terça-feira, 19 de agosto de 2025

A CONDESCEDÊNCIA NÃO APAGA FOGOS


 

Para provocar a emersão do que anda imerso na memória, não há nada melhor do que recorrer a apontamentos.

Acabei neste momento de descobrir, que, final isto dos incêndios já tem vindo a suceder ao longo de anos!

Vou republicar mais esta, para arranhar o miolo aqueles que sofrem de senilidade por conveniência, matraquear o juízo, aos maus cozinheiros de leis.

(Do Autor)

 

A CONDESCEDÊNCIA NÃO APAGA FOGOS

 

 

Sinto-me tétrico e furioso, indignado e raivoso!... Mas impotente perante a lassidão da lei, decorrente de uma condescendência cuja razão só os mentecaptos e sonhadores justificam.

A culpa já não é deste governo, ou de outro qualquer, mas de todos os governos que até aqui dirigiram, bem ou mal, esta leira na Europa; se bem que, existe sempre alguém se aproveita deste dantesco momento, para, evidenciando a miséria dos outros, fazer política escabrosa e a cheirar a fumo, proveniente do estalar do ódio, da sacanice e da vontade de destruir. São hipócritas que não mordem, mas criam mais mazelas que todos os carrapatos do mundo!

O país está num verdadeiro brasido, ateado por umas dúzias de criminosos pirómanos que nele deviam de ser churrascados, até somente restarem as suas carcaças carbonizadas.

“Mata-se o bicho, acaba-se a peçonha”.

Há anos que deviam ser criadas leis com severidade implacável para os incendiários; isto não teria chegado ao ponto a que chegou! O céu de Portugal tingido cor de fogo; pessoas exaustas, vencidas pelo sono e pelo cansaço, estiram-se em qualquer canto “fingido” descansar, enquanto as labaredas crepitam ao redor, num arremedo a impotência humana, a “mando” de criminosos que se escondem atrás de extrema cobardia, gozando como dementes varridos o serviço que, a soldo, por conta própria ou movidos por ideologias políticas, impunemente fizeram.

Gente sem casa, sem haveres, sem alguns familiares!... Gente inocente e pacífica, que está a pagar alvíssaras pelo que não fez! Pessoas indignadas onde o conformismo não tem lugar, choram lágrimas de desespero e revolta por verem nuns escassos minutos desaparecer aquilo que lhes demorou uma vida a granjear! Seres humanos se se sentem desamparados, desprotegidos, desiludidos e famintos de vingança! Não é caso para menos.

Meia dúzia de intelectuais com atrofia na massa cinzenta, querem imputar a culpa aos foguetes, aos cigarros, às garrafas vazias, às sardinhadas, às merendas, ao lixo por limpar, aos vidros nas matas; tudo isto para desculpar o culpável: o crime, pura e simplesmente!

Não compreendo o entender de todos os “psicólogos, sociólogos, e zeladores convictos do ambiente” intervenientes nesta matéria, que defendem a teoria do acaso e da negligência quando toda a gente vê que ela é de origem criminosa.

Sempre se fizeram merendas e sardinhadas; sempre existiram garrafas vazias nas matas e nos pinhais; sempre houve lixo por limpar; sempre se deitaram foguetes em dias festivos. Espero bem que não apareça alguém com ideias luminosas e cara de macambúzio, e se lembre de dizer que um traque, devido ao biogás de que é constituído, também é susceptível criar labareda*.

Penso que a maior parte dos “entendidos” ou com a mania de, devem ser mais realistas e objectivos, porque aquilo que tenho constatado é que procuram paleio oco, apenas para preencherem tempo de antena e nada mais.

Já que mais ninguém o fez até hoje, ajudem o governo a criar leis severas para aqueles que gostam de se aquecer a sua malvadez com a miséria dos outros. Peçam justiça.

