sábado, 17 de outubro de 2026

ANTEVIDÊNCIA

 

O trabalho dos dominadores, é dividir os dominados.

(Pierre Bourdieu)



ANTEVIDÊNCIA

TẦM NHÌN XA

Voraussicht

استشراف

遠見

ΠΡΟΒΛΕΨΗ

רְאִיַת הַנוֹלָד

दूरदर्शिता

FORESIGHT

ПРЕДВИДЕНИЕ

 


    Algo redemoinha no meu juízo que não me deixa repousar. É uma tempestade de tamanha magnitude, que eu não consigo refrear os seus efeitos.

O governar.

Como é meu hábito “acreditar”, é muito mais fácil governar o que não é nosso, do que aquilo que nos pertence.

A sabedoria da política, não determina isso; antes o oposto. A estadística foi formulada para estabilizar diferenças entre as várias populações que andam a passarinhar à tona pelo Globo. Porém, a maioria daqueles que se têm dedicado a essa área, estão a borrifar-se para as populações que dizem administrar.

O interesse primordial, tem sido governarem-se a si próprios em primeiro lugar; o resto não passa de canções de embalar, cuja sonância musical e cadência, artificiosamente estudados, têm o dom de provocar entorpecimento nos cérebros mais débeis, que olvidam haver por detrás da política, jogos de interesses encobertos; é certo que não ouso afirmar que não haja políticos credíveis na execução do seu papel. Se o fizesse estaria a mentir. Sim, eles existem; mas são poucos.

Apesar de nunca ter mergulhado no mundo da política, (hoje mais politiqueiro do que politico), “nem saber nada sobre essa matéria”, actualmente, com oitenta e dois anos a roçarem-me o pêlo, posso afirmar com segurança, que já passei por maus momentos, resultantes de governações imperfeitas. Tivessem sido ou sejam elas, ditatoriais, democráticas, socialistas ou comunistas.   

Até ao momento, ao olhar para a maior parte daqueles que têm vindo a montar no dorso do estado mundial da política, o descrédito tem vindo a minar o meu espírito com picarêtas de desilusão, por contemplar que, “se de um lado chove, do outro venta”. “Que venha o Diabo e escolha”.

O facto de não ser o meu país de origem, nem nunca por lá haver passado ou vivido, ajuízo que não me vai ser quartada a divulgação do meu conceito, relativo àquele burburinho  que tem vindo a ensopar as cabeças ao povo Brasileiro. Não ponho de parte, porém, que este bulício ocorre em quase todo o mundo. A luta pelo poder.

Todavia, antes de prosseguir com a dissertação, quero frisar que, nem um nem outro, se situam dentro dos meus parâmetros gustativos.

 O Sr., (ainda presidente), Luiz Inácio Lula, que se considera ter sido um “óptimo governante”, (se assim não fosse, não teria afluído ao quarto mandato),  já esteve na “jaula” quinhentos e oitenta dias, (certamente por promover a “filantropia”, não sei!?), vem agora argumentar que, “Bolsonaro (Flávio), só está preocupado com o poder”.

Isto dá-me vontade de rir!

Então e ele, o Sr. Inácio Lula, que tanto papagueia, está apoquentado com quê?

Vê-se ao longe, que entre ambos existe uma dualidade de interesses, sem sombra de dúvida, análogos, - para não dizer idênticos ou mesmo, equivalentes.

No decorrer de toda esta ladainha, apresso-me a lavrar em duas ou três linhas a minha predição sobre a maratona às presidenciais brasileiras, consolidada na certeza de que, liderança não significa soberania. Mas existe muita gentinha que mistura estes dois princípios e os resultados finais usualmente são contraditórios.

Deem as voltas que derem, quem vai vencer é Flávio Bolsonaro; posteriormente, ao seu pai ser-lhe-á removida a pulseira tíbio-társica e terminará o seu engaiolamento preventivo. Livre como um passarinho e como um bom pai, naturalmente irá contribuir para a estabilidade do êxtase do seu descendente.  

