sábado, 28 de março de 2026

FORÇA AÉREA PORTUGUESA

 

Com quarenta horas de vôo, se faz um piloto;

porém, com quarenta anos de formação,

não se constrói um Técnico em Aviação.

(António Figueiredo e Silva)

 

FORÇA AÉREA PORTUGUESA

 

Eu no AB5 em Nampula Moçambuique
Ingressei naquela “Academia”, com dezassete anos de idade. Nunca lamentei o meu voluntariado, do qual, ainda hoje guardo no meu já carunchoso íntimo, aqueles velhos tempos, que muito me ensinaram a desenrascar, nos momentos de angústia ou alienação, próprias da idade! Agora, que a saudade não faz renascer uma réstia de esperança, pelo menos outorga ao meu pensamento, – por enquanto –, o prazer esvoaçar mais rápido do que a luz, e, com infinda satisfação, poder contemplar de cima das nuvens para baixo, e observar no horizonte longínquo retalhos de um mundo quimérico, cuja realidade, agora “ressuscitada”, tinha ficado arquivada na prateleira dos arquivos da minha memória.

Não duvido que, enquanto no meu cérebro esvoaça no sonho, a sensação de uma realidade que se encontrava em apática hibernação dentro de mim, fez exteriorizar a sua presença.

Quando me passou pela cabeça, ingressar na Força Aérea Portuguesa, a minha intenção era fugir aos estudos, uma vez que naquela altura, andava na Escola Industrial. A verdade seja dita; estava a dedicar-me um “bocado” mariolice e à diversão dos afamados matraquilhos; é o mesmo que dizer: estava a borrifar-me pró resto, pelo qual os meus pais tanto se sacrificavam.

Tolice da juventude.

Quando um dia olhei para um anúncio televisão, que versava sobre o alistamento para a Força Aérea Portuguesa, pensei para comigo: aproveita camêlo; safas-te dos estudos e tens o problema resolvido, (foi isto que eu, na minha jovem parvoíce cogitei), mas a realidade não foi bem assim!?

Primeiro a recruta. Comandada pelo Major Lélio de Almeida Ribeiro, - de quem ainda hoje alimento saudades. Uma figura, cujos discursos incutiam respeito e cumprimento do dever; contudo, não deixava de ser uma pessoa ponderada, compreensiva, e dotada de um fluente poder de dicção.

Hoje compreendo que não foi muito violenta, (como ainda hoje acontece nas fileiras do Exército), mas não deixou de não ser um bocado castigadora fisicamente; mas abria os miolos.  Havia, porém, certos predicados na BA2, que faço questão não deixar entrar em que da livre; as casernas, eram óptimos aposentos, - que tínhamos de manter sempre em ordem; banheiros higienizados, providos de água quente e fria a qualquer hora do dia ou da noite, que era jorrada sob furioso esguicho, através de cromados e asseados chuveiros, para nos despegar o unto do canastro; após a remoção do estrume sudoríparo, que, caldeado com pó, atulhava a porosidade do nosso courato, sobrevinha uma quietude, que domesticava nossa tensão nervosa, convidando-nos a um merecido refrigério.

A cozinha; naquela altura, era de requintado asseio; com grandes panelões de aço inox sempre a brilhar, como eu nunca havia visto; a alimentação que nos serviam, era um requinte; a messe onde eram nos servido o repasto, muito bem mobilada, com mesas redondas onde nos sentávamos em jovial conferência pantagruélica e circunstancial cavaqueira. As refeições principais, eram sempre acompanhadas por uma maravilhosa pinga de vinho, tinto ou branco, era à escolha, - naquela época ainda só havia vinho feito de uvas – e se fosse nosso desejo, era permitida a repetição de comida ou mais um bocadinho da pingolêta.

Já sabíamos que, em dias festivos, havia carne-de-porco-à-alentejana; uma delícia! Uma obra prima em gastronomia!

Bem, com a recruta praticamente consumada e finalizada, esta é concluída com uma marcha a Serra de Montejunto; já não me recordo da hora de saída, mas eram altas horas da madrugada, (duas ou três horas), sob uma temperatura invernal, em que o frio era danado, levando no bolso do capote, como inseparável companheira, uma minúscula garrafinha de bagaço de medronho, (que eu nem bebi), que a cada um de nós, havia sido distribuída – talvez por naquele tempo ainda não estar em voga a marijuana; assim, para lá fomos marchando em romaria militar, para procedermos ao desjejum matinal. O pequeno-almoço, que não tinha a ver com mesma refeição servida na BA2, aparentemente lá fez silenciar a nossa reclamação gástrica, até regressarmos ao nosso prezado aquartelamento, para saborear um lauto almoço. Assim, sim! – pensei eu.

