quarta-feira, 28 de julho de 2010

MAN'EL ALEGRE A PRESIDENTE

MAN’EL ALEGRE A PRESIDENTE?!...


Oh, oh, oh!... Seria pior do que mictar na sopa! Creio ainda, apesar das besteiradas que se têm praticado, que os portugueses sabem diferenciar um patriota de um anti-patriota que não olhou onde punha os pés para atingir as suas conveniências. Espero bem, que os portugueses não se deixem adormecer pela sua inspirada lenga-lenga de “trovadoresca” veia.
Lá que tem um verbo sonante e cadenciado, capaz de superar o timbre decibélico de uma vuvuzela, é qualidade que se lhe não pode retirar; de resto, tem sido mais um pescador de oportunidades do que outra coisa. É uma figura que ainda conserva em seu âmago a fibra da “arte” teatral do seu tempo de aluno da Universidade de Coimbra, marca que até hoje lhe tem sido proveitosa, porque lhe permitiu rabear por entre os canaviais da política e cozinhar em diversos “tachos”, acabando, ao que se sabe, com um pecúlio de três mil duzentos e dezanove euros, como aposentado da RDP, onde “trabalhou” um tempito rosnando a favor da guerrilha no Ultramar, a juntar a um auxílio vitalício que vai além dos dois mil euros mensais. Nada mau!? Sempre vale a pena ser actor!... Mas existem muitos idênticos! Somos na verdade um país de “artistas” nas mais diversas áreas e principalmente no espaço que concerne à política, cuja “moléstia” germinou desordenadamente e sem qualidade, após o 25 de Abril de 1974.
É isso que se tem verificado.
O Sr. Man’el Alegre de Melo Duarte, que hoje poderia ser o distinto presidente de um país chamado Ilha de S. Miguel, se o seu plano de “conquista” se tivesse concretizado em 1961, vem agora afigurar-se como candidato à presidência da República Portuguesa, depois de em Argel, onde se auto-exilou, ter sido um fanático porta-voz contra a doutrina deste país no que se referia à guerra no Ultramar e, consequentemente, contra os portugueses. Lamentavelmente varreu-se-lhe da memória marxista que todos aqueles – como eu – que lá andaram e não fugiram, foi num gesto de cidadania e no cumprimento do seu dever.
Pelas competências consignadas na Constituição da República Portuguesa, o Presidente da República é o Chefe Supremo das Forças Armadas. Assim sendo, para que queríamos um presidente que sempre foi contra a “traulitada” quando ela era necessária e imperativa, em defesa dos seus compatriotas? Dá p´ra pensar, não dá?
Quero lembrar, ou antes, avivar a memória, a todos os espoliados ou seus descendentes, que este indivíduo foi uma das vozes que se levantaram em prol da desgraça que no passado atingiu muitos deles, cujas sequelas ainda hoje subsistem. Por isso, quando calmamente se dirigirem à greta das urnas para enfiarem o voto, pensem duas vezes nisto que acabei de dizer.
Man’el Alegre a Presidente da República?!... Oh, oh, oh! Só faltava esta!?
A minha afirmação é: se a recandidatura de Cavaco Silva se concretizar, a guerra já estará perdida e ainda não a peleja começou. Aí, Man’el Alegre poderá arrumar as botas e abalar para carpir o seu desgosto enxergando as areias sideradas pelo sol do deserto argelino a ver os camelos a blaterar; contudo, à sombra de um bom hotel, porque os nossos impostos para isso são suficientes.
Homem que não luta pela sua pátria, por covardia ou por convicção – nesta não acredito - quando a isso é chamado, não merece um pão que nela se possa produzir. Não vale um naco de consideração, por muito pequeno que seja.

António Figueiredo e Silva
Coimbra
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segunda-feira, 19 de julho de 2010

"LIMPA-CHAMINÉS": Precisam-se

“LIMPA-CHAMMINÉS”: Precisam-se.



