domingo, 20 de setembro de 2026

A CONVULSÃO GLOBAL

 

 “Não sei com que armas a Terceira Guerra Mundial será travada,

mas a Quarta será com paus e pedras”.

 (Albert Einstein)

 

A CONVULSÃO GLOBAL

THE GLOBAL UPHEAVAL

vaishvik uthal-puthal

Global'nyye potryaseniya

Quánqiú dòngdàng

SỰ BIẾN ĐỘNG TOÀN CẦU

Die globale Erschütterung

I pankósmia anatarachí

Tulburarea la nivel mondial

 


    Sobre este tema, não irei dissipar o tempo aos meus leitores, porquanto, os factos são de inteligível compreensão e a paciência, em parte, devido à minha idade, sinto já não ser muita.

Por razões diversas, contemplo que não somos mais do que meros passageiros alapados na gôndola deste “minúsculo” Balão Azul, actualmente em risco de rebentamento, que, com destino ignorado, se desloca ligeiro através incomensurável e desconhecido Universo.

O caos aproxima-se; porque os “grandes”, altercam entre si, insultam-se, arranham-se e tomam decisões próprias e adversas, a seu bel-prazer; aos  pequenos, o arbítrio é-lhes interdito e pagam pelas desavenças e burricadas dos graúdos. Resta-lhes, desgostosos, reprimidos e impotentes, meterem o rabo entre as pernas e ficarem quietos, sem dar pio.

A partir desta visão, vou expôr e difundir a minha linha de de pensamento em relação a essa perigosidade que me tem concedido algumas interrupções no meu repouso, que deveria ser “sagrado”.

Após o breve prólogo, vou passar à objectividade.

Pois bem:

Numa das posições do Globo, permanece um idiota, narcisista, birrento, obstinado, que não sabe ter uma conversa apropriada para o efeito devido; um enfermo intelectivo, convicto de que é rei de uma monarquia por ele idealizada, e na sua depauperada visão, que abarca o todo Mundo até à “Garganta” de Ormuz,  sobre a qual, quer agora “impôr” o seu apadrinhamento. Promete acabar com os conflitos em vinte e quatro horas e eles continuam a desenvolver-se, sem tréguas à vista.

Ainda não satisfeito com isso,  alonga a sua desvairada visão por mais 42.200 km e enceta uma alunagem, para a demarcação territorial de todo aquele satélite, como sendo propriedade sua.

Realmente a alucinação não tem limites.

E temos a outrora América “democrática”, neste momento, como um país com a economia numa situação vacilante, salientada miséria, onde muita gente habita na rua ou em “definhadas” roulotes, os tiroteios, assassinatos e problemas com drogas, são uma constante e a migração flui em massa, ultrapassando as mais rigorosas barreiras.      

No flanco global oposto, outro habita, que, após haver ascendido ao topo da fasquia governativa, com mão de ferro,  transverteu a sua gestão numa obstinada oligarquia, em que somente o dinheiro sustem o poder. Apesar de não ter nada de asno nem de atrasado mental, a sua esperteza e inteligência, foram minadas por uma ambição sem precedentes, levando-o a raciocinar que tudo o que para ele era maninho, seria de fácil anexação; então, com recurso à utilização de um “Pavôr Especial” provocatório, que actuaria, - pensava ele -, como um indefectível fármaco  para estimulação de diarreias. Assim, esta droga também podia conceder ao território “estéril” uma simples anexação e ficava o busílis ambicioso “negociado”, - pensava ele.

E se “bem” o raciocinou, “melhor” o executou. Lançou um deflagrador de “caganeiras”, que apelidou de “Operação Especial”, para se assenhorar do que não era sua pertença, e, como é hábito dizer-se, o “saiu-lhe o tiro pela culatra”; não obstando, porém, que muitas balas e estilhaços não  tivessem esfouçado milhares ou talvez milhões de vidas inocentes, - o que é deplorável e poderia ter sido evitado.

