sexta-feira, 13 de junho de 2025

"LADO DE LÁ"

 

Só existem dois dias no ano que nada pode ser feito.

Um chama-se ontem e o outro chama-se amanhã;

portanto, o hoje, é o dia certo para amar, acreditar,

fazer, e, principalmente, viver.

(Dalai Lama)

 

“O LADO DE LÁ”

 


    Sim, é verdade. O outro lado subsiste; não sabemos é onde ele se situa. Credenciamos, porém, que existe o lado de cá, porque somos aspergidos por sensações e instintos, que veem das profundezas do nosso ser e nos levam a acreditar, que só quem raciocina e se apalpa, é que existe.

Em paralelo, um distinto elemento que prova a existência de outra dimensão, é precisamente esta em que vivemos; porque, para que um lado manifeste a sua presença, tem de haver outro subjacente que o suporta. Não interessa como ou aonde; mas a verdade que é ele tem que existir. Mesmo perante as diversificadas investigações científicas, nada existe sem duas vertentes, seja em que condição for.      

Viver depois de morrer ou morrer para não mais viver, são dois polos que, mesmo depois de uma análise bem anatomizada, vão derrocar na imponderabilidade do antagonismo. Isto porque, até hoje, apesar de todos os avanços científicos, não subsiste uma condição concreta e consistente, que assuma qualquer das duas variantes.

Mas, colocando o conhecimento de lado, não é de excluir que tudo depende da configuração como cada um vê, e/ou vivencia, o Espaço Universal no qual vagueia e dele faz parte, (senão é ele mesmo).

 Como craveira, podemos fazer uso da nossa reduzida pequenez, para facilmente nos certificarmos da sua incomensurável dimensão e das consequências que a cada elemento do seu Absoluto está imposto, para que a vida, de uma forma ou de outra, prossiga com o abrolhamento da sua existência, indefinidamente.

Se com as gavinhas da persistência aprofundarmos ou com o poder da imaginação dermos asas à nossa mente, evidentemente com alguns conhecimentos coadjuvantes, podemos concluir que, no Universo, a inercia não existe. Tudo vibra, tudo se degrada e tudo se transforma. O reboliço, apesar da sua realidade, é inopinado e imparável. Obtém como original propósito, - penso -,    e único benefício, a Renovação Cósmica; ainda hoje enigmática, porém de inegável realidade, que é a Vida. Se esta desaparecer, o que poderá restar? NADA.

E cá temos o mistério do Início da Existência, que representa, do nada produzir alguma coisa. Neste caso, a construção de todo o Cosmos; que pulsa de Energia Vital, sob rigoroso diapasão, ao compasso do qual, tudo se movimenta.

É muito difícil, senão impossível, estabelecer uma fronteira entre a vida como existência e a morte como continuação dessa existência, embora noutra dimensão. Não obstante saibamos que ambas são fiéis amantes entre si, e vivam em comunhão de “mesa e habitação” em estruturas “criadas” para essa finalidade; mas o certo é, que, quando uma surge, a outra desarvora.

Se em momentos de plena meditação, nos debruçarmos sobre o peitoril da nossa janela imaginativa, (isto p’ra aqueles que raciocinam), podemos contemplar que o Universo, no seu absoluto, é Vida. Fervilha de vida integralmente. Nada está quedo; nem o tempo. Desde a mais infinitesimal fracção de substância, até à mais longínqua e inacessível, (por em quanto), galáxia, tudo está em incessante movimentação.

Perante as observações resultantes de investigações científicas, tudo leva a credenciar que existe um movimento Universal, que conduz ao Caos, e este abre as portas para o Caminho da Renovação.    

Com base naquilo que penso que sei, e no espírito que me dá vida e sustenta minha forma de pensar, ainda que “patética”, é certo que não creio que o Tudo tenha vindo do Nada. Porque o conceito de nada, é nada. Aqui não existe paralogismo.

Como tal, a outra dimensão, apesar de “questionável”, pelo mistério que a protege, não deixa de não ser uma realidade. É um quesito de lógica. Isto resulta em que, que é fundamental expirar, para voltar a germinar.

É este o Ciclo Universal, como tributo da Grande Força da Criação, que em absoluto desconheço, mas sinto dentro de mim a sua energia.

