sexta-feira, 31 de julho de 2026

PADRE FERNANDO PASCOAL

 

Que desfrute da perpétua felicidade,

no assento celestial onde subiu.

(António Figueiredo e Silva)

 

PADRE FERNANDO PASCOAL

 


Coimbra, 15 Julho de 2026.

Expirou esta noite, com a idade de 63 primaveras.

Este devoto eclesiástico, nasceu em 9 de Outubro de 1962, e foi ordenado 11 de Dezembro de 1988.

    O clérigo Fernando Pascoal era capelão do Carmelo de Santa Teresa, assistente de várias instituições da Igreja Católica na diocese de Coimbra. Orientador do Serviço de Assistência Espiritual e Religiosa do Centro Hospitalar Universidade de Coimbra, (onde o conheci), membro da Comissão Diocesana do Clero e orientador dos Serviços de Assistência Espiritual e Religiosa nos Hospitais e Estabelecimentos de Saúde.

O seu sentimento humano, permanentemente o conduziu a uma entrega integral no acompanhamento místico, como formador, orientador espiritual de muitos crentes, quer em reuniões, quer em particular.

 Através de circunstanciais diálogos entre nós, usufruí do prazer e da oportunidade de classificar a sua pessoa, como sendo, não direi um homem santo, contudo, um santo homem.

Compreensivo, erudito, acolhedor, bom conselheiro e desprovido de ostentação e empáfia. A modéstia que brotava do seu íntimo, era sublime e afável.

O meu bem-haja.

Até um dia, Padre Fernando!

 

António Figueiredo e Silva

Coimbra, 25 de Julho de 2026

 

Obs:

Apenas tive conhecimento da ausência vital, -  infelizmente prematura- , desta modesta e empática pessoa, no dia 25 de Julho de 2026, -  com quem vinha a manter diversificados palratórios.

 Precisamente no dia em que me dirigia à Capela do CHUC, para ter  mais uns minutos de cavaqueira, é que um dos seguranças do hospital me transmitiu que, o padre Fernando havia falecido. Perante a minha estupfacção, acrescentou; há uns cinco ou seis dias.

Certamente que, notórios laivos de melancolia se assomaram à minha face, uma vez que nunca me esqueci da visita que certo dia  me fez, quando estive internado no Centro Hospitalar da Universidade de Coimbra, - onde o conheci.

(AA.  Figueiredo)

 

Nota:

Recuso-me à utilização do AO90

sexta-feira, 10 de julho de 2026

CARTA ABERTA AO MAI DE PORTUGAL

 

A ponderação, consiste em não dizer tudo o que se raciocina;

contudo, em reflectir profundamente antes de o transmitir.

(António Figueiredo e Silva)

 

CARTA ABERTA AO MAI DE PORTUGAL

Offener Brief an den portugiesischen Minister für innere Verwaltung

致葡萄牙內政部長的公開信

ΑΝΟΙΧΤΗ ΕΠΙΣΤΟΛΗ ΠΡΟΣ ΤΟΝ ΠΟΡΤΟΓΑΛΟ ΥΠΟΥΡΓΟ ΕΣΩΤΕΡΙΚΗΣ ΔΙΟΙΚΗΣΗΣ

पुर्तगाल के आंतरिक प्रशासन मंत्री को खुला पत्र

OPEN LETTER TO THE PORTUGUESE MINISTER OF INTERNAL ADMINISTRATION

ポルトガル内務大臣への公開書簡

SCRISOARE DESCHISĂ CĂTRE MINISTRUL PORTUGHEZ AL ADMINISTRAȚIEI INTERNE

THƯ NGỎ GỬI BỘ TRƯỞNG NỘI VỤ BỒ ĐÀO NHA

 

 

Exmo Sr.

Luís António Trindade Nunes das Neves

Ministro da Administração Interna de Portugal

 


    Sem querer abusar da pseudo-democracia em Portugal existente, em que é apregoada uma “igualdade celestial”, onde só o poder seráfico se governa e o povo padece, apraz-me dirigir-lhe esta epístola, dedilhada à minha rude maneira, para desatravancar a revolta que me anda a chasquear no espírito, no que diz respeito às “fogueiras de Sem João”, que há muito têm vindo a assolar as florestas desta nacionalidade, da qual o Sr. é actualmente, Ministro da Administração Interna.