Além disso, a economia da sua área de governação, também iniciou um esboroamento e a população passou a viver uma aflição constante, sob a canga repressiva da governação.

 Uma grande chatice!

Há uma terceira posição, também geo-referenciada, em que se apresenta uma figura, a meu ver de porte exótico, detentora de uma dicção calculista, que me parece ser discreta na sua actuação. Pouco pretensiosa, apesar de asseverar a sua implacabilidade na “caça” à corrupção, não somente para as feras, como “tigres”, - altos funcionários do partido -, mas também às “moscas” - pequenos burocratas locais. Os primeiros, porque pugnam pela “degradação” de alto nível; os outros porque velejam à sombra desse “apodrecimento” do qual também se alimentam à fartazana.

Essa figura, não me parece ser sujeita para longas dissertações de conversa-fiada, contudo, reparo que através dos seus olhos meio fechados, a amplitude sua paralaxe consegue medir horizontes distantes. A confirmar isso,  é notória a evolução técnica daquele país, depois da miséria legada pela Segunda Guerra Mundial.

Por falar nisto, assomou-se-me à memória uma frase que há mais de cinquenta anos eu li, numa revista Seleções do Reader's Digest, e que assim vaticinava: “A China é um Dragão a dormir com um ôlho fechado e outro meio aberto” - não me recordo quem foi o autor da frase, mas o certo é que acertou.

Os três pontos que acabei de referir,  no meu entender, formam o Tripé que forma o Sustentáculo para  o Equilíbrio Global.

Depois desta minguada narrativa, já nem sinto carência nem paciência para linguajar sobre o Médio Oriente, onde a tranquilidade também está completamente desarticulada.

Apraz-me acrescentar que, só as três posições a que me referi, têm volumetria nuclear com capacidade suficiente para plantar os “germes” para inabitabilidade em todo o Planêta.

Todavia, não deixo passar em branco o Médio Oriente, que também “oferece” o seu pesado contributo para risco global, por causa da teocracia governativa existente que naquela imensa área administra. Porque, com o fanatismo não se deve brincar. Essa condição espiritual não é uma enfermidade, é uma fé. E a convicção de ser mártir, não constitui um sofrimento, contudo, um desejo pelo pela vida do além.

É por estas razões que tenho vindo a dizer que a Terceira Guerra Mundial já venceu o estado de inércia – prognóstico esse, que me tem granjeado o cognome de alienado.

Oxalá que eu desacerte.

Ficaria feliz!

António Figueiredo e Silva

Coimbra, 20 de Setembro de 2026

Nota:

Não concordo com o AO90.

sexta-feira, 18 de setembro de 2026

MEDITAÇÃO

 

"Todos os dias, a Natureza cria o bastante para nossa carência.

Se cada um, fizesse uso do que lhe fosse necessário,

certamente que não havia pobreza no mundo."

(Mahatma Gandhi)

 

Ainda assim, parcamente, mas vai havendo alguma coisita.

 Contudo, acredito que se a m@rda fosse dinheiro,

os pobres nasciam sem cu. Se tal ocorresse, seria bem pior.

(António Figueiredo)

 

MEDITAÇÃO

Meditatziya

Dhyan

MEDITAŢIE

MEDITATSIYA

THIỀN ĐỊNH

Meisō

Míngxiǎng

 


    Pelo trajecto acidentado que neste Mundo vamos percorrendo, é comum depararmos com seres que se espraiam no espaço invisível que decorre entre o benigno e o adverso. Aqueles que foram escolhidos para esta maratona, podem encontrar de tudo e para os mais diversos paladares, desagrados e feições.

Há seres que podem marcar as nossas vidas com a melhores ou piores chancelas das suas atitudes.