Contra todas as expectativas provocadas pelas sondagens – possivelmente adulteradas – e apesar dos inflamados discursos do PS, do débil e cambaleante empurrão do já alquebrado Mário Soares, da contribuição se calhar forçada, do nosso do grande trovador e “revolucionário”, Manuel Alegre, de todo o pecúlio investido na faustosa campanha eleitoral, do favorecimento de alguma parte da comunicação social, das fantasiosas promessas feitas had hoc, para não serem cumpridas, das “vampíricas” beijocas dadas em muitas ventas, algumas com as escamas matinais ainda por desapegar, dos “asfixiantes” abraços de jibóia, que nos deixam apertados e com falta de ar, do estalar das dobradiças falangeanas sob a prensa dos apertões de manápula, etc., o PS não floresceu como desejava. Isto foi e é um facto.
Era de prever. Só não via quem era cego.
Contudo, se em vez de Manuela Ferreira Leite, tivessem importado o Ti Alberto João Jardim, o PSD teria ganho pela maioria absoluta e aí, provavelmente a crise não seria tão acentuada e as coisas fiariam mais fininho. Disso não tenho dúvidas.
Também me apraz dizer, por razões várias, que por vezes não se faz o que se deve, mas o que se pode ou o que os “satélites” do poder exigem que seja concluído. Porém, quem não pode não promete. Sei que é usual dizer-se, o que passou, passou! Até teria algum cabimento se actualmente não sentíssemos o entranhar na pele da nossa vivência, o perfurar sacrificial do silício, forçosamente imposto, que nos dilacera a carne e a resignação, decorrente da política adoptada por uma má governação, levada a efeito pela caturrice e pela coacção de interesses pessoais onde a avidez tem acentuadamente predominado.
O Partido Social Democrata, que em algumas zonas do país é conhecido pelo Partido da Chaminé, ainda acabou por deitar algum fumo branco nas últimas eleições, não para anunciar habemus papam, mas para anunciar que não haveria governo com maioria absoluta. Já não foi mau!? Pensavam os mais sensatos. Mas mesmo assim a coisa não resultou.
De qualquer forma, desde o início deste mandato até ao seu provável desmoronamento antecipado, suponho, vai continuar a boiar uma tábua de salvação podre, que servirá apenas para fundamentar as desculpas para tudo o que casual ou propositadamente, de mal possa ter acontecido ou venha a acontecer:
- Não nos deixaram (des)governar!?...
- Fomos arrastados pela crise mundial, para a qual ainda não existe vacina!...
- É a falta de productividade.
- As exportações têm diminuído.
São uma série de desculpas pateticamente apresentadas, nas quais os portugueses não embarcam, mas que os colocam em permanente situação de aflitiva inquietação. Que presente!... E que futuro?...
Em oposição ou fora dela, todos se têm governado e continuam a governar-se à nossa custa, custe a quem custar.
Indústrias encerram as portas, bancos vão à falência, a corrupção progride, a justiça é moldável ao capital, as forças de segurança não têm força alguma, muitos alunos ensinam os professores, nem que seja à bofetada, criminosos são postos em liberdade e com rendimento mínimo garantido, etc.
O que precisávamos, realmente, era de um conjunto de pessoas patriotas, sensatas, corajosas e inteligentes, capazes de limpar toda a fuligem política, poluidora incontestável desta chaminé à beira-mar plantada, que apesar da sua pequena dimensão está bastante conspurcada.
Por isso, “LIMPA-CHAMINÉS”-precisam-se.


António Figueiredo e Silva
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terça-feira, 27 de abril de 2010

