terça-feira, 15 de setembro de 2026

DIGNIDADE

 

 

O afecto despretensioso, é o nutriente pacífico do espírito.

É como o sol; quando nasce é para todos,

 - se não existirem “nuvens nêgras” a cobrir a sua fulgência.

(António Figueiredo)

 

DIGNIDADE

WÜRDE

尊嚴

DEMNITATE

Гідність

DIGNITY

ДОСТОИНСТВО

गरिमा

PHẨM GIÁ

尊厳

 

No deambular da minha existência, tenho deparado com situações que, pela sua preciosidade, são dignas da minha apreciação, louvor e divulgação pelo mundo. A que se segue, é uma delas.

Em circunstancial diálogo com um amigo meu, a determinado instante emergiu ao nosso palratório as especialidades actualmente adquiridas em algumas das nossas  universidades. Conversa puxa conversa, até que ele me falou de umas das suas filhas, que terminou a licenciatura em Medicina, pela Universidade de Coimbra, e no momento, estava a pensar concluir a especialidade de Medicina Geral e Familiar.

O pai, como qualquer pai que se preze por ver os filhos bem na vida, - que é normal -, com sentido protector e afabilidade – que é habitual neste Sr. -, apresta-se a apresentar-lhe o que naquele instante vagueava no seu pensamento:

- Olha, eu era da opinião, conquanto que a decisão a ti cabe, que talvez fosse melhor adquirires uma especialidade que no futuro te permitisse trabalhar no sector privado; compreendes que a situação financeira é mais benéfica do que a remuneração estatal.

Resposta:

- “Meu pai, vou optar por escolher MGF, porque faço muito gosto em cuidar bem dos doentes como eles são e não pelo dinheiro que eles têm”.

Disse-me o pai, que até se sentiu o bocado constrangido; não por pela réplica que ela deu, mas pela manifesta alvura do carácter que a envolvia.

Perante esta “pequenina ‘stória”, eu nunca poderia remeter-me à profundidade do silêncio e não verter para o todo mundo que segue e lê o meu blog, algumas palavras de admiração e apreço, por este gesto de verdadeiro significado altruísta, que poderá servir de benévolo exemplo, a seguir por muitos seres humanos.

Bendita menina que assim pensa, e todos aqueles que seguem as suas linhas; abençoados os progenitores que a conceberam e primaram pela sua civilidade.

Apesar da amargura que sinto, não mencionarei o seu nome, porque, como declara Friedrich Nietzshe, “é pelas próprias virtudes que se é mais castigado”; e actualmente, com a minha provecta idade e conhecedor da sanguinolenta barbaridade promovida pela inveja e pela ganância, (as tais núvens nêgras), em que esta sociedade se encontra envolta, não vejo outro remédio, senão mesmo, seguir a via silenciosa. Porém, não deixo de não dizer:

O pai, deve sentir-se muito orgulhoso!

E até a própria sociedade, que esta menina integra.

 

António Figueiredo e Silva

Coimbra, 15 de Setembro de 2026

 

Nota:

Por obstinação, não faço uso do AO90.

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