A Natureza, é o espelho que reflecte
a imagem da supra-realidade
(João António M. Palmeira)
O ESPELHO
Der Spiegel
আয়না
THE MIRROR
鏡子
Ο ΚΑΘΡΕΦΤΗΣ
TẤM GƯƠNG
आईना
ЗЕРКАЛО
Podemos ou não gostar da
“paisagem” que se nos depara, mas temos de a aceitar. Ele não nos chamou para o
enfrentarmos; o voluntariado foi nosso. Assim, devemos acatar com serenidade e
compreensão o resultado refectido, ainda que possa não se encaixar nos
quadrantes do nosso gosto.
Esse artefacto não só
reflecte a nossa imagem, como, para surpresa nossa, expele o nosso estado de
estado de espírito.
Tem ainda, o poder de nos transmitir
com suprema exactidão, as diferenças entre quem nós éramos ou quem nós fomos no
passado, e no presente, quem nós somos.
Com colossal fidelidade,
é ele que marca com rigor cronométrico a nossa viagem através do tempo;
bastando-lhe para isso, servir-se progressivamente da nossa imagem, a qual
reflecte sem astúcia. É luzente e directo na sua apreciação, e faz vibrar a
estupidez em muitos vaidosos e lacrimejar outros tantos desafortunados.
Onde quer que permaneça,
no bolso, na carteira, encostado a uma parêde ou dependurado em qualquer lado, mantem-se
quieto, sem pestanejar, e quando algo ou alguém, dele se aproxima, parece que
só lhe falta falar; olá, outra vez por aqui? Ainda há pouco aqui estiveste!? Passas
a vida a olhar p’ra mim, caramba! Como a querer dizer: bem, se não olhares para
mim, não vês a ti próprio, meu pateta! Mas, se vens p’ra chorar, vai-te daqui,
que me podes sujar só poderás ter como lucro uma imagem defeituosa que mais te
poderá arreliar, e te fará carpir, estremecer, e… sabe-se lá mais o quê!?
Ele pode ser polifacetado,
mas é directo no seu reflexo; o que é, é; expõe a realidade da imagem sem cortesias
nem piedade. É capaz de reflectir com a mesma precisão e sem pudor, a qualquer “quadrúpede”
ou sujeito estúpido que a ele se mire. Sem contemplações, reflecte a beleza ou
a feiura, sempre com a mesma precisão e petulância. É, por assim dizer, um
objecto obstinado na precisão do serviço que presta a quem o usa.
Como tal, se estiveres achacado,
usufruíres de má imagem corpórea ou não te encontrares nos teus dias de favorável
respiração espiritual, não te apresentes ao espelho, porque o seu reflexo fará
com que a tua tristeza medre e a ansiedade acompanhá-la-á, como uma parceira
inseparável.
Isso descontenta,
reprime e faz pensar negativamente, o que faz crescer os níveis de adrenalina, que
por resultar num triste fim.
É preferível desfazê-lo
de uma vez, do que sofrer a todo o instante - aqueles que padecem; porque, o
reflexo por ele emitido, também revela o estado da alma! Porque a condição do
espírito é reflectida na imagem.
Por esse motivo, é usual
dizer:
“A cara é o espelho
da alma”.
Disso, não tenhamos incertezas.
António Figueiredo e Silva
Coimbra, 31 de Agosto de
2026
Nota:
Não utilizo o AO90