OS TROCA-TINTAS

OS TROCA-TINTAS


Estamos metidos com uma cambada de “vendedores” de banha-da-cobra”, (se lhes chamasse vigaristas ou aldrabões, certamente seria metido no chilindró) que se pavoneiam à nossa custa e não se inibem de nos apertar o garrote da crise por eles provocada, que nos restringe cada vez mais o direito à sobrevivência.
Arreiam com a solha nos dentes e no palato, para gafanhotarem umas oratórias sem critério, sabendo de antemão que nós já não acreditamos, porque a falácia do seu conteúdo é mais do que evidente. Apontam-nos um El Dorado que sabem não existir, mas teimosamente e com asina coragem, insistem em baralhar-nos o senso analítico que deambula na nossa tinêta pelo justo caminho da razão.
Só eles têm direito a “ladrar”, porque a manipulação de todo o sistema está nas suas mãos. Esta récua usa e abusa do poder que detém; este funciona como uma esponja na limpeza e absorção de todas as nódoas, sejam elas de foro económico, judiciário ou criminal.
Mas que cambada!!!
Muito eu gostaria de ver alguns deles a gatafunhar nas intermináveis bichas, que ao romper da madrugada serpenteiam junto às portas das Instituições de (des)Emprego e (de)Formação Profissional, na mira de uma ocupação ou de algum vergonhoso fundo que lhes permitisse dar algum trabalho aos molares, que diligenciariam o mínimo sacrifício na mastigação para que não fosse necessário recorrer à banda gástrica com o objectivo de manter o corpo com uma miserável visão osteo-anatómica enfezada, à laia das top model do século XXI!... Como se encontra actualmente o nosso país, cujo raquitismo é evidente.
Todavia, dos Troca-Tintas, nunca por lá apareceu nenhum!?... Nem aparecerá.
Os elementos circulares da cáfila, por muito inaptos, desonestos ou imbecis que sejam, têm sempre do seu lado a incidência do fermento mafioso da protecção mútua. Por mais investigações que surjam, por muitos julgamentos que se façam, por muitas comissões que se criem, os resultados vão sempre dar ao zero.
“Nós” há uns anitos que temos andado emborrachados numa excessiva e onírica mansidão, (“mansa é a tua tia, pá” – como diz outro) estirados nos braços de Orfeu, a deixar correr o marfim. Embalados em expectativas que sabemos jamais surgirem, temo-nos deixado minar por uma passividade fora de série, cujos tributos nos vão sair muito caros.
Tudo isto graças ao paleio controverso dos Troca-Tintas
Não sei até quando é que este estado de coisas vai durar!
Estamos com uma situação que é mesmo dura de roer e não iremos ter dentes para ela!... Tudo por causa dos Troca-Tintas na sua encarniçada luta pela troca-de-têtas.



António Figueiredo e Silva

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O FLATO

Caros seguidores do meu Blog

Depois de umas compulsivas e longas férias por motivos de doença, faço questão em comunicar-vos que ainda estou a bulir, para plangência de uns e contentamento de outros.
Para os que ficaram desgostosos, já sabem que vão ter que me gramar; para os que ficaram satisfeitos, que vão gozando a paródia à minha custa e dos papalvos que a todo o custo procuram fossar na minha lixeira à procura da compreensão que lhes falta.