Não há inimputáveis nem meio inimputáveis; é comerem todos pela medida grossa. Se um maluco fingido ou a sério faz qualquer coisa que põe em risco ou ceifa mesmo vidas humanas, que condescendência se há de ter para com ele? Fácil!... Nenhuma. Perante o que ultimamente tenho presenciado, esqueci os direitos humanos, porque aqueles que não são humanos, esqueceram os meus.

E agora venham os condescendentes enquanto o azar não lhes toca pela porta, os entendidos de meia-tigela a quem muitas vezes a comunicação social dá crédito para consumir o tempo, os defensores dos direitos humanos que nunca viraram a outra face, os zeladores ecológicos que não sabem o que é uma molécula de água, os legisladores que não sabem o que é moral, os pastores que nunca puseram a mão numa ovelha e os religiosamente crentes que acreditam no pai natal e afirmam que não há rapazes maus. Venham e ataquem a minha falta de senso!... Venham todos esses pobres de espírito e ataquem-me com toda a gana, porque eu já não acredito em nada a não ser em mim, e “deles será o reino dos céus”, enquanto nós cá na terra, ficaremos esfoçando nas cinzas mornas, o resultado final da sua condescendência.

A condescendência não apaga fogos, é certo, mas permite que eles sejam ateados.

 

 

*Por acaso até é.

 

António Figueiredo e Silva

Coimbra, 28/07/2024

 

 

quarta-feira, 13 de agosto de 2025

ABENÇOADA SEJA A INSÓNIA

 Encontrei esta “simples” anotação por mero acaso, quando estava a vasculhar alguns dos meus envelhecidos registos, e, como não podia deixar de ser, todos bordados com teias d’aranha, mas com muitas surpresas.

Esta, como tantas outras, já se me havia evaporado da memória.

Pela sua “piada” e para recordação – às tantas amarga -, de muitos portugueses, optei pela sua republicação.

 Coimbra, 13/08/2025

 

 


Sei que os mortos não falam;

mas fala a história por eles.

Eu registo para essa cronografia.

(António Figueiredo e Silva)

 

 

ABENÇOADA SEJA A INSÓNIA

 

“Eu teria grandes preocupações se Cavaco Silva ganhasse as eleições”.

(Mário Soares)

 …”Também não dormirei descansado se Cavaco Silva for presidente”. Recordam-se?

O sr. Mário Soares certamente tentou captar a piedade dos portugueses!... Coitado!? Já não tem mais nada para dizer. Diz destas coisas que não passam de simples banalidades cuja utilidade só presta para deitar fora.

A mim pouco incomoda que ele não durma descansado. Até vou gostar, porque desde que ele chegou a Portugal vindo do “exílio” e tomou as rédeas do poder, eu é que nunca mais dormi descansado até hoje; todavia, faço questão em dizer porquê. Porque estive em África. Combati para defender a honra da bandeira, à qual orgulhosamente dediquei o meu juramento. Assumi sem reservas a minha posição de cidadão. Eu sou daqueles empecilhos que ainda está vivo, para falar à viva voz por muitos dos que ingloriamente sucumbiram à metralha do inimigo, ou foram raivosamente chacinados pelas suas negras armas brancas. Tenho arrastado atrás de mim uma força diabólica e expressado revolta e a indignação de todos os que não puderam, ou não podem falar tudo o que sentem em função do que aconteceu.

Porque tive a minha família, como tantas outras, num campo de refugiados, que um país por misericórdia abriu para o efeito.

Porque senti na pele e na alma, a traição da “Descolonização Exemplar”, assim apelidada pelo sr. Mário Soares.

Porque eu fui espoliado, perdi o emprego, perdi a “minha terra” e fui abandonado à minha sorte e de mãos vazias, porque até o dinheiro não tinha valor.

Tudo por culpa de quem? Do sr. Mário Soares e da sua camarilha.

