quinta-feira, 16 de outubro de 2025

O TEC

 

Recolhe um cão vagabundo,


dá-lhe de comer e ele nunca te morderá;

eis a diferença fundamental entre o cão e o Homem.

(Mark Twain)

 

O TEC

Figuras da minha terra (Loureiro)

 

Já conheço esta figura há uns anitos. Quando sente a minha presença, salta, gane e guincha de contentamento, que no seu idioma canino, chama por mim.

Quando dele me aproximo, não sabe mais o que há de fazer para me sentir contente. São piruêtas, umas atrás das outras, a pedir-me qualquer coisa, que eu, como pertencente à cainça humana, muito bem entendo; quer umas festinhas e que lhe passe as minhas mãos pela cabeça. É pena, mas só lhe falta poder falar. No entanto, a naturalidade dos seus gestos diz tudo; porque, apesar de não articular o meu idioma, é muito claro em manifestar o seu estado emocional.

Considero-o uma “pessoa” maravilhosa e merecedora da minha mais fiel apreciação.

Podem decorrer muitos meses sem me ver, porém, quando o meu odor é capturado pela sua aguçada capacidade olfativa, ele dá de imediato um alerta, com sinais de satisfação e assombro. Considero-o um bom “rapaz”.

Pelas ocasiões que com ele tenho “conversado”, rectifiquei bastante a minha mentalidade no tocante à comunidade de faço parte. Ensinou-me bastante sobre o entendimento social, que devia ser idêntico ao da sua linhagem, mas lamentavelmente não é. O Tec, não é hipócrita, manhoso, velhaco, mentiroso ou patife e não veste a samarra traiçoeira da má-fé; não se enfurece, nem é exigente; é asseado e não conspurca o seu cantinho que foi reservado para o seu repouso; na sua cabeça, tem inserido um traductor, que o faz compreender tudo o que lhe dizem; se é algo de bom, não bate palmas, porque esse trejeito por natureza não lhe foi concedido; mas salta e meneia com o rabo, em sinal de coexistência pacífica e contentamento; se é algo desagradável, fica quieto, ostentado uma expressão sorumbática e tristonha.

Em meu parecer, pelas lições de civilidade que concede, o Tec, apesar da sua raça ser canina, devia ter-lhe sido outorgada a oportunidade e subsídios para estudar, até alcançar a grandeza de um doutoramento – que chega a esconder muita pobreza intelectual e cívica, em alguns seres humanos, senhores dessa insígnia.

O Tec sabe muito; é sincero, não é malicioso, e, acima de tudo, em comparação com o Homo Sapiens, tudo indica ser mais ajuizado.

Ele lecciona com entusiamo e alegria, e eu agradeço e retribuo com a franqueza do meu carinho.

Tenho-o realmente, como um verdadeiro amigo. E até me quedo a reflectir, se não teria sido este, o único amigo, que nunca em vida me “mordeu”.

 

António Figueiredo e Silva

Coimbra, 17/10/2025

 

Nota:

Não uso o AO90.

 

quarta-feira, 15 de outubro de 2025

OS BRONCOS

 

“A falta de educação,

é a mais severa de todas as deficiências”

(In O Pensador)

 


OS BRONCOS

(A parolice e a falta de decoro)

 

Se não fosse verdadeiro o uso, por vezes abusivo, destes dois vocábulos, (parolice e falta de decoro), eu não me teria dado ao trabalho de vir aqui tecer esta crítica maliciosa, porém necessária, dirigida a todos aqueles que não se sabem comportar como gente educada, quando utilizam os meios de comunicação.

Esta catanada é dirigida a essas pessoas parvas, ignorantes e com o senso depauperado na falta de educação, que se arrogam a traçar vernaculismos de mau gosto, (não sabem dizer mais nada), quando pretendem rebater pareceres de alguém, que muitas vezes até têm valor.

É do debate que muitas vezes germina a conclusão; contudo, se este se transformar em altercação, aí já o fim será diferente; quase sempre, não leva a lugar algum, a não ser ao desentendimento, e este, ao insulto.