A todos e sem distinção, bem-haja por isso.



O FLATO
(vulgo, o peido)


Sob trompética sonância, imitando o bufar de um felino, plagiando um arroto arrependido de sair por cima, ou apenas limitando-se a anunciar a sua presença com um selecto pfffff!..., ou ainda sob uma convicção cavalheiresca, saindo de mansinho e sem qualquer ruído, manifestando-se traiçoeiramente pelo seu fedor, protegendo assim, numa roda de alta roda ou entre amigos, o cú que o desembestou, provocando contemplações de soslaio, compromisso e desconfiança, porém sempre com a evidência das provas diluídas sob olhares apreensivos.
O flato é um gás natural produzido no intestino grosso, decorrente do produto final da alimentação de bactérias que se banqueteiam com os restos de um empanturramento por digerir, normalmente após alambazados repastos.
Porém sendo o flato uma constatação natural, muitos o odeiam, até mesmo aqueles que os desembucham.
Apesar dos seus inconvenientes, serve também o flato, para animar festas onde os vapores etílicos ultrapassaram já a medida do conveniente, ou para cortar a tenebrosa merencoria da solidão, podendo até servir para trautear uma composição musical do Sérgio Godinho, Paco Bandeira ou similar.
É verdade que existem especialistas que conseguem manusear os músculos das abébias e regular o esfíncter de tal forma que conseguem produzir musicalidades suaves como a “Música no Coração”, ou intempestivas como as partituras soviéticas que incitavam à luta pelo “trabalho” rumo à miséria. Estes predicados dependem da maneira de ser do “artista”, do seu estado de espírito, da sua elasticidade anal, do meio onde se encontra e ainda do que anteriormente ruminou. Sim, porque num estômago onde nada entra, o cú não tem saída; esta é a prova evidente da pobreza absoluta.
O tom volumétrico tem a ver com o recato ou a desfaçatez do indivíduo que executa as “melodias” mal cheirosas. Já o seu bálsamo, por norma fétido e intrincável, só diz respeito à qualidade da palha que o animal papou, e, ou o estado da sua figadeira.
O flato, apesar de fastidioso, tem o dom de exorcizar elementos importunos, quando estes nos bombardeiam os tímpanos com conversas-de-deitar-fora. Basta para isso libertar dois ou três flatos selectos e silenciosos, para que os chatos à nossa volta se comecem a afastar, com as mais variadas mas aceitáveis desculpas, embaraçadas por olhares de interrogação e desconfiança conjunta, desconhecendo porém a fonte traidora que cortou a amena cavaqueira, que certamente não tinha préstimo algum, com uma ventilação fedorenta.
Por vezes o flato é também um pregador de partidas que nos pode colocar em posições embaraçosas, se a nossa perspicácia falha; ao puxá-lo, pode o sacana vir protegido por um escudo de caganeira que nos desce até aos tornozelos ou nos salpica a alvura dos lençóis como um tiro de caçadeira de canos cerrados.
Enfim, tem as suas vantagens e desvantagens.
Gostaria que o lente mais esquisito não ficasse tonto ou enjoado com este palavreado, porque não há cú que não dê traque.