Não estranho, pois, que tenha havido insultos durante a sua campanha às Presidenciais, uma vez que existem recalcamentos acumulados e estigmas calejados que teimam em não desaparecer, e se mantiveram durante anos sob uma pressão raivosa que aumenta na razão directa do avanço da idade, tornando o discernimento analítico mais puro. Por isso, os insultos, mesmo que nos pareçam exagerados, têm uma razão de ser, por decorrerem de cabeças loucamente dominadas pela sede de retaliação. Está mal!?... Sei que está; mas se dermos sempre a outra face depois de já termos apanhado na face oposta, nunca deixaremos de apanhar no focinho. Se todos aqueles que não gostam dele, excluindo os que se alimentam de interesses politiqueiros, pudessem dizê-lo em uníssono, Portugal sofreria, tenho a certeza, um desmedido abalo telúrico.

Como eu, existem muitos milhares que pensam da mesma maneira. Não sei é como o sr. Mário Soares nunca teve a consciência pesada e conseguiu dormir descansado até agora, depois de deliberadamente ter “adormecido” os néscios dos portugueses.

Estes queixam-se agora de maleita artrítica monetária; a classe média, barómetro de qualquer economia, veste-se de seda fingida comprada aos chineses e sapatos de plástico, pura imitação de pele, onde o odor da miséria continua a minar no sombrio trajecto do futuro.

É evidente que não foi sempre ele que esteve na governação, mas foi quem deu início à fermentação deflagradora desta caganeira democrática e perdulária, que governo após governo, tem desidratado a economia, debilitando a nossa segurança e pondo em causa a nossa soberania.

Por isso, não me causa qualquer constrangimento que o sr. Mário Soares morra acordado. Ao menos tem a possibilidade de ver o que lhe está a acontecer, - o que não é privilégio de toda a gente.

Pelo menos eu, quero ver se consigo dormir não totalmente, mas um pouco mais descansado! Assim ele não ganhe.

 

António Figueiredo e Silva

Coimbra, 12/12/2005

 

domingo, 10 de agosto de 2025

QUANDO RACIOCINO DE “CANHOLA VAZIA”


 Falta de ocupação não é repouso;

uma mente vazia, vive angustiada.

(William Cowper)

 

 

QUANDO RACIOCINO DE “CANHOLA VAZIA”

 

    De vez em quando, acontece. O meu pensamento entra em zig-zag e gera-me alguma dificuldade no desencadeamento do meu glossário e na disposição e organização vocabular, que detêm enorme influência no apelo à atenção do leitor, para   a interpretação e análise do articulado. Parece que não, mas isto são motivos que instigam à continuação da leitura ou desistência da mesma, por saturação ou desinteresse.

Apesar das voltas que tenho dado ao miolo, ainda não consegui concluir o porquê deste acontecimento. Forma-se um redemoinho de palavras e ideias, que, com muita rapidez vão tropeçando entre si, e criam uma fusão de tal corpulência, que embaraça o meu sentido de caligrafar.

O que para mim demoraria trinta ou quarenta minutos, pode prolongar-se por horas, interpoladas por largos minutos de repouso, sempre acompanhado por um zumbido no ouvido direito, que, com irrefreável persistência, embirra em fazer-me companhia. O sacana do maestro que o rege, não para de bambolear a batuta, e me dá descanso.

Esta situação é muito exasperante; provoca um vincado sentimento de repulsa que tende ao desencadeamento de uma revolta interior; esta tempestade, por sua vez, ainda vai auxiliar à dissipação do traçado na minha linha organizativa de pensamento.

Caramba, que esta “jorda” não é fácil de suportar!

Depois de muito meditar, (às tantas sem nada pensar, sei lá!?), arranco uma ténue conclusão de que poderá ser da velhice, - facto do qual me recuso a convencer -, não obstante eu reconhecer que sou velho, (e “ranhoso”, ainda por cima!), mas suponho que ainda não estou doido-varrido, - percebi já vim ao mundo com esse talhe.

