"A
hipocrisia é a homenagem que o vício presta à virtude”.
(François
de La Rochefoucauld)
A PARVOÍCE E A HIPOCRISIA
Die
Dummheit und die Heuchelei
الحماقة
Foolishness and
Hypocrisy
愚蠢與虛偽
LA ESTUPIDEZ Y LA
HIPOCRESÍA
Sự ngu muội và
thói đạo đức giả
Глупость и
лицемерие
মূর্খতা ও ভণ্ডামি
Kebodohan dan
Kemunafikan
والنفاق
Se antes de proferirmos
o que nos mareia no espírito”, sem ponderarmos naquilo que vamos “vomitar”,
podemos colher oportunidades sinistras de ficarmos sujeitos a criticismos
exacerbados, que podem derrubar a nossa imagem, perder “amizades”, que se
afiguravam ser sólidas e de facto não eram, desfazer contratos matrimoniais, desagregar
famílias completas, e até, colocar em polvorosa uma sociedade inteira, um país
ou mesmo o Mundo.
É do senso comum, que
ninguém é perfeito; contudo, é também do saber universal, que as medidas desses
predicados não obtemperam uma igualdade absoluta. Cada um é como é, e não como
os outros querem que seja. Observo, no entanto, que entre nós, (estou a falar
dos Humanos), habitualmente, cada um tenta apresentar-se como dono e senhor de
uma mestria absoluta, que emerge e se reflecte no seu comportamento, por mais
nocivo que este seja. Isto desponta da falta de conhecimento de si próprio. Em
geral, todas a pessoas se esquecem de que quando apontam o indicador em
direcção a alguém, “têm sempre quatro dedos a apontar para si mesmas”, - se não
forem deformadas, como é manifesto!?
Esta lógica, como tudo o
que nela possa assentar, é certo que pode não configurar uma realidade para
matérias diversas, mas neste assunto sobre Ser Humano, ela é de uma
infalibilidade absoluta.
Para conseguirmos
estabelecer um carreiro que nos possa conduzir a uma harmonia social entre o
nocivo e o benéfico, o sagrado o profano, e as mais díspares edeologias
políticas, somos, por força das circunstâncias, obrigados a vestir a capa
obscura da dissimulação. Sem a utilização da hipocrisia, a “estabilidade”, como
no momento se encontra, ainda que aparente, não iria além de um sofisma. Seria
bem pior.
Mesmo sabendo disso, é-me
dado constatar que através dos séculos, todas as colectividades globais, nunca
deixaram nem abdicarão de andar à traulitada. Está-lhes ma massa do sangue.
Estou convencido de que
o Ser Humano nasce bom; a sociedade onde está inserido é que tenta moldá-lo à
sua maneira.
Por outro lado, também ajuízo
que isso acontece, quando a parvoíce
vence a hipocrisia. Porém, apesar de ladeado por estas os duas demarcações, parvoíce
e hipocrisia, creio que ele deve ser senhor do seu próprio domínio, e
assim, do seu próprio destino. Julgo que é uma questão de força de vontade. De
querer.
Assim, penso que mais vale
aparentar ser idiota e manter a paz, do que disfarçar a virtude e estimular a desarmonia… ou a guerra.
Como o leitor queira
entender.
António Figueiredo e
Silva
Coimbra, – PORTUGAL -, 4
de Outubro de 2026
Nota:
Não utilizo o
AO90.
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