António Figueiredo e Silva
Coimbra

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quarta-feira, 28 de outubro de 2009

"S. SARAMAGO" (d'O Evangelho)

“S. SARAMAGO” (d’O Evangelho*)

Naquele tempo, ia Jesus com os seus discípulos caminhando por um andurrial cheio de pedras e pedregulhos, - ainda não havia os lobbies do alcatrão-, sob o sol escaldante que estorricava os cornos ao diabo, - que já naquele tempo existia - com os pés a doer porque as sandálias eram pouco confortáveis, e vencidos pelo cansaço, sentaram-se debaixo de uma figueira para sornarem um bocado e entrarem em contemplação meditativa, embalados pelo cavernoso ressonar do “grupo”.
Não se ouvia a irritante poluição sonora dos carros da polícia quando protegem cão grande, ou das ambulâncias das pildras quando algum recluso se arrependeu do mal que fez.
Como naquela pequena colina, quase rapada de verdura, os pinheiros não eram nenhuns, também não se ouviam as abrasivas sirenes dos bombeiros em frenéticos movimentos para abafarem os fogos criminosamente ateados pelos maubeiros. O silêncio era de paz! Podia-se ouvir o zunir das moscas, o zumbir das abelhas e o cantar das cigarras naquela soturna calmaria. Ninguém mais piava!
Nisto, Pedro, o mais brutamondes e o menos meditador de todos, inclina a cabeça para a esquerda e põe a mão em concha sobre orelha e... Zap, plac! Zap, Plac! Zap, plac! (?...) - Vem aí alguém ?!... –murmurou em surdina para todos, que acordaram meios zonzos. Entreolharam-se em sinal interrogativo e ao mesmo tempo de cagaço, e Jesus ao ver aquilo disse:
- Aquietai-vos, homens de pouca fé. Estais comigo e o meu Pai proteger-nos-á. E eles aquietaram-se mesmo.
Zap, plac! Zap, plac! Zap, plac (?…). Então quando todos tinham os olhos pregados na primeira curva à sua esquerda, viram assomar um velhote, com a túnica rota e cheia de remendos que escondia uma esquelética carcaça, com um olhar de fariseu por detrás de uns óculos que mais pareciam duas montras, e com os pés meio mumificados enfiados numas sandálias com solas de casca de palmeira, numa das quais havia uma tira de couro cru descosida. Zap, plac! Zap, plac ! Zap, plac ! Lentamente arrastando os pés sob o peso da consciência, foi-se aproximando e acercou-se do grupo. Quando todos o olhavam com interrogação e espanto, (?!) numa baforada de bom camarada, cortou o silêncio:
- Boa tarde Mestre.
Quem és tu, pobre homem? – Perguntou Jesus.
- Eu sou Saramago o escriba de Jerusalém. Aquele a quem Tu admoestaste por causa das suas baboseiras e blasfémias sobre Ti o os Teus seguidores.
- Já sei, respondeu Jesus. E não me digas que vens para aqui com a mesma ladainha?!..
- Tu és aquele que escreveu a condenar a minha pregação sobre o verdadeiro comunismo e que os Portugueses censuraram?
- Mestre, mas eu...
- És aquele que escreveu que a Bíblia “é um manual de maus costumes”?...
- Mestre, mas eu...
- Cala-te, -disse Jesus. Agora quem fala sou eu. Quem és tu afinal, miserável réptil do deserto, para interromper a minha divina interpelação? E Saramago ruborizou, engoliu em seco e calou. E Jesus, depois de lançar um olhar invectivo e reprovador, continuou:
- Foste tu que condenaste ao despedimento vinte e três redactores, quando foste chefe de redacção do Diário de Notícias, por eles não querem comungar das tuas ideias e agora ficas chateado por te condenarem?... Isto é que tu me saíste um grande democrata!? Um grande patife!..
- Mas eu, Mestre...
- Outra vez?... Fecha-me essa imbecil matraca que ainda não acabei!... Mas, para abreviar as coisas, porque a minha condescendência divina é grande e além do mais tenho a boca seca, - disse Jesus com mais suavidade - assim não, meu filho (da mãe); em verdade te digo, que se não mudares de ideias e não deixares de escrever ou de dizer patacoadas, é certo e sabido que nunca entrarás no reino dos Portugueses, nem tão pouco no reino dos Céus. E Saramago, esticando para a frente o pescoço magro semelhante ao de uma tartaruga gigante e olhando o para o chão com cara de macambúzio, disse:
- Mas, Mestre, estou arrependido!... Sei que me excedi, não quero polémica e por isso é que Te tenho procurado por toda a Galileia. Olha o estado deplorável do meu corpo e do meu espírito!?
- Ah, bom!... – Aí Jesus condoeu-se. Se tu o dizes, estás perdoado e farei de ti um pescador de homens, mas antes quero aconselhar-te que, sobre o teu corpo, vás tomar banho porque que cheiras a mijo que tresandas; e sobre o teu espírito que medites bem as coisas antes de as executares e deixa-te de imbecilidades e calhordices. Que meu Pai te abençoe - disse Jesus antes de concluir. E agora deixa-me em paz e desanda; e tem juízo na tinênta, porque tens andado muito arredio. E Saramago desandou, mas mais aliviado.
E naquele momento Saramago arrependeu-se – mas não se converteu – e prometeu trocar os bens terrenos pelos bens marítimos. Se bem o disse, melhor o fez, e até foi viver para uma ilha como eremita, mas à grande e à francesa, não como um simples proletário, mas como um esmerado fascista.



