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Existem várias figuras de todos os sectores ideológicos, que
dessa catapulta foram lançados para o universo da politiquice e actualmente
estão bem na vida - alguns até zarparam para se safarem, enquanto outros passaram pelo cárcere, condenados
pelo “bem” que fizeram.
Mas isso p’ráqui, pouco
interessa.
Quando em Portugal,
deflagrou o acontecimento que embebedou e desnorteou a cabeçona de muitos
portugueses, eu não me encontrava neste, outrora “maravilhoso”
território; presentemente bastante necessitado, e mesmo assim, a servir de
mantença para muitos “cães selvagens”, enquanto o povo se lamenta e
estrebucha, sem, contudo, tomar uma postura, quando desponta a hora “H”.
À época, eu estava em
Moçambique, fazendo parte dos quadros técnicos nas Linhas Aéreas Moçambique
(DETA).
Isto, depois de haver
pertencido aos quadros da Força Aérea Portuguesa, entre 1961 a 1966, em
diversos Aeródromos, repartidos por Portugal e Províncias Ultramarinas, - neste
último caso, pelo Distrito de Cabo Delgado, (Moçambique).
Sobrevoei quase todo esse distrito, por entre
nuvens, vendavais e poços de ar, algumas vezes a ouvir o cantar das “costureiras”,
(metralhadoras), manejadas do solo, pelos “nossos amigos”, ferrenhos defensores
da sua pátria, que “agora não encontram em melhores condições de vivência”.
Mercê da sorte que me
protegeu, sobrevivi a alguns acontecimentos imprevistos, que neste momento
estou a relembrar, sem, contudo, proceder ao seu relato, porque o meu objectivo
é outro.
Salazar caiu da cadeira, cuja queda, culminou no seu
infausto óbito.
Passados uns tempos,
após uma flamejante trovoada de “heróis”, arrastada pela correnteza da enchente
Marxista, caiu o último
e honrado habitante da torre de comando, - Marcelo Caetano; com este,
Portugal também tombou do podium. O derribamento foi de tal forma
desastroso, que empurrou também a nação, para o precipício, arrastando consigo todo o Império Lusitano
de além-mar.
Em vez de edificarem
Governos multi-raciais, entregaram tudo, de mão beijada, a membros de edeologia
marxista; agora é o que se pode ver. Nem foi bom para nós, nem bom para
eles - quando falo “eles”, é o seu povo. Um povo que sempre respeitei.
Para a abrupta queda do
Império, em 7 de Setembro, de 1974, em Lusaka, capital da Zâmbia,
a soberania foi entregue à FRELIMO – partido de ideologia Marxista.
Não tardou muito que uma
euforia colectiva se instalasse no povo moçambicano, (não direi integralmente),
por todo o território, cuja loucura o levou a praticar muitos furtos, ocupações
habitacionais, apedrejamentos, violações e mortes; quando tudo isto poderia ter
sido evitado, se realizado a bem, com serenidade e harmonia. Hoje, todos
estaríamos melhor, tenho a certeza.
Eu estava lá, em
Lourenço Marques, quando ouvi na Rádio a célebre frase, “GALO, GALO,
AMANHECEU”; que anunciava a vitória da FRELIMO para
Governação de Moçambique.
Eu assisti ao primeiro
desembarque de tropas da FRELIMO, no aeroporto daquela cidade – nesse
dia estava eu em serviço de assistência ao Boeing 747-Jumbo, da TAP.
O desembarque nem foi na
placa junto à gare; foi realizado em frente ao Hangar de Inspecções da DETA -
certamente para ninguém observar.
Os soldados apresentavam-se
todos rotos, sem farda, e alguns descalços, com
camisolas esfarrapadas, mas com “canhotas” (metralhadoras), nas
mãos, certamente prontas da disparar.
Dali entraram num autocarro, foram transportados para o quartel do exército português,
situado na zona de Malhangalene, perto do apartamento onde eu morava, e da
igreja de Nª Sª das Vitórias, onde lhes foi distribuído fardamento novo.
