domingo, 12 de abril de 2026

DEMOCRACIA FINGIDA=AUTOCRACIA

Quero que fique aqui bem frisado, que não racista nem xenófobo; respeito todas as edeologias políticas e religiosas, desde que não as queiram impor a mim.

Também não sou contra a imigração, que é sempre bem-vinda, - quando devidamente controlada, como é óbvio -, mas… “quem entra em minha casa, tem de cingir-se às regras existentes, porém, com absoluta liberdade de preferência”; se não aprova, que regresse ao seu país de origem.

(do Autor)

 

DEMOCRACIA FINGIDA=AUTOCRACIA

Scheindemokratie = Autokratie

Bhuẏā gaṇatantra = sbairatantra

Dân chủ giả tạo = Chế độ chuyên chế

Фальшива демократія = Автократія

 


    Muito deploro, mas sinto-me na obrigação de defender este meu credo, se bem que, desobrigado de fanatismos, todavia, com base nas circunstâncias pela frente tenho vindo a observar.

É do conhecimento geral o “saber” sobre o que é uma ditadura, e muito mais, aqueles que sofrerem ao atravessar o seu dificultoso caminho, como a mim tocou. Só que, existem duas formas de apresentar a ditadura; uma é através da realidade de quem por ela passou; outra, é aquela que reza a história, que sempre obedece a um “sabichinho” de tendência manipuladora do historiador, que se presta a dar mais brilho aos defeitos, do que às obras de benefício comum. Assim, sobrevém que a história pode não ser como foi na realidade, por ter sido adulterada pela forma como muitas vezes é descrita.

Hoje, Portugal considera-se um país democrata, onde a liberdade é “palavra do dia”. É deste modo, um estado, em que a capacidade do Governo emerge de um sufrágio popular; é um Estado de Direito.  Ou seja, uma situação governativa, em que a lei funciona em plena igualdade, (devia funcionar), para todos os cidadãos, protegendo-os, e permitindo-lhes também a liberdade expressiva dos seus juízos, que, quanto isto nada tenho a dizer, porque o Governo, “benevolente”, permite que “os cães ladrem, mas a caravana continua a avançar”.

Porém, as circunstâncias da Democracia, obviamente que têm de estar subordinadas a regulamentos, quando não, transformar-se-ão numa Anarquia, (que em Portugal, não andará muito longe), e nesse caso, cada um é livre de fazer o que lhe dá na cachimónia, da maneira que quer e lhe apetece.

Não quero com isto dizer, que a Autocracia, (Ditadura), seja melhor do que a Democracia, porque não é; contudo, para que a condição Democrática possa sobressair em toda a sua grandeza, é racional que os cidadãos devem apresentar firmes alicerces de educação; se deles são carenciados, que lhes sejam impostos, pelos princípios instituídos, para estabilizar a vivência social e mantê-la em plena harmonia; e é essa civilidade que tem vindo volatilizar-se no nosso país, com a entrada triunfal da presente “Democracia”, há meio século.

Essa vaporização tem tido grande influência na sociedade portuguesa, pelos exemplos transmitidos por alguns dos elementos da nossa estrutura governativa, que não são dotados da cidadania actina entre si. Não dão exemplos. Entabulam manigâncias por conta própria e são dotados de falta de lisura nos seus argumentos e compromissos; apenas tentam remendar atabalhoadamente as questões e os hábitos maliciosos, com verborreia rasca e bolorenta, da qual o povo já se sente empanturrado.

Ora, não é a este estado de coisas que podemos chamar de Democracia. É mais, uma Democracia encapotada, paraíso dos grandes e inferno dos pequenos.

Agora, vou à razão, pela qual a factual “Democracia Encapotada”, equivale uma “Ditadura real”.

Isto tem sido uma balda desenfreada.

Corrupção abrasiva de desvio de fundos para fora dos objectivos haviam sido destinados; diminuição de autoridade às entidades policiais, que são o garante da tranquilidade populacional; o povoamento de áreas do território, com imigrantes, uma maioria dos quais, que não se sabe onde penduram o pote, - daí resultando que já não se pode andar na rua sem a companhia do constrangimento  ou receio; aos profissionais na área do ensino e didactologia, também lhes foi diminuída a valorização nessas funções, - “até se dão ao luxo” de serem agredidos; daí resultando, que a qualidade do amestramento seja deficiente acompanhada da perda relativa de interesse, - a docência está em queda livre e a falta de professores já se faz sentir.

As forças policiais, que são o garante inquestionável da nossa tranquilidade, têm vindo a ser desvalorizadas e a sua autoridade restringida, - o apreço devido, não passa de uma miragem.