Quando as rédeas do poder mudam de posição e a alcândora passa para outro “pássaro”, é comum as directrizes do poder também se alterarem e saracotearem ao sabor das ventosidades da amizade, da retaliação, do compadrio, do favoritismo e do engrandecimento fácil, que vão levantar muita da sujeira antes camuflada; aí, é que a “porca torce o rabo”.

E não digo mais, para não “pecar”, mas… “estou reticente” quanto ao porvir do Sr. Inácio Lula da Silva. É muito bem capaz de voltar a ser “encafuado”.

É que a política, lastimavelmente conglutina duas faces; a temperança e a vingança.

Mas, tempo o dirá.

 

António Figueiredo e Silva

Coimbra, (PORTUGAL), 17 de Outubro, de 2026

 

Nota:

Sou contra a aplicação do AO90.

domingo, 4 de outubro de 2026

A PARVOÍCE E A HIPOCRISIA

 

"A hipocrisia é a homenagem que o vício presta à virtude”.

(François de La Rochefoucauld)

A PARVOÍCE E A HIPOCRISIA

Die Dummheit und die Heuchelei

الحماقة

Foolishness and Hypocrisy

愚蠢與虛偽

LA ESTUPIDEZ Y LA HIPOCRESÍA

Sự ngu muội và thói đạo đức giả

Глупость и лицемерие

মূর্খতা ও ভণ্ডামি

Kebodohan dan Kemunafikan

والنفاق

 

    É óbvio que há sentimentos, segredos e mistérios, que falecem connosco. São aqueles que, se os difundíssemos, só gerariam irritações e desconchego.

Se antes de proferirmos o que nos mareia no espírito”, sem ponderarmos naquilo que vamos “vomitar”, podemos colher oportunidades sinistras de ficarmos sujeitos a criticismos exacerbados, que podem derrubar a nossa imagem, perder “amizades”, que se afiguravam ser sólidas e de facto não eram, desfazer contratos matrimoniais, desagregar famílias completas, e até, colocar em polvorosa uma sociedade inteira, um país ou mesmo o Mundo.  

É do senso comum, que ninguém é perfeito; contudo, é também do saber universal, que as medidas desses predicados não obtemperam uma igualdade absoluta. Cada um é como é, e não como os outros querem que seja. Observo, no entanto, que entre nós, (estou a falar dos Humanos), habitualmente, cada um tenta apresentar-se como dono e senhor de uma mestria absoluta, que emerge e se reflecte no seu comportamento, por mais nocivo que este seja. Isto desponta da falta de conhecimento de si próprio. Em geral, todas a pessoas se esquecem de que quando apontam o indicador em direcção a alguém, “têm sempre quatro dedos a apontar para si mesmas”, - se não forem deformadas, como é manifesto!?  

Esta lógica, como tudo o que nela possa assentar, é certo que pode não configurar uma realidade para matérias diversas, mas neste assunto sobre Ser Humano, ela é de uma infalibilidade absoluta.

Para conseguirmos estabelecer um carreiro que nos possa conduzir a uma harmonia social entre o nocivo e o benéfico, o sagrado o profano, e as mais díspares edeologias políticas, somos, por força das circunstâncias, obrigados a vestir a capa obscura da dissimulação. Sem a utilização da hipocrisia, a “estabilidade”, como no momento se encontra, ainda que aparente, não iria além de um sofisma. Seria bem pior.

Mesmo sabendo disso, é-me dado constatar que através dos séculos, todas as colectividades globais, nunca deixaram nem abdicarão de andar à traulitada. Está-lhes ma massa do sangue.

Estou convencido de que o Ser Humano nasce bom; a sociedade onde está inserido é que tenta moldá-lo à sua maneira.

Por outro lado, também ajuízo que isso acontece,  quando a parvoíce vence a hipocrisia. Porém, apesar de ladeado por estas os duas demarcações, parvoíce e hipocrisia, creio que ele deve ser senhor do seu próprio domínio, e assim, do seu próprio destino. Julgo que é uma questão de força de vontade. De querer.