Uma, exortando-nos a caminhar p’rá frente, de cabeça erguida, quando notam que expressamos a nossa vontade em vencer; outra maneira, - a mais frequente -, a de nos excitarem negativamente, com recurso aos mais sofisticados e perversos meios, para nos derrubar, quando a nossa fragilidade vivencial ou emotiva, a essas maliciosas pessoas estão subordinadas. Esta segunda espécie, faz parte do amontoado onde prolifera todo o género de sacanas, invejosos, falsos, incompetentes, mafiosos, corruptos e filh@s-d@-p@ta, que são espevitados por uma vanglória sem sentido, e fermentada em união com um egocentrismo doentio, porém, persistente, que as leva a raciocinar: se não me respeitas pela porcaria que sou, tens de reverenciar-me pelo “ouro” que possuo. Elas acreditam devotamente que o dinheiro é o seu deus; a divindade transcendente que lhes dá honorabilidade e soberania absolutas.

Como estão completamente enganadas! São incapazes de observar que isso ocorre, porque purulência da sua cegueira intelectual  obstrui-lhes a visão de si próprias; logo, não vão além de  seres imprestáveis e malfazejos, que não passam de rastejantes empertigados de nada.

Repito: o dinheiro não merca tudo.

Um dia, sim, há sempre um dia, quando derem por isso, dariam tudo o que têm para regressar ao início, mas será tarde demais.

O “capim”,  (dinheiro), vicia e degrada.

Apesar de ser comum falar-se no suficiente, até à data não encontrei ninguém, desde os mais pobretanas ao mais bem recheado ricalhaço, que me conseguisse expôr a noção cabal de… bastante.

Reconheço, porém, que esse defeito também me persegue, e deixa-me espantado e inquieto, por não alcançar a obtenção da explicação correcta para dissipar a minha dúvida. É verdade que muito me tenho questionado sobre esta matéria, e nunca obtive uma resposta perfeita!

Afinal o que é o suficiente?

Eu, não sei. Contudo, fico na expectativa de que apareça alguém com paciência e erudição, que se prontifique a  auxiliar a desenvencilhar-me  desta minha burrice.

 

 

António Figueiredo e Silva

Coimbra, 18 de Setembro, de 2026

 

Nota:

Não utilizo o AO90.

  

terça-feira, 15 de setembro de 2026

DIGNIDADE

 

 

O afecto despretensioso, é o nutriente pacífico do espírito.

É como o sol; quando nasce é para todos,

 - se não existirem “nuvens nêgras” a cobrir a sua fulgência.

(António Figueiredo)

 

DIGNIDADE

WÜRDE

尊嚴

DEMNITATE

Гідність

DIGNITY

ДОСТОИНСТВО

गरिमा

PHẨM GIÁ

尊厳

 

No deambular da minha existência, tenho deparado com situações que, pela sua preciosidade, são dignas da minha apreciação, louvor e divulgação pelo mundo. A que se segue, é uma delas.

Em circunstancial diálogo com um amigo meu, a determinado instante emergiu ao nosso palratório as especialidades actualmente adquiridas em algumas das nossas  universidades. Conversa puxa conversa, até que ele me falou de umas das suas filhas, que terminou a licenciatura em Medicina, pela Universidade de Coimbra, e no momento, estava a pensar concluir a especialidade de Medicina Geral e Familiar.

O pai, como qualquer pai que se preze por ver os filhos bem na vida, - que é normal -, com sentido protector e afabilidade – que é habitual neste Sr. -, apresta-se a apresentar-lhe o que naquele instante vagueava no seu pensamento:

- Olha, eu era da opinião, conquanto que a decisão a ti cabe, que talvez fosse melhor adquirires uma especialidade que no futuro te permitisse trabalhar no sector privado; compreendes que a situação financeira é mais benéfica do que a remuneração estatal.

Resposta:

- “Meu pai, vou optar por escolher MGF, porque faço muito gosto em cuidar bem dos doentes como eles são e não pelo dinheiro que eles têm”.

Disse-me o pai, que até se sentiu o bocado constrangido; não por pela réplica que ela deu, mas pela manifesta alvura do carácter que a envolvia.

