sexta-feira, 10 de julho de 2026

CARTA ABERTA AO MAI DE PORTUGAL

 

A ponderação, consiste em não dizer tudo o que se raciocina;

contudo, em reflectir profundamente antes de o transmitir.

(António Figueiredo e Silva)

 

CARTA ABERTA AO MAI DE PORTUGAL

Offener Brief an den portugiesischen Minister für innere Verwaltung

致葡萄牙內政部長的公開信

ΑΝΟΙΧΤΗ ΕΠΙΣΤΟΛΗ ΠΡΟΣ ΤΟΝ ΠΟΡΤΟΓΑΛΟ ΥΠΟΥΡΓΟ ΕΣΩΤΕΡΙΚΗΣ ΔΙΟΙΚΗΣΗΣ

पुर्तगाल के आंतरिक प्रशासन मंत्री को खुला पत्र

OPEN LETTER TO THE PORTUGUESE MINISTER OF INTERNAL ADMINISTRATION

ポルトガル内務大臣への公開書簡

SCRISOARE DESCHISĂ CĂTRE MINISTRUL PORTUGHEZ AL ADMINISTRAȚIEI INTERNE

THƯ NGỎ GỬI BỘ TRƯỞNG NỘI VỤ BỒ ĐÀO NHA

 

 

Exmo Sr.

Luís António Trindade Nunes das Neves

Ministro da Administração Interna de Portugal

 


    Sem querer abusar da pseudo-democracia em Portugal existente, em que é apregoada uma “igualdade celestial”, onde só o poder seráfico se governa e o povo padece, apraz-me dirigir-lhe esta epístola, dedilhada à minha rude maneira, para desatravancar a revolta que me anda a chasquear no espírito, no que diz respeito às “fogueiras de Sem João”, que há muito têm vindo a assolar as florestas desta nacionalidade, da qual o Sr. é actualmente, Ministro da Administração Interna.

Muito tem “palrado”, até com timbrada arrogância, em todas as situações susceptíveis de esbrasear os nossos arvorêdos. Muito bem; tenho sentido muito prazer em ouvir as “sapientes e concisas dissertações” do Sr. Ministro sobre este tão delicado assunto, que, certamente à maioria dos portugueses, têm feito comichão no couro cabeludo, com a resultante criação de carepas .

As antigas casas dos Guardas Florestais, actualmente abrigos de pêgas, carriças, tordos, cucos e teias de aranha, ainda hoje são um marco fidedigno que insiste irredutivelmente, em atestar a incompetência da nossa governação enfezada pós 25 de Abril, a ver pelo total desprezo da nossa arborização, que desde o primeiro rei de Portugal sempre existiu.

É uma chatice, atão num é Sr. Ministro?!

Quem absorve as consequências agora?

São os tractores, que andam, (como sempre andaram), a “traturar” pelas matas, as pequenas queimadas “desordenadas”, - que sempre se fizeram -, as viaturas que eventualmente possam estacionar junto aos pinhais, (como várias vezes aconteceu), as beatas de cigarro malfazejas, um fragmento de vidro de uma qualquer garrafa de pingolêta, e acima de tudo, o malandreco do sol, que, durante muitas noites de verão, pela surrelfa, tem vindo a projectar os seus “patológicos” raios infra-vermelhos ardentes, em riba das limpezas por fazer, (e por teimosia e insubordinação, também não poupa as matas pertencentes ao Estado), porque grande parte dos seus “proprietários” já se encontram caducos e impotentes para o poder fazer, ainda que a força de vontade e a tristeza se manifestem.

Tem sido uma amálgama discursiva repleta de asserções, que, bem analisadas, dá para contemplar que o Sr. Ministro ainda não ousou a focar uma razão, quiçá a principal, que me parece ter sido o fundamento supremo das “fogueiras de Sem João em Portugal”; A PIROMANIA, (que se me afigura ser a causa primeira), E OS INTERESSES NUMISMÁTICOS SUBJACENTES AO “RESTOLHO” DAS LABARÊDAS CRIMINOSAMENTE ATEADAS.

Sr. Ministro.

Pode ter a certeza de que, se forem instituídas condenações pesadas para ateadores florestais, (pirómanos ou incendiários), quando apanhados em flagrante, certamente que as ignições irão “encolher”. No entanto, quanto a este assunto, o Sr. nada tem referenciado.

Paralelamente a isso, deve haver(?!), muita população nos presídios portugueses, a penar por ter “roubado uma galinha” – dos que furtam “perús e lagostas”, creio que não lá nenhum.

Igualmente não é dúbia a existência de bastantes “marmanjos” a viver à custa do RSI (Rendimento de Inserção Social), e outras alcavalas, sem fazerem a “ponta-dum-corno”, que, adstritos aos Municípios, poderiam fazer parte de equipas de desmatamento e plantação de árvores a preços módicos, para substituir “aqueles que já não podem com uma gata pelo rabo”, - como eu -, e desse modo, custearem o seu sustento; diminuindo deste modo, os encargos impostos ao erário público.

 Sr. Ministro, p/f, não subestime; porém, aceite sem pestanejar, mas dilate as suas pupilas olhométricas, para as palavras que este “jovem” caduco, (que podia ser seu pai), lhe está a transmitir, sem partidarismos políticos e livre de quaisquer ideologias, mas porque já calcorreou durante bastantes anos sobre as brasas ardentes de diversas governações, (e desgovernações), calçou tamancos e chancas, andou numa escola com vidros partidos, onde o calor do Estio ou o frio do Inverno entravam sem pedir licença, e comeu côdeas rijas que o Diabo amassou; mas  pode crer, que possui uma ampla visão do Mundo.

Depois de o Sr. Ministro ter debulhado com o rodízio do bom senso esta dissertação, (se o fizer), medite maduramente sobre o assunto, e veja se consegue dormir descansado.

Por agora bonda. Fiquei tranquilo!

Atentamente.

 

António Figueiredo e Silva

Coimbra, 11 de Julho de 2026

 

Nota:

Recuso-me à utilização do AO90

 

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  A ponderação, consiste em não dizer tudo o que se raciocina; contudo, em reflectir profundamente antes de o transmitir. (António Figue...