Assim, penso que mais vale aparentar ser idiota e manter a paz, do que disfarçar a virtude  e estimular a desarmonia… ou a guerra.

Como o leitor queira entender.

 

António Figueiredo e Silva

Coimbra, – PORTUGAL -, 4 de Outubro de 2026

 

Nota:

Não utilizo o AO90.

sábado, 3 de outubro de 2026

O "SEPULTAMENTO"

 

Lembra-te:

 desta vida, só levas uma muda de roupa,

e nem és tu que a escolhes.

(Adágio português)

 

O "SEPULTAMENTO"

DIE BEISETZUNG

THE BURIAL

PENGUBURAN

LỄ AN TÁNG

EL ENTIERRO

DEFİN

alddafn

PEMAKAMAN

הַקְּבוּרָה

ПОГРЕБЕНИЕ

সমাধি

 

    Suponho que, quando perecemos e somos enterrados, é um grande “perigo para nós próprios” e para aqueles que por cá permanecem; nós, ficamos sujeitos à contaminação de uma gripe que jamais curaremos; em caso de cremação, angelicamente esvoaçaremos através da aerosfera com o nosso “modesto” contributo para acrescentar mais poluição ao seu já avançado contágio; na eventualidade de uma ressurreição, (seguramente improvável), então terminarmos atafegados.

Além disso, ficaremos a doar o nosso tóxico contributo para a saturação dos solos, auxiliando-os a converter os lençóis freáticos de água pura, em enormes “selhas” ou corredouros, já em si abarrotados de hidrosfera peçonhenta.

Só as medicações prescritas pelos entendidos e  abastecidas pelas boticas, que deglutimos durante a nossa vida, certificam esta realidade; enquanto activos, vamos empilhando autênticos venenos; depois de fenecermos, essa peçonha medra e alastra-se. Pobres daqueles que por cá ficam a vaguear.   

Quem vai, pode ter a certeza de que não regressa – “p´ra trás mija a burra”; pr’á frente, por muito que estudado que seja, ignora a sua sorte.

Aqueles que por cá ficam, por muito que padeçam, derretem sempre os últimos vinténs que durante a existência e com grande sacrifício, (para alguns), foram amealhados, para esticarem o mais possível a sua participação no mundo dos vivos, recorrendo a astutos “oportunistas”, que, à custa deles, vivem como nababos; até se deslembram de que a sua vez pode chegar súbita e imprevisivelmente a qualquer instante, sem epístola prévia, “com ou sem aviso” de recepção.

É isto que acontece, quando a vitalidade se volatiliza.

A concluir:

Viver é uma ilusão; morrer é uma certeza.

Absurdo, mas verdadeiro.

 

António Figueiredo e Silva

Coimbra, 3 de Outubro, de 2026

 

Nota:

Não uso o AO90

      

   

sexta-feira, 25 de setembro de 2026

LÁ VAI TUDO P'RÓ MANÊTA


Nota do Autor:

Para aliviar dores no espírito, de quando em vez, dá-me na môna” desandar no tempo e remirar o passado, numa busca de refrigério.

A presente narrativa, disso é prova manifesta; encontrei-a escondida no meu “baú de recordações”, durante dezanove anos. Porém, dada a realidade actual que a interpretação da mesma traceja, decidi torna-la pública.

Às tantas, tenho razões para isso!?

Mas, o leitor o dirá.

 

 

“LÁ VAI TUDO P’RÓ MANETA”!

 


    Obviamente que não conheci a figura que deu origem a esta composição lexical entre os portugueses, mas sabe-se que foi uma pessoa de má catadura, obstinadamente renitente, cuja intransigência no castigar era seu carimbo característico. Bastante penoso era o fim daqueles que tinham a desventura de serem chamados à sua presença por lhe terem feito frente ou não lhe ter caído nas boas graças. Ao que historicamente é contado,

  Quero referir-me a Louis Henri Loison (1771-1816), que foi comandante da 2ª Divisão de Infantaria aquando da Invasões Francesas a Portugal.