Perante esta “pequenina ‘stória”, eu nunca poderia remeter-me à profundidade do silêncio e não verter para o todo mundo que segue e lê o meu blog, algumas palavras de admiração e apreço, por este gesto de verdadeiro significado altruísta, que poderá servir de benévolo exemplo, a seguir por muitos seres humanos.

Bendita menina que assim pensa, e todos aqueles que seguem as suas linhas; abençoados os progenitores que a conceberam e primaram pela sua civilidade.

Apesar da amargura que sinto, não mencionarei o seu nome, porque, como declara Friedrich Nietzshe, “é pelas próprias virtudes que se é mais castigado”; e actualmente, com a minha provecta idade e conhecedor da sanguinolenta barbaridade promovida pela inveja e pela ganância, (as tais núvens nêgras), em que esta sociedade se encontra envolta, não vejo outro remédio, senão mesmo, seguir a via silenciosa. Porém, não deixo de não dizer:

O pai, deve sentir-se muito orgulhoso!

E até a própria sociedade, que esta menina integra.

 

António Figueiredo e Silva

Coimbra, 15 de Setembro de 2026

 

Nota:

Por obstinação, não faço uso do AO90.

segunda-feira, 14 de setembro de 2026

QUANDO A SAUDADE FLORESCE

 

Por muito rápido que o tempo voe,

a saudade persiste e floresce.

(António Figueiredo)

 

QUANDO A SAUDADE FLORESCE!

(Hoje deu-me p’ra isto!?)

 


É verdade!

Quando no interior do anseio brota a saudade e as circunstâncias  corporais não permitem a realização do passado, resta apenas o esboço de uma exultação fingida, que com alguma dificuldade se espraia na minha face, já subjugada pela implacável senilidade.

Agracio o Sr. Mendoça, - brasileiro de gema -, pela  simpatia e gentileza que teve, em me haver proporcionado uns instantes de prazer que me instalaram sobre as mitológicas asas de Morfeu, me fizeram sonhar acordado  e reviver os meus tempos idos que jamais conseguirei reconquistar.

É certo que não vou dizer nada de novo, mas que a existência é uma passagem frugal e ardilosa, é.  Todos andamos apressados, impacientes e a “salivar”, como o burro atrás da cenoura, convencidos de que a vamos trincar, sem nunca concretizarmos esse objectivo. É uma falácia da Natureza.

Entretanto, o percurso temporal vai passando e deixa um sulco onde se aloja a saudade. Esta, por razões diversas, reflete-se através de um silente grito de angústia ou satisfação, promovido pelo nosso córtex cerebral, que é o livro da vida, em que nenhuma anotação nele registada nós conseguiremos apagar, e em momentos oportunos, diversos trechos nele escritos se nos afloram à mente; são passagens distintas nele lavradas, que nos podem levar a um derramar lacrimal, um esboçar de contentamento ou a rir doidamente à semelhança de um fantoche.

Assentado em riba daquela grande máquina consolei-me!

Por breves minutos, revivi os meus tempos de loucura há vinte e seis anos passados, em que a adrenalina me incentivava a velocidades arriscadas, à revelia do bom senso e  dos princípios legais!

Agarrado aos punhos e com o acelerador a fundo, o fender do vento concedia-me uma fresca oxigenação tão viciante, que nunca senti em outro veículo; nem de avião, - quando a minha profissão genuína foi relacionada com a aeronáutica, que   tantos vôos me proporcionou.

Apesar de o bichinho da “motoquice”, ainda cá estar bem grudado e a esfumaçar núvens em forma de persistente tentação, só raciocino:

- Tem juízo velhote!

Mas algum dia posso perdê-lo!?

 

António Figueiredo e Silva

Coimbra, 14 de Setembro de 2026

 

Nota:

Não utilizo o AO90     

segunda-feira, 31 de agosto de 2026

O ESPELHO

 

A Natureza, é o espelho que reflecte

a imagem da supra-realidade

(João António M. Palmeira)

 

O ESPELHO

Der Spiegel

আয়না

THE MIRROR

鏡子

Ο ΚΑΘΡΕΦΤΗΣ

TẤM GƯƠNG

आईना

ЗЕРКАЛО

 


    Há muito que venho a ponderar redigir uma composição sobre esse miraculoso “enganador”, que, para alguns com desfaçatez, e para outros com felicidade, reflecte sem vergonha nem acanhamento a imagem de tudo o que pela frente lhe aparece.

