quarta-feira, 8 de abril de 2026

ENCONTRO IMPREVISTO

 

ENCONTRO IMPREVISTO

 Apesar de já decorridos cerca de dez anos, nunca se me varreu a imagem desta figura, que num momento crítico do meu percurso de “escrevinhador”, sem me conhecer de lado algum, manifestou a majestade do seu íntimo, pelos serviços que me dispensou a título altruísta, decorrente da minha abrasiva e sarcástica narrativa, ajustada naquela celebérrima frase, “sem pés nem cabeça”, - que ficará para a história -, veiculada pelo Jornal I, caligrafada e autenticada por Carlos Peixoto, à época, Deputado na Assembleia da República Portuguesa; “a nossa Pátria foi contaminada com a já conhecida peste grisalha”.

Recordam-se?

 Porque ‘stória é bastante densa e complexa, não me atrevo a estar pr’áqui a puxar o fio à meada do seu intricado enredo. Aqueles que, por simples curiosidade ou interesse genuíno, desejarem vasculhar a narrativa completa da ocorrência, só terão de inserir no motor de busca google, peste grisalha - de imediato lhes aparecerá todo o relambório, - que não é pequeno!?

  A continuar: para além da defesa que com perfeição e clareza lavrou, dirigida ao TEDH, (Tribunal Europeu dos Direitos do Homem), que culminou com a minha absolvição, ainda teve a gentileza de me haver concedido a sua franca amizade, até aos dias de hoje.

São factos que não devo, nem consigo esquecer.

O certo é que lá nos íamos contactando pelas vias de comunicação normais, porém, há muito tempo que não nos encontrávamos presencialmente.

Para além disto, apenas vinha assistindo, - quando podia -, às suas doutas análises de jurisprudência emitidas pela TVI, no programa “A SENTENÇA”, cujos contextos são baseados em factos reais. Perante as deliberações concisas e consolidadas nos estatutos da legislação em vigor, muito podem instruir aqueles, cujo conhecimento se encontra menos informado quanto à sapiência interpretativa, proveniente de uma figura, que, sem dúvida alguma, é detentora de uma bem dilatada trajectória jurídica na apreciação e deliberação das mais diversas causas.

Sucedeu que, no dia 29 de Março passado, recebi uma chamada telefónica do Sr. Dr. Juiz Hélder Fráguas, (que já foi Magistrado Judicial em variados Tribunais), a anunciar que se iria deslocar a Coimbra, e que teria muito prazer em realizarmos um encontro.

Dito e feito! Senti grande satisfação em nos voltarmos a ver pessoalmente, e termos oportunidade de manter uma “frugal” conversação sobre assuntos vários, de onde borbulharam, como seria de esperar, reminiscências do passado, ainda em repositório no córtex cerebral, a prateleira de arquivo que faz parte da nossa estrutura racional. Uma lavagem à alma!

Porque é uma figura pública, julgo que também me assiste o direito de levar a público o meu manifesto reconhecimento pela consideração ofertada.

E mais acrescento, as suas “lições” fazem sempre falta, porque a ignorância da lei não justifica o incumprimento da mesma. Por conseguinte, se soubermos onde pousamos os pés, será mais difícil cair nos buracos, que na causticante e imprevisível andarilhança da vida, por vezes se nos deparam.

Pela parte que me cabe, muito obrigado por tudo, Prezado Amigo, Dr. Juiz Hélder Fráguas.

Anseio que, para uma próxima “conferência”, (não sei quando), eu ainda exista, para mais uma assepsia da alma, - se assim se pode dizer.

 

 António Figueiredo e Silva

Coimbra, 08/04/2026    

 

sábado, 4 de abril de 2026

CARTA ABERTA AO MINISTRO DA ADMINISTRAÇÃO INTERNA DE PORTUGAL

 


CARTA ABERTA AO MINISTRO DA ADMINISTRAÇÃO INTERNA - PORTUGAL

 OPEN LETTER TO THE MINISTER OF INTERNAL ADMINISTRATION OF PORTUGA

                        THƯ NGỎ GỬI BỘ TRƯỞNG BỘ NỘI VỤ BỒ ĐÀO NH

OFFENER BRIEF AN DEN MINISTER FÜR INNENVERWALTUNG VON PORTUGAL

पुर्तगाल के आंतरिक प्रशासन मंत्री को खुला पत्र

 

 

Exmo. Sr.

Luís António Trindade Nunes das Neves

Ministro da Administração Interna

 

    Todos sabemos que este verão, - e outros seguirão, penso eu -, como V. Exª declarou, vai ser “muito duro” quanto a fogueiras, que, para além de “assarem castanhas e avelãs”, se prestam a “grelhar” e atazanar as mentes mais envelhecidas que são possuidoras de alguns metros quadrados florestados e não possuem meios financeiros, nem robustez física, para proceder à limpeza dos mesmos; isto é, fazê-lo,  ou mandar “rapar” ou roçar as “cabeleiras” aos pinhais – como sucedeu com o desleixo do nosso Governo, no concernente ao Pinhal de Leiria.  

Perante à legislação neste país edificada, não é de esperar outra coisa. O Governo, em vez de legislar sobre medidas contundentes a aplicar aos pirómanos, trasfega o “pecado” para os proprietários dos matagais, dos quais o Estado usufrui um colossal quinhão, que lamentavelmente tem mantido “ao-Deus-dará”.

Tenho cá p’ra mim, Sr. Ministro, que o miolo cinzento que enche a bola cabeçal do Homo Sapiens, foi concebido para raciocinar; porém, pelo que tenho vindo a observar durante o meu percurso de vida, que daqui a quatro meses, (se lá chegar), complementa oitenta e dois anos de longa caminhada, que esse Pseudo-Homo Sapiens, se tem vindo a metamorfosear num autêntico Homo Asininus.