No meio de tudo isto, existem diversos factores que julgo muito me terem auxiliado em várias vertentes, para que eu, neste momento, ainda possa estar aqui, se não mais, a para abrir a porta da minha gaiola emocional e dar asas à digressão. Foram:  a minha obstinação, curiosidade, (não em saber da vida dos outros), sêde de questionar e contestar, se necessário se tornar.

Se não fossem essas cinco características, certamente que eu estaria esticado sobre uma cama ou encostado a um canto qualquer, meditabundo e macambúzio, a pensar no pior; por entender que não seria a melhor maneira de mastigar o tempo, mesmo com a cabeça “vazia”, optei por redigir aqui estas “larachas”, que, muito embora não primem pela piada, estou certo de que algumas ilações, delas hão de arrancadas.

Agora, já me sinto mais aliviado!

 

António Figueiredo e Silva

Coimbra, 10/08/2025

 

Nota:

Não uso o AO90.   

 

  

  

  

sexta-feira, 8 de agosto de 2025

(?) A VIDA É UMA RIBALTA LIFE IS A SPOTLIGH DAS LEBEN IST EIN RAMPENLICHT Жизнь — это центр внимания לעבן איז אַ פאָקוס

 

Na escola, tu recebes a lição e depois fazes a prova.

Na vida, fazes a prova e depois recebes a lição.

(?)

A VIDA É UMA RIBALTA

        LIFE IS A SPOTLIGH

DAS LEBEN IST EIN RAMPENLICHT

             Жизнь — это центр внимания

לעבן איז אַ פאָקוס               

           (Fugaz lembrança)

 

Esta é uma nesga do passado que há muitos anos se encontra no meu prelo memorativo, que neste momento de repouso, ouso relembrar!

Que fique para a história.

 Não obstante eu não conhecer o “animal” de lado algum, por causa das suas parvoíces e salamaleques, sacrifiquei-me a escutar alguma da sua verborreia; não descorando, contudo, que aquele “puto” tinha uma tara maior do que a minha; pelo menos, eu penso, (que ainda penso), que antes de bolsar as minhas “verborreias”, pondero sobre as minhas atitudes, a elas subjacentes.

Não obstante as raras conversas, - de circunstância -, que naquele tempo, com aquele “melro” entabulei, a sua peculiar prosápia, granjeou um lugar de distinção na minha memória, pelo seu jeito de ser, pensar e reagir, fora do comum. A meu ver, não ia além de um patético tromba-louceiros, e, pelo que expunha, tudo levava a crer que ele era pecuniariamente abastado, – pelo menos disso se auto-elogiava -, mas, com inclinações de pouca seriedade e aparvalhadas.  As suas articulações verbais e a sua linguagem corporal, no mínimo, eram péssimas e intragáveis, com laivos circenses; como um tocador de concertina, sem o referido instrumento.  

Ainda não consegui justificar a mim mesmo, a razão pela qual, o paleio dele seduzia a minha curiosidade!? Não abdicando ao mesmo tempo, que, no meu interior, se enflorasse um sentimento de repulsão e desapreço por tão bronca e detestável figura. 

Ele era de facto, um “puto” fora do normal; talvez tivesse sido essa a razão.

É notório, que as anormalidades, são os predicados que na sociedade em que vivemos, mais atraem o nosso sentido crítico humanóide.

Talvez porque o habitualismo, não conceda lugar à censura, não sei!? Se é normal, não tem direito a comentários. Mas também é verdade, que assim não atrai ninguém.

O certo é, que, aquele “puto” fora do normal, a quem aturei alguns palratórios, valeu o meu sacrifício, porque foram mais uns pontos a somar aos meus parcos conhecimentos de psicologia.

   O raio do “puto”, era de uma singularidade comportamental detestável; vaidoso, dançarino, obstinado, carrancudo, agressivo, abominável, manipulador, temerário, e, com uma série de defeitos assentes numa convicção doentia, cujo charlatanismo devia ser digno de um meticuloso estudo científico no campo da psiquiatria.