António Figueiredo e Silva
Coimbra

*Do Evangelho segundo
António Figueiredo e Silva

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quarta-feira, 14 de outubro de 2009

CHINQUILHAS A PRESIDENTE

Ao ser humano não interessa saber
o que é de mais ou o que é de menos,
mas ter a noção de suficiente.

CHINQUILHAS A PRESIDENTE
(História da estupidez do quotidiano)

Como todas as histórias para crianças, devia começar por, “era uma vez”!... Porém, esta vai ter um início diferente, porque o mundo mudou e os reinos de fadas também faliram.
Rui Chinquilhas* da Silveira, seu nome de baptismo, em tempos idos também conhecido por “Queixinhas”, vitupério que auferiu devido à sua patética maneira de ser, viveu numa remota aldeia transmontana, algures numa das encostas da Serra do Larouco, onde as torgas e as carquejas que ladeavam as bordas do único caminho que dá acesso ao pequeno povoado, sideradas pelo calor estival, estalavam sob os pés de quem passava. A povoação não era muito grande, constituída por umas centenas de almas que, algumas movidas pela sua boa fé e por algum papaguear manhoso que lhe palravam aos ouvidos já meio moucos da velhice ou sonhadores pelo temporão amadurecimento da idade, ainda acreditavam nos “milagres” dos politiqueiros, de boca aberta e coração cheio de esperança.
A família do Chinquilhas até gozava de alguma consideração social para a época, porque eram donos de “avantajados” regos, (em Trás-os-Montes, muitas propriedades) entre courelas, lameiros, poileiras**, bardos e socalcos. Enfim, viviam medianamente, em relação ao grosso da população e até eram pessoas de bem, o que não obsta para uma boa figueira não dê figos fanados.
Neste meio foi criado o Chinquilhas, com mais afagos do que os outros da sua idade e quando entrou para a Primária, já se mostrava um estupidozinho armado em dirigente não impedindo no entanto as correntes neuronais do seu intelecto de funcionarem mal; mas os pais, contemplavam ali um grande crânio, um fora de série, um prodígio – a velha história da águia e a coruja.
O Chinquilhas foi crescendo naquele irreal ambiente onde não sentiu o aperto tenaz e persistente dos calos da vida e o rilhar do cinto da necessidade, iniciou os estudos secundários, sempre embevecido pela vaidade e por uma puerilizada obstinação, sua fiel sombra pela vida fora.
Um belo dia, para ver se lhe limavam os miolos e desconhecendo que o que é genésico é irreparável, os pais resolveram expedi-lo para os “altos estudos” numa academia ou instituto do nosso país onde também os burros têm acesso e alguns, como o Chinquilhas, entre a cabulice e o encornanço lá conseguiu um canudozeco cuja licenciatura (?) apenas lhe permitia ver Braga e farejar um emprego cinzento como funcionário público, que pela saturação no sector lhe angariou o lastimável posto de “trabalhador” desempregado.
O Chinquilhas, a quem um acidente da Natureza retirou a inteligência, começou então por meter a sua mediocridade na política, a tábua de salvação de avantajado número de incompetentes, na tentativa de “singrar” na vida, como muitos iguais a ele têm apostado e até conseguido.
Em determinada altura surgem as eleições autárquicas para o seu povoado e ele resolve candidatar-se à presidência da autarquia local a favor de um partido na altura existente, ao qual há anos vinha prestando vassalagem através da sua filiação e militância activas, que demonstravam uma subserviência doentia, próxima da loucura do fanatismo.
Com ideias flutuantes muito acima da realidade, promessas ad hoc, ataques aporcalhados e distorções da verdade, lá conseguiu subir ao podium com uma margem que, apesar da fraca dimensão, não era acreditada.
Alguns, no efervescente barulho do seu silêncio, calados como ratos, gritavam em profundo solilóquio:
- Chinquilhas a presideeente!... Chinquilhas a presideeente!... Chinquilhas a presidente, carago!? Ele dá tudo, há que aproveitar!
É caso para evidenciar o velho ditado: “quanto mais burro, mais peixe”.
Empossado da realidade da vitória, lá foi, de peito inchado pela empáfia, cambaleando ébrio de prosápia e “imponente” caturrice, próprias de um dromedário, tacteando as areias movediças no deserto da sua iniciação de representante tentacular do governo central, que na sua débil ideia, pensava ele, eram de fácil transposição.
Porém, o tempo ia passando e as suas promessas por cumprir eram arredadas para as bordas do manifesto eleitoral, que a muitos serviram de papel hegiénico.
Nas assembleias o povo começava a rugir:
- Onde estão os meus medicamentos de borla?...
- Onde estão as ajudas aos meus proventos familiares?...
- Então e a nossa rua?...
Por outro lado, a oposição em nome do povo, começou a apertar as tarraxas com a exigência da concretização das mesmas e o Chinquilhas, entre a sua voz efeminada e a gaguez nervosa, tremendo como um bancilho***, lá ia esgrimindo a sua paupérrima defesa em desespero de causa, em seu nome e da sua congregação.
A dada altura, as grilhetas apertaram tanto, que ele, o Sr. Presidente Chinquilhas, não aguentou a pressão e resolveu abdicar do “trono” onde assentava a sua ingloriosa glória.
Subiu mais alto do que o seu poder intelectual permitia e… o tombo foi grande!
Foi o Sr. Presidente Chinquilhas e acabou ser o vulgar e desprezível “Queixinhas” de sempre, voltando à estaca zero.


António Figueiredo e Silva
Coimbra

*Leia-se Tchinquilhas.
Por ironia do destino, este vocábulo transmontano
é sinónimo de pessoa de baixo préstimo moral, despersonalizada
com miolos fragosos e rica em tramela.