Agora vinha o Tirocínio; era baseado no conjunto das especialidades por cada um de nós escolhidas; porém, concedidas segundo o critério, que, suponho, ser em face das necessidades técnicas, uma vez que, havia iniciado a Guerra no Ultramar. A mim foi atribuída a de MMA (Mecânico de Material Aéreo).

Eu tinha idealizado, (erradamente), que aquilo eram favas contadas, - como é habitual dizer-se. Afinal “saiu-me o tiro-pela-culatra”.

Ao ter conhecimento das disciplinas que o meu intelecto ia ter de debulhar, senti-me muito perplexo e inquieto; porque o Major Lélio A. Ribeiro, na sua última alocução, asseverou que era necessário estudar bastante, para poder vir a ser um Especialista da Força Aérea Portuguesa, - e acrescentou -, quem passar no Curso, será Especialista; quem “chumbar”, será enviado de regresso pelo caminho de onde veio, e nunca mais o será. E isto aconteceu a alguns, é verdade.

Então, o rol da matéria apresentada, constava de:

Aviões – teoria; Aviões – prática; Motores – teoria; Motores – prática; desde os motores de explosão, inflamação interna aos rectores, abrangendo os Ramject e Scrameject; Electricidade – teoria; Electricidade – prática; Tecnologia – teoria; Tecnologia – prática; Instrumentos – prática; Matemática; Física; Intrucção Militar – teórica.

Amedrontado e meditativo, passei as mãos pelo couro cabeludo, “arranhei” a minha consciência, e disse para comigo: “tem calma meu maluco, que vais vencer tudo isto.

Vezes sem conta, estudei até à 1:30 h da noite…, mas triunfei! Venci, com uma média que me permitiu ficar entre os doze primeiros classificados; o que me outorgou o poder seleccionar a Base Aérea em que pretendia ser colocado. Escolhi a BA6, situada no Montijo; onde permaneci algum tempo, até me ter voluntariado para Angola, - que não cheguei a ir; porém, fui enviado para Moçambique, com destino ao AB5 em Nampula, no distrito de Cabo Delgado. Não sem previamente haver passado pelas   Oficinas Gerais de Material Aeronáutico, em Alverca, para adquirir algum treino especialista no avião Dornier Do 27, - uma aeronave muito utilizada no conflito Ultramarino.

Ali chegado, fui ampliando os meus conhecimentos nos aviões Harvard T6 G; um avião que também foi fundamental para guerra Ultramarina. Apesar de “sucatas” barulhentas, (a ver pelas chapas do Overhaull, cravadas no seu interior, alguns deles já tinham voejado na guerra da Coreia), lá iam cumprindo a sua missão, como idosos “robustos” a tentar escalar o Monte Evereste.

Sobre Cabo Delgado, se não é da terra, é do ar, conheci todo o Distrito e a sua extravagante e “interminável” beleza. Hoje, ao que consta, é terra de ninguém, onde o Estado Islâmico, cavalga na crista das ondas do terrorismo, a cortar cabeças, decepar membros e a incendiar haveres daquele povo sereno, que tão bem conheci! Lamentável!

Voltando atrás. Foi graças aos ensinamentos adquiridos na Força Aérea Portuguesa onde muito aprendi e marquei para a minha rota na Técnica da Aeronáutica, que com imensa satisfação converti na profissão da minha vida, -mais tarde enganei-me.

Quando “levantei vôo” da aviação Portuguesa, foi com destino a Lourenço Marques; cidade que não conhecia. Na realidade era outro mundo!

 Depois de vários imprevistos, que não aqui divagar, ingressei nas Linhas Aéreas de Moçambique, (DETA), que já era uma companhia razoável para a altura, (hoje, não tem um avião), e fazia transportes com o avião Fokker f27 Friendship, do qual adquiri o Curso; um avião, já com avançada tecnologia para a altura.

Entretanto foram adquiridos Boeings 737, (três), dos quais, também obtive dois Cursos, sendo um deles nomeado Curso de Refrescamento.