Quanto à justiça, a   lentidão processual jurídica, estica-se até mais não poder, quando se trata de “cão grande”, que abocanhou uns “milhões” à revelia das normas vigentes; o que não acontece com um “miserável ladrão de galinhas”, por ter assaltado uma capoeira e cometido o “roubo de um frango” para sua sobrevivência.

A inflação! Ai! Esta intumescência, abusivamente tem vindo a trepar a olhos vistos, aproveitando-se da instabilidade Mundial como catapulta, (desculpa), e o Governo não é capaz de lhe frear o andamento, impondo a determinação das percentagens lucrativas obrigatórias, na razão directa do valor da aquisição, - como era estabelecido há cinquenta anos atrás. Não, usa teoria do caracol a elevar-se lentamente por um mastro; “de dia sobe dois metros; e de noite, adormece e escorrega um”.

E foi por estas e muito mais situações, que Portugal ancorou à cauda da Europa.

Tudo isto parece irrisório; mas em mim, assoma-se-me à face um sorriso amarelo, que ma faz soltar a adrenalina, estremecer toda a minha constituição estrutural e psicológica, além provocar uma angústia como nunca lembro de ter passado no tempo da Ditadura. Estarei eu senil?!

Se calhar, é mesmo por estar velho e taralhouco!? Se assim é, não liguem, que a tolada vai passar.

Mas, mesmo com a cabeçona azoeirada, que isto carece de uma grande mutação, não tenho dúvidas.

 

António Figueiredo e Silva

Coimbra, 12/04/2026

 Nota;

Não uso o AO90

 

quarta-feira, 8 de abril de 2026

ENCONTRO IMPREVISTO

 

ENCONTRO IMPREVISTO

 Apesar de já decorridos cerca de dez anos, nunca se me varreu a imagem desta figura, que num momento crítico do meu percurso de “escrevinhador”, sem me conhecer de lado algum, manifestou a majestade do seu íntimo, pelos serviços que me dispensou a título altruísta, decorrente da minha abrasiva e sarcástica narrativa, ajustada naquela celebérrima frase, “sem pés nem cabeça”, - que ficará para a história -, veiculada pelo Jornal I, caligrafada e autenticada por Carlos Peixoto, à época, Deputado na Assembleia da República Portuguesa; “a nossa Pátria foi contaminada com a já conhecida peste grisalha”.

Recordam-se?

 Porque ‘stória é bastante densa e complexa, não me atrevo a estar pr’áqui a puxar o fio à meada do seu intricado enredo. Aqueles que, por simples curiosidade ou interesse genuíno, desejarem vasculhar a narrativa completa da ocorrência, só terão de inserir no motor de busca google, peste grisalha - de imediato lhes aparecerá todo o relambório, - que não é pequeno!?

  A continuar: para além da defesa que com perfeição e clareza lavrou, dirigida ao TEDH, (Tribunal Europeu dos Direitos do Homem), que culminou com a minha absolvição, ainda teve a gentileza de me haver concedido a sua franca amizade, até aos dias de hoje.

São factos que não devo, nem consigo esquecer.

O certo é que lá nos íamos contactando pelas vias de comunicação normais, porém, há muito tempo que não nos encontrávamos presencialmente.

Para além disto, apenas vinha assistindo, - quando podia -, às suas doutas análises de jurisprudência emitidas pela TVI, no programa “A SENTENÇA”, cujos contextos são baseados em factos reais. Perante as deliberações concisas e consolidadas nos estatutos da legislação em vigor, muito podem instruir aqueles, cujo conhecimento se encontra menos informado quanto à sapiência interpretativa, proveniente de uma figura, que, sem dúvida alguma, é detentora de uma bem dilatada trajectória jurídica na apreciação e deliberação das mais diversas causas.

Sucedeu que, no dia 29 de Março passado, recebi uma chamada telefónica do Sr. Dr. Juiz Hélder Fráguas, (que já foi Magistrado Judicial em variados Tribunais), a anunciar que se iria deslocar a Coimbra, e que teria muito prazer em realizarmos um encontro.

Dito e feito! Senti grande satisfação em nos voltarmos a ver pessoalmente, e termos oportunidade de manter uma “frugal” conversação sobre assuntos vários, de onde borbulharam, como seria de esperar, reminiscências do passado, ainda em repositório no córtex cerebral, a prateleira de arquivo que faz parte da nossa estrutura racional. Uma lavagem à alma!

Porque é uma figura pública, julgo que também me assiste o direito de levar a público o meu manifesto reconhecimento pela consideração ofertada.

E mais acrescento, as suas “lições” fazem sempre falta, porque a ignorância da lei não justifica o incumprimento da mesma. Por conseguinte, se soubermos onde pousamos os pés, será mais difícil cair nos buracos, que na causticante e imprevisível andarilhança da vida, por vezes se nos deparam.