Por uma questão de ética, que lidera a minha consciência, não vou aqui dissertar a matéria do palavreado que entre mim e essa tal figura; até a sua imagem, já se me apresenta distorcida na memória., de tantos anos que já passaram

Lembro-me que em certa ocasião o questionei: olha, depois de tantas ladainhas que já “rezaste”, se não te importas, já agora, gostaria de saber o teu nome.

Trampa – respondeu.

Eu, com alguma estupfacção e um sorriso enlaçado por dissimulada ironia, observei: o quê!? Trampa?! Que nome mais exótico.

Sim – respondeu com notória belicosidade e altivez. Tendo acrescentado, de imediato, com estampada euforia e briosa importância, (sem relevância nenhuma), na face rosada:

- Foi o nome que me puseram; Ronald Trampa.

- Ok, não te assanhes, – respondi.

E, com alguma frialdade, dei por terminada a nossa cavaqueira, cujo silêncio, ao fim de tantos anos passados, ainda dura. Cada um encalçou a sua senda.

O certo é, que, apesar de inúmeras vezes eu haver passado por aquele local do forum, nunca mais voltei a ver tal “figurino” – ou figurão.

Penso que deve ter emigrado, para “defecar” as suas parvoíces noutro sítio qualquer; é possível que tenha encontrado idiotas que o aturassem, seguindo as suas estrambólicas ideias, ou oportunistas inteligentes e manhosos, que das mesmas se serviriam para aumentar o seu já abastado pecúlio.

Peças teatrais da vida!

Podia ter-me dado p’ra pior.

 

António Figueiredo e Silva

Coimbra, 05/02/2025

https://antoniofsilva.blogspot.com/2025/08/a-vida-e-uma-ribalta-life-is-spotlight.html

 

Nota:

Não uso o AO90   

domingo, 3 de agosto de 2025

PIOR DO QUE AS CHAMAS, É A DRAMATIZAÇÃO PRESUNÇOSA

 

Os tempos primitivos são líricos,

os tempos antigos são épicos,

os tempos modernos são dramáticos.

(Victor Hugo)

 

PIOR DO QUE AS CHAMAS, É A DRAMATIZAÇÃO PRESUNÇOSA

 

Se são dramáticos, que são, há que criar formas tendentes à sua diminuição.

Quando o palavreado sobre uma catástrofe é pretensioso, converte-se noutro cataclismo de maiores dimensões, do que os factos que ao palratório televisivo deram origem.


Não há nada pior, do que justificar ocorrências catastróficas, com pareceres que visam acentuar mais o drama e a dor de quem sofre com os resultados acontecidos. Inflam as suas conjecturas por forma a dar-lhes tanta proeminência, que a tragédia se pode assemelhar ao bíblico Armagedão.

Fico deveras estupefacto, ao ouvir as análises de (“garbosos comandantes” e outras identidades de gabinete), peritos, ou com conhecimento em sufocação de labarêdas, e as proibições governamentais que foram tomadas à pressa, sobre esta tão real, melindrosa e dramática matéria.

Nada do que os “ilustres comandantes” argumentaram, e as concomitantes medidas que pelo Governo foram tomadas, irão diminuir os incêndios nas nossas. A meu ver, não passam de visões astigmáticas, onde a verdadeira realidade não penetra.

Como se já não bastasse os incêndios para “incinerar” o sossêgo emotivo daqueles que por perto deles habitam, aparecem então os, não analistas, mas dramatizadores, com ideias, que a meu ver, não fazem sentido; porque que não vão resolver o problema incinerador. Mas, fazem-no crescer de tal forma e com tanta ênfase, que até dá impressão que o Céu vai derribar.