Não é mentira que nas páginas do Facebook existem uma série de marmanjos, que são especialistas em fomentar a falta de civismo, sem terem a mínima a noção de que esse seu aparvalhado comportamento, presta para conspurcar a comunicação entre pessoas de bom senso.

Será que esses pusilânimes “artistas”, não conseguem enxergar que o seu saber e o seu civismo estão em franca putrefacção e enjoam quem deles dá conta?!

Como estátuas inertes, esse idiotas colocam-se em frente dos ecrãs dos seus telemóveis ou computadores, a coberto da noção, – utópica e fantasiada -, de que estão sozinhos, que ninguém vê, e lançam-se a artilhar baboseiras e outra metralha de mau gosto, que só serve para acicatar as pessoas de boa índole, que quando não replicam, até são capazes de indulgenciar as baboseiras lançadas, com uma justificação pessoal; pobre coitado, que não sabe o que diz.

Essas cáfilas, têm que interiorizar que não estão sozinhos; que a comunicação feita através da internet, não é só sua pertença; é sim, um universo à parte, dentro do próprio Universo onde vivemos.

Como tal, devem regular o seu, (deles), sistema nervoso, no sentido de ponderarem a suas atitudes tendenciosas e aburricadas, sem nexo e inconvenientes; danificam-lhes a ”imagem”.

A vida é uma lição. Enquanto existem aprendam. Afastem da cabeçona que não é com a hostilidade que se conquista o apreço.

Tenham tino.

 

António Figueiredo e silva

Coimbra, 15/10/2025

Nota:

Não uso o AO90    

terça-feira, 14 de outubro de 2025

POR ISSO...


 

Imunidade dos Deputados 

Proteção dos votos e opiniões: 

Os Deputados não são responsabilizados civil, criminal ou disciplinarmente

 

A presente fotografia, há tempos inserida no Jornal de Notícias, manteve-se em aparente letargia na minha memória; brotou agora, para dar aso a uma analogia sintética, que pode nada ter a ver com a realidade, mas… não sei!?

Tudo é possível.

 

Imunidade dos Deputados 

Proteção dos votos e opiniões: 

Os Deputados não são responsabilizados civil, criminal ou disciplinarmente pelos votos e opiniões que emitirem no exercício das suas funções.

 

Autorização da Assembleia para o exercício de funções judiciais: 

Os Deputados não podem ser ouvidos como declarantes ou arguidos sem autorização da Assembleia.

Autorização para detenção e prisão: 

A prisão ou detenção de um Deputado só é possível com autorização da Assembleia, exceto em flagrante delito por crime doloso com pena de prisão superior a três anos.

 

Estabelecido, pelo O artigo 157.º da CRP (Constituição da República Portuguesa)

 

POR ISSO…

 

Por isso, não há bicho nenhum que não aprecie “gerir” o que não lhe pertence, quando a responsabilidade lhe pode ser diluída ou mesmo extinguida, (vou dissertar sobre o meu país e não acerca da China), porque S as alcateias da elite; apesar da presença de um chefe alfa, cujo papel consiste no apaziguamento de divergências entre grupos ou elementos da pandilha, subsiste, um facto de relevante importância que à maioria dos portugueses tem passado despercebido, - se assim não fosse, a situação seria mais radiante; apesar dos uivos altercativos e hidrofóbicos, ameaços, gestos impróprios para consumo do civismo, e insultos inopinados que transcendem os valores da ética, não é dúbio que entre todos os componentes das diversas alcateias, é notória uma coesão colectiva, protectora e ferrenha; protegem-se entre si e as diferentes “cambadas”.

Favoráveis ou maliciosos, eles são os cozinheiros das normas estatutárias que nos orientam ou desorientam – depende do estado de espírito de quem as decifra.

Logo, se são os chefs da gastronomia legislativa, cavalgaduras seriam, se não “puxassem a brasa para a sua sardinha”!? Penso que estou a fazer-me entender.