Eram e ainda devem ser, aeronaves dotadas uma tecnologia que não lembra ao Diabo. É meu costume dizer, por chalaça (mas séria), que esse avião é o pai do Boeing 747 Jumbo. Essa máquina graúda e tecnicamente muito desenvolvida, da qual também tirei a especialização na TAP (Transportes Aéreos Portugueses). Antes da TAP haver adquirido estes, operava com os Boeing 707, cuja especialização, também tinha vindo adquirir, nessa fabulosa companhia – actualmente, em desenfreado declínio.

Ainda me desloquei Salisbury, para, na Air Rhodesia, obter prática no Boeing 720, na altura uma aeronave que já merecia estar na sucata, mas ainda ia aboando, e passava pelo Aeroporto Lourenço Marques, onde, como é regulado nas normas em aeronáuticas, se tornava necessária Assistência Técnica.

À parte de tudo isto, muito tempo dediquei ao estudo, para conseguir as minhas Licenças de Técnico de Manutenção Avões, nº 122, (licenciado em Fokker f27 Friendship, cujo exame, fui fazer no Aeroporto da Beira, (Moçambique), pelos examinadores, Eng.º Rebelo, da DETA, Verificador Sr. Mário Valadas, e da Aeronáutica Civil, (a entidade reguladora das normas da aeronáutica nas Províncias Ultramarinas), um Credenciado Técnico (que já não me lembro bem do nome), mas mesmo com a debilidade da minha memória, algo me ressalta como, qualquer coisa, … Salvani.

O exame para a adjunção do Boeing 737, já foi executado nos hangares da DETA em Lourenço Marques, também com a comparência “olhométrica” de um Inspector da Aeronáutica Civil. Não se brincava; os procedimentos inerentes à máxima segurança das aeronaves, tidos muito a sério tidos como um fanatismo nanométrico; a sua execução, revisão e verificação final; eram sempre certificados por três assinaturas.

Estava eu lindamente a progredir na carreira, e deflagrou o 25 de Abril em Portugal, seguindo-se o 7 de Setembro em Moçambique; eu, que nunca retraí as minhas emoções nem abdiquei das minhas convicções, meti-me naquela sarilhada (que, se tivesse vencido, aquele pobre povo e nós, hoje estriamos em melhor), e fui obrigado a dar-à-sola, voando o país vizinho, África do Sul.

Para me infernizar mais a vida, eu, que tinha passaporte oficial, este, havia de caducar uma ou duas semanas antes, do dia 7 de Setembro.

“Fugi” com um desprezível Salvo-conduto, que com mestria e astúcia consegui em três quartos de hora, para ir encontrar-me com a minha esposa e duas filhas que haviam estado num campo de refugiados em Nelspruit, na Africa do Sul.

Já naquele país, comecei a trabalhar ma Fields Aviation, - actualmente, Fields Airmotive -, em Germiston.

Lá, ao fim de um ano, fui o primeiro português a ser promovido a Assistente de Chefe de Equipa.

Grande parte do meu caminho, à Força Aérea Portuguesa eu o devo e ainda hoje ma sinto muito grato; não menosprezando, contudo, a minha natural resiliência.

Mas, não vou deixar passar em branco: o 25 de Abril, serviu para me derrubar, - e a muitos outros.

Se eu, à semelhança de uma aeronave, não houvesse tido resistência e tenacidade para levantar vôo contra o vento, hoje, estaria na mais abjecta e deprimente miséria.

Hoje, apesar da minha estrutura combalida pela oxidação da idade, (quase oitenta e dois anos), todavia, com a minha interação encefálica, ainda em razoável actividade, faço questão de, antes de encetar a descolagem para o meu derradeiro vôo com rumo ao éter, agradecer à Força Aérea Portuguesa e a todas as outras entidades ligadas à Aeronáutica por onde passei, pelas oportunidades que me concederam para a expansão do meu conhecimento na matéria, à qual, parte da minha existência com orgulho dediquei.

O MEU ETERNO OBRIGADO!   

 

António Figueiredo e Silva.

Coimbra, 22/03/2026

 

Obs.:

Para os mais cépticos, todas as afirmações

contidas nesta narrativa,

estão devidamente documentadas.

 

Nota:

Continuo com a minha “burrice”;

Não faço uso do AO90

 

 

 

  

 

 

   

 

 

 

 

 

 

 

  

 

 

 

terça-feira, 24 de março de 2026

VENEZUELA! Венесуэла 委內瑞拉

 

Nota prévia do autor:

Achei tão assertivo o presságio emanado do artigo que se segue, - já publicado há oito anos -, que hoje, resolvi proceder à sua republicação.

