sexta-feira, 10 de julho de 2026

O IDOSO

 

O conhecimento torna a alma jovem

e diminui a amargura da velhice.

Colhe, pois, a sabedoria.

Armazena suavidade para o amanhã.

(Leonardo da Vinci)

 

O IDOSO

Die ältere Person

老年人

THE ELDERLY PERSON

高齢者

Persoana vârstnică

Пожилой человек

Người cao tuổi

LA PERSONNE ÂGÉE

बुज़ुर्ग व्यक्ति

 


    Na verdade, o arranjo vocabular que se segue, é dirigido a todos aqueles que, carentes de alguma falha no entendimento, foram os fecundadores das palavras que vieram substituir o título deste texto, com a criação dos termos, TERCEIRA IDADE.

Podem haver divergências opinativas, como é evidente, mas, em meu discernimento, entendo que são palavras que albergam uma sonância algo depreciativa, e tendem, - ou pretendem mesmo -, criar linhas-limite de separação cronológica, quando, no espaço temporal, apenas existe um cordel de continuidade, que ao longo da duração se vai ao de brandamente “degradando”. A sua dinâmica, é, por analogia, idêntica ao movimento das épocas sazonais do ano; criança/Primavera, jovem/Verão, adulto/Outono e velho/Inverno. Isto é irretrucável.

Esses “inventores”, - ainda que de boa fé -, deviam ter em mente que, na realidade, a imprudência é uma característica natural que se projecta desde a nascença, passa pela juventude e vai clivando na idade adulta com vista a ampliar e aperfeiçoar o conhecimento; depois, este, paulatinamente vai perecendo com a velhice, - só as “bestas” morrem dele vazias, se pelo trilho não lhes surgir alguma adversidade que se proponham a vencer - como é compreensível.

Ainda eu era um miúdo imberbe, sempre me foi ensinado a honrar a velhice; hábito que procurei manter ao longo da vida. Mas hoje, mesmo abafado pela vetustez, (não por uma terceira idade), ainda com neurónios em “plena” actividade, observo que a velhice está a ser considerada um peso social. Um sério estorvo. Esta, é remetida para a imprestabilidade, com recurso a frases pouco abonatórias, despejadas por muitos que não sabem se lá chegarão; já deu o que tinha a dar, não sabe o que diz, não pode com as botas, está tatibitate, é surdo que nem uma porta, está engelhado, treme por todos os lados, borra-se e mija-se todo, repete sempre as mesmas coisas, etc. Enfim, noto que a velhice tem vindo a ser desprestigiada, quando às pessoas que a atingiram, escasseiam as capacidades para manifestarem os seus sentimentos, - não quer dizer que deles não usufruam.

Quando esta carência ocorre, apesar do seu declínio, elas passam a representar um odre aurífero para ambiciosos, oportunistas e exploradores, que sem pudor e sem moral, que deleitam a desgastar alguns aforros por essas pessoas amealhados.

Descoram que os idosos, são a consequência de uma regressão a crianças com o avançar da idade; são o resultado de uma oxidação promovida pelo gás que através dos tempos lhes foi sustentando a vida; o oxigénio. É este nobre gás, que suporta a vida a todos os seres viventes no Globo.

Aqui não há terceiras idades; existe apenas um túnel passageiro por onde viajamos, e que se vai dissolvendo no tempo da longevidade, - quando a atingimos.

É de reconhecer que, por esse trecho acidentado, que é apinhado de obstáculos, embora com alguns momentos de prazer, aprende-se muito; todavia, nunca o suficiente. À medida a erudição vai penetrando em nós, esta faz-nos compreender que o seu limite é infinito. Logo, temos que nos dobrar perante a sua magnitude e aceitar que, mesmo não sabendo nada, não a terceira idade, mas a velhice, deve ser estimada e compreendida.

Com um pouco de sorte e saber, todos lá chegam.

 

António Figueiredo e Silva

 

Coimbra, 10 de Julho de 2026

 

Nota:

Não utilizo o AO90

O IDOSO

  O conhecimento torna a alma jovem e diminui a amargura da velhice. Colhe, pois, a sabedoria. Armazena suavidade para o amanhã. ( L...