCRISIA

Die Dummheit und die Heuchelei

الحماقة

Foolishness and Hypocrisy

愚蠢與虛偽

LA ESTUPIDEZ Y LA HIPOCRESÍA

Sự ngu muội và thói đạo đức giả

Глупость и лицемерие

মূর্খতা ও ভণ্ডামি

Kebodohan dan Kemunafikan

والنفاق

 

    É óbvio que há sentimentos, segredos e mistérios, que falecem connosco. São aqueles que, se os difundíssemos, só gerariam irritações e desconchego.

Se antes de proferirmos o que nos mareia no espírito”, sem ponderarmos naquilo que vamos “vomitar”, podemos colher oportunidades sinistras de ficarmos sujeitos a criticismos exacerbados, que podem derrubar a nossa imagem, perder “amizades”, que se afiguravam ser sólidas e de facto não eram, desfazer contratos matrimoniais, desagregar famílias completas, e até, colocar em polvorosa uma sociedade inteira, um país ou mesmo o Mundo.  

É do senso comum, que ninguém é perfeito; contudo, é também do saber universal, que as medidas desses predicados não obtemperam uma igualdade absoluta. Cada um é como é, e não como os outros querem que seja. Observo, no entanto, que entre nós, (estou a falar dos Humanos), habitualmente, cada um tenta apresentar-se como dono e senhor de uma mestria absoluta, que emerge e se reflecte no seu comportamento, por mais nocivo que este seja. Isto desponta da falta de conhecimento de si próprio. Em geral, todas a pessoas se esquecem de que quando apontam o indicador em direcção a alguém, “têm sempre quatro dedos a apontar para si mesmas”, - se não forem deformadas, como é manifesto!?  

Esta lógica, como tudo o que nela possa assentar, é certo que pode não configurar uma realidade para matérias diversas, mas neste assunto sobre Ser Humano, ela é de uma infalibilidade absoluta.

Para conseguirmos estabelecer um carreiro que nos possa conduzir a uma harmonia social entre o nocivo e o benéfico, o sagrado o profano, e as mais díspares edeologias políticas, somos, por força das circunstâncias, obrigados a vestir a capa obscura da dissimulação. Sem a utilização da hipocrisia, a “estabilidade”, como no momento se encontra, ainda que aparente, não iria além de um sofisma. Seria bem pior.

Mesmo sabendo disso, é-me dado constatar que através dos séculos, todas as colectividades globais, nunca deixaram nem abdicarão de andar à traulitada. Está-lhes ma massa do sangue.

Estou convencido de que o Ser Humano nasce bom; a sociedade onde está inserido é que tenta moldá-lo à sua maneira.

Por outro lado, também ajuízo que isso acontece,  quando a parvoíce vence a hipocrisia. Porém, apesar de ladeado por estas os duas demarcações, parvoíce e hipocrisia, creio que ele deve ser senhor do seu próprio domínio, e assim, do seu próprio destino. Julgo que é uma questão de força de vontade. De querer.

Assim, penso que mais vale aparentar ser idiota e manter a paz, do que disfarçar a virtude  e estimular a desarmonia… ou a guerra.

Como o leitor queira entender.

 

António Figueiredo e Silva

Coimbra, – PORTUGAL -, 4 de Outubro de 2026

 

Nota:

Não utilizo o AO90.

sábado, 3 de outubro de 2026

O "SEPULTAMENTO"

 

Lembra-te:

 desta vida, só levas uma muda de roupa,

e nem és tu que a escolhes.

(Adágio português)

 

O "SEPULTAMENTO"

DIE BEISETZUNG

THE BURIAL

PENGUBURAN

LỄ AN TÁNG

EL ENTIERRO

DEFİN

alddafn

PEMAKAMAN

הַקְּבוּרָה

ПОГРЕБЕНИЕ

সমাধি

 

    Suponho que, quando perecemos e somos enterrados, é um grande “perigo para nós próprios” e para aqueles que por cá permanecem; nós, ficamos sujeitos à contaminação de uma gripe que jamais curaremos; em caso de cremação, angelicamente esvoaçaremos através da aerosfera com o nosso “modesto” contributo para acrescentar mais poluição ao seu já avançado contágio; na eventualidade de uma ressurreição, (seguramente improvável), então terminarmos atafegados.