 

“O desejo de igualdade levado ao extremo,

 acaba no despotismo de uma única pessoa.”

(Barão de Montesquieu)

 

VENEZUELA!

Венесуэла

內瑞拉

 MADURO ESTÁ “MADURO”


    
    Uma imensa porção de território que Simón Bolívar libertou das grilhetas de Espanha e tornou independente, transformando-a num dos países mais bem-afortunados da América Central, é agora uma pátria de resignação fervente, de liberdade apodrecida onde reina a ferro e fogo um cerrado despotismo. Foi uma região produtiva, bafejada pela abundância, com invejável nível de vida onde a emigração afluiu com a energia e a tenacidade de um enxame de abelhas, permitindo a muita gente – com algum sacrifício, claro - granjear posses que lhe permitiram ter hoje, uma vivência estável.

A Venezuela vê-se actualmente estrangulada e rastejante sob o jugo de uma ditadura que no século XXI já não tem razão de ser, perante a forma de pensar nos dias de hoje.

Nicolas Maduro, sucessor da tirânica “monarquia” chavista, deu o derradeiro golpe ao colocar o país num ciliciado “amadurecimento” obrigatório, até este tombar podre de maduro; derrotou toda a estrutura económica e financeira, de tal forma que a miséria faz parte da vestimenta esburacada e rota daquele país.

É inacreditável como uma figura que forçou a sua apresentação como defensor da liberdade de um povo, foi ela própria, o carrasco, o verdugo, desse mesmo povo.

Ali falta tudo. No que respeita bens materiais, os produtos de primeira necessidade são uma evidência; a estabilidade económica e social, ao que parece, não existe; a tranquilidade e a ordem estão entrevadas e em situação de penosa recuperação.

A única condição que existe com fartança é a repressão, até que aquele povo tenha oportunidade de retirar o pescoço da corda de sisal que lhe sufoca a liberdade e lhe sustem a revolta.

Não conheço esse outrora “Reino do Prestes João” e tudo o que dele possa pensar é-me veiculado pelos mais variados meios de comunicação.

A ser tido como verdade tudo o que tem chegado ao meu conhecimento, penso que Nicolas Maduro já atingiu o seu ponto excelso de maturação e tem grandes hipóteses de acontecer-lhe o que acontece com toda a fruta muito madura; cai. Cai e certamente que não terá tempo de tirar proveito, dos proventos conquistados pela sua desenfreada ganância.

 Assim o povo se unifique.

 

António Figueiredo e Silva

Coimbra, 02/07/2017

 

Nota:

Não faço uso do AO90

 


 [FS1]

sábado, 21 de março de 2026

DEGRADAÇÃO SOCIAL SOZIALE DEGRADIERUNG СОЦИАЛЬНАЯ ДЕГРАДАЦИЯ SOCIAL DEGRADATION СОЦІАЛЬНА ДЕГРАДАЦІЯ

 

Quanto mais corrupto é um Governo,

Mais numerosas são as leis.

(Tácito)

 




DEGRADAÇÃO SOCIAL

SOZIALE DEGRADIERUNG

СОЦИАЛЬНАЯ ДЕГРАДАЦИЯ

SOCIAL DEGRADATION

СОЦІАЛЬНА ДЕГРАДАЦІЯ

 

     Públio Cornélio Tácito,  Historiador Romano que habitou neste globo há cerca de mil e novecentos anos, - presume-se -, deixou bem cinzelada na ardósia temporal, a citação arriba caligrafada, que assenta na pureza da realidade. Através dos séculos, graças a preciosos intelectos, é nos dado ver que o incansável suborno, sempre foi e continuará a ser, um campo fértil para a germinação e progresso da imoralidade, condimento necessário à concepção de normas, que, apesar da autenticidade clara do seu escrito, esbarram no atoleiro poluído, do entendimento Humano.

Logo, a clareza da lei está impedida de apresentar a sua verdadeira limpidez, visto que, a corrupção assim o determina. Assim sendo, quando interpretada por consciências doentias, devido à subjugação de interesses gananciosos, a moral descampa, o azimute muda, e o “galo do campanário judicioso” segue, girando ao do sabor da severidade e favoritismo da ventania que sopra.