Coisa curiosa:
No momento do
desembarque, estava eu a conversar com um assistente da TAP, enquanto ele, munido
uma máquina fotográfica, se entretinha a tirar fotografias ao acontecimento. Nisto, um indivíduo
negro, bem vestido, de sapatos pretos, brilhantes, e camisa azul, (nunca me
esqueci), que, ao que parecia, capitaneava os soldadecos, aproximou-se de nós,
e, dirigindo-se ao assistente da TAP, sem quaisquer palavras, sacou-lhe a
máquina fotográfica, abriu-a, removeu-lhe o rolo, esticou-o para o expor à luz, e
devolveu-lhe tudo, dizendo; não pode estar aqui a tirar fotografias.
Ficámos
interrogativos, apáticos, boquiabertos e em silêncio!?
Muito bem, - pensei para
comigo. Vai ser bonito!?
Em pouco tempo a
situação começou a entrar em fervura, com a ocupação da Rádio Club de
Moçambique e a manifestação de apoio, feita por um enorme ajuntamento de
pessoas, de todas as pigmentações, raças e crenças.
As avenidas de Angola e
Craveiro Lopes, tornaram-se intransitáveis; aí, o povo, à semelhança de um
formigueiro, cobria completamente o asfalto, - uns a favor outros contra. Uma barulheira infernal! Perigosa.
Tive dois ou três que
dias que não fui trabalhar, porque não arriscava a passar por ali, e a Polícia
de Segurança Pública também não me providenciava protecção - eles bem viam que
não podiam; se lá se metessem tinham grandes possibilidades de tombar.
Dois ou três dias após 7
de Setembro, à noite, quando recomeçámos a labuta, apareceu-nos companhia; a
presença de dois soldados da FRELIMO, um em cada canto do hangar, “certamente
para proteger as instalações”, ou prontos para, em vez de nós, fazerem eles
as habituais inspecções diárias aos aviões e resolva as avarias reportadas, se as ouvesse. Coisa estranha e nunca vista;
nenhum deles falava português, nem qualquer dialeto moçambicano.
Entretanto, deu-se a referida
ocupação das instalações da Rádio Clube de Moçambique, com o objectivo
de organizar uma governação multirracial, uma vez que uma grande fatia da população
não desejava a governação FRELIMISTA.
Foi sol de pouca dura. Porque
o exército português colocou à frente das instalações uma viatura ligeira Panhard,
com metralhadora pronta a disparar – diziam -, se aquela emissora não fosse
abandonada. E foi o que veio a ocorrer.
Depois, pelas notícias
que esvoaçavam de boca em boca, pela cidade Lourenço Marques e arredores,
não excluindo outras cidades, os brancos deviam abandonar aquele território, e
deixar tudo o que haviam granjeado durante sua vida de trabalho e aforro.
Eu, que era bem considerado
na companhia onde laborava, comecei a observar as atitudes de alguns
moçambicanos, que, pela linguagem exibiam e pela expressão facial que
apresentavam, para mim era custoso aguentar aquela situação; vai chamar “Kamarrada”
a outro, que não a mim – pensava eu.
Até hoje, sempre fui
respeitador, sem distinção de raças, religiões ou edeologias políticas;
subserviente ou capacho, nunca, jamais.
Ora eu, que tinha uma
minha família constituída e a minha vida estabilizada e em franco progresso,
fui obrigado a tomar uma decisão, que muito me custou, para segurança dos meus
seres queridos e de mim próprio.
A minha esposa com as
nossas duas minhas duas filhas, ainda crianças, foram de comboio, - sem
passaporte -, acompanhadas por uma vizinha, com destino ao país vizinho, -
África do Sul.
Comboio
esse, que rlou com as janelas sempre fechadas e sem parar em lado nenhum. Não obstante, foi
sempre alvo de apedrejamentos, até atravessar a fronteira com a África do Sul,
em Nelspruit.
Ali
chegadas, uma surpresa ocorreu; a vizinha seguiu o seu trajecto, porque já
tinha vivido naquele país, e elas foram conduzidas a um Campo de Refugiados,
onde não foram maltratadas, até que houve um casal português que se
responsabilizou por elas, as transportou para Johannesburg e lhes deu guarida
até irem para casa da mãe dessa vizinha.