Tão afamado ficou pela ferocidade das suas barbaridades aplicadas na submissão da localidade de Peso da Régua, que veio a ser nomeado por Junot para “amansar” os agitadores alfacinhas anti-franceses, que se dedicavam a movimentar as massas de Lisboa e arredores.

Ali chegado, sob o seu comando muitas pessoas foram assassinadas; os saques e as violações foram o pão-nosso de cada dia. Um verdadeiro terror!

Era conhecido por, “O Manêta”; por haver perdido um braço numa diversão à caça no seu país.

Ao que parece, era tão bom a chefiar, como a diligenciar imolações àqueles que não comungavam  da sua vontade.

A forma militarista e sádica que o distinguiu, primeiro em Peso da Régua e seguidamente em Lisboa, deu origem a que o General Junot, o tivesse “agraciado” com mais uma “digressão” para o Alentejo, mais propriamente em Évora, onde prosseguiu também com uma onda de violações, mortes e saques.

Certamente que a sua figura não teria deixado muitas saudades pelos lugares por onde atravessou; contudo, herdamos, não somente a lembrança do seu sádico e implacável tributo, mas também, como “bons sucessores” que fomos, mesmo a brincar, grafámo-lo como contributo para o aumento lexical da língua portuguesa.

No entanto, a concepção subentendida nesta frase, não deixa de não se aproximar da realidade actual, no que diz respeito ao sistema governativo, que há um lustro tem vindo a acentuar a martirização da vida dos portugueses.  

Agora, é que é caso p’ra dezer… “Lá bai tudo p’ró manêta”.

Pelo menos eu, estou convicto disso!?

Mas, lastimavelmente, medito que já não  irei sentir essa agonia.

 

 

António Figueiredo e Silva

Coimbra, 2/05/2007

 

Obs:

Hoje vou postá-la no meu blog,

que naquele tempo ainda não tinha ,

 para esta possa também dar, um passeio Global.

 

 

quinta-feira, 24 de setembro de 2026

A IGNORÂNCIA CONGÉNITA

 

“Muitos querem ser, mas não sabem sê-lo.

(Milay Costa)

A IGNORÂNCIA CONGÉNITA
Врожденное невежество

CONGENITAL IGNORANCE

जन्मजात अज्ञान

Die angeborene Unwissenheit

Ignoranță congenitală

Sự thiếu hiểu biết bẩm sinh

與生俱來的無知


    Um dia destes, em agradável cavaqueira sobreo carácter, veio a lume o estado comportamental das pessoas; algumas das quais, sem disso se aperceberem, são fanáticos acólitos de uma ignorância sem paralelo, que eu titulo de burrice congénita.

A minha “companheira” de uma vida, com quem eu estava a manter a interlocução, quando esta estava prestes a terminar, ponto-finalizou com a frase arriba expressa; “muitos querem ser, mas não sabem sê-lo”.

Apesar da chalaça que a amamenta, pus-me a raciocinar na filosofia embrenhada naquele minúsculo trecho vocabular, e conclui que a fundura da veracidade nele contida, equivale à realidade irrefutável da ignorância daqueles que ambicionam ser grandes, mas não têm capacidade para o ser.

É evidente que a culpa não é deles, por terem nascido com essa característica; mas certamente que também nunca fizeram nada para tentar revertê-la.

Por norma, apresentam-se como nervosos cacofónicos, providos de faladura sem nexo, com beatífica incidência na parte materialista, a quem devotam a  maior importância, como sendo o paraíso da sua vida. São pessoas que quando abrem a matraca, nada instroem. Dos seus estomas tagarelas, apenas saem somente bosteiradas sem sentido, em que a fecundidade do proveito se esvai. Estas, apenas empanturram o espírito de quem as ouve; mas no fim, sempre se aprende alguma coisa, que  é ficar com o conhecimento pleno da estupidez. Todavia, para que possamos viver pacificamente na comunidade de que fazemos parte, mesmo a contragosto, somos coagidos a recorrer à hipocrisia, cuja característica é real, e não se cinge apenas ao sector filosófico; é uma realidade.