Muito me deslumbra a ilustração que da frase de Tácito emana, e o extenso trajecto que ela teve de percorrer até chegar a mim e entrar na minha já carcomida mioleira. Constato que ele tinha razão. Actualmente as leis são muitas, e cavacadas por “artesãos”, segundo as suas conveniências. A sua forma, permite uma indeterminável locomoção serpentina na interpretação do seu articulado, resultando que da mesma, sejam decididas sentenças imorais, indecentes e desadequadas ao acto praticado; não obstando, contudo, que não possa acontecer o oposto.

Pelo que tenho vindo a observar, a doença corruptiva é uma componente, (além de outras mazelas), que tem acompanhado o Homem desde a sua concepção.

Mais ou menos acentuada, todos os viventes Humanos armazenam esta imperfeição que é moldada em função da sua consciência, da sua genética, da sua ambição, da sua vaidade e da degradação da comunidade que o circunda.

A actual sociedade é especialista em actividades ilícitas, com grande incidência para o desvio de verbas públicas. A fraude, em numerosos elementos do elenco governamental, é o “pão nosso de cada dia”. Mas, para que isso aconteça, com maior ou menor frequência, tem o protectorado da variação interpretativa das leis. Se estas fossem concebidas à semelhança do Código de Hamurabi, ("ôlho por ôlho, dente por dente”), que era fundamentado na famosa Lei de Talião, que indicava que o castigo a aplicar, devia ser proporcional ao delito, certamente que havia mais contenção nas ilicitudes cometidas.

A maior incidência desta situação, que desagua na indecência, e no desrespeito, é articulada entre muitos daqueles que nos governam, que em espontânea conexão com familiares, e/ou empresas, sigilosamente recorrem ao entrelaçamento de dados com o preciso obectivo de enceguecer a visibilidade da fraudulência dos esquemas forjados.

Tudo isto tem sido possível, graças ao beneplácito “cego”, de comanditas organizadas; porque a isca mais gorda, cai constantemente na gamela insaciável, da ganância que as alimenta.

Ao “pequenino”, apenas cabe os restos urticantes das decisões mal tomadas, promovidas pela degradação que subsiste nesta sociedade alienada e tolhida pela ambição, onde a “Dura lex sed lex” é apenas uma nesga perante a realidade dos factos.

 

António Figueiredo e Silva

Coimbra, 21/03/2026

 

Nota:

Não utilizo o AO90.

 

  

 

 


     

   

quarta-feira, 11 de março de 2026

NAQUELE TEMPO!

 

Honestidade sem erudição, é franzina e escusada;

sabedoria sem rectidão, é indesejável e aterradora.

 (António Figueiredo e Silva)

 

NAQUELE TEMPO!

 


    Quando o “capim” era mais ou menos abundante, as vacas eram gordas, e a pastorícia, um cargo de destaque, foi por mim erigido um monumento privado, - este, aqui em destaque -, que teve como finalidade, a exposição de um elogio ao
Sr. José Sócrates Pinto de Sousa, à altura, simpática, desinibida e manhosa figura, que ainda hoje “venero”, considerada o esteio principal de sustentação do Governo em Portugal.

Foi dos “pastores” com o mais estético e descontraído palavreado que até hoje conheci. A sua ladainha batia por muitos pontos, a de qualquer dominicano, por mais inteligente e versado que fosse; a sua lengalenga, por mim “profundamente admirada”, fez deflagrar a singularidade principal, meritória da labuta que tive e do suor que limpei da minha fronte, para a erecção do meu granítico louvor, neste documento exposto.

Mas, para o caso, pouco interessa.

O mais relevante, é que este monumento, apesar ser privado, é meu querer legá-lo  para memória futura; representa parte da história de uma figura, que, não obstante a sua “seriedade corrompida”, os “algozes” da Operação Marquês, fizeram-na passar pela pildra eborense, (tributado com o nº 44, tadinho!), e, como não suficiente, carregaram-lhe sobre albarda, que ainda hoje transmove, um processo-crime, cuja carga inicial comportava 11 volumes bem atados e acondicionados, e actualmente conta com mais um bem aviado fardo, para completar a totalidade de 212. É obra, porra! Assim, é natural que possa vir a consagrar-se Campeão Nacional.

Com o fim de conservar em perfeitas condições estado da totalidade das escreveduras, estas encontram-se revestidas com uma manta acusativa de corrupção passiva, branqueamento de capitais e fraude fiscal; além de mais umas tumefactas “ninharias”, para equilíbrio judicioso. 