Pela parte que me cabe, muito obrigado por tudo, Prezado Amigo, Dr. Juiz Hélder Fráguas.

Anseio que, para uma próxima “conferência”, (não sei quando), eu ainda exista, para mais uma assepsia da alma, - se assim se pode dizer.

 

 António Figueiredo e Silva

Coimbra, 08/04/2026    

 

sábado, 4 de abril de 2026

CARTA ABERTA AO MINISTRO DA ADMINISTRAÇÃO INTERNA DE PORTUGAL

 


CARTA ABERTA AO MINISTRO DA ADMINISTRAÇÃO INTERNA - PORTUGAL

 OPEN LETTER TO THE MINISTER OF INTERNAL ADMINISTRATION OF PORTUGA

                        THƯ NGỎ GỬI BỘ TRƯỞNG BỘ NỘI VỤ BỒ ĐÀO NH

OFFENER BRIEF AN DEN MINISTER FÜR INNENVERWALTUNG VON PORTUGAL

पुर्तगाल के आंतरिक प्रशासन मंत्री को खुला पत्र

 

 

Exmo. Sr.

Luís António Trindade Nunes das Neves

Ministro da Administração Interna

 

    Todos sabemos que este verão, - e outros seguirão, penso eu -, como V. Exª declarou, vai ser “muito duro” quanto a fogueiras, que, para além de “assarem castanhas e avelãs”, se prestam a “grelhar” e atazanar as mentes mais envelhecidas que são possuidoras de alguns metros quadrados florestados e não possuem meios financeiros, nem robustez física, para proceder à limpeza dos mesmos; isto é, fazê-lo,  ou mandar “rapar” ou roçar as “cabeleiras” aos pinhais – como sucedeu com o desleixo do nosso Governo, no concernente ao Pinhal de Leiria.  

Perante à legislação neste país edificada, não é de esperar outra coisa. O Governo, em vez de legislar sobre medidas contundentes a aplicar aos pirómanos, trasfega o “pecado” para os proprietários dos matagais, dos quais o Estado usufrui um colossal quinhão, que lamentavelmente tem mantido “ao-Deus-dará”.

Tenho cá p’ra mim, Sr. Ministro, que o miolo cinzento que enche a bola cabeçal do Homo Sapiens, foi concebido para raciocinar; porém, pelo que tenho vindo a observar durante o meu percurso de vida, que daqui a quatro meses, (se lá chegar), complementa oitenta e dois anos de longa caminhada, que esse Pseudo-Homo Sapiens, se tem vindo a metamorfosear num autêntico Homo Asininus.

No entanto, quero aqui clarificar, que não é minha pretensão colocar em dúvida, a “super-inteligência e a vivacidade” de V. Exª.!?

Todavia, fazendo prática do direito que a Democracia(zeca), em Portugal instituída, me confere, gostaria de aqui exprimir uma apreciação minha, que julgo estar dentro da moralidade, e também, da conveniência dos portugueses.

Em meu entender, as tituladas Autarquias, ou Municípios, - que são 308 -, deviam ter grupos apetrechados, para proceder aos desbastes de alguns desses matagais, por quantias mais suaves, destinadas àqueles que não têm possibilidades de o fazer – como eu.

Em meu entender, a concepção dos princípios legislativos, deve ser concebida por mentes ponderadas, de cérebro e olhos abertos, (isentos de estrabismo ou ambliopia), e aplicada segundo a sua literalidade, (letra de lei), de olhos cerrados, porém, com ponderação e moral.

Calculo que V. Exa. provavelmente irá questionar, aonde iríamos buscar tantos “marmanjos” para executar esse trabalho?!

Se assim raciocinou, “refectiu muitíssimo bem e dentro da coerência”; a cabeça foi feita p’ra isso mesmo; mas compreenda, nem sempre funciona como desejamos; ou porque geneticamente não fomos traçados com capacidade para isso, ou porque a conveniência nos atravanca o pensamento.

Contudo, não vou deixar de divulgar o que há muito vagueia no meu pensamento; existe muita gentinha neste país, a viver sob a protecção do RSI (Rendimento Social de Inserção); outros, com penas leves, residem em claustrofóbico confinamento nas penitenciárias portuguesas, e não deixam de não ser também, uma sobrecarga para o erário público – estes até carecem, “coitados”, de resfolgar um pouco de ar puro. Além disso, o trabalho habilita e educa.

Então e agora, Sr. Ministro, o que diz a isto?! - Caramba, até parece uma estrofe de António Aleixo.

Atentamente, (e atempadamente).

