segunda-feira, 14 de setembro de 2026

QUANDO A SAUDADE FLORESCE

 

Por muito rápido que o tempo voe,

a saudade persiste e floresce.

(António Figueiredo)

 

QUANDO A SAUDADE FLORESCE!

(Hoje deu-me p’ra isto!?)

 


É verdade!

Quando no interior do anseio brota a saudade e as circunstâncias  corporais não permitem a realização do passado, resta apenas o esboço de uma exultação fingida, que com alguma dificuldade se espraia na minha face, já subjugada pela implacável senilidade.

Agracio o Sr. Mendoça, - brasileiro de gema -, pela  simpatia e gentileza que teve, em me haver proporcionado uns instantes de prazer que me instalaram sobre as mitológicas asas de Morfeu, me fizeram sonhar acordado  e reviver os meus tempos idos que jamais conseguirei reconquistar.

É certo que não vou dizer nada de novo, mas que a existência é uma passagem frugal e ardilosa, é.  Todos andamos apressados, impacientes e a “salivar”, como o burro atrás da cenoura, convencidos de que a vamos trincar, sem nunca concretizarmos esse objectivo. É uma falácia da Natureza.

Entretanto, o percurso temporal vai passando e deixa um sulco onde se aloja a saudade. Esta, por razões diversas, reflete-se através de um silente grito de angústia ou satisfação, promovido pelo nosso córtex cerebral, que é o livro da vida, em que nenhuma anotação nele registada nós conseguiremos apagar, e em momentos oportunos, diversos trechos nele escritos se nos afloram à mente; são passagens distintas nele lavradas, que nos podem levar a um derramar lacrimal, um esboçar de contentamento ou a rir doidamente à semelhança de um fantoche.

Assentado em riba daquela grande máquina consolei-me!

Por breves minutos, revivi os meus tempos de loucura há vinte e seis anos passados, em que a adrenalina me incentivava a velocidades arriscadas, à revelia do bom senso e  dos princípios legais!

Agarrado aos punhos e com o acelerador a fundo, o fender do vento concedia-me uma fresca oxigenação tão viciante, que nunca senti em outro veículo; nem de avião, - quando a minha profissão genuína foi relacionada com a aeronáutica, que   tantos vôos me proporcionou.

Apesar de o bichinho da “motoquice”, ainda cá estar bem grudado e a esfumaçar núvens em forma de persistente tentação, só raciocino:

- Tem juízo velhote!

Mas algum dia posso perdê-lo!?

 

António Figueiredo e Silva

Coimbra, 14 de Setembro de 2026

 

Nota:

Não utilizo o AO90     

QUANDO A SAUDADE FLORESCE

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