Como tal, entre “o saber ser, e sê-lo”, existe um espaço deveras montanhoso que em certas situações a burrice e a imbecilidade latentes não conseguem ultrapassar.

Isto seria razão p’ra clamar, viva a idiotice!

Não ignoro, contudo, que desse fermento, todos possuímos uma porção. O problema, é que como a Natureza é perfeita em tudo, - até mesmo na imperfeição. Ocorre que esse crescente, de vez em quando é mal repartido. As porções nunca são iguais. Mas isso não foi realizado ao acaso. Porque, para que haja sombra, tem de existir luz.

O segrêdo da Criação, consiste em primar pelo equilíbrio;  sem o mal, o bem não existe; não há dia sem noite; o conhecimento da tristeza, transporta-nos à felicidade; o cansaço subsiste, para valorizarmos o repouso; a fome para termos a noção de fartura; para que exista energia tem de haver um ânodo e um cátodo.

Assim sendo, posso afirmar que a palermice, apesar de não ser bem vista, não renuncia ao seu lugar de excelência; se assim não fosse como perceberíamos a presença da erudição?

Tudo funciona segundo um Equilíbrio Universal Perfeito.

Aquele que não acreditar no que acabei de dissertar, que observe para o seu interior, reflita nas suas acções, e tire as devidas conclusões.

Até pode sê-lo e não saber.

Somos todos uma cambada!

E eu, porventura, faço parte do “rebanho”, sei lá!?

 

António Figueiredo e Silva

Coimbra, 24 de Setembro de 2026

 

Nota:

Como detesto, não utilizo o AO90.

quarta-feira, 23 de setembro de 2026

O INTERESSE E A COMPREENSÃO


 

Para entender, é necessário interesse.

(Alberto Rodrigues Baptista)

 

O INTERESSE E A COMPREENSÃO

Das Interesse und das Verständnis

रुचि और समझ

Interest and Understanding

関心と理解

Sự quan tâm và thấu hiểu

興趣與理解

Interes și înțelegere

Интерес и понимание

 


    Na verdade, o interesse é o veículo que nos pode guindar ao entendimento. Se esse atributo em nós não permanecer, ficaremos a vida inteira como uma vela apagada. Existimos, é verdade, mas não “alumiamos” ninguém em nosso redor.

Existe um jôgo entre estas duas singularidades, não para determinar qual delas ganha, mas para triunfarem em conjunto. É uma espécie, não direi de mitose, mas de cópula e companheirismo entre ambas, que as faz desabrochar, crescer e frutificar. Quando amadurecidos, é dos seus ramos  que podemos recolher os frutos da sabedoria, da compreensão.

Reconheço  que, de quando em vez, é custoso nutrificar esse benefício; porém, depois  de frisada curiosidade, persistência, e profunda lavra no sentido oxigenar terreno fértil do entendimento, é só aguardar com disciplinada paciência, pelo seu florescimento e sequente recolha dos carpos. Quando destes irradia o seu aromático bálsamo, o nosso espírito vibra e cintila com os resultados conseguidos! É um prazer!  É uma satisfação indescritível! Para aqueles que nos escutam e para nós próprios.

*Na verdade, é observável que há pessoas onde estas aptidões são flácidas ou inexistentes, mas também se pode constatar que muitas delas jamais investiram algum esforço para as adquirir. São destituídas de interesse. Estas, sob o manto de incoerentes lamentações, arrumam-se a um canto com os “tímpanos obstruídos” a voz entaramelada e/ou  boca-aberta, com figura de verdadeiros pascácios; ou então, “deitam-se” e mantêm-se nessa posição, como como o boi-na-bosta, a remoer o parco manjar da sua falta de erudição, que, por desapego próprio, nunca ousaram investir.