Tudo isto consequências
do azougamento Comunista.
Apesar de ter passado
maus bocados, no meu caminho, - que não vale a pena descrever-, deparei com
algumas pessoas de bom íntimo, que confiaram em mim e me ajudaram a levantar da
fossa onde os acólitos da a Doutrina Marxista me haviam enfiado. É
revoltante! Só dá valor, quem passou por situações semelhantes.
Apossou-se um nervosismo
tão intenso, que ainda hoje perdura, quando ouço a palavra “camarada”, (Kamarada
ou Kamarrada).
Já naquele país, após me serem concedidos os passaportes e eu ter encontrado trabalho no ramo aeronáutico, onde iniciei a singrar, - ao fim de um ano foi o primeiro português Assistente de Chefe de Equipa.
Passados uns meses, foi promulgada uma
*lei, para mim invulgar, - mas que dizia muito -, que me colocou em estado de alerta, ansioso e
meditativo – actualmente observo que eu tinha razão -, e pus-me a andar para a
minha pátria de origem. Apesar de me ter sido oferecido trabalho para outros
países, nunca mais desejei abastardar a minha cidadania, e por cá fui
permanecendo - não sem haver passado por maus bocados -, ao ponto de me sentir
estrangeiro no meu próprio país.
O marxismo já
havia contaminado esta nação, outrora próspera e naquela época já em vôo picado,
com o azimute marcado para a decadência.
Assaltos e saques
indiscriminados e ocupações forçadas de propriedades privadas e habitações,
foram o pão nosso de cada dia; na altura, a zona considerada como o Celeiro
de Portugal, (Alentejo), foi “comunizada”, - ainda hoje as consequências se
fazem ressentir. Sanguessugas sequiosas, infiltraram-se no poder; o Semicírculo
onde imperava o Civismo, transformou-se num palco de artistas altercadores
e oportunistas malformados, destituídos de urbanidade, e em número
desnecessário para as dimensões do país, - como ainda hoje se pode observar -,
e que, ao fim de sete anos de “trabalho” (“imprestável”), obtêm uma choruda
reforma vitalícia.
À vista de todos, excepto
dos “enceguecidos” por conveniência ou por ignorância congénita, o sindicalismo
introduziu-se com força desenfreada, nesta nação - todos querem governar; em corolário
disso, muitas empresas entraram e irreversível decadência e encerraram; colocando
grande número de pessoas no desemprego.
Actualmente, por tudo e por nada, as greves prosseguem
à rédea solta e sem cabresto; os portões de entrada neste pequeno território,
foram escancarados, graças à chave “enferrujada” e inconsciente do Espaço
Schengen, a que Portugal tolamente aderiu. Hoje, podem ver-se e sentir-se os
desfechos da mal pensada abertura; não somente em Portugal, porém, em toda a Europa, - factos que há
29 anos eu havia previsto, e, acerca deles, redigido e divulgado o meu
vaticínio sobre as consequências nefastas resultantes.
Conclusão:
A Teoria da Igualdade,
raciocinada disseminada por Karl Max, não passa de uma ilusão. Não quero
com isto dizer que esse não fosse o seu desejo; contudo, não equacionou bem a
sacanice do SER HUMANO, que, como uma construção Universal e perfeita,
da Criação, esta brota da precisa conjugação de dois opostos: o Bem e o Mal.
Na inexistência de um, nada subsiste. Logo, a igualdade a qualquer nível, é uma
fantasia. As provas são evidentes.
Eu, seguir a Doutrina
Marxista?!
Só se estivesse muito
debilitado do entendimento.
António Figueiredo e
Silva
Coimbra, 26 de Maio, de
2025
*Lei Promulgada:
Proibido tratar os
nativos da África do Sul, por “Cafre”;
termo muito usado
pelos afrikanders mais racistas.
Então, tornou-se obrigatório
tratar esses cidadãos por:
black man, ou, no caso feminino, black woman.
Nota:
Recuso-me ao uso do AO90.