Em relação a essas alcateias, é pertinente assinalar que, ao fim de sete anos de “trabalho intenso”, cada elemento já tem direito a uma choruda reforma, que lhe permite desfrutar satisfatoriamente o resto da vida; gozando-a e rindo da estupidez do Zé Pagode.

 Porém, não posso deixar de distinguir a existência de indivíduos, que, como sanguessugas, se agarraram a chupar na artéria da política quando ainda eram imberbes, e presentemente a ela se encontram colados, sem nunca terem feito “a ponta d’um corno”, durante a vida. Como em tempos que já lá vão, registou Eça de Queiróz, - e muito bem: “Os políticos são como fraldas: devem ser trocados com frequência e pelos mesmos motivos".

Pois!? Actualmente, não é “devem”; é “deviam”; mas na verdade, muitos nunca largaram a mama.

É muito mais fácil governar o que é dos outros, do que aquilo que a nós pertence, não é verdade?

É certo que, a “uivar”, “balir” ou a “berrar”, muito nos têm martelado com os vocábulos, “trabalhar com seriedade e transparência” em prol de todos os portugueses. UMA OVA!

É natural que sim; mas eu, - assim como tantos portugueses -, não tenho observado existência dessa realidade, a ver pela não consumação dos resultados apregoados, na já muito desgastada, repetitiva e fastidiosa   ladainha, que tem sido deliberadamente embebedada por um verdadeiro, mas tendencioso populismo; simplesmente transmitindo aquilo que o povo mais aprecia escutar, vão catequizando as mioleiras mais flácidas; por isso, mais permeáveis a um fanatismo, não religioso, todavia político, que é o que mais interessa aos elementos das “alcateias”, para atingirem o lugar desejado.

Depois, como sempre tem acontecido, continuam a “borrar a escrita”, sem que nada lhes aconteça.

Assim, aqui está um candidato, que também gostaria de ser gestor de qualquer coisa que não seja sua pertença.

 

António Figueiredo e Silva

Coimbra, 30/09/2025

 

Nota:

Não uso o AO90.

        


segunda-feira, 6 de outubro de 2025

A MINHA AMANTE

 

Nunca julgues antecipadamente,

 o que na verdade não provaste.

(António Figueiredo e Silva)

 

A MINHA AMANTE

 


Estou convicto de que quando se atinge uma determinada craveira temporal, ficamos carentes de afeição; assim, mesmo que não queiramos, por imperativo dessa míngua, procuramos arranjar outro amor, que em paralelo com aquele que durante muitos anos nos acompanhou como esposa, nos faça sentir mais felizes e relaxados, enquanto não chegamos ao limite.

Pois eu, arranjei um. Ou, por outro lado, de acordo com a minha esposa, até foi ela que envidou esforços para mo arranjar.

A partir desse dia, passei a sentir-me mais feliz, mais aliviado!

Essa amante, está sempre à minha disposição e é muito compreensiva; não protesta sobre os meus desejos, nem resmunga se por vezes, movido pelo amor que lhe consagro, a pressiono mais do que seria de prever. Mesmo assim, é macia e profundamente fofa. Molda-se às minhas habilidades amorosas, mantendo sempre um sepulcral silêncio. Carinhosamente roço-me por ela, encosto-a a mim, abraço-a e afago-a, sem dela ouvir o menor lamento!

No seu silêncio, a infeliz, suporta todas as vicissitudes que passam pela minha cabeça louca, em que o “sadismo”, ainda que aparente, por vezes se manifeste com alguma agressividade.

A loucura do afecto que se instalou em mim, é de tal forma, que já não consigo passar sem ela a meu lado; porém, a minha esposa, virtuosa na sua condescendência e compreensiva pela sua sensatez, também nada diz sobre o assunto. Mesmo quando a enfio entre as pernas, apenas se limita a perguntar; “sentes-te bem”? Já vi que não podes passar sem ela, - diz com carinho, em timbre de gracejo. Olha, agarra-te e dorme descansado.