 

António Figueiredo e Silva

Coimbra, 04 de Abril de 2026

Nota:

Não uso o AO90

 

 

 

 

 

quinta-feira, 2 de abril de 2026

A COMPETÊNCIA DA INCOMPETÊNCIA

 

É preciso ter alguma “competência”, (manhosa),

para ser um incompetente inabilitado.

(Carla F. Silva)

A COMPETÊNCIA DA INCOMPETÊNCIA

 


    A competência da incompreensão, é um fenómeno, “estranho”; mas, o certo é, que ele existe; pode dizer-se mesmo, competência da incompetência; é crucial ser competente para ser-se incompetente. No fundo, aparenta uma realidade paradoxal, uma vez que reúne conceitos opostos; contudo, não deixa de não ter uma explicação lógica, e denunciadora de uma verdade escondida no interior de um pascácio.

Então, vou passar à minha elucidação alegórica, que corre o risco de poder não ser aceite, por não ser compreendida, por idiotice de muitos ou por deficiência crónica da minha pedagogia, uma vez que eu não me tenho como um Mestre.

Então vamos ao tema.   

Habitualmente, a pessoa honesta, franca e aberta, vive sempre no limiar da carência; por muito que labute raramente ou nunca, abarca o seu objectivo almejado. A seriedade cristalina, ainda que se nos afigure o inverso, é sempre uma barreira atravessada no trilho que leva ao sucesso.  

Aquele que nada faz, mas é bem aviado de lábia fluente, vivacidade e astúcia, mesmo sendo um idiota, é aquele que muitas vezes triunfa, e acaba por transformar-se num incapacitado mandatário, dono de uma capacidade não pura, porém, flatulenta. A sua mediocridade intelectiva, impede-o de reconhecer ou assumir, a sua incompetência. Esta perturbação causa-lhe uma agonia emocional que lhe prensa o espírito de tal maneira, que mesmo a dormir, não alcança a serenidade incorpórea.

Essa fenda psicológica, nódoa do incompetente, espelha-se principalmente em exibições materialistas, não por necessidade, mas porque sim. Se não mais, para fazer ver à sociedade, que está bem de vida, (mas não psicologicamente), e pode esbanjar à vontade! Apresenta-se inchado. É a única maneira, embora estúpida, que encontrou, para compensar a frustração nele interiorizada. A modéstia, a humildade e a contenção, nele não existem. Boas vestimentas, caríssimas máquinas, - na razão directa das suas posses, como é natural -, e avantajadas comezainas, onde   Baco e Pantagruel são as “divindades” mais veneradas. Além disso, está sempre convencido de que, a sua mediocridade, é a única “competência” ao cimo da terra.

Qualquer tentativa que façamos para chamá-lo à razão e demonstrar-lhe o inverso, ele valer-se-á frustradamente da sobranceria, como contrapeso para equilíbrio da sua incapacidade.

É uma forma, pode dizer-se, pouco louvável, de tentar encobrir o seu défice, existente na capacidade cognitiva e intelectual. Apesar de ser considerado figura desprotegida da Natureza, julga-se figura de alto gabarito.  Só que isso não será o suficiente; porque, se não formos competentes não sabemos que somos inteligentes.

Isto é que é uma gaita!? Para o que me havia de dar!

 

António Figueiredo e Silva

Coimbra, 02/03/2026

 

Nota:

Não uso o AO90.

 




 

sábado, 28 de março de 2026

FORÇA AÉREA PORTUGUESA

 

Com quarenta horas de vôo, se faz um piloto;

porém, com quarenta anos de formação,

não se constrói um Técnico em Aviação.

(António Figueiredo e Silva)

 

FORÇA AÉREA PORTUGUESA

 

Eu no AB5 em Nampula Moçambuique
Ingressei naquela “Academia”, com dezassete anos de idade. Nunca lamentei o meu voluntariado, do qual, ainda hoje guardo no meu já carunchoso íntimo, aqueles velhos tempos, que muito me ensinaram a desenrascar, nos momentos de angústia ou alienação, próprias da idade! Agora, que a saudade não faz renascer uma réstia de esperança, pelo menos outorga ao meu pensamento, – por enquanto –, o prazer esvoaçar mais rápido do que a luz, e, com infinda satisfação, poder contemplar de cima das nuvens para baixo, e observar no horizonte longínquo retalhos de um mundo quimérico, cuja realidade, agora “ressuscitada”, tinha ficado arquivada na prateleira dos arquivos da minha memória.

Não duvido que, enquanto no meu cérebro esvoaça no sonho, a sensação de uma realidade que se encontrava em apática hibernação dentro de mim, fez exteriorizar a sua presença.