No entanto, quero aqui clarificar, que não é minha pretensão colocar em dúvida, a “super-inteligência e a vivacidade” de V. Exª.!?

Todavia, fazendo prática do direito que a Democracia(zeca), em Portugal instituída, me confere, gostaria de aqui exprimir uma apreciação minha, que julgo estar dentro da moralidade, e também, da conveniência dos portugueses.

Em meu entender, as tituladas Autarquias, ou Municípios, - que são 308 -, deviam ter grupos apetrechados, para proceder aos desbastes de alguns desses matagais, por quantias mais suaves, destinadas àqueles que não têm possibilidades de o fazer – como eu.

Em meu entender, a concepção dos princípios legislativos, deve ser concebida por mentes ponderadas, de cérebro e olhos abertos, (isentos de estrabismo ou ambliopia), e aplicada segundo a sua literalidade, (letra de lei), de olhos cerrados, porém, com ponderação e moral.

Calculo que V. Exa. provavelmente irá questionar, aonde iríamos buscar tantos “marmanjos” para executar esse trabalho?!

Se assim raciocinou, “refectiu muitíssimo bem e dentro da coerência”; a cabeça foi feita p’ra isso mesmo; mas compreenda, nem sempre funciona como desejamos; ou porque geneticamente não fomos traçados com capacidade para isso, ou porque a conveniência nos atravanca o pensamento.

Contudo, não vou deixar de divulgar o que há muito vagueia no meu pensamento; existe muita gentinha neste país, a viver sob a protecção do RSI (Rendimento Social de Inserção); outros, com penas leves, residem em claustrofóbico confinamento nas penitenciárias portuguesas, e não deixam de não ser também, uma sobrecarga para o erário público – estes até carecem, “coitados”, de resfolgar um pouco de ar puro. Além disso, o trabalho habilita e educa.

Então e agora, Sr. Ministro, o que diz a isto?! - Caramba, até parece uma estrofe de António Aleixo.

Atentamente, (e atempadamente).

 

António Figueiredo e Silva

Coimbra, 04 de Abril de 2026

Nota:

Não uso o AO90

 

 

 

 

 

quinta-feira, 2 de abril de 2026

A COMPETÊNCIA DA INCOMPETÊNCIA

 

É preciso ter alguma “competência”, (manhosa),

para ser um incompetente inabilitado.

(Carla F. Silva)

A COMPETÊNCIA DA INCOMPETÊNCIA

 


    A competência da incompreensão, é um fenómeno, “estranho”; mas, o certo é, que ele existe; pode dizer-se mesmo, competência da incompetência; é crucial ser competente para ser-se incompetente. No fundo, aparenta uma realidade paradoxal, uma vez que reúne conceitos opostos; contudo, não deixa de não ter uma explicação lógica, e denunciadora de uma verdade escondida no interior de um pascácio.

Então, vou passar à minha elucidação alegórica, que corre o risco de poder não ser aceite, por não ser compreendida, por idiotice de muitos ou por deficiência crónica da minha pedagogia, uma vez que eu não me tenho como um Mestre.

Então vamos ao tema.   

Habitualmente, a pessoa honesta, franca e aberta, vive sempre no limiar da carência; por muito que labute raramente ou nunca, abarca o seu objectivo almejado. A seriedade cristalina, ainda que se nos afigure o inverso, é sempre uma barreira atravessada no trilho que leva ao sucesso.  

Aquele que nada faz, mas é bem aviado de lábia fluente, vivacidade e astúcia, mesmo sendo um idiota, é aquele que muitas vezes triunfa, e acaba por transformar-se num incapacitado mandatário, dono de uma capacidade não pura, porém, flatulenta. A sua mediocridade intelectiva, impede-o de reconhecer ou assumir, a sua incompetência. Esta perturbação causa-lhe uma agonia emocional que lhe prensa o espírito de tal maneira, que mesmo a dormir, não alcança a serenidade incorpórea.

Essa fenda psicológica, nódoa do incompetente, espelha-se principalmente em exibições materialistas, não por necessidade, mas porque sim. Se não mais, para fazer ver à sociedade, que está bem de vida, (mas não psicologicamente), e pode esbanjar à vontade! Apresenta-se inchado. É a única maneira, embora estúpida, que encontrou, para compensar a frustração nele interiorizada. A modéstia, a humildade e a contenção, nele não existem. Boas vestimentas, caríssimas máquinas, - na razão directa das suas posses, como é natural -, e avantajadas comezainas, onde   Baco e Pantagruel são as “divindades” mais veneradas. Além disso, está sempre convencido de que, a sua mediocridade, é a única “competência” ao cimo da terra.

Qualquer tentativa que façamos para chamá-lo à razão e demonstrar-lhe o inverso, ele valer-se-á frustradamente da sobranceria, como contrapeso para equilíbrio da sua incapacidade.

É uma forma, pode dizer-se, pouco louvável, de tentar encobrir o seu défice, existente na capacidade cognitiva e intelectual. Apesar de ser considerado figura desprotegida da Natureza, julga-se figura de alto gabarito.  Só que isso não será o suficiente; porque, se não formos competentes não sabemos que somos inteligentes.

Isto é que é uma gaita!? Para o que me havia de dar!

 

António Figueiredo e Silva

Coimbra, 02/03/2026

 

Nota:

Não uso o AO90.

 




 

ENCONTRO IMPREVISTO

  ENCONTRO IMPREVISTO   Apesar de já decorridos cerca de dez anos, nunca se me varreu a imagem desta figura, que num momento crítico do me...