Argumentam sobre os fogos de artifício, – que sempre existiram, e as florestas também -, alegando que constituem um desrespeito pelas vidas que se debatem no apagamento das chamas; defendem não passar com tractores ou máquinas similares pelos bosques – que também sempre andaram, e não havia incêndios como actualmente se vêm; não usar maquinaria com lâminas nos matos ou onde exista arvoredo – certamente que as florestas vão ser limpas à cacetada ou com recurso a rebanhos de cabras; não fazer queimadas de resíduos, mesmo que não sejam feitas no interior dos matagais, - que sempre se fizeram e nunca apresentaram um risco de deflagração incendiária, como tem vindo a acontecer e a aumentar na actualidade.

Enfim, arrazoam tudo o que lhes está ao alcance, para defender com acentuado dramatismo e uma determinada vaidade, a sua causa, - que acho bem. É de direito cívico, que todos devemos ter o direito a isso – até eu, que estou p’ràqui a arengar.

Contudo, a nenhuma destas “personalidades de suma importância”, ocorreu uma única palavra acerca do essencial: A CRIAÇÃO DE LEGISLAÇÃO CONTRA OS PIRÓMANOS.

Se um dia, este meu conceito se converter em realidade, e a sua aplicação for dura, e irremissível, - não só em Portugal, mas em todo o Globo -, o deleite do piromaníaco, procedente das florestas flamejantes, abrandará.

Tenho a certeza.

 

António Figueiredo e Silva

Coimbra, 03/07/2025

 

Nota:

Não uso o AO90

 

 

 

sábado, 2 de agosto de 2025

O BOTAS

 


“Os piores canalhas que conheci,

estão na política”.

(Francisco Moita Flores)


A inteligência, não se avalia pelos diplomas,

mas pelo que deles possa abrolhar.

(António Figueiredo e Silva)

 

“O BOTAS”

 


A genética é levada-da-breca! Surpreende até, as mentes mais sábias!

É frequente, rebentar uma boa e robusta árvore, de onde se esperava um reles e raquítico arbusto.

Não é paradoxal ou fantasia poética; quando a Natureza executa o seu traçado genético, jamais alguém o consegue modificar.

Não é todos os dias, mas ocorre; seres que germinaram de “olhos fechados e mente em criação”, conseguiram atingir um nível de intelectualidade invejável e um comportamento moral, de tal forma grandioso, que ainda hoje fazem fluir cobiça a muita gente infectada por mazelas no raciocínio. Compreendo e até respeito, esses diferentes modos de raciocinar, porém, não vou encapotar a minha opinião, que sempre entendi ser meu direito inalienável.

Naturalmente que, “no tempo da outra senhora”, talvez o não pudesse fazer com a amplitude angular que hoje faço, porque o espaço crítico, sem dívida, era bastante condicionado pela censura. Eu sei. Mas vivi esse tempo e nunca ninguém me importunou, apesar de em mim já existir este espírito contestador e eu nunca ter feito a sua contenção. Muitas vezes não é o que se diz, mas a forma como se expõe.  O insulto, - encapotado ou não -, o achincalhamento - seja de quem for -, por prazer mórbido, e a destruição propositada de uma pessoa, (sem razão absoluta), são linhas que nunca serviram de orientação para meu trajecto na sociedade. Foi assim que meu pai me ensinou, - paz à sua alma.

Só uma pausa:

Os tempos eram outros. Não foram fáceis. Procurava-se trabalho e era difícil de encontrar. Agora, há muito trabalho, mas a vontade de o executar entrou em falecimento prematuro, - mas veloz.

Prosseguindo:

A Segunda Guerra Mundial terminou, mas deixou a quentura do seu borralho, que mantinha Europa, política e economicamente rastejante.

Foi aí que o filho de um agricultor, que por “doutrina” de mentes rasas, só poderia ser lavrador também, se lançou com toda a seriedade, convicção e firmeza, na estabilização da Pátria que o viu nascer, e na implantação da harmonia entre o povo que dela fazia parte. Obstinado, mas de grande honestidade, fê-lo ao serviço dessa nação, (Portugal), sem nunca dela se haver servido, - como actualmente é usual, em quase toda a classe política.