Quando me passou pela cabeça, ingressar na Força Aérea Portuguesa, a minha intenção era fugir aos estudos, uma vez que naquela altura, andava na Escola Industrial. A verdade seja dita; estava a dedicar-me um “bocado” mariolice e à diversão dos afamados matraquilhos; é o mesmo que dizer: estava a borrifar-me pró resto, pelo qual os meus pais tanto se sacrificavam.

Tolice da juventude.

Quando um dia olhei para um anúncio televisão, que versava sobre o alistamento para a Força Aérea Portuguesa, pensei para comigo: aproveita camêlo; safas-te dos estudos e tens o problema resolvido, (foi isto que eu, na minha jovem parvoíce cogitei), mas a realidade não foi bem assim!?

Primeiro a recruta. Comandada pelo Major Lélio de Almeida Ribeiro, - de quem ainda hoje alimento saudades. Uma figura, cujos discursos incutiam respeito e cumprimento do dever; contudo, não deixava de ser uma pessoa ponderada, compreensiva, e dotada de um fluente poder de dicção.

Hoje compreendo que não foi muito violenta, (como ainda hoje acontece nas fileiras do Exército), mas não deixou de não ser um bocado castigadora fisicamente; mas abria os miolos.  Havia, porém, certos predicados na BA2, que faço questão não deixar entrar em que da livre; as casernas, eram óptimos aposentos, - que tínhamos de manter sempre em ordem; banheiros higienizados, providos de água quente e fria a qualquer hora do dia ou da noite, que era jorrada sob furioso esguicho, através de cromados e asseados chuveiros, para nos despegar o unto do canastro; após a remoção do estrume sudoríparo, que, caldeado com pó, atulhava a porosidade do nosso courato, sobrevinha uma quietude, que domesticava nossa tensão nervosa, convidando-nos a um merecido refrigério.

A cozinha; naquela altura, era de requintado asseio; com grandes panelões de aço inox sempre a brilhar, como eu nunca havia visto; a alimentação que nos serviam, era um requinte; a messe onde eram nos servido o repasto, muito bem mobilada, com mesas redondas onde nos sentávamos em jovial conferência pantagruélica e circunstancial cavaqueira. As refeições principais, eram sempre acompanhadas por uma maravilhosa pinga de vinho, tinto ou branco, era à escolha, - naquela época ainda só havia vinho feito de uvas – e se fosse nosso desejo, era permitida a repetição de comida ou mais um bocadinho da pingolêta.

Já sabíamos que, em dias festivos, havia carne-de-porco-à-alentejana; uma delícia! Uma obra prima em gastronomia!

Bem, com a recruta praticamente consumada e finalizada, esta é concluída com uma marcha a Serra de Montejunto; já não me recordo da hora de saída, mas eram altas horas da madrugada, (duas ou três horas), sob uma temperatura invernal, em que o frio era danado, levando no bolso do capote, como inseparável companheira, uma minúscula garrafinha de bagaço de medronho, (que eu nem bebi), que a cada um de nós, havia sido distribuída – talvez por naquele tempo ainda não estar em voga a marijuana; assim, para lá fomos marchando em romaria militar, para procedermos ao desjejum matinal. O pequeno-almoço, que não tinha a ver com mesma refeição servida na BA2, aparentemente lá fez silenciar a nossa reclamação gástrica, até regressarmos ao nosso prezado aquartelamento, para saborear um lauto almoço. Assim, sim! – pensei eu.

Agora vinha o Tirocínio; era baseado no conjunto das especialidades por cada um de nós escolhidas; porém, concedidas segundo o critério, que, suponho, ser em face das necessidades técnicas, uma vez que, havia iniciado a Guerra no Ultramar. A mim foi atribuída a de MMA (Mecânico de Material Aéreo).

Eu tinha idealizado, (erradamente), que aquilo eram favas contadas, - como é habitual dizer-se. Afinal “saiu-me o tiro-pela-culatra”.

Ao ter conhecimento das disciplinas que o meu intelecto ia ter de debulhar, senti-me muito perplexo e inquieto; porque o Major Lélio A. Ribeiro, na sua última alocução, asseverou que era necessário estudar bastante, para poder vir a ser um Especialista da Força Aérea Portuguesa, - e acrescentou -, quem passar no Curso, será Especialista; quem “chumbar”, será enviado de regresso pelo caminho de onde veio, e nunca mais o será. E isto aconteceu a alguns, é verdade.

Então, o rol da matéria apresentada, constava de:

Aviões – teoria; Aviões – prática; Motores – teoria; Motores – prática; desde os motores de explosão, inflamação interna aos rectores, abrangendo os Ramject e Scrameject; Electricidade – teoria; Electricidade – prática; Tecnologia – teoria; Tecnologia – prática; Instrumentos – prática; Matemática; Física; Intrucção Militar – teórica.