Além disso, ficaremos a doar o nosso tóxico contributo para a saturação dos solos, auxiliando-os a converter os lençóis freáticos de água pura, em enormes “selhas” ou corredouros, já em si abarrotados de hidrosfera peçonhenta.

Só as medicações prescritas pelos entendidos e  abastecidas pelas boticas, que deglutimos durante a nossa vida, certificam esta realidade; enquanto activos, vamos empilhando autênticos venenos; depois de fenecermos, essa peçonha medra e alastra-se. Pobres daqueles que por cá ficam a vaguear.   

Quem vai, pode ter a certeza de que não regressa – “p´ra trás mija a burra”; pr’á frente, por muito que estudado que seja, ignora a sua sorte.

Aqueles que por cá ficam, por muito que padeçam, derretem sempre os últimos vinténs que durante a existência e com grande sacrifício, (para alguns), foram amealhados, para esticarem o mais possível a sua participação no mundo dos vivos, recorrendo a astutos “oportunistas”, que, à custa deles, vivem como nababos; até se deslembram de que a sua vez pode chegar súbita e imprevisivelmente a qualquer instante, sem epístola prévia, “com ou sem aviso” de recepção.

É isto que acontece, quando a vitalidade se volatiliza.

A concluir:

Viver é uma ilusão; morrer é uma certeza.

Absurdo, mas verdadeiro.

 

António Figueiredo e Silva

Coimbra, 3 de Outubro, de 2026

 

Nota:

Não uso o AO90

      

   

sexta-feira, 25 de setembro de 2026

LÁ VAI TUDO P'RÓ MANÊTA


Nota do Autor:

Para aliviar dores no espírito, de quando em vez, dá-me na môna” desandar no tempo e remirar o passado, numa busca de refrigério.

A presente narrativa, disso é prova manifesta; encontrei-a escondida no meu “baú de recordações”, durante dezanove anos. Porém, dada a realidade actual que a interpretação da mesma traceja, decidi torna-la pública.

Às tantas, tenho razões para isso!?

Mas, o leitor o dirá.

 

 

“LÁ VAI TUDO P’RÓ MANETA”!

 


    Obviamente que não conheci a figura que deu origem a esta composição lexical entre os portugueses, mas sabe-se que foi uma pessoa de má catadura, obstinadamente renitente, cuja intransigência no castigar era seu carimbo característico. Bastante penoso era o fim daqueles que tinham a desventura de serem chamados à sua presença por lhe terem feito frente ou não lhe ter caído nas boas graças. Ao que historicamente é contado,

  Quero referir-me a Louis Henri Loison (1771-1816), que foi comandante da 2ª Divisão de Infantaria aquando da Invasões Francesas a Portugal.

Tão afamado ficou pela ferocidade das suas barbaridades aplicadas na submissão da localidade de Peso da Régua, que veio a ser nomeado por Junot para “amansar” os agitadores alfacinhas anti-franceses, que se dedicavam a movimentar as massas de Lisboa e arredores.

Ali chegado, sob o seu comando muitas pessoas foram assassinadas; os saques e as violações foram o pão-nosso de cada dia. Um verdadeiro terror!

Era conhecido por, “O Manêta”; por haver perdido um braço numa diversão à caça no seu país.

Ao que parece, era tão bom a chefiar, como a diligenciar imolações àqueles que não comungavam  da sua vontade.

A forma militarista e sádica que o distinguiu, primeiro em Peso da Régua e seguidamente em Lisboa, deu origem a que o General Junot, o tivesse “agraciado” com mais uma “digressão” para o Alentejo, mais propriamente em Évora, onde prosseguiu também com uma onda de violações, mortes e saques.

Certamente que a sua figura não teria deixado muitas saudades pelos lugares por onde atravessou; contudo, herdamos, não somente a lembrança do seu sádico e implacável tributo, mas também, como “bons sucessores” que fomos, mesmo a brincar, grafámo-lo como contributo para o aumento lexical da língua portuguesa.

No entanto, a concepção subentendida nesta frase, não deixa de não se aproximar da realidade actual, no que diz respeito ao sistema governativo, que há um lustro tem vindo a acentuar a martirização da vida dos portugueses.  

Agora, é que é caso p’ra dezer… “Lá bai tudo p’ró manêta”.

