A ponderação, consiste em não dizer
tudo o que se raciocina;
contudo, em reflectir profundamente
antes de o transmitir.
(António Figueiredo e Silva)
CARTA ABERTA AO MAI DE PORTUGAL
Offener Brief an den portugiesischen Minister für
innere Verwaltung
致葡萄牙內政部長的公開信
ΑΝΟΙΧΤΗ ΕΠΙΣΤΟΛΗ ΠΡΟΣ ΤΟΝ ΠΟΡΤΟΓΑΛΟ ΥΠΟΥΡΓΟ ΕΣΩΤΕΡΙΚΗΣ
ΔΙΟΙΚΗΣΗΣ
पुर्तगाल के आंतरिक प्रशासन मंत्री को खुला पत्र
OPEN LETTER TO THE PORTUGUESE MINISTER OF INTERNAL
ADMINISTRATION
ポルトガル内務大臣への公開書簡
SCRISOARE DESCHISĂ CĂTRE MINISTRUL PORTUGHEZ AL
ADMINISTRAȚIEI INTERNE
THƯ NGỎ GỬI BỘ TRƯỞNG NỘI VỤ BỒ ĐÀO NHA
Exmo Sr.
Luís António Trindade
Nunes das Neves
Ministro da
Administração Interna de Portugal
Muito tem “palrado”, até
com timbrada arrogância, em todas as situações susceptíveis de esbrasear os
nossos arvorêdos. Muito bem; tenho sentido muito prazer em ouvir as “sapientes
e concisas dissertações” do Sr. Ministro sobre este tão delicado assunto, que, certamente à maioria
dos portugueses, têm feito comichão no couro cabeludo, com a resultante criação
de carepas .
As antigas casas dos Guardas Florestais, actualmente abrigos de pêgas,
carriças, tordos, cucos e teias de aranha, ainda hoje são um marco fidedigno
que insiste irredutivelmente, em atestar a incompetência da nossa governação
enfezada pós 25
de Abril, a ver pelo total desprezo da nossa
arborização, que desde o primeiro rei de Portugal sempre existiu.
É uma chatice, atão
num é Sr.
Ministro?!
Quem absorve as
consequências agora?
São os tractores, que
andam, (como sempre andaram), a “traturar” pelas matas, as pequenas
queimadas “desordenadas”, - que sempre se fizeram -, as viaturas que
eventualmente possam estacionar junto aos pinhais, (como várias vezes
aconteceu), as beatas de cigarro malfazejas, um fragmento de vidro de
uma qualquer garrafa de pingolêta, e acima de tudo, o malandreco do sol,
que, durante muitas noites
de verão, pela surrelfa,
tem vindo a projectar os seus “patológicos” raios infra-vermelhos ardentes,
em riba das limpezas por fazer, (e por teimosia e insubordinação, também não
poupa as matas pertencentes ao Estado), porque grande parte dos seus “proprietários”
já se encontram caducos e impotentes para o poder fazer, ainda que a força de vontade
e a tristeza se manifestem.
Tem sido uma amálgama
discursiva repleta de asserções, que, bem analisadas, dá para contemplar que o Sr. Ministro ainda não ousou a focar uma razão, quiçá a principal,
que me parece ter sido o fundamento supremo das “fogueiras de Sem João em
Portugal”; A PIROMANIA, (que se me afigura ser a causa primeira), E
OS INTERESSES NUMISMÁTICOS SUBJACENTES AO “RESTOLHO” DAS LABARÊDAS CRIMINOSAMENTE
ATEADAS.
Sr. Ministro.
Pode ter a certeza de
que, se forem instituídas condenações pesadas para ateadores florestais, (pirómanos
ou incendiários), quando apanhados em flagrante, certamente que as ignições irão
“encolher”. No
entanto, quanto a este assunto, o Sr. nada tem
referenciado.
Paralelamente a isso, deve
haver(?!), muita população nos presídios portugueses, a penar por ter “roubado
uma galinha” – dos que furtam “perús e lagostas”, creio que não
lá nenhum.
Igualmente não é dúbia a
existência de bastantes “marmanjos” a viver à custa do RSI (Rendimento de Inserção Social), e outras alcavalas,
sem fazerem a “ponta-dum-corno”, que, adstritos aos Municípios, poderiam
fazer parte de equipas de desmatamento e plantação de árvores a preços módicos,
para substituir “aqueles que já não podem com uma gata pelo rabo”, -
como eu -, e desse modo, custearem o seu sustento; diminuindo deste modo, os
encargos impostos ao erário público.
Sr. Ministro, p/f, não subestime; porém, aceite
sem pestanejar, mas dilate as suas pupilas olhométricas, para as
palavras que este “jovem” caduco, (que podia ser seu pai), lhe está a
transmitir, sem partidarismos políticos e livre de quaisquer ideologias, mas
porque já calcorreou durante bastantes anos sobre as brasas ardentes de
diversas governações, (e desgovernações), calçou tamancos e chancas, andou numa
escola com vidros partidos, onde o calor do Estio ou o frio do Inverno entravam
sem pedir licença, e comeu côdeas rijas que o Diabo amassou; mas pode crer, que possui uma ampla visão do Mundo.
Depois de o Sr. Ministro ter debulhado com o rodízio do bom
senso esta dissertação, (se o fizer), medite maduramente sobre o assunto, e
veja se consegue dormir descansado.
Por agora bonda.
Fiquei tranquilo!
Atentamente.
António Figueiredo e
Silva
Coimbra, 11 de Julho de
2026
Nota:
Recuso-me à
utilização do AO90