Que é trabalhoso, é verdade. Mas é do conhecimento que nasce a “liamba”, cuja exalação nos enche o espírito de contentamento, - e àqueles que nos escutam.

Toda a dinâmica eruditiva é acumulada e movimentada pelo interesse. Se este escasseia ou é inerte, o discernimento é infectado por exagerada lentidão ou fica mesmo paralisado.

É nato e habitual, que haja sempre alguém que cofunda  anseio com interesse;  porém, actuação destes predicados, é bem diferente; enquanto que o primeiro mensura as adversidades, o segundo ultrapassa-as e leva-nos ao triunfo, cujo sucesso culmina na compreensão, no entendimento,  saber.

Entendo que este pequenino trecho, constitui razão bastante para reescrever a frase de Alberto Rodrigues Baptista: “Para entender é necessário interesse”.

  

António Figueiredo e Silva

Coimbra, 22 de Stembro de 2026

 

Nota:

Escrevo à revelia do AO90.

 

    *Salvaguardo aquelas que, não por culpa própria,  

mas por infortúnio Natural já nasceram sem elas. 


domingo, 20 de setembro de 2026

A CONVULSÃO GLOBAL

 

 “Não sei com que armas a Terceira Guerra Mundial será travada,

mas a Quarta será com paus e pedras”.

 (Albert Einstein)

 

A CONVULSÃO GLOBAL

THE GLOBAL UPHEAVAL

vaishvik uthal-puthal

Global'nyye potryaseniya

Quánqiú dòngdàng

SỰ BIẾN ĐỘNG TOÀN CẦU

Die globale Erschütterung

I pankósmia anatarachí

Tulburarea la nivel mondial

 


    Sobre este tema, não irei dissipar o tempo aos meus leitores, porquanto, os factos são de inteligível compreensão e a paciência, em parte, devido à minha idade, sinto já não ser muita.

Por razões diversas, contemplo que não somos mais do que meros passageiros alapados na gôndola deste “minúsculo” Balão Azul, actualmente em risco de rebentamento, que, com destino ignorado, se desloca ligeiro através incomensurável e desconhecido Universo.

O caos aproxima-se; porque os “grandes”, altercam entre si, insultam-se, arranham-se e tomam decisões próprias e adversas, a seu bel-prazer; aos  pequenos, o arbítrio é-lhes interdito e pagam pelas desavenças e burricadas dos graúdos. Resta-lhes, desgostosos, reprimidos e impotentes, meterem o rabo entre as pernas e ficarem quietos, sem dar pio.

A partir desta visão, vou expôr e difundir a minha linha de de pensamento em relação a essa perigosidade que me tem concedido algumas interrupções no meu repouso, que deveria ser “sagrado”.

Após o breve prólogo, vou passar à objectividade.

Pois bem:

Numa das posições do Globo, permanece um idiota, narcisista, birrento, obstinado, que não sabe ter uma conversa apropriada para o efeito devido; um enfermo intelectivo, convicto de que é rei de uma monarquia por ele idealizada, e na sua depauperada visão, que abarca o todo Mundo até à “Garganta” de Ormuz,  sobre a qual, quer agora “impôr” o seu apadrinhamento. Promete acabar com os conflitos em vinte e quatro horas e eles continuam a desenvolver-se, sem tréguas à vista.

Ainda não satisfeito com isso,  alonga a sua desvairada visão por mais 42.200 km e enceta uma alunagem, para a demarcação territorial de todo aquele satélite, como sendo propriedade sua.

Realmente a alucinação não tem limites.

E temos a outrora América “democrática”, neste momento, como um país com a economia numa situação vacilante, salientada miséria, onde muita gente habita na rua ou em “definhadas” roulotes, os tiroteios, assassinatos e problemas com drogas, são uma constante e a migração flui em massa, ultrapassando as mais rigorosas barreiras.      

