sexta-feira, 14 de agosto de 2026

REVERÊNCIA À MULHER

 

Cem homens podem formar um acampamento,

mas é preciso uma mulher para se fazer um lar.

(Provérbio Chinês)

 

REVERÊNCIA À MULHER

(Reflexão)

Hommage an die Frauen

致敬女性

Hommage aux femmes

Tôn vinh Phụ nữ

Φόρος τιμής στις γυναίκες

महिलाओं को सम्मान

אַן אַכטונגס־באַווײַז צו פֿרויען

女性へのオマージュ

 


Esta, foi a MULHER que me trouxe à luz do dia.
MULHER de bastante luta e honrosa paciência.
A minha MÃE!


 
 
    Nada me inquieta que hoje não seja o dia da MULHER, para honrar esse “anjo-da-guarda”, imprescindível à Vida Humana na Terra.

Porque disso é digna, eu sinto empenho em glorificar a sua imagem. Sem esse gineceu, o mundo seria amorfo e desprovido de existência.

Não desconheço que há mulheres infernais, mas não me atrevo a classificar um grão de areia como sendo um deserto. Por isso, esta redacção é unicamente dedicada a toda aquela que sabe ser MULHER.

Essa criatura, independentemente  da sua posição social, da sua beleza, da sua côr, do sítio onde vive ou dos costumes e credos que possa seguir, sempre ocupou em mim, um lugar de elevado destaque e estima, sendo por isso, digna do meu cavalheirismo e admiração, porque integra a razão da minha existência. Foi o primeiro lugar onde passei a habitar durante nove meses, após uma arrojada fuga da prisão testicular, seguida de uma batalha encarniçada e cansativa, por carreiros desconhecidos e  irregulares, para, por fim, desfrutar do meu almejado descanso, que pela “Natureza”, através da MULHER me foi ofertado.

Se a MULHER não existisse, a presença do homem não iria além de uma fantasia. Logo, se existo, a ela o devo. Se sobrevivi e fui crescendo até à altura de ser ofuscado pela luz do dia, mas sempre bem nutrido, aconchegado e  acolchoado pelo ácido amniótico, também a ela o devo.

  Em princípio, sangue oxigenado que me corria pelas artérias, era o que pulsava no seu corpo; com a sua devota paciência de MÃE, aguardava e suportava com incontida felicidade, os pontapés que eu lhe dava nas parêdes da “aldeia” uterina, enquanto me entretinha a chuchar no dedo polegar.

Não me recordo, mas certamente que naquele “hotel de cinco estrelas”, já a terna doçura da sua voz  me devia fazer vibrar as membranas timpânicas. Quantas vezes ela não devia ter cantado para me acalmar!

Quando principiei a ganhar tino e resolvi, - armado em parvo -, encetar mais uma escapadela, - que mais tarde conclui que vinha ser a derradeira -, o seu sofrimento deve ter sido atroz! Porque a abertura por onde eu teimava escapar era muito acanhada, - facto que só mais tarde vim a reconhecer, apesar da sua suposta lembrança ter sido engolida pelo olvido.

Depois de toda a “tortura” por mim, a ela infligida, anos mais tarde vim a saber que ela abraçou o meu ainda frágil corpo para me afagar, com os olhos ruborizados a lagrimejar de alegria! Já nasceu, - devia ter pensado.

Considero-a o “fruto da macieira” do jardim do Éden, que me conduziu para vida, - e a todos quantos existem.

Por tudo isto, MULHER merece todo o meu incondicional apreço.

Que a Criação a abençoe! E a outras, lhe conceda resignação incomensurável para suportar as submissões teocráticas e sádicas, a que alguns “homens”(?), as submetem, - por vezes, com a imposição do último suspiro.

Esquecem-se de que, sem o contributo incontestável da  MULHER, não existiam.

À MULHER, o meu bem-haja, pela sua existência, empatia e resignação.

 

António Figueiredo e Silva

Coimbra, 14 de Agosto de 2026

Nota:

Não utilizo o AO90     

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