Pelo menos eu, estou convicto disso!?

Mas, lastimavelmente, medito que já não  irei sentir essa agonia.

 

 

António Figueiredo e Silva

Coimbra, 2/05/2007

 

Obs:

Hoje vou postá-la no meu blog,

que naquele tempo ainda não tinha ,

 para esta possa também dar, um passeio Global.

 

 

quinta-feira, 24 de setembro de 2026

A IGNORÂNCIA CONGÉNITA

 

“Muitos querem ser, mas não sabem sê-lo.

(Milay Costa)

A IGNORÂNCIA CONGÉNITA
Врожденное невежество

CONGENITAL IGNORANCE

जन्मजात अज्ञान

Die angeborene Unwissenheit

Ignoranță congenitală

Sự thiếu hiểu biết bẩm sinh

與生俱來的無知


    Um dia destes, em agradável cavaqueira sobreo carácter, veio a lume o estado comportamental das pessoas; algumas das quais, sem disso se aperceberem, são fanáticos acólitos de uma ignorância sem paralelo, que eu titulo de burrice congénita.

A minha “companheira” de uma vida, com quem eu estava a manter a interlocução, quando esta estava prestes a terminar, ponto-finalizou com a frase arriba expressa; “muitos querem ser, mas não sabem sê-lo”.

Apesar da chalaça que a amamenta, pus-me a raciocinar na filosofia embrenhada naquele minúsculo trecho vocabular, e conclui que a fundura da veracidade nele contida, equivale à realidade irrefutável da ignorância daqueles que ambicionam ser grandes, mas não têm capacidade para o ser.

É evidente que a culpa não é deles, por terem nascido com essa característica; mas certamente que também nunca fizeram nada para tentar revertê-la.

Por norma, apresentam-se como nervosos cacofónicos, providos de faladura sem nexo, com beatífica incidência na parte materialista, a quem devotam a  maior importância, como sendo o paraíso da sua vida. São pessoas que quando abrem a matraca, nada instroem. Dos seus estomas tagarelas, apenas saem somente bosteiradas sem sentido, em que a fecundidade do proveito se esvai. Estas, apenas empanturram o espírito de quem as ouve; mas no fim, sempre se aprende alguma coisa, que  é ficar com o conhecimento pleno da estupidez. Todavia, para que possamos viver pacificamente na comunidade de que fazemos parte, mesmo a contragosto, somos coagidos a recorrer à hipocrisia, cuja característica é real, e não se cinge apenas ao sector filosófico; é uma realidade.

Como tal, entre “o saber ser, e sê-lo”, existe um espaço deveras montanhoso que em certas situações a burrice e a imbecilidade latentes não conseguem ultrapassar.

Isto seria razão p’ra clamar, viva a idiotice!

Não ignoro, contudo, que desse fermento, todos possuímos uma porção. O problema, é que como a Natureza é perfeita em tudo, - até mesmo na imperfeição. Ocorre que esse crescente, de vez em quando é mal repartido. As porções nunca são iguais. Mas isso não foi realizado ao acaso. Porque, para que haja sombra, tem de existir luz.

O segrêdo da Criação, consiste em primar pelo equilíbrio;  sem o mal, o bem não existe; não há dia sem noite; o conhecimento da tristeza, transporta-nos à felicidade; o cansaço subsiste, para valorizarmos o repouso; a fome para termos a noção de fartura; para que exista energia tem de haver um ânodo e um cátodo.

Assim sendo, posso afirmar que a palermice, apesar de não ser bem vista, não renuncia ao seu lugar de excelência; se assim não fosse como perceberíamos a presença da erudição?

Tudo funciona segundo um Equilíbrio Universal Perfeito.

Aquele que não acreditar no que acabei de dissertar, que observe para o seu interior, reflita nas suas acções, e tire as devidas conclusões.

Até pode sê-lo e não saber.

Somos todos uma cambada!

E eu, porventura, faço parte do “rebanho”, sei lá!?

 

António Figueiredo e Silva

Coimbra, 24 de Setembro de 2026

 

Nota:

Como detesto, não utilizo o AO90.

VALE A PENA LER

  Nota do blogger : O conteúdo descrito na epístola que se segue, não é de minha autoria; é de um digníssimo Agente da Polícia de Seguranç...