Muito tem “palrado”, até com timbrada arrogância, em todas as situações susceptíveis de esbrasear os nossos arvorêdos. Muito bem; tenho sentido muito prazer em ouvir as “sapientes e concisas dissertações” do Sr. Ministro sobre este tão delicado assunto, que, certamente à maioria dos portugueses, têm feito comichão no couro cabeludo, com a resultante criação de carepas .

As antigas casas dos Guardas Florestais, actualmente abrigos de pêgas, carriças, tordos, cucos e teias de aranha, ainda hoje são um marco fidedigno que insiste irredutivelmente, em atestar a incompetência da nossa governação enfezada pós 25 de Abril, a ver pelo total desprezo da nossa arborização, que desde o primeiro rei de Portugal sempre existiu.

É uma chatice, atão num é Sr. Ministro?!

Quem absorve as consequências agora?

São os tractores, que andam, (como sempre andaram), a “traturar” pelas matas, as pequenas queimadas “desordenadas”, - que sempre se fizeram -, as viaturas que eventualmente possam estacionar junto aos pinhais, (como várias vezes aconteceu), as beatas de cigarro malfazejas, um fragmento de vidro de uma qualquer garrafa de pingolêta, e acima de tudo, o malandreco do sol, que, durante muitas noites de verão, pela surrelfa, tem vindo a projectar os seus “patológicos” raios infra-vermelhos ardentes, em riba das limpezas por fazer, (e por teimosia e insubordinação, também não poupa as matas pertencentes ao Estado), porque grande parte dos seus “proprietários” já se encontram caducos e impotentes para o poder fazer, ainda que a força de vontade e a tristeza se manifestem.

Tem sido uma amálgama discursiva repleta de asserções, que, bem analisadas, dá para contemplar que o Sr. Ministro ainda não ousou a focar uma razão, quiçá a principal, que me parece ter sido o fundamento supremo das “fogueiras de Sem João em Portugal”; A PIROMANIA, (que se me afigura ser a causa primeira), E OS INTERESSES NUMISMÁTICOS SUBJACENTES AO “RESTOLHO” DAS LABARÊDAS CRIMINOSAMENTE ATEADAS.

Sr. Ministro.

Pode ter a certeza de que, se forem instituídas condenações pesadas para ateadores florestais, (pirómanos ou incendiários), quando apanhados em flagrante, certamente que as ignições irão “encolher”. No entanto, quanto a este assunto, o Sr. nada tem referenciado.

Paralelamente a isso, deve haver(?!), muita população nos presídios portugueses, a penar por ter “roubado uma galinha” – dos que furtam “perús e lagostas”, creio que não lá nenhum.

Igualmente não é dúbia a existência de bastantes “marmanjos” a viver à custa do RSI (Rendimento de Inserção Social), e outras alcavalas, sem fazerem a “ponta-dum-corno”, que, adstritos aos Municípios, poderiam fazer parte de equipas de desmatamento e plantação de árvores a preços módicos, para substituir “aqueles que já não podem com uma gata pelo rabo”, - como eu -, e desse modo, custearem o seu sustento; diminuindo deste modo, os encargos impostos ao erário público.

 Sr. Ministro, p/f, não subestime; porém, aceite sem pestanejar, mas dilate as suas pupilas olhométricas, para as palavras que este “jovem” caduco, (que podia ser seu pai), lhe está a transmitir, sem partidarismos políticos e livre de quaisquer ideologias, mas porque já calcorreou durante bastantes anos sobre as brasas ardentes de diversas governações, (e desgovernações), calçou tamancos e chancas, andou numa escola com vidros partidos, onde o calor do Estio ou o frio do Inverno entravam sem pedir licença, e comeu côdeas rijas que o Diabo amassou; mas  pode crer, que possui uma ampla visão do Mundo.

Depois de o Sr. Ministro ter debulhado com o rodízio do bom senso esta dissertação, (se o fizer), medite maduramente sobre o assunto, e veja se consegue dormir descansado.

Por agora bonda. Fiquei tranquilo!

Atentamente.

