domingo, 4 de outubro de 2026

A PARVOÍCE E A HIPOCRISIA

 

"A hipocrisia é a homenagem que o vício presta à virtude”.

(François de La Rochefoucauld)

A PARVOÍCE E A HIPOCRISIA

Die Dummheit und die Heuchelei

الحماقة

Foolishness and Hypocrisy

愚蠢與虛偽

LA ESTUPIDEZ Y LA HIPOCRESÍA

Sự ngu muội và thói đạo đức giả

Глупость и лицемерие

মূর্খতা ও ভণ্ডামি

Kebodohan dan Kemunafikan

والنفاق

 

    É óbvio que há sentimentos, segredos e mistérios, que falecem connosco. São aqueles que, se os difundíssemos, só gerariam irritações e desconchego.

Se antes de proferirmos o que nos mareia no espírito”, sem ponderarmos naquilo que vamos “vomitar”, podemos colher oportunidades sinistras de ficarmos sujeitos a criticismos exacerbados, que podem derrubar a nossa imagem, perder “amizades”, que se afiguravam ser sólidas e de facto não eram, desfazer contratos matrimoniais, desagregar famílias completas, e até, colocar em polvorosa uma sociedade inteira, um país ou mesmo o Mundo.  

É do senso comum, que ninguém é perfeito; contudo, é também do saber universal, que as medidas desses predicados não obtemperam uma igualdade absoluta. Cada um é como é, e não como os outros querem que seja. Observo, no entanto, que entre nós, (estou a falar dos Humanos), habitualmente, cada um tenta apresentar-se como dono e senhor de uma mestria absoluta, que emerge e se reflecte no seu comportamento, por mais nocivo que este seja. Isto desponta da falta de conhecimento de si próprio. Em geral, todas a pessoas se esquecem de que quando apontam o indicador em direcção a alguém, “têm sempre quatro dedos a apontar para si mesmas”, - se não forem deformadas, como é manifesto!?  

Esta lógica, como tudo o que nela possa assentar, é certo que pode não configurar uma realidade para matérias diversas, mas neste assunto sobre Ser Humano, ela é de uma infalibilidade absoluta.

Para conseguirmos estabelecer um carreiro que nos possa conduzir a uma harmonia social entre o nocivo e o benéfico, o sagrado o profano, e as mais díspares edeologias políticas, somos, por força das circunstâncias, obrigados a vestir a capa obscura da dissimulação. Sem a utilização da hipocrisia, a “estabilidade”, como no momento se encontra, ainda que aparente, não iria além de um sofisma. Seria bem pior.

Mesmo sabendo disso, é-me dado constatar que através dos séculos, todas as colectividades globais, nunca deixaram nem abdicarão de andar à traulitada. Está-lhes ma massa do sangue.

Estou convencido de que o Ser Humano nasce bom; a sociedade onde está inserido é que tenta moldá-lo à sua maneira.

Por outro lado, também ajuízo que isso acontece,  quando a parvoíce vence a hipocrisia. Porém, apesar de ladeado por estas os duas demarcações, parvoíce e hipocrisia, creio que ele deve ser senhor do seu próprio domínio, e assim, do seu próprio destino. Julgo que é uma questão de força de vontade. De querer.

Assim, penso que mais vale aparentar ser idiota e manter a paz, do que disfarçar a virtude  e estimular a desarmonia… ou a guerra.

Como o leitor queira entender.

 

António Figueiredo e Silva

Coimbra, – PORTUGAL -, 4 de Outubro de 2026

 

Nota:

Não utilizo o AO90.

Sem comentários:

Enviar um comentário

A PARVOÍCE E A HIPOCRISIA

  "A hipocrisia é a homenagem que o vício presta à virtude”. (François de La Rochefoucauld) A PARVOÍCE E A HIPOCRISIA Die Dummhei...