Devo salientar que, no dia da inauguração deste vetusto e majestoso padrão, apesar de não ter sido lançado nenhum convite aos meios de comunicação social, foi efectuada uma curta cinematografia, que posteriormente foi instalada no youTube, e mais tarde veio a vaporizar-se; até hoje, nunca soube porquê, mas penso ter sido consequência de influxos pouco limpos, que serpenteiam pelo interior do poder secreto reservado à politiquice.

Não obstante tudo isto, a inauguração culminou com um opíparo almoço de vitela assada com batatas em forno de lenha e um bom antioxidante tinto, num restaurante que actualmente não existe.

Na minha vida, ocorreram episódios que não lembram ao Diabo; porém, graças à minha genética obstinação, teimo em recordá-los, como um legado ao Mundo que um dia irei deixar.

Aqueles a quem a curiosidade apoquentar, poderão ter a oportunidade de visitar este padrão e cuspir-lhe no granito que encima, - se no momento, esse for o seu apetite.

Acrescento:

Situa-se na freguesia de Loureiro

Concelho de Oliveira de Azeméis

 

António Figueiredo e Siva

Coimbra, 11/03/2026

 

Nota:

Recuso-me ao uso do AO90

 

  

  

 

segunda-feira, 9 de março de 2026

TRAPAÇOCRACIA

 

Para um trapaceiro, vale mais uma carta na manga,

do que um baralho inteiro na mesa.

(Jeferson Guerreiro)

 

TRAPAÇOCRACIA

(Cracia, deriva de grego, Kratos=Poder)

 


    Além das “Cracias” mais comuns, tais como Democracia, Aristocracia, Autocracia, Plutocracia, Teocracia etc., há uma outra que pode assentar bem no mundo em que temos vivido, porque exibe tentaculares ramificações nas anteriores; a Cleptocracia. Porém, considerando que esta designação é pesadamente depreciativa, – apesar da sua autenticidade -, porque praticamente todos os elementos que até hoje têm vindo a governar o Mundo, não se  têm restringido do  uso de uma “considerável seriedade corrompida”(?!). Logo, entendo que é “obrigação” dos governados, serem menos hostis, e estudarem a existência de uma outra forma de governação, com um nome mais flexível, e mais delicado e talvez mais saboroso, apesar da parolice que alardeia; como, por exemplo, Trapaçocracia. Julgo ser menos abrangente e menos cáustica do que Cleptocracia (tendência para o roubo). Roubar é uma coisa e vigarizar é outra. Apesar da sua aproximação interpretativa, a sua dissemelhança é notória.

O roubo, que não abdica de coragem, consiste numa açambarcação de haveres que, sendo de outra pessoa, passam para mãos diferentes sem o seu consentimento, - e até é punível por lei; a vigarice ou tipicamente mais conhecida por “conto-do-vigário”, já requer habilidade, porque é ardilosa, enganadora e normalmente carece de uma historiêta para ensaibrar e empedrar o cérebro do burlado.

Após tanto matutar, deu-me na cabaça para discorrer sobre a Trapaçocracia, cujo protovucábulo eu me vi na contingência de conceber, porque nós, os portugueses, - que eu sinta -, nunca fomos roubados. O mesmo já não direi, quanto a termos vindo a ser enganados – uma realidade. Assim sendo creio que o novo vocábulo, Trapaçocracia, será a designação mais indicada, para o efeito pretendido.

Bem, observado por uma avaliação séria e prisma diferente, o roubo é impetuoso, rápido e de surpresa, com ou sem intimidações, que, no fim de cometido, liberta no extorquido uma sensação de vertigem na “caixa-dos-pirolitos”, perplexidade e raiva, que o apinha de interrogações, por não se haver apercebido do “mistério” do acontecimento.

A vigarice é “catedrática”; já requer uma fingida mansidão, sob aprimorada cantilêna, sempre com recurso a uma narrativa bem pintada, que acarreta uma evangelização, – lavagem cerebral -, com o desígnio de amolecer ao visado a sua faculdade psicanalítica, conduzindo-o à aceitação da proposta ou propostas, lançadas numa conversação cerimoniosa, - ou em discursos colectivos -, onde marinham promessas celestiais que encapotam uma ardência infernal. Contudo, estas artimanhas, não compulsam ninguém a aceitá-las. Quando surgem, só dá ouvidos e aceita quem quer – a democracia cristalina, apenas existe na aceitação. As dores de parto, surgirão posteriormente, não só para os pascácios que concordaram, como, por arrasto, para a remanescente “plebe”, considerada uma “minoria”, - mas provida de dois dedos de testa.  

