quinta-feira, 24 de setembro de 2026

A IGNORÂNCIA CONGÉNITA

 

“Muitos querem ser, mas não sabem sê-lo.

(Milay Costa)

A IGNORÂNCIA CONGÉNITA
Врожденное невежество

CONGENITAL IGNORANCE

जन्मजात अज्ञान

Die angeborene Unwissenheit

Ignoranță congenitală

Sự thiếu hiểu biết bẩm sinh

與生俱來的無知


    Um dia destes, em agradável cavaqueira sobreo carácter, veio a lume o estado comportamental das pessoas; algumas das quais, sem disso se aperceberem, são fanáticos acólitos de uma ignorância sem paralelo, que eu titulo de burrice congénita.

A minha “companheira” de uma vida, com quem eu estava a manter a interlocução, quando esta estava prestes a terminar, ponto-finalizou com a frase arriba expressa; “muitos querem ser, mas não sabem sê-lo”.

Apesar da chalaça que a amamenta, pus-me a raciocinar na filosofia embrenhada naquele minúsculo trecho vocabular, e conclui que a fundura da veracidade nele contida, equivale à realidade irrefutável da ignorância daqueles que ambicionam ser grandes, mas não têm capacidade para o ser.

É evidente que a culpa não é deles, por terem nascido com essa característica; mas certamente que também nunca fizeram nada para tentar revertê-la.

Por norma, apresentam-se como nervosos cacofónicos, providos de faladura sem nexo, com beatífica incidência na parte materialista, a quem devotam a  maior importância, como sendo o paraíso da sua vida. São pessoas que quando abrem a matraca, nada instroem. Dos seus estomas tagarelas, apenas saem somente bosteiradas sem sentido, em que a fecundidade do proveito se esvai. Estas, apenas empanturram o espírito de quem as ouve; mas no fim, sempre se aprende alguma coisa, que  é ficar com o conhecimento pleno da estupidez. Todavia, para que possamos viver pacificamente na comunidade de que fazemos parte, mesmo a contragosto, somos coagidos a recorrer à hipocrisia, cuja característica é real, e não se cinge apenas ao sector filosófico; é uma realidade.

Como tal, entre “o saber ser, e sê-lo”, existe um espaço deveras montanhoso que em certas situações a burrice e a imbecilidade latentes não conseguem ultrapassar.

Isto seria razão p’ra clamar, viva a idiotice!

Não ignoro, contudo, que desse fermento, todos possuímos uma porção. O problema, é que como a Natureza é perfeita em tudo, - até mesmo na imperfeição. Ocorre que esse crescente, de vez em quando é mal repartido. As porções nunca são iguais. Mas isso não foi realizado ao acaso. Porque, para que haja sombra, tem de existir luz.

O segrêdo da Criação, consiste em primar pelo equilíbrio;  sem o mal, o bem não existe; não há dia sem noite; o conhecimento da tristeza, transporta-nos à felicidade; o cansaço subsiste, para valorizarmos o repouso; a fome para termos a noção de fartura; para que exista energia tem de haver um ânodo e um cátodo.

Assim sendo, posso afirmar que a palermice, apesar de não ser bem vista, não renuncia ao seu lugar de excelência; se assim não fosse como perceberíamos a presença da erudição?

Tudo funciona segundo um Equilíbrio Universal Perfeito.

Aquele que não acreditar no que acabei de dissertar, que observe para o seu interior, reflita nas suas acções, e tire as devidas conclusões.

Até pode sê-lo e não saber.

Somos todos uma cambada!

E eu, porventura, faço parte do “rebanho”, sei lá!?

 

António Figueiredo e Silva

Coimbra, 24 de Setembro de 2026

 

Nota:

Como detesto, não utilizo o AO90.

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