No flanco global oposto, outro habita, que, após haver ascendido ao topo da fasquia governativa, com mão de ferro,  transverteu a sua gestão numa obstinada oligarquia, em que somente o dinheiro sustem o poder. Apesar de não ter nada de asno nem de atrasado mental, a sua esperteza e inteligência, foram minadas por uma ambição sem precedentes, levando-o a raciocinar que tudo o que para ele era maninho, seria de fácil anexação; então, com recurso à utilização de um “Pavôr Especial” provocatório, que actuaria, - pensava ele -, como um indefectível fármaco  para estimulação de diarreias. Assim, esta droga também podia conceder ao território “estéril” uma simples anexação e ficava o busílis ambicioso “negociado”, - pensava ele.

E se “bem” o raciocinou, “melhor” o executou. Lançou um deflagrador de “caganeiras”, que apelidou de “Operação Especial”, para se assenhorar do que não era sua pertença, e, como é hábito dizer-se, o “saiu-lhe o tiro pela culatra”; não obstando, porém, que muitas balas e estilhaços não  tivessem esfouçado milhares ou talvez milhões de vidas inocentes, - o que é deplorável e poderia ter sido evitado.

Além disso, a economia da sua área de governação, também iniciou um esboroamento e a população passou a viver uma aflição constante, sob a canga repressiva da governação.

 Uma grande chatice!

Há uma terceira posição, também geo-referenciada, em que se apresenta uma figura, a meu ver de porte exótico, detentora de uma dicção calculista, que me parece ser discreta na sua actuação. Pouco pretensiosa, apesar de asseverar a sua implacabilidade na “caça” à corrupção, não somente para as feras, como “tigres”, - altos funcionários do partido -, mas também às “moscas” - pequenos burocratas locais. Os primeiros, porque pugnam pela “degradação” de alto nível; os outros porque velejam à sombra desse “apodrecimento” do qual também se alimentam à fartazana.

Essa figura, não me parece ser sujeita para longas dissertações de conversa-fiada, contudo, reparo que através dos seus olhos meio fechados, a amplitude sua paralaxe consegue medir horizontes distantes. A confirmar isso,  é notória a evolução técnica daquele país, depois da miséria legada pela Segunda Guerra Mundial.

Por falar nisto, assomou-se-me à memória uma frase que há mais de cinquenta anos eu li, numa revista Seleções do Reader's Digest, e que assim vaticinava: “A China é um Dragão a dormir com um ôlho fechado e outro meio aberto” - não me recordo quem foi o autor da frase, mas o certo é que acertou.

Os três pontos que acabei de referir,  no meu entender, formam o Tripé que forma o Sustentáculo para  o Equilíbrio Global.

Depois desta minguada narrativa, já nem sinto carência nem paciência para linguajar sobre o Médio Oriente, onde a tranquilidade também está completamente desarticulada.

Apraz-me acrescentar que, só as três posições a que me referi, têm volumetria nuclear com capacidade suficiente para plantar os “germes” para inabitabilidade em todo o Planêta.

Todavia, não deixo passar em branco o Médio Oriente, que também “oferece” o seu pesado contributo para risco global, por causa da teocracia governativa existente que naquela imensa área administra. Porque, com o fanatismo não se deve brincar. Essa condição espiritual não é uma enfermidade, é uma fé. E a convicção de ser mártir, não constitui um sofrimento, contudo, um desejo pelo pela vida do além.

É por estas razões que tenho vindo a dizer que a Terceira Guerra Mundial já venceu o estado de inércia – prognóstico esse, que me tem granjeado o cognome de alienado.

Oxalá que eu desacerte.

Ficaria feliz!

António Figueiredo e Silva

Coimbra, 20 de Setembro de 2026

Nota:

Não concordo com o AO90.

ANTEVIDÊNCIA

  O trabalho dos dominadores, é dividir os dominados. ( Pierre Bourdieu ) ANTEVIDÊNCIA TẦM NHÌN XA Voraussicht استشراف 遠見 ΠΡΟΒΛΕΨΗ רְאִיַת...