Amedrontado e meditativo, passei as mãos pelo couro cabeludo, “arranhei” a minha consciência, e disse para comigo: “tem calma meu maluco, que vais vencer tudo isto.

Vezes sem conta, estudei até à 1:30 h da noite…, mas triunfei! Venci, com uma média que me permitiu ficar entre os doze primeiros classificados; o que me outorgou o poder seleccionar a Base Aérea em que pretendia ser colocado. Escolhi a BA6, situada no Montijo; onde permaneci algum tempo, até me ter voluntariado para Angola, - que não cheguei a ir; porém, fui enviado para Moçambique, com destino ao AB5 em Nampula, no distrito de Cabo Delgado. Não sem previamente haver passado pelas   Oficinas Gerais de Material Aeronáutico, em Alverca, para adquirir algum treino especialista no avião Dornier Do 27, - uma aeronave muito utilizada no conflito Ultramarino.

Ali chegado, fui ampliando os meus conhecimentos nos aviões Harvard T6 G; um avião que também foi fundamental para guerra Ultramarina. Apesar de “sucatas” barulhentas, (a ver pelas chapas do Overhaull, cravadas no seu interior, alguns deles já tinham voejado na guerra da Coreia), lá iam cumprindo a sua missão, como idosos “robustos” a tentar escalar o Monte Evereste.

Sobre Cabo Delgado, se não é da terra, é do ar, conheci todo o Distrito e a sua extravagante e “interminável” beleza. Hoje, ao que consta, é terra de ninguém, onde o Estado Islâmico, cavalga na crista das ondas do terrorismo, a cortar cabeças, decepar membros e a incendiar haveres daquele povo sereno, que tão bem conheci! Lamentável!

Voltando atrás. Foi graças aos ensinamentos adquiridos na Força Aérea Portuguesa onde muito aprendi e marquei para a minha rota na Técnica da Aeronáutica, que com imensa satisfação converti na profissão da minha vida, -mais tarde enganei-me.

Quando “levantei vôo” da aviação Portuguesa, foi com destino a Lourenço Marques; cidade que não conhecia. Na realidade era outro mundo!

 Depois de vários imprevistos, que não aqui divagar, ingressei nas Linhas Aéreas de Moçambique, (DETA), que já era uma companhia razoável para a altura, (hoje, não tem um avião), e fazia transportes com o avião Fokker f27 Friendship, do qual adquiri o Curso; um avião, já com avançada tecnologia para a altura.

Entretanto foram adquiridos Boeings 737, (três), dos quais, também obtive dois Cursos, sendo um deles nomeado Curso de Refrescamento.

Eram e ainda devem ser, aeronaves dotadas uma tecnologia que não lembra ao Diabo. É meu costume dizer, por chalaça (mas séria), que esse avião é o pai do Boeing 747 Jumbo. Essa máquina graúda e tecnicamente muito desenvolvida, da qual também tirei a especialização na TAP (Transportes Aéreos Portugueses). Antes da TAP haver adquirido estes, operava com os Boeing 707, cuja especialização, também tinha vindo adquirir, nessa fabulosa companhia – actualmente, em desenfreado declínio.

Ainda me desloquei Salisbury, para, na Air Rhodesia, obter prática no Boeing 720, na altura uma aeronave que já merecia estar na sucata, mas ainda ia aboando, e passava pelo Aeroporto Lourenço Marques, onde, como é regulado nas normas em aeronáuticas, se tornava necessária Assistência Técnica.

À parte de tudo isto, muito tempo dediquei ao estudo, para conseguir as minhas Licenças de Técnico de Manutenção Avões, nº 122, (licenciado em Fokker f27 Friendship, cujo exame, fui fazer no Aeroporto da Beira, (Moçambique), pelos examinadores, Eng.º Rebelo, da DETA, Verificador Sr. Mário Valadas, e da Aeronáutica Civil, (a entidade reguladora das normas da aeronáutica nas Províncias Ultramarinas), um Credenciado Técnico (que já não me lembro bem do nome), mas mesmo com a debilidade da minha memória, algo me ressalta como, qualquer coisa, … Salvani.

O exame para a adjunção do Boeing 737, já foi executado nos hangares da DETA em Lourenço Marques, também com a comparência “olhométrica” de um Inspector da Aeronáutica Civil. Não se brincava; os procedimentos inerentes à máxima segurança das aeronaves, tidos muito a sério tidos como um fanatismo nanométrico; a sua execução, revisão e verificação final; eram sempre certificados por três assinaturas.