Podemos ou não gostar da “paisagem” que se nos depara, mas temos de a aceitar. Ele não nos chamou para o enfrentarmos; o voluntariado foi nosso. Assim, devemos acatar com serenidade e compreensão o resultado refectido, ainda que possa não se encaixar nos quadrantes do nosso gosto.

Esse artefacto não só reflecte a nossa imagem, como, para surpresa nossa, expele o nosso estado de estado de espírito.

Tem ainda, o poder de nos transmitir com suprema exactidão, as diferenças entre quem nós éramos ou quem nós fomos no passado, e no presente, quem nós somos.

Com colossal fidelidade, é ele que marca com rigor cronométrico a nossa viagem através do tempo; bastando-lhe para isso, servir-se progressivamente da nossa imagem, a qual reflecte sem astúcia. É luzente e directo na sua apreciação, e faz vibrar a estupidez em muitos vaidosos e lacrimejar outros tantos desafortunados.

Onde quer que permaneça, no bolso, na carteira, encostado a uma parêde ou dependurado em qualquer lado, mantem-se quieto, sem pestanejar, e quando algo ou alguém, dele se aproxima, parece que só lhe falta falar; olá, outra vez por aqui? Ainda há pouco aqui estiveste!? Passas a vida a olhar p’ra mim, caramba! Como a querer dizer: bem, se não olhares para mim, não vês a ti próprio, meu pateta! Mas, se vens p’ra chorar, vai-te daqui, que me podes sujar só poderás ter como lucro uma imagem defeituosa que mais te poderá arreliar, e te fará carpir, estremecer, e… sabe-se lá mais o quê!?

Ele pode ser polifacetado, mas é directo no seu reflexo; o que é, é; expõe a realidade da imagem sem cortesias nem piedade. É capaz de reflectir com a mesma precisão e sem pudor, a qualquer “quadrúpede” ou sujeito estúpido que a ele se mire. Sem contemplações, reflecte a beleza ou a feiura, sempre com a mesma precisão e petulância. É, por assim dizer, um objecto obstinado na precisão do serviço que presta a quem o usa.

Como tal, se estiveres achacado, usufruír de má imagem corpórea ou não te encontrares nos teus dias de favorável respiração espiritual, não te apresentes ao espelho, porque o seu reflexo fará com que a tua tristeza medre e a ansiedade acompanhá-la-á, como uma parceira inseparável. Isso descontenta, reprime e faz pensar negativamente, o que leva a uma rápida expansão do nível de adrenalina, que resulta num estado depressivo, susceptível de descambar para um triste fim. Tem acontecido.

A ser assim, será preferível despedaçar esse utensílio reflector, do que sofrer a todo o instante - aqueles que padecem -, porque, a eficácia da sua emissão, também revela o estado da alma! Uma vez que, a condição do espírito também é reflectida na imagem.

Por esse motivo, é usual dizer:

“A cara é o espelho da alma”.

Disso, não tenhamos incertezas.

 

António Figueiredo e Silva

Coimbra, 31 de Agosto de 2026

 

Nota:

Não utilizo o AO90

domingo, 30 de agosto de 2026

VELÓRIOS

 

Dinheiro e tempo são as cargas mais pesados da vida.

As pessoas mais infelizes são aquelas que têm tanto disso,

que nem sabem o que fazer com eles.

