Cem homens podem formar um acampamento,
mas é preciso uma mulher para se fazer um lar.
REVERÊNCIA
À MULHER
(Reflexão)
Hommage an die
Frauen
致敬女性
Hommage aux femmes
Tôn vinh Phụ nữ
Φόρος τιμής στις γυναίκες
महिलाओं को सम्मान
אַן אַכטונגס־באַווײַז צו פֿרויען
女性へのオマージュ
| Esta, foi a MULHER que me trouxe à luz do dia. MULHER de bastante luta e honrosa paciência. A minha MÃE! |
Porque
disso é digna, eu sinto empenho em glorificar a sua imagem. Sem esse gineceu, o
mundo seria amorfo e desprovido de existência.
Não desconheço que há mulheres infernais, mas não me
atrevo a classificar um grão de areia como sendo um deserto. Por isso, esta redacção
é unicamente dedicada a toda aquela que sabe ser MULHER.
Essa
criatura, independentemente da sua
posição social, da sua beleza, da sua côr, do sítio onde vive ou dos costumes e
credos que possa seguir, sempre ocupou em mim, um lugar de elevado destaque e estima,
sendo por isso, digna do meu cavalheirismo e admiração, porque integra a razão da
minha existência. Foi o primeiro lugar onde passei a habitar durante nove
meses, após uma arrojada fuga da prisão testicular, seguida de uma batalha
encarniçada e cansativa, por carreiros desconhecidos e irregulares, para, por fim, desfrutar do meu
almejado descanso, que pela “Natureza”, através da MULHER me foi ofertado.
Se a MULHER
não existisse, a presença do homem não iria além de uma fantasia. Logo, se
existo, a ela o devo. Se sobrevivi e fui crescendo até à altura de ser ofuscado
pela luz do dia, mas sempre bem nutrido, aconchegado e acolchoado pelo ácido amniótico, também a ela
o devo.
Em princípio, sangue oxigenado que me corria
pelas artérias, era o que pulsava no seu corpo; com a sua devota paciência de MÃE,
aguardava e suportava com incontida felicidade, os pontapés que eu lhe dava nas
parêdes da “aldeia” uterina, enquanto me entretinha a chuchar no dedo
polegar.
Não me recordo,
mas certamente que naquele “hotel de cinco estrelas”, já a terna doçura
da sua voz me devia fazer vibrar as membranas
timpânicas. Quantas vezes ela não devia ter cantado para me acalmar!
Quando principiei
a ganhar tino e resolvi, - armado em parvo -, encetar mais uma escapadela, - que
mais tarde conclui que vinha ser a derradeira -, o seu sofrimento deve ter sido
atroz! Porque a abertura por onde eu teimava escapar era muito acanhada, -
facto que só mais tarde vim a reconhecer, apesar da sua suposta lembrança ter sido
engolida pelo olvido.
Depois
de toda a “tortura” por mim, a ela infligida, anos mais tarde vim a
saber que ela abraçou o meu ainda frágil corpo para me afagar, com os olhos ruborizados
a lagrimejar de alegria! Já nasceu, - devia ter pensado.
Considero-a
o “fruto da macieira” do jardim do Éden, que me conduziu para vida, - e
a todos quantos existem.
Por
tudo isto, MULHER merece todo o meu incondicional apreço.
Que a
Criação a abençoe! E a outras, lhe conceda resignação incomensurável para
suportar as submissões teocráticas e sádicas, a que alguns “homens”(?),
as submetem, - por vezes, com a imposição do último suspiro.
Esquecem-se
de que, sem o contributo incontestável da MULHER, não existiam.
À MULHER,
o meu bem-haja, pela sua existência, empatia e resignação.
António Figueiredo e
Silva
Coimbra, 14 de Agosto de
2026
Nota:
Não
utilizo o AO90
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