 

António Figueiredo e Silva

Coimbra, 12/06/2025

 

 Nota:

Não uso o AO90

domingo, 8 de junho de 2025

ENGENHARIA GENÉTICA

 

O Homem ou envenena o que mastiga

 e tem alimento, (vai tendo),

ou não intoxica e perece à fome.

(António Figueiredo e Silva)

 

ENGENHARIA GENÉTICA

(A arma científica de dois gumes)

 

O sonho do Ser Humano, é viver eternamente; o que é de todo, uma fantasia irrealizável. Foi essa “selvagem” vontade, que encarrilou pelo caminho da sabedoria a sua marcha tenaz para o estudo da vida, com objectivo ao desenvolvimento de possibilidades para que a sua prossecução pudesse vir a ser ilimitada.

 Apesar dessa aspiração patológica, mesclada de obtusa realidade, fantasia e imprudência, não demove, todavia, a vertente pecuniária – de suma importância; adindo a esta, o lado nocivo (armas biológicas, e outros productos “benfazejos”), que originaram uma sabedoria específica para esse fim, que é rotulada de ENGENHARIA GENÉTICA. Que mais não é do que a técnica para análise ou estudo da vida e adulteração dos seus princípios originários. Isto é, mexericar com o cerne da matéria pela Natureza concebida, impondo modificações estructurais nos componentes que promovem estabilidade da mesma.

A designação, (Engenharia Genética), até consubstancia uma chama de louvor e os resultados não deixam de não ser “satisfatórios”, quando as intenções os não canalizam para o mal - mas há espíritos para tudo.

É inquestionável que este ramo da ciência, tem resolvido muitos problemas que culminaram na extensão da vida ao Ser Humano, como é dado confirmar; porém, trouxeram outras agruras, porventura, como vingança da Natureza, por se ver invadida no seu espaço próprio, mais enigmático do que compreensível, e sentir-se excessivamente adulterada no que concerne à estabilidade e firmeza na sua cadeia biológica, que Universal e irrefutavelmente é seu domínio. É a tal outra face da mesma moeda, - quando não é a intensão maléfica a manipular a estabilidade da genética – entenda-se.

Como não há bem, que atrás de si, um mal não transporte, penso que nesse ponto, a ciência, pelo lado bom, muito tem ajudado os humanos, (além de outros factores), a prolongar a sua existência; pelo lado malvado, tem cavado e continua a abrir, a sepultura de muitos, inclusive, a sua própria.

É que este “divertimento científico” de brincar com o ADN, tem tanto de salutar como de funesto. Funciona como um pau de dois bicos que anda à mercê das propriedades dos sentimentos de cada um. Mas com isso, a Natureza não se compadece.

Aqui não existe o meio-termo, apenas subsistem duas vias ao serviço de cada um, que podem confirmar os predicados daquele que dedica a sua vida à investigação: benevolente ou adversa. Quando o intuito assenta na benevolência, por princípio, transporta outro rosto que é da adversidade. Quando por manifesta vontade é a fatalidade, aqueles que a realizam alimentam sempre dentro de si uma justificação de complacência, ao interiorizar que não existe outro caminho para a paz, que não seja o de estabelecer a guerra.

E aqui deflagra umo conflito diabólico, entre o ser o “pensante” e a Criação, que nunca se sabe o que daí possa resultar. Assemelho estes dois factores à fantástica concepção da Caixa de Pandora. Nunca se sabe o que dali vai sair.

Todavia, no que diz respeito à Engenharia Genética e em face das acrobacias tendentes ao avanço científico e todas as trapalhadas a eles relacionadas, não é difícil prever o futuro que espera o Ser Humano.

 Embora não me considere, um profeta, o que auguro é o “FIM”, como como horizonte da transposição.

É evidente que a Substância prosseguirá o seu trajecto direccionado ao Princípio. Ao reinício da Criação; tendente à reposição da sua estabilidade Natural por duração indeterminada, cuja longevidade, foge ao mais inteligente dos mortais.

 

António Figueiredo e Silva

Coimbra, 6/06/2025

 

Nota:

Não faço uso do AO90.

 

ENCONTRO IMPREVISTO

  ENCONTRO IMPREVISTO   Apesar de já decorridos cerca de dez anos, nunca se me varreu a imagem desta figura, que num momento crítico do me...