“Muitos querem
ser, mas não sabem sê-lo.
(Milay
Costa)
A IGNORÂNCIA CONGÉNITA
Врожденное невежество
CONGENITAL
IGNORANCE
जन्मजात अज्ञान
Die
angeborene Unwissenheit
Ignoranță
congenitală
Sự
thiếu hiểu biết bẩm sinh
與生俱來的無知
Um dia destes, em agradável cavaqueira sobreo carácter, veio a lume o estado comportamental das pessoas; algumas das quais, sem disso se aperceberem, são fanáticos acólitos de uma ignorância sem paralelo, que eu titulo de burrice congénita.
A minha “companheira” de
uma vida, com quem eu estava a manter a interlocução, quando esta estava
prestes a terminar, ponto-finalizou com a frase arriba expressa; “muitos
querem ser, mas não sabem sê-lo”.
Apesar da chalaça que a
amamenta, pus-me a raciocinar na filosofia embrenhada naquele minúsculo trecho vocabular, e conclui que a fundura da veracidade nele
contida, equivale à realidade irrefutável da ignorância daqueles que ambicionam
ser grandes, mas não têm capacidade para o ser.
É evidente que a culpa
não é deles, por terem nascido com essa característica; mas certamente que
também nunca fizeram nada para tentar revertê-la.
Por norma, apresentam-se
como nervosos cacofónicos, providos de faladura sem nexo, com beatífica
incidência na parte materialista, a quem devotam a maior importância, como sendo o paraíso da
sua vida. São pessoas que quando abrem a matraca, nada instroem. Dos seus
estomas tagarelas, apenas saem somente bosteiradas sem sentido, em que a
fecundidade do proveito se esvai. Estas, apenas empanturram o espírito de quem
as ouve; mas no fim, sempre se aprende alguma coisa, que é ficar com o conhecimento pleno da
estupidez. Todavia, para que possamos viver pacificamente na comunidade de que
fazemos parte, mesmo a contragosto, somos coagidos a recorrer à hipocrisia,
cuja característica é real, e não se cinge apenas ao sector filosófico; é uma realidade.
Como tal, entre “o saber ser, e sê-lo”, existe um espaço deveras montanhoso
que em certas situações a burrice e a imbecilidade latentes não conseguem ultrapassar.
Isto seria razão p’ra
clamar, viva a idiotice!
Não ignoro, contudo, que
desse fermento, todos possuímos uma porção. O problema, é que como a Natureza é
perfeita em tudo, - até mesmo na imperfeição. Ocorre que esse crescente, de vez
em quando é mal repartido. As porções nunca são iguais. Mas isso não foi realizado
ao acaso. Porque, para que haja sombra, tem de existir luz.
O segrêdo da Criação,
consiste em primar pelo equilíbrio; sem
o mal, o bem não existe; não há dia sem noite; o conhecimento da tristeza, transporta-nos
à felicidade; o cansaço subsiste, para valorizarmos o repouso; a fome para termos
a noção de fartura; para que exista energia tem de haver um ânodo e um cátodo.
Assim sendo, posso
afirmar que a palermice, apesar de não ser bem vista, não renuncia ao seu lugar
de excelência; se assim não fosse como perceberíamos a presença da erudição?
Tudo funciona segundo um
Equilíbrio Universal Perfeito.
Aquele que não acreditar
no que acabei de dissertar, que observe para o seu interior, reflita nas suas
acções, e tire as devidas conclusões.
Até pode sê-lo e
não saber.
Somos todos uma cambada!
E eu, porventura, faço
parte do “rebanho”, sei lá!?
António Figueiredo e
Silva
Coimbra, 24 de Setembro
de 2026
Nota:
Como detesto, não
utilizo o AO90.