Para os mais cépticos e indiscretos, quero aqui referir que essa amante, que eu muito adoro, e à qual todos os dias me abraço ou entalo entre as pernas com efervescente, porém carinhosa vontade, foi um presente como prova de afecto, oferecido pela minha, também muito estimada, esposa.

A almofada é tão aveludada, tão suave, e facilita tanto o meu descanso, que eu, por conveniência, jamais a poderei abandonar. Desde que tive o prazer de a ter recebido, ela tem-se comportado como um óptimo emoliente para as dores provocadas pela minha “estimada” artrite reumatoide, nos sítios onde ela mais ataca; joelhos, tornozelos, colos do fémur, coluna vertebral, etc. Em tudo aquilo que diz respeito aos mecanismos articulatórios da minha estrutura óssea.

Estas, são razões mais do que justificativas, para que eu nunca abandone esta minha “dilecta” amante! Uma almofada em tom azul-marinho, muito aveludada, que a minha predada mulher há tempos me ofertou!

Neste instante, em que já João-pestana bate à porta, para sentir a delicada e aveludada maciez, da tão querida almofada, vou dormir com ela entalada entre as minhas pernas e ferrar-o-galho tranquilamente – espero!?

Até amanhã.

 

António Figueiredo e Silva

Coimbra, 6/10/2025

 

Nota:

Não uso o AO90.

 

 

 

     

 

 

domingo, 5 de outubro de 2025

RUMINANDO O PASSADO

 

 Se o tempo envelhecer o seu corpo,

mas não envelhecer a sua emoção,

você será sempre feliz.

(Augusto Cury)

Pois. Mas aí é que habita o dilema.

Raramente a vetustez não afecta a emoção.

(António Figueiredo e Silva)

 

RUMINANDO O PASSADO

 


Quando o desvairo da juventude nos embriaga, nunca pensamos nas surpresas que o futuro nos trará. Mas, quando iniciamos a nossa descida a caminho do horizonte da vetustez, começamos a sentir que idade, não absolve e Natureza não se compadece.

Então, quando o silêncio é ensurdecedor, desponta a compulsividade da resignação. A vitalidade esfumou-se nos meandros ténues da esperança. Resta apenas um futuro flácido, mas autêntico, que espera por nós sem comiseração. Como é hábito dizer-se, é a vida! Ah, pois é! Tudo trás e tudo leva.

Bastantes “tombaram” mais novos, e outros, com “mais sorte”, nem chegaram a nascer. Para aqueles que foram existindo e atingiram a longevidade, que não é privilégio de todos, usufruíram de muito tempo no palco da vida, para exprimirem “tudo” o que lhes imperava no espaço da emoção; mas, por imperativo dessa vida, posteriormente abrigaram-se, debaixo da capa silenciosa dos seus sonhos passados, e, à medida que o tempo se vai esgotando e as fantasias, ainda que frouxas, prosseguem, sentem que o futuro, como enguias lodosas, está a fugir-lhes das mãos.

Aparentemente taciturnos e com expressão absorta, tranquilos ou ansiosos, aguardam pelo advento dia “D”. Mas, até que esse momento se consume, - porque não tem dia nem hora marcados -, no seu aparente silêncio vão fazendo uma barrela à memória, para um ajuste de contas consigo próprios, na tentativa inglória de limar o passado; fazerem o que não fizeram e deviam ter feito, e desfazer o que deviam ter feito e não fizeram.

Estas, são concepções que assomam à mente daqueles que ainda conseguem raciocinar, e de vez em quando rompem a barreira do seu mutismo, em tom de desabafo lamentoso; “ai, se eu soubesse o que hoje sei”!?

Mas já é tarde! A Natureza não consente.

Portanto, sou apologista desta: “Envelhecer é passar da paixão para a compaixão”.

(Albert Camus)

 

 

António Figueiredo e Silva

Coimbra, 29/09/2025    

  

Nota:

Não uso o AO90.

 




ENCONTRO IMPREVISTO

  ENCONTRO IMPREVISTO   Apesar de já decorridos cerca de dez anos, nunca se me varreu a imagem desta figura, que num momento crítico do me...