SEM REGRAS VOCABULARES
Pequeno
prólogo:
Tão
só, para transmitir que não é meu propósito desprestigiar, desdenhar, machucar,
obscurecer, zombar ou achincalhar, quaisquer regionalismos, gírias, ou mesmo
línguas – como no caso do Mirandês -, que existem em Portugal.
Todas,
mas todas, sem excepção, são merecedoras do meu mais aberto apreço.
(do
autor)
Além da sua identidade,
a língua é o espírito de um povo.
(António Figueiredo e Silva)
SEM REGRAS VOCABULARES
É munto milhor ‘screver desafogadamente, ducandar pr´ái armado im pateta, só pr’ámostrar òs oitros caté sabe macarronar duas trêtas im sabolada caligráfica.
Numintressa, nem tanho bergonha ninhuma do que possam dezer a
meu respeito.
Como num sou
mouco, e louco támém penso que não, - graças ao Pai do Céu -, tanho
oubido tantas parboíces agomitadas cá p’ra fora, por pessoas
que s’amostram como cultas, e no final das contas, cando abrem
a trameleira, só sai palratório tão intulhoso, que tanho
de calafetar os oubidos ou meter bendas nas bistas p’ra num
cair na patetice oubir e d’inxergar tantos desparates.
Num sou pêco; sei munto bem q’estou pr’áqui árranjar
uma carga de purrada, talbez munto maior du’cum pesado
temporal. Mas, poucochinho ou nada m’intressa. Num’aquenta nem’arrefenta.
O que tanho
p´ra dezer, aicho que debe ser dito, e ponto final.
Aqui há unzanitos
passados, cando a lei da palmtória dominaba o Insino Primário,
a língua portuguesa era uma obra prima, (no tempo em que, hoje, filhos de
muitas récuas, dizem que era um tempo de analfabetos), caté saltaba num
só dos miolos, como támém das palmas das mãos. Essa era uma das rezões
porque, com a “misarábel” 4ª Classe, já se era diplomado – e às bezes
cun destinção, caramba!
Atão, bejam bem: s’in bez de contracto, eu ‘screbesse
contratação, já ‘stba feito ó bife - de duas palmatoadas num
me safaba; sin bez de prenunciar ou ‘screber,
abrisse a matraca e articulasse dezer, ou o ‘screbesse, tinha
dreito a mais duas ou três palmatoadas; se em lugar de fabrico, (fabrico de
qualquer coisa), ‘screbesse fabricação, mais umas berdoadas p’ró lombo.
Ofecialmente, (bocábulo hoje munto im boga), a palmatória era
tida como um substrato p´rá limação (p´ra quem num cumprender, limagem),
do intelecto, inda in formação.
Naquele tempo, começába-se a ‘screber
num caderno de duas linhas, p’rábituar, (num é pr’ábituação),
o cérebro, aos mobimentos manuais e afinar o seu sentido d’orientação.
Depois, já mais p´ró fim do Curso (Superior), Primário, habia uma
matéria, (num tem nada a ber com pus das fridas), que se chamaba
de Caligrafia.
Aqui é caporca
trocia o rabo!
Era uma
grafia munto bem urdida, e num era permetido ninhuma ‘spece
de borradela ou imenda.
Foi uma era im
que o insino, primaba pela perfeição, e pela nobreza d’escreber.
Naquela
classe só podíamos dar um erro nas redacções. Agora, num faltam erros! E
erros de palmatória.
Hoje a
maioria num s’intressa. Imberadam poru “Insino Suprior”, saem de lá
cum canudo p’ra ber Braga, e mal sabem ‘screber – alguns,
nem palrar.
Aos mais mal-acabados,
despretensiosamente quero lembrar-lhes, - para que não esqueçam; um idioma é a mais firme identificação de um povo. É a sua alma!
António
Figueiredo e Silva
Coimbra, 9/02/2026
Obs:
Procuro não utilizar
o AO90.
Nota:
Esta é a
minha “modesta contribuição”,
para a construção
de um novo AO, (Acordo Ortográfico).


Comentários
Enviar um comentário