Para um
trapaceiro, vale mais uma carta na manga,
do que um
baralho inteiro na mesa.
(Jeferson
Guerreiro)
TRAPAÇOCRACIA
(Cracia, deriva de grego, Kratos=Poder)
O roubo, que não abdica
de coragem, consiste numa açambarcação de haveres que, sendo de outra pessoa,
passam para mãos diferentes sem o seu consentimento, - e até é punível por lei;
a vigarice ou tipicamente mais conhecida por “conto-do-vigário”, já
requer habilidade, porque é ardilosa, enganadora e normalmente carece de uma
historiêta para ensaibrar e empedrar o cérebro do burlado.
Após tanto matutar, deu-me
na cabaça para discorrer sobre a Trapaçocracia, cujo protovucábulo eu me vi na contingência
de conceber, porque nós, os portugueses, - que eu sinta -, nunca fomos
roubados. O mesmo já não direi, quanto a termos vindo a ser enganados – uma realidade.
Assim sendo creio que o novo vocábulo, Trapaçocracia, será a designação mais indicada, para o efeito pretendido.
Bem,
observado por uma avaliação séria e prisma diferente, o roubo é impetuoso,
rápido e de surpresa, com ou sem intimidações, que, no fim de cometido, liberta
no extorquido uma sensação de vertigem na “caixa-dos-pirolitos”,
perplexidade e raiva, que o apinha de interrogações, por não se haver apercebido
do “mistério” do acontecimento.
A
vigarice é “catedrática”; já requer uma fingida mansidão, sob aprimorada cantilêna,
sempre com recurso a uma narrativa bem pintada, que acarreta uma evangelização,
– lavagem cerebral -, com o desígnio de amolecer ao visado a sua faculdade
psicanalítica, conduzindo-o à aceitação da proposta ou propostas, lançadas numa
conversação cerimoniosa, - ou em discursos colectivos -, onde marinham
promessas celestiais que encapotam uma ardência infernal. Contudo, estas
artimanhas, não compulsam ninguém a aceitá-las. Quando surgem, só dá ouvidos e
aceita quem quer – a democracia cristalina, apenas existe na aceitação. As
dores de parto, surgirão posteriormente, não só para os pascácios que
concordaram, como, por arrasto, para a remanescente “plebe”, considerada uma
“minoria”, - mas provida de dois dedos de testa.
A Trapaçocracia, congrega males implantados na Pseudo-democracia,
como a que temos vindo a viver há mais de meio século, e a maioria de nós tem-se
comportado, não digo como autómatos, todavia, como sonâmbulos. Quando
despertamos da letargia, lastimosamente certificamos que já é tarde para uma
regressão merecida, condigna e justa, muito difícil de adquirir; porque, em
todos os quadrantes da política, em maior ou menor número, os trapaceiros
existem – lei do contrabalanço.
Então, guenta
Zé!
António Figueiredo e Silva
Coimbra,
09/03/2026
Nota:
Não
utilizo o AO90.
Meu caro Figueiredo. Não compro o livro " Trapaceiros " porque não me caberia cá em casa e segundo porque não teria tempo para o ler devido ao seu tamanho.
ResponderEliminarRealmente deve ser bastante extenso.
EliminarEstou completamente de acordo.
ResponderEliminarAinda bem.
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