segunda-feira, 31 de agosto de 2026

O ESPELHO

 

A Natureza, é o espelho que reflecte

a imagem da supra-realidade

(João António M. Palmeira)

 

O ESPELHO

Der Spiegel

আয়না

THE MIRROR

鏡子

Ο ΚΑΘΡΕΦΤΗΣ

TẤM GƯƠNG

आईना

ЗЕРКАЛО

 


    Há muito que venho a ponderar redigir uma composição sobre esse miraculoso “enganador”, que, para alguns com desfaçatez, e para outros com felicidade, reflecte sem vergonha nem acanhamento a imagem de tudo o que pela frente lhe aparece.

Podemos ou não gostar da “paisagem” que se nos depara, mas temos de a aceitar. Ele não nos chamou para o enfrentarmos; o voluntariado foi nosso. Assim, devemos acatar com serenidade e compreensão o resultado refectido, ainda que possa não se encaixar nos quadrantes do nosso gosto.

Esse artefacto não só reflecte a nossa imagem, como, para surpresa nossa, expele o nosso estado de estado de espírito.

Tem ainda, o poder de nos transmitir com suprema exactidão, as diferenças entre quem nós éramos ou quem nós fomos no passado, e no presente, quem nós somos.

Com colossal fidelidade, é ele que marca com rigor cronométrico a nossa viagem através do tempo; bastando-lhe para isso, servir-se progressivamente da nossa imagem, a qual reflecte sem astúcia. É luzente e directo na sua apreciação, e faz vibrar a estupidez em muitos vaidosos e lacrimejar outros tantos desafortunados.

Onde quer que permaneça, no bolso, na carteira, encostado a uma parêde ou dependurado em qualquer lado, mantem-se quieto, sem pestanejar, e quando algo ou alguém, dele se aproxima, parece que só lhe falta falar; olá, outra vez por aqui? Ainda há pouco aqui estiveste!? Passas a vida a olhar p’ra mim, caramba! Como a querer dizer: bem, se não olhares para mim, não vês a ti próprio, meu pateta! Mas, se vens p’ra chorar, vai-te daqui, que me podes sujar só poderás ter como lucro uma imagem defeituosa que mais te poderá arreliar, e te fará carpir, estremecer, e… sabe-se lá mais o quê!?

Ele pode ser polifacetado, mas é directo no seu reflexo; o que é, é; expõe a realidade da imagem sem cortesias nem piedade. É capaz de reflectir com a mesma precisão e sem pudor, a qualquer “quadrúpede” ou sujeito estúpido que a ele se mire. Sem contemplações, reflecte a beleza ou a feiura, sempre com a mesma precisão e petulância. É, por assim dizer, um objecto obstinado na precisão do serviço que presta a quem o usa.

Como tal, se estiveres achacado, usufruíres de má imagem corpórea ou não te encontrares nos teus dias de favorável respiração espiritual, não te apresentes ao espelho, porque o seu reflexo fará com que a tua tristeza medre e a ansiedade acompanhá-la-á, como uma parceira inseparável.

Isso descontenta, reprime e faz pensar negativamente, o que faz crescer os níveis de adrenalina, que por resultar num triste fim.

É preferível desfazê-lo de uma vez, do que sofrer a todo o instante - aqueles que padecem; porque, o reflexo por ele emitido, também revela o estado da alma! Porque a condição do espírito é reflectida na imagem.

Por esse motivo, é usual dizer:

“A cara é o espelho da alma”.

Disso, não tenhamos incertezas.

 

António Figueiredo e Silva

Coimbra, 31 de Agosto de 2026

 

Nota:

Não utilizo o AO90

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