sexta-feira, 29 de novembro de 2024

PONTO DE VISTA STANDPUNKT ТОЧКА ЗРЕНИЯ ТОЧКА ЗОРУ POINT OF VIEW

 

 A escrita é o primor do tempo que o vento não varre.

(António Figueiredo e Silva)

 

PONTO DE VISTA

      STANDPUNKT

       ТОЧКА ЗРЕНИЯ

        ТОЧКА ЗОРУ

       POINT OF VIEW

 


No decurso da minha leitura, fiquei surpreendido com a labuta que o criador deste livro deve ter tido para recolher todo o manancial de investigação neste folhoso contido. Para tal, tem de ser soberano de obstinado espírito do querer saber, eupatia, curiosidade e persistência.

Resumindo, não é de duvidar que é essencial ter muito amor à arte da escrevedura!

Bem, quando iniciei a saborear as primeiras garfadas de leitura, esta, afigurou-se-me tratar de uma banal exposição de registo pessoal, - como tantos subsistem; uma normalíssima narrativa do autor, sobre o seu dia-a-dia, durante uma temporada passada em terras de São Tomé e Príncipe. Afinal, acabei por concluir que eu estava “redondamente” enganado.

Com o “andamento da carruagem”, vim a constatar que, apesar não excluir a existência desse diário que eu ao princípio conjecturava, a dissertação, afinal, continha uma imensa facêta investigatória, cuja realização se deve à persistência do escritor, à sua vontade de saber e dar a conhecer, o quotidiano da vida do povo santomense; embora com ténues cirros de política a pairar, cingiu-se mais aos usos, costumes, crenças, e ainda ao lado, - se calhar o mais atraente –. que é parte relacionada com as suas especialidades gastronómicas que não dão refrigério as glândulas salivares daqueles que as saboreiam – articulo como “bom português, apreciador de paparoca”.

É evidente que não vou estar p’ráqui a fazer uma transposição integral das “istórias” no livro contidas, e bem contadas por sinal, porém, aconselhar aos espíritos mais curiosos e amantes da leitura, que vale bem a pena consultar a narrativa nele encaixada.

É um verídico testemunho de como é possível a alegria, em contida resignação, levantar a cabeça, e, em comunhão de valores diferentes, dançar em paz com a miséria – quando não há vinho, a palmeira o fornece; porque a boa qualidade de vida, a uma grande maioria não é extensiva; as dobras (moeda santomense), andam mal distribuídas.

Expõe ainda, como o poder inventivo dos santomenses transforma o pouco em muito; uma reles “côdea” num adorável e gostoso acepipe; a maneira “sublime”, porém com laivos de revolta, - todos temos – que suporta a paz naquele território; a “organização” marreca dos organismos públicos; mas, o melhor de tudo: a descrição das paisagens edílicas, onde o pôr-do-sol dourado, apesar de belo, se despede com desmaiada saudade, embalado pela sonolência, para, na manhã seguinte, renascer alegremente brilhante e a cantar!

Por toda a pluralidade de factos, tudo isto faz parte de um Paraíso Tropical, que é, São Tomé e Príncipe!

A descrição, feita com alma e conhecimento, por José Vieira Lourenço, representa, além de um carinhoso louvor e agradecimento ao povo santomense, creio que será também, mais um tijolo intelectivo a acrescentar à estrutura erudita do ledor mais infectado pela voracidade de saber.

VALE A PENA SER LIDO!

 

António Figueiredo e Silva

 

Obs:

Não uso o AO90

 

 

 

  

 

 

 

  

 

terça-feira, 19 de novembro de 2024

SERES ENESQUECÍVEIS UNVERGESSLICHE WESEN НЕЗАБЫВАЕМЫЕ СУЩЕСТВА אַנפערגעטאַבאַל ביינגז НЕЗАБУТНІ ІСТОТИ

 

É preciso vivacidade para ser distinto,

e muita mestria para construir a distinção

(António Figueiredo e Silva).

 

SERES ENESQUECÍVEIS

UNVERGESSLICHE WESEN

НЕЗАБЫВАЕМЫЕ СУЩЕСТВА

אַנפערגעטאַבאַל ביינגז

НЕЗАБУТНІ ІСТОТИ

 

    Se me fosse permitido pela Natureza, que ao atravessar a barreira do meu finamento, eu conseguisse levar o cérebro na minha bagagem, jamais no além, esqueceria tão exemplar criatura.

Um exemplo de Ser Humano em toda a sua plenitude!

Por tudo o que dele tenho comprovado, é digno da insigne reverência, que neste simples pergaminho vou escrever.

Estou convicto de que, pela robustez do seu carácter, a aura de modéstia que o protege não deve ter permitido livre acesso à ostentação pútrida, que, por fundamento decoroso, é sempre “indigesta” para as pessoas de boa índole. Porque esta degenerada invirtude, obscurece o ego de muitos presunçosos desta sociedade zarôlha e imbecil, em que vivemos, que consiste na variável empafiosa que inquina, - ou castra mesmo -, a erudição a todos os que por esta enfermidade são contaminados; isto porque, não é no exibicionismo putrefacto e balôfo, todavia no arcano da ciência, que habitam o saber o poder e a humildade; isto é: o saber, e o saber ser.

Este Homem, relativamente novo, não se deixa extasiar por essa moléstia. A sua simplicidade, é de tamanha nobreza, que captou uma maior convergência no meu nato sentido observador.

A forma como se dedica à clínica e o modo compreensível e simpático que dispõe para com os enfermos e para aqueles que o rodeiam, granjearam a minha mais laminar atenção.

É pessoa que se orienta com firme convicção ética, cuja probidade é certificada, pelos critérios da moral, solícita dedicação e notável sapiência.

Este Médico, Especialista em Cirurgia Vascular do Hospital de Santo António, (Porto), merecia bastante mais do que o que estou aqui a divagar; porém, por muito que vasculhe, não encontro no meu pobre léxico, já bastante devassado pela idade, palavras com a cubicagem que eu desejaria, para a concretização deste texto.

Mesmo assim, persistente como um burro, obstinei em prosseguir com a urdidura dos enaltecimentos que entendo serem atribuídos a tão distinta figura.

O que mais me assombra, é a sua determinação, a sua resiliência, o seu optimismo, o seu conhecimento, e, acima de tudo, a sua dedicação à causa clínica que com destacada dilecção abraçou, e à sombra da qual cinzelou a sua determinação e entusiasmo, para encarar e tentar vencer os socalcos e sinusoides, que ocasionalmente a profissão lhe apresenta.

É detentor de um talento característico, que usa para “inocular” nos debilitados pacientes que dele dependem: o halo da felicidade, envolvido por uma réstia esperança – até que esta se possa transformar em inegável realidade.

ISSO SUCEDEU COMIGO.

A minha mais franca gratidão, e…

BEM-HAJA, SR. DR. LUÍS LOUREIRO

 

António Figueiredo e Silva

12/11/2024

 

Obs:

Não uso o AO90

 

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ENCONTRO IMPREVISTO

  ENCONTRO IMPREVISTO   Apesar de já decorridos cerca de dez anos, nunca se me varreu a imagem desta figura, que num momento crítico do me...