**Baldios.

***Palavra da minha terra, que se dava aos vimes
com que se atavam as paveias (molhos) de qualquer coisa.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

TGV A VAPOR

TGV A VAPOR (TGVV)
A viagem de comodidade propagandística feita por José Sócrates no TGV, entre Paris e Bruxelas
, em 17 de Setembro transacto, ao que parece, despertou na União Europeia apetência para abrir a pestana e lançar o olho fiscalizador sobre o nosso crescimento económico e aplicar uma travagem não às quatro, mas a todas as rodas do nosso TGV transfronteiriço, diluindo em águas de bacalhau um sonho de tão ambicioso projecto do nosso Primeiro-ministro.
Não obstante isto, ainda aparece agora a banhada das eleições legislativas de 2009 que, comprovando a “liberalidade” dos portugueses e contrariando a de José Sócrates, não há governo de maioria absoluta. Parece que o pôbo não gostou do aperto da cilha.
Contudo, por incrível que pareça, penso que devido à tenacidade, pesporrência e arrojo, do nosso Primeiro-ministro, ainda vamos ter esse “valioso” meio de transporte, nem que para isso tenhamos que recorrer à antiga tecnologia.
Certamente que compreenderei a sua frustração, contudo, como disse Manuela Ferreira Leite, Portugal não é uma província espanhola. Aaapoiaaadaaa!
Bem, mas se ele meteu em cabeça que tem por objectivo colocar Portugal na vanguarda dos países Europeus, em tudo menos no sector económico, que anda pelas ruas da amargura, penso que vai avançar com o TGV(V) a carbão e áuga, – dispensando até o pitróplio, como forma de protesto - porém com a aplicação da mais alta e actual tecnologia da inginharia portuguesa, baseada no desenvolvimento da spiritalia, invenção atribuída a Herão de Alexandria no séc. I d C.
De certeza que teremos o TGVV (Transporte de Grande Velocidade a Vapor).
Ficarei feliz se esta ocorrência se vier a concretizar, porque é mais uma oportunidade que temos de mostrar ao mundo a fina luminescência do nosso intelecto, no que diz respeito, à inventividade e arrojo dos grandes crânios nossa nata científica.
Mais uma vez mostraremos ao mundo que nunca emperramos os nossos movimentos pelas dificuldades que se nos deparam e dispensamos até, as ajudas da União Europeia.
Certamente que teremos o BPP e o BPN, que não se negarão ao financiamento absoluto de tão soberbo projecto.
Reparem que não há gastos de energia eléctrica, nem de naftas, nem de gasolinas; apenas carbão e áuga.
Podem com toda a pertinência perguntar:
Então e quanto à velocidade, é de cágado?...
Não!... Pelas minhas contas, será sempre directamente proporcional à pressão do vapor dentro da caldeira, podendo ser por isso a velocidade ilimitada a puxar toda aquela caldeirada.
Subsiste todavia um problema, que só agora me veio à mente e que consiste na defumação dos colarinhos brancos, que por certo os caracterizará com uma fragrância apresuntada ou de odor a chouriço transmontano (muito bom, por sinal) mas cujo problema será de fácil resolução.
Para esse efeito sugiro ao governo a criação de uma lei que possibilite gratuitamente ou incluído no bilhete, a distribuição de fatos-macaco de ganga tipo maquinista, capacetes amarelos ou penicos de plástico cor-de-rosa fabricados na China, que saem mais em conta e máscaras anti-fumos para uma integral protecção das “fatiotas” que os ilustres passageiros usam, nas suas “digressões” além fronteiras.
No fim, o que interessa é termos um transporte de alta velocidade capaz de correr mais do que os outros e com mais baixo custo por viagem.
Já agora preenchemos uma ambição!... Ou mais, um sonho do nosso Primeiro-ministro, que disse:
- “Eu gosto muito de comboios e gosto de alta velocidade”.
Cá para mim é melhor ajudá-lo na concretização deste sonho, do que deixá-lo enveredar como piloto de testes de aviões “supersónicos”, fabricados em Portugal como há bem pouco tempo ele anunciou, não vá o Diabo tecê-las, ele ir desta para melhor!…
Faz-nos cá muita faltinha.
Biba o TGVV!

António Figueiredo e Silva
Coimbra

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UM PENSAMENTO

  Quem não quer pensar, é fanático; quem não pode pensar, idiota; quem não ousa pensar, um medroso. (Francis Bacon)   UM PENSAMENT...