O dinheiro representa uma nova
forma de
escravidão impessoal,
em lugar
da antiga escravidão pessoal.
(Leon
Tolstoi)
O DINHEIRO
THE MONEY
金錢
ДЕНЬГИ
TIỀN
DAS GELD
धन
די געלט
Sempre foi o principal
causador da ganância, carcinoma que hoje está cada vez mais disseminado,
contraindo o bom senso e actuando como uma barreira limitadora dos valores sociais.
Porém, quantos não dariam
fortunas para verem uma réstia de felicidade entrar pelas janelas dos seus palacetes?!
Quem nada nesse mar monetário revolto, não defeca descansado, não caminha sossegado,
não dorme em paz, e, o mais aterrador de tudo, é que não sabe onde os amigos se
encontram.
Vive um frenesim e uma
preocupação constantes que lhes martirizam a vida, impelindo-os para o desvairo,
que por vezes os conduz ao o suicídio.
Vivem um apocalíptico pesadelo
até que o corpo arrefeça de vez por morte natural, ou porque alguma bala que
teimosamente furou o para-brisas do “cadilac” ou ainda por alguns Kg de TNT,
que “generosamente” e sem piedade o enviam para os anjinhos.
Penso que o dinheiro é como
a droga; uma vez experimentada a sensação do seu efeito, fica-se viciado; só
nos libertaremos do vício compulsivamente e não por vontade própria. Porém, o
sofrimento deve ser atroz.
É dinheiro que, em nome
da paz tem fomentado a guerra, até aos dias de hoje.
E isto sobrevém, porque
as pessoas abdicam de todos os princípios éticos e transformam-se em mercadoria
de consumo corrente. Todas as pessoas são vendáveis; é uma questão de subida de
parada, e o amor próprio derrete-se e desaparece.
Qualquer tipo mal-enjorcado,
com dois ou três dentes na bocarra, mas que possua meia dúzia de vinténs, já se
julga grande e arroga-se com estúpida descontração, a desarrolhar o seu
espírito mesquinho e a verter cá para fora meia dúzia de baboseiras, que outros
calhordas manhosos vivamente aplaudem, pensando no fundo; que ganda besta
me saiu! Mas tem dinheiro. É desgostoso, não é?!
Em períodos de perturbação,
o cadafalso aproxima-me mais rapidamente das zonas endinheiradas do que do
deserto onde a tesura vagueia.
O conformismo é apanágio
daqueles que não têm dinheiro, conferindo-lhes uma felicidade interior, que não
é alcançada por aqueles que nele chafurdam.
O dinheiro faz com que o
ser humano pareça aquilo que não é, e faça o que não deve. Para os sequiosos, é
como beber água salgada; quanto mais ingerem, mais secura sentem. É um mal
necessário para ser escravizado e não venerado. Coloca as pessoas eufóricas, raivosas,
cínicas, incoerentes, individualistas e presunçosas em excesso, mas… mesmo sendo incongruente comigo próprio, não
desgosto de ouvir o silencioso bafejar, ou o tilintar “metálico” da sua
companhia. Não sei se por causa da minha ignorância, se da minha compreensão, o
certo é, que, talvez por cautela, sinto-me mais seguro.
António Figueiredo e
Silva
Coimbra, 16 de Junho, de
2026
Nota:
Não uso o AO90.