 (Samuel Johnson)

 

VELÓRIOS

ПРОБУЖДЕНИЕ

AUFBEHRUNGEN

目覚める

LỄ TANG

WAKES

जाग

VEGHE

醒來

 

Aflição

Enterros, mortórios, funerais, inumações, sepultamentos, ou lá o que queiram chamar-lhes, são acontecimentos onde se espraiam as maiores manifestações de disfarce de que eu tenho conhecimento. É nessas circunstâncias formais ou protocolares, que, “sem disso se aperceberem”, seres “humanos” aspergem, com vincada dissimulação, a  falsidade que sempre lhes vagueou no espírito.

Não é meu desejo afirmar, que nessas manifestações de falso apreço e compaixão, não encontrem presentes, seres sensatos e agradecidos, que no seu interior sintam a verdadeira ausência do retrógrado vitalismo do féretro, - antes de ele iniciar o seu arrefecimento eterno -, cujo amor por ele ainda persiste, e os marca com profunda e verdadeira angústia, por saberem que jamais o voltarão a contemplar, a não ser através de fotos; das quais, algumas subsistirão por tempo imprevisto, suspensas em qualquer em qualquer canto, sobre uma velha prateleira ou prensadas entre as folhas de um álbum amarelecido, para serem roídas pelos peixinhos-de-prata, ou até que a moldura, triturada pelos cupins se putrefaça, tombe e se estatele, - à semelhança da memória, que ao mesmo tempo se vai dissipando nas nuvens do futuro, à medida que o tempo vai passando.

Porém, isto não invalidada que eu não possa exprimir o que me vai na alma, (ou pressinto), sobre tão delicado assunto, apesar de saber que vai desgostar à falsa índole de muitos marmanjos, - que não serão tão escassos como podemos pensar.

Nas exéquias, exceptuando os familiares mais chegados, (por vezes nem esses), o mundo inteiro exibe-se com aparência “angustiada” e olhar pesado, como se sentissem a perda daquele defunto “sacana”, (para alguns), que, de tão hirto e enfriado que estava, já não reunia capacidades para lhes arrancar a máscara da falsidade.

É um acontecimento em que não somente são derramadas lágrimas de tristeza; também são vertidos chorincos de satisfação, trasvestidos de melancolia.

Isto é verdade. Já foi por mim constatado. Um dia, num funeral de um familiar, até houve um parôlo sebento, que em “lânguida” voz, me concedeu os seus sentidos… parabéns! Ocorrência que jamais deslembrei!

Noutras alturas, enquanto o enterro não era realizado, era “normal” várias pessoas saírem para fora do local mortuário e deslocarem-se para o adro, conversar sobre a vida alheia ou entabular negócios de gado.  

Que interesse ou valor, têm as coroas ou ramos de flores, se na maioria das vezes não representam mais do que” mancheias de urtigas”?!

   Esta “cena” dos funerais, não deixa de não ser ao mesmo tempo, uma oportunidade comercial para os vendedores de esquifes, - e supostos enterradores -, que, identicamente com semblante “tristonho”, (mas alma jovial), sabem muito bem disfarçar os interesses proveitosos que por detrás do seu fingido sentimento, grelam. Isto não é impostura. É o que há muitos anos tenho vindo a verificar.

Contudo, todos os farsantes olvidam uma realidade; a dissimulação só se estende  até ao dia em que o mesmo “cobrador,” (do defunto), lhes apareça para ceder o bilhete de embarque, que é insubstituível.

A epilogar:

Enquanto uma figura é viva, não lhe falta quem lhe derrice a “carne e a alma”, para ir enchendo o “bandulho”, - se ela for de natureza enceguecida. Depois de defunta, continua a ser sustento de muitos, - mesmo após ser sepultada.

E é deste modo que, entre finais e reinícios, a Criação da Vida prossegue em direcção ao infinito!

 

António Figueiredo e Silva

Coimbra, 26 de Agosto de 2026

 

Nota:

Não utilizo o AO 90.

sexta-feira, 14 de agosto de 2026

REVERÊNCIA À MULHER

 

Cem homens podem formar um acampamento,

mas é preciso uma mulher para se fazer um lar.