Estava eu lindamente a progredir na carreira, e deflagrou o 25 de Abril em Portugal, seguindo-se o 7 de Setembro em Moçambique; eu, que nunca retraí as minhas emoções nem abdiquei das minhas convicções, meti-me naquela sarilhada (que, se tivesse vencido, aquele pobre povo e nós, hoje estriamos em melhor), e fui obrigado a dar-à-sola, voando o país vizinho, África do Sul.

Para me infernizar mais a vida, eu, que tinha passaporte oficial, este, havia de caducar uma ou duas semanas antes, do dia 7 de Setembro.

“Fugi” com um desprezível Salvo-conduto, que com mestria e astúcia consegui em três quartos de hora, para ir encontrar-me com a minha esposa e duas filhas que haviam estado num campo de refugiados em Nelspruit, na Africa do Sul.

Já naquele país, comecei a trabalhar ma Fields Aviation, - actualmente, Fields Airmotive -, em Germiston.

Lá, ao fim de um ano, fui o primeiro português a ser promovido a Assistente de Chefe de Equipa.

Grande parte do meu caminho, à Força Aérea Portuguesa eu o devo e ainda hoje ma sinto muito grato; não menosprezando, contudo, a minha natural resiliência.

Mas, não vou deixar passar em branco: o 25 de Abril, serviu para me derrubar, - e a muitos outros.

Se eu, à semelhança de uma aeronave, não houvesse tido resistência e tenacidade para levantar vôo contra o vento, hoje, estaria na mais abjecta e deprimente miséria.

Hoje, apesar da minha estrutura combalida pela oxidação da idade, (quase oitenta e dois anos), todavia, com a minha interação encefálica, ainda em razoável actividade, faço questão de, antes de encetar a descolagem para o meu derradeiro vôo com rumo ao éter, agradecer à Força Aérea Portuguesa e a todas as outras entidades ligadas à Aeronáutica por onde passei, pelas oportunidades que me concederam para a expansão do meu conhecimento na matéria, à qual, parte da minha existência com orgulho dediquei.

O MEU ETERNO OBRIGADO!   

 

António Figueiredo e Silva.

Coimbra, 22/03/2026

 

Obs.:

Para os mais cépticos, todas as afirmações

contidas nesta narrativa,

estão devidamente documentadas.

 

Nota:

Continuo com a minha “burrice”;

Não faço uso do AO90

 

 

 

  

 

 

   

 

 

 

 

 

 

 

  

 

 

 

terça-feira, 24 de março de 2026

VENEZUELA! Венесуэла 委內瑞拉

 

Nota prévia do autor:

Achei tão assertivo o presságio emanado do artigo que se segue, - já publicado há oito anos -, que hoje, resolvi proceder à sua republicação.

 

“O desejo de igualdade levado ao extremo,

 acaba no despotismo de uma única pessoa.”

(Barão de Montesquieu)

 

VENEZUELA!

Венесуэла

內瑞拉

 MADURO ESTÁ “MADURO”


    
    Uma imensa porção de território que Simón Bolívar libertou das grilhetas de Espanha e tornou independente, transformando-a num dos países mais bem-afortunados da América Central, é agora uma pátria de resignação fervente, de liberdade apodrecida onde reina a ferro e fogo um cerrado despotismo. Foi uma região produtiva, bafejada pela abundância, com invejável nível de vida onde a emigração afluiu com a energia e a tenacidade de um enxame de abelhas, permitindo a muita gente – com algum sacrifício, claro - granjear posses que lhe permitiram ter hoje, uma vivência estável.

A Venezuela vê-se actualmente estrangulada e rastejante sob o jugo de uma ditadura que no século XXI já não tem razão de ser, perante a forma de pensar nos dias de hoje.

Nicolas Maduro, sucessor da tirânica “monarquia” chavista, deu o derradeiro golpe ao colocar o país num ciliciado “amadurecimento” obrigatório, até este tombar podre de maduro; derrotou toda a estrutura económica e financeira, de tal forma que a miséria faz parte da vestimenta esburacada e rota daquele país.

É inacreditável como uma figura que forçou a sua apresentação como defensor da liberdade de um povo, foi ela própria, o carrasco, o verdugo, desse mesmo povo.

Ali falta tudo. No que respeita bens materiais, os produtos de primeira necessidade são uma evidência; a estabilidade económica e social, ao que parece, não existe; a tranquilidade e a ordem estão entrevadas e em situação de penosa recuperação.

A única condição que existe com fartança é a repressão, até que aquele povo tenha oportunidade de retirar o pescoço da corda de sisal que lhe sufoca a liberdade e lhe sustem a revolta.

Não conheço esse outrora “Reino do Prestes João” e tudo o que dele possa pensar é-me veiculado pelos mais variados meios de comunicação.