A Trapaçocracia, congrega males implantados na Pseudo-democracia, como a que temos vindo a viver há mais de meio século, e a maioria de nós tem-se comportado, não digo como autómatos, todavia, como sonâmbulos. Quando despertamos da letargia, lastimosamente certificamos que já é tarde para uma regressão merecida, condigna e justa, muito difícil de adquirir; porque, em todos os quadrantes da política, em maior ou menor número, os trapaceiros existem – lei do contrabalanço. 

Então, guenta !

 

  António Figueiredo e Silva

Coimbra, 09/03/2026

 

Nota:

Não utilizo o AO90.

domingo, 8 de março de 2026

A MULHER ЖЕНЩИНА THE WOMAN DIE FRAU די פרוי மகளிர் औरत

 


Introdução:

Por ainda hoje, aos oitenta e um anos, o meu pensamento não ter alterado em relação ao valor da MULHER, faço questão de repetir a publicação desta crónica.

(o autor)

 

Uma mulher bonita, não é aquela de quem se

elogiam as pernas ou os braços, mas aquela

cuja inteira aparência é de tal beleza que não

deixa possibilidades para

admirar as partes isoladas.

(Séneca)

 

A MULHER

ЖЕНЩИНА

THE WOMAN

DIE FRAU

די פרוי

மகளிர்

औरत

 

 


    Dispenso o Dia da Mulher para escrever sobre este ser tão cheio de virtudes, porque, mulher que é mulher, é-o todos os dias.

Não compreendo que este ser tenha vindo a ser tão ostracizado pelo machismo doentio - pelo menos eu, não consigo entender. A mulher foi a melhor prenda com que a Natureza brindou o homem. Foi ela que, com uma “trinca” numa simples “maçã”, abriu a mente do homem para o mundo que o rodeia, e lhe mostrou todas as venturas e desventuras que se lhe podiam deparar. Além de tudo isto, é o único meio de que o homem dispõe para chegar ao Mundo.

Na minha visão, o Mundo sem a Mulher, seria semelhante a um deserto repleto de camelos e não um jardim de alegria como, extasiados, podemos contemplar.

Só a virtude naturalmente concedida, de poder ser mãe, merece que seja venerada; e isso não tem vindo a suceder.

Quase em todas as culturas, excepto naquelas em que funciona a sociedade matriarcal – que são pouquíssimas - a mulher é relegada para segundo plano, espezinhada e liquidada se assim for entendido, onde lhe é extraído todo o valor que na realidade devia ter.

Ela é a mãe. É ela que concebe, que dá à luz e que amamenta; é o elo de ligação familiar que está sempre presente, nas horas boas e nas horas de grande aflição; o seu papel é muito diferente do papel do homem; este é mais desprendido, mais independente e mais burro. O único ser que pode garantir ao homem que ele é o pai dos seus filhos, é a mulher – que se lixe o ADN.

Em relação ao homem, ela é esposa, companheira, confidente e mãe; é o elo estabilizador da família e apaziguador de desavenças, colocando-a muitas vezes entre a espada e a parede, sacrifício que ela suporta com paciência e firmeza de carácter.

Vejo-a como um ser incansável e muitas vezes sujeita a duros sacrifícios, mas não perde o sentido do amor e da ternura.

Estou farto de ver a mulher ser menosprezada e selvaticamente molestada e por vezes abatida, sob as mais mórbidas e requintadas formas, para no fim, os seus carrascos cumprirem meia dúzia de anos, por vezes nem isso, à sombra do repouso, cujo descanso é remunerado por todos nós. Esse desrespeito que se tem manifestado com de “rios” de sangue, hematomas e ossos partidos, está seguramente comprovado pelo que fizeram alguns verdugos, que não foi mais do que proceder à eliminação completa do ser que mais sombra fazia às suas incapacidades físicas, pelo menos; se mais não for, aos seus complexos de inferioridade obsessivos, infectados por particular patologia.

Depois de toda esta argumentação, é manifesto e natural, possa aparecer alguém que, com todo o direito, possa questionar: então e quando acontece o reverso da medalha? Só poderei responder o que me vai na alma: é “a vingança do herói”.   