 “O Botas” sempre foi pobre, e não morreu rico – é histórico e louvável!

Repressivo, sim. Porém, não tanto quanto apregoam. Foi precisamente essa repressão que naquele tempo vedou a entrada e prática da teoria marxista em Portugal.

Não sou historiador, mas acompanhei durante a minha vida, (pode ser que prossiga mais, sei!?), toda a evolução, e a “involução”, que culminou com o afundamento da nossa economia, da nossa estabilidade política, da nossa paz social, e nos colocou no patamar dos países mais, - já não digo miseráveis -, mas mais pobres da Europa.

Nesse tempo, Portugal, ainda que “pequeno”, era grande e respeitado; havia ordem e honestidade; havia mais decência e paz! A dureza da lei era igual para todos.

Não mandou fazer auto-estradas? Não. O trânsito que na altura havia, também delas não era carente.

Queria manter o povo na ignorância. É mentira. Quantas não foram as Escolas Primárias, (ensino obrigatório), Escolas Comerciais e Industriais, que mandou construir?! Ainda hoje são um baluarte à sua memória! Era proibido a mendicidade, é verdade, porém foram construídos asilos para os pobres.

Protecção florestal; as moradias para os guardas florestais, que ainda hoje existem, falam por si, - os incêndios comprovam a falta dessa fiscalização.

Desde o falecimento de “O Botas”, este país começou a baloiçar na corda bamba da imponderabilidade, cuja oscilação abriu as portas aos sequiosos de uma revolta, da qual grelou a abrilada, com a sua pseudo-democracia.

Resultado:

Ouve uma transmutação irresponsável. Mas não para melhorar a situação.

Quase todos os que entraram para governar, não se comportaram como sucessores, mas como herdeiros; limitaram-se a desbaratar a economia acumulada em proveito próprio, e não a dar continuidade ao seu crescimento, e, consequentemente, ao desenvolvimento do bem-estar da Nação.

Além disso, alguns, com os crânios sem cérebro, armados em democratas, (falidos), e falsos humanizadores, deram cabo da paz que existia neste “Jardim à Beira-mar Plantado”, com a “importação” sem critério e nem organização, de muito lixo migratório, (a maior parte sem se saber onde penduram o pote),  que resultou na pouca vergonha e vandalismo, que hoje estamos a assistir; além da instabilidade social, converteu-se ainda, numa sobrecarga para economia, - já em si bastante reumática e artrítica.  

Portanto, abaixo irei fazer uma alteração para actualizar provérbio:

“Casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão”.

Actualmente, está bem pior! Estamos endividados, com a tranquilidade social doente, a nossa segurança debilitada e esmorecida, o ensino com muita palha, e a aplicação da justiça, é indecentemente orvalhada pela influência do poderio monetário.

E tudo isto tem vindo a ocorrer.

Enquanto nos distraímos contemplar o futebol, e a ouvir o fado, nas nossas florestas, os incendiários actuam, e as fogueiras, com destruidora ânsia, crepitam de contentamento, enquanto vão trincando tudo o que pela frente se lhes depara.

É caso para realmente actualizar o velho adágio, pela vetustez da teoria que encurrala; “Casa onde não há pão, todos barafustam e outros metem a mão”.

A concluir:

Sinto que a invasão da senilidade ainda me assaltou o juízo!? Porquanto, ainda permanece na minha memória, e com apurada nitidez, que “O Botas”, como cidadão português, até tinha uma genealogia que lhe certificava o nome, como sendo, António de Oliveira Salazar.

“Suponho que não estou enganado”!?

 

António Figueiredo e Silva

Coimbra, 1/08/2025

 

Nota:

Não utilizo o AO90

 

 

  

 

  

 


NAQUELE TEMPO!

  Honestidade sem erudição, é franzina e escusada; sabedoria sem rectidão, é indesejável e aterradora.   (António Figueiredo e Silva) ...