A ser tido como verdade tudo o que tem chegado ao meu conhecimento, penso que Nicolas Maduro já atingiu o seu ponto excelso de maturação e tem grandes hipóteses de acontecer-lhe o que acontece com toda a fruta muito madura; cai. Cai e certamente que não terá tempo de tirar proveito, dos proventos conquistados pela sua desenfreada ganância.

 Assim o povo se unifique.

 

António Figueiredo e Silva

Coimbra, 02/07/2017

 

Nota:

Não faço uso do AO90

 


 [FS1]

sábado, 21 de março de 2026

DEGRADAÇÃO SOCIAL SOZIALE DEGRADIERUNG СОЦИАЛЬНАЯ ДЕГРАДАЦИЯ SOCIAL DEGRADATION СОЦІАЛЬНА ДЕГРАДАЦІЯ

 

Quanto mais corrupto é um Governo,

Mais numerosas são as leis.

(Tácito)

 




DEGRADAÇÃO SOCIAL

SOZIALE DEGRADIERUNG

СОЦИАЛЬНАЯ ДЕГРАДАЦИЯ

SOCIAL DEGRADATION

СОЦІАЛЬНА ДЕГРАДАЦІЯ

 

     Públio Cornélio Tácito,  Historiador Romano que habitou neste globo há cerca de mil e novecentos anos, - presume-se -, deixou bem cinzelada na ardósia temporal, a citação arriba caligrafada, que assenta na pureza da realidade. Através dos séculos, graças a preciosos intelectos, é nos dado ver que o incansável suborno, sempre foi e continuará a ser, um campo fértil para a germinação e progresso da imoralidade, condimento necessário à concepção de normas, que, apesar da autenticidade clara do seu escrito, esbarram no atoleiro poluído, do entendimento Humano.

Logo, a clareza da lei está impedida de apresentar a sua verdadeira limpidez, visto que, a corrupção assim o determina. Assim sendo, quando interpretada por consciências doentias, devido à subjugação de interesses gananciosos, a moral descampa, o azimute muda, e o “galo do campanário judicioso” segue, girando ao do sabor da severidade e favoritismo da ventania que sopra.

Muito me deslumbra a ilustração que da frase de Tácito emana, e o extenso trajecto que ela teve de percorrer até chegar a mim e entrar na minha já carcomida mioleira. Constato que ele tinha razão. Actualmente as leis são muitas, e cavacadas por “artesãos”, segundo as suas conveniências. A sua forma, permite uma indeterminável locomoção serpentina na interpretação do seu articulado, resultando que da mesma, sejam decididas sentenças imorais, indecentes e desadequadas ao acto praticado; não obstando, contudo, que não possa acontecer o oposto.

Pelo que tenho vindo a observar, a doença corruptiva é uma componente, (além de outras mazelas), que tem acompanhado o Homem desde a sua concepção.

Mais ou menos acentuada, todos os viventes Humanos armazenam esta imperfeição que é moldada em função da sua consciência, da sua genética, da sua ambição, da sua vaidade e da degradação da comunidade que o circunda.

A actual sociedade é especialista em actividades ilícitas, com grande incidência para o desvio de verbas públicas. A fraude, em numerosos elementos do elenco governamental, é o “pão nosso de cada dia”. Mas, para que isso aconteça, com maior ou menor frequência, tem o protectorado da variação interpretativa das leis. Se estas fossem concebidas à semelhança do Código de Hamurabi, ("ôlho por ôlho, dente por dente”), que era fundamentado na famosa Lei de Talião, que indicava que o castigo a aplicar, devia ser proporcional ao delito, certamente que havia mais contenção nas ilicitudes cometidas.

A maior incidência desta situação, que desagua na indecência, e no desrespeito, é articulada entre muitos daqueles que nos governam, que em espontânea conexão com familiares, e/ou empresas, sigilosamente recorrem ao entrelaçamento de dados com o preciso obectivo de enceguecer a visibilidade da fraudulência dos esquemas forjados.

Tudo isto tem sido possível, graças ao beneplácito “cego”, de comanditas organizadas; porque a isca mais gorda, cai constantemente na gamela insaciável, da ganância que as alimenta.

Ao “pequenino”, apenas cabe os restos urticantes das decisões mal tomadas, promovidas pela degradação que subsiste nesta sociedade alienada e tolhida pela ambição, onde a “Dura lex sed lex” é apenas uma nesga perante a realidade dos factos.

 

António Figueiredo e Silva

Coimbra, 21/03/2026

 

Nota:

Não utilizo o AO90.

 

  

 

 


     

   

DEMOCRACIA FINGIDA=AUTOCRACIA

Quero que fique aqui bem frisado, que não racista nem xenófobo; respeito todas as edeologias políticas e religiosas, desde que não as queir...