E queria terminar esta dissertação com uma frase de Victor Hugo:

O homem é uma águia que voa; a mulher um rouxinol que canta. Voar é dominar os espaços; cantar é conquistar a alma.

Devem respeitar-se mutuamente, para que o voo e o canto possam fundir-se e formar um mundo mais propenso à felicidade.

Só lamento que hoje, em pleno século XXI, ainda subsistam palermas, que recorram a termos Bíblicos, Corânicos, Hindus e outros, para deliberar veredictos com tendência ao aviltamento das qualidades da MULHER.

Seria bem melhor que as mães deles tivessem provocado o aborto; certamente teríamos uma sociedade mais limpa e talvez mais tolerante.  

*As minhas felicitações a todas as mulheres do mundo, porque elas representam a beleza grandiosa do universo, com a qual enchemos os olhos de prazer.

 

António Figueiredo e Silva

Coimbra, 24/02/2019

*A todas aquelas que realmente sabem assumir

o seu verdadeiro papel de MULHER.

 

quinta-feira, 5 de março de 2026

"VOAR" A SONHAR, E VOAR!

 

"VOAR" A SONHAR, E VOAR!

 


    “Caminhar” sobre as nuvens! O prazer extasiante que muitas vezes senti, quando, na minha juventude, suportado pelas asas avelhentadas de obsoletas aeronaves, ia a meditar que era o senhor do Mundo! Era realmente extasiante!

Então, sempre que as oportunidades se me deparavam, porque o estado de guerra em Moçambique assim o impunha ou por satisfação própria, com ou sem riscos, – nem neles pensava -, eu lá ia. Apoiado pela cabeceira da mocidade, observava de cima para baixo toda a vastidão panorâmica e a extensão incomensurável do horizonte, com imensa admiração e indescritível deslumbramento, degustando com satisfação, a sonância cava dos filetes de ar que a envergadura e hélice da aeronave, impiedosamente cortavam, enquanto em mim, uma descontracção ultraterrestre fazia sentir a sua presença! Até o perigo que por baixo de mim por detrás de uma mira, atentamente me vigiava, era esquecido.

Quando, porém, acontecia que durante o voo surgia propositada ou acidentalmente, um “G” Negativo, (Gravidade Negativa), eu estremecia e “acordava” para a realidade; sentia que ia a cair. Uma sensação de fragilidade, semelhante à dos sonhos que tivera quando ainda era criança, apossava-se de mim. Não era pânico, mas uma sensação arrepiante, que não consigo descrever. Depois, como o “hábito faz o monge”, também me habituei àquelas transmutações.

Estou p’ráqui alinhavar estas palavras, porque fazem parte do meu inventário de recordações e ao mesmo tempo, porque até hoje nunca cheguei a compreender como é que, sem nunca ter voado, quando criança, eu, em muitas fantasias durante o sono, tinha aquela sensação do “G” negativo. Cair no vazio! Uma impressão aterradora que me fazia estremecer e acordar apreensivo.

Por todas as narrativas que até hoje tenho ouvido sobre o assunto, concluí que esta é uma situação normal que ocorre com todos os seres humanos, quando na sua meninice e crescimento.

Foi na Força Aérea Portuguesa, da qual orgulhosamente fiz parte, em voos que realizei, que obtive várias vezes essa mesma sensação.

Pergunto: como é que o meu corpo já dominava aquele acontecimento, se eu nunca havia voado?!   

Um G Negativo, ocorre, quando a velocidade de um corpo em queda livre, ultrapassa a rapidez de aceleração imposta pela gravidade, (neste caso a da terra), que é de 8,9 m/s.

Actualmente sabe-se, que quando o nosso corpo é submetido a uma queda livre e esta supera essa velocidade da gravidade, desperta uma desorientação repentina, que dá origem a que o cérebro faça actuar o Sistema Nervoso Simpático, por interpretar esta acção como uma ameaça física ao nosso corpo, daí decorrendo uma libertação de adrenalina que nos faz arrepiar.

Até aqui, entendo que está tudo certo; o que não compreendo é como que nós, ainda em crescimento, sem nunca termos voado, o nosso corpo já experimentava essa sensação.

Realmente, existem acontecimentos que se situam muito para além do nosso conhecimento!

  

António Figueiredo e Silva

Coimbra, 05/03/2026

 

Nota:

Não utilizo o AO90

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