(Provérbio Chinês)

 

REVERÊNCIA À MULHER

(Reflexão)

Hommage an die Frauen

致敬女性

Hommage aux femmes

Tôn vinh Phụ nữ

Φόρος τιμής στις γυναίκες

महिलाओं को सम्मान

אַן אַכטונגס־באַווײַז צו פֿרויען

女性へのオマージュ

 


Esta, foi a MULHER que me trouxe à luz do dia.
MULHER de bastante luta e honrosa paciência.
A minha MÃE!


 
 
    Nada me inquieta que hoje não seja o dia da MULHER, para honrar esse “anjo-da-guarda”, imprescindível à Vida Humana na Terra.

Porque disso é digna, eu sinto empenho em glorificar a sua imagem. Sem esse gineceu, o mundo seria amorfo e desprovido de existência.

Não desconheço que há mulheres infernais, mas não me atrevo a classificar um grão de areia como sendo um deserto. Por isso, esta redacção é unicamente dedicada a toda aquela que sabe ser MULHER.

Essa criatura, independentemente  da sua posição social, da sua beleza, da sua côr, do sítio onde vive ou dos costumes e credos que possa seguir, sempre ocupou em mim, um lugar de elevado destaque e estima, sendo por isso, digna do meu cavalheirismo e admiração, porque integra a razão da minha existência. Foi o primeiro lugar onde passei a habitar durante nove meses, após uma arrojada fuga da prisão testicular, seguida de uma batalha encarniçada e cansativa, por carreiros desconhecidos e  irregulares, para, por fim, desfrutar do meu almejado descanso, que pela “Natureza”, através da MULHER me foi ofertado.

Se a MULHER não existisse, a presença do homem não iria além de uma fantasia. Logo, se existo, a ela o devo. Se sobrevivi e fui crescendo até à altura de ser ofuscado pela luz do dia, mas sempre bem nutrido, aconchegado e  acolchoado pelo ácido amniótico, também a ela o devo.

  Em princípio, sangue oxigenado que me corria pelas artérias, era o que pulsava no seu corpo; com a sua devota paciência de MÃE, aguardava e suportava com incontida felicidade, os pontapés que eu lhe dava nas parêdes da “aldeia” uterina, enquanto me entretinha a chuchar no dedo polegar.

Não me recordo, mas certamente que naquele “hotel de cinco estrelas”, já a terna doçura da sua voz  me devia fazer vibrar as membranas timpânicas. Quantas vezes ela não devia ter cantado para me acalmar!

Quando principiei a ganhar tino e resolvi, - armado em parvo -, encetar mais uma escapadela, - que mais tarde conclui que vinha ser a derradeira -, o seu sofrimento deve ter sido atroz! Porque a abertura por onde eu teimava escapar era muito acanhada, - facto que só mais tarde vim a reconhecer, apesar da sua suposta lembrança ter sido engolida pelo olvido.

Depois de toda a “tortura” por mim, a ela infligida, anos mais tarde vim a saber que ela abraçou o meu ainda frágil corpo para me afagar, com os olhos ruborizados a lagrimejar de alegria! Já nasceu, - devia ter pensado.

Considero-a o “fruto da macieira” do jardim do Éden, que me conduziu para vida, - e a todos quantos existem.

Por tudo isto, MULHER merece todo o meu incondicional apreço.

Que a Criação a abençoe! E a outras, lhe conceda resignação incomensurável para suportar as submissões teocráticas e sádicas, a que alguns “homens”(?), as submetem, - por vezes, com a imposição do último suspiro.

Esquecem-se de que, sem o contributo incontestável da  MULHER, não existiam.

À MULHER, o meu bem-haja, pela sua existência, empatia e resignação.

 

António Figueiredo e Silva

Coimbra, 14 de Agosto de 2026

Nota:

Não utilizo o AO90     

A CONVULSÃO GLOBAL

    “Não sei com que armas a Terceira Guerra Mundial será travada, mas a Quarta será com paus e pedras”.   (Albert Einstein)   A CON...