 

António Figueiredo e Silva

Coimbra, 11 de Julho de 2026

 

Nota:

Recuso-me à utilização do AO90

 

O IDOSO

 

O conhecimento torna a alma jovem

e diminui a amargura da velhice.

Colhe, pois, a sabedoria.

Armazena suavidade para o amanhã.

(Leonardo da Vinci)

 

O IDOSO

Die ältere Person

老年人

THE ELDERLY PERSON

高齢者

Persoana vârstnică

Пожилой человек

Người cao tuổi

LA PERSONNE ÂGÉE

बुज़ुर्ग व्यक्ति

 


    Na verdade, o arranjo vocabular que se segue, é dirigido a todos aqueles que, carentes de alguma falha no entendimento, foram os fecundadores das palavras que vieram substituir o título deste texto, com a criação dos termos, TERCEIRA IDADE.

Podem haver divergências opinativas, como é evidente, mas, em meu discernimento, entendo que são palavras que albergam uma sonância algo depreciativa, e tendem, - ou pretendem mesmo -, criar linhas-limite de separação cronológica, quando, no espaço temporal, apenas existe um cordel de continuidade, que ao longo da duração se vai ao de brandamente “degradando”. A sua dinâmica, é, por analogia, idêntica ao movimento das épocas sazonais do ano; criança/Primavera, jovem/Verão, adulto/Outono e velho/Inverno. Isto é irretrucável.

Esses “inventores”, - ainda que de boa fé -, deviam ter em mente que, na realidade, a imprudência é uma característica natural que se projecta desde a nascença, passa pela juventude e vai clivando na idade adulta com vista a ampliar e aperfeiçoar o conhecimento; depois, este, paulatinamente vai perecendo com a velhice, - só as “bestas” morrem dele vazias, se pelo trilho não lhes surgir alguma adversidade que se proponham a vencer - como é compreensível.

Ainda eu era um miúdo imberbe, sempre me foi ensinado a honrar a velhice; hábito que procurei manter ao longo da vida. Mas hoje, mesmo abafado pela vetustez, (não por uma terceira idade), ainda com neurónios em “plena” actividade, observo que a velhice está a ser considerada um peso social. Um sério estorvo. Esta, é remetida para a imprestabilidade, com recurso a frases pouco abonatórias, despejadas por muitos que não sabem se lá chegarão; já deu o que tinha a dar, não sabe o que diz, não pode com as botas, está tatibitate, é surdo que nem uma porta, está engelhado, treme por todos os lados, borra-se e mija-se todo, repete sempre as mesmas coisas, etc. Enfim, noto que a velhice tem vindo a ser desprestigiada, quando às pessoas que a atingiram, escasseiam as capacidades para manifestarem os seus sentimentos, - não quer dizer que deles não usufruam.

Quando esta carência ocorre, apesar do seu declínio, elas passam a representar um odre aurífero para ambiciosos, oportunistas e exploradores, que sem pudor e sem moral, que deleitam a desgastar alguns aforros por essas pessoas amealhados.

Descoram que os idosos, são a consequência de uma regressão a crianças com o avançar da idade; são o resultado de uma oxidação promovida pelo gás que através dos tempos lhes foi sustentando a vida; o oxigénio. É este nobre gás, que suporta a vida a todos os seres viventes no Globo.

Aqui não há terceiras idades; existe apenas um túnel passageiro por onde viajamos, e que se vai dissolvendo no tempo da longevidade, - quando a atingimos.

É de reconhecer que, por esse trecho acidentado, que é apinhado de obstáculos, embora com alguns momentos de prazer, aprende-se muito; todavia, nunca o suficiente. À medida a erudição vai penetrando em nós, esta faz-nos compreender que o seu limite é infinito. Logo, temos que nos dobrar perante a sua magnitude e aceitar que, mesmo não sabendo nada, não a terceira idade, mas a velhice, deve ser estimada e compreendida.

Com um pouco de sorte e saber, todos lá chegam.

 

António Figueiredo e Silva

 

Coimbra, 10 de Julho de 2026

 

Nota:

Não utilizo o AO90

REVERÊNCIA À MULHER

  Cem homens podem formar um acampamento, mas é preciso uma mulher para se fazer um lar. ( Provérbio Chinês )   REVERÊNCIA À MULHER ...