O conhecimento torna a alma jovem
e diminui a amargura da velhice.
Colhe, pois, a sabedoria.
Armazena suavidade para o amanhã.
O IDOSO
Die ältere Person
老年人
THE ELDERLY PERSON
高齢者
Persoana vârstnică
Пожилой человек
Người cao tuổi
LA PERSONNE ÂGÉE
बुज़ुर्ग व्यक्ति
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Na verdade, o arranjo vocabular que se segue, é dirigido a todos aqueles que, carentes de alguma falha no entendimento, foram os fecundadores das palavras que vieram substituir o título deste texto, com a criação dos termos, TERCEIRA IDADE.
Podem haver divergências
opinativas, como é evidente, mas, em meu discernimento, entendo que são
palavras que albergam uma sonância algo depreciativa, e tendem, - ou pretendem mesmo
-, criar linhas-limite de separação cronológica, quando, no espaço temporal,
apenas existe um cordel de continuidade, que ao longo da duração se vai ao de brandamente
“degradando”. A sua dinâmica, é, por analogia, idêntica ao movimento das épocas
sazonais do ano; criança/Primavera, jovem/Verão, adulto/Outono e velho/Inverno.
Isto é irretrucável.
Esses “inventores”,
- ainda que de boa fé -, deviam ter em mente que, na realidade, a imprudência é
uma característica natural que se projecta desde a nascença, passa pela
juventude e vai clivando na idade adulta com vista a ampliar e aperfeiçoar o
conhecimento; depois, este, paulatinamente vai perecendo com a velhice, - só as
“bestas” morrem dele vazias, se pelo trilho não lhes surgir alguma adversidade
que se proponham a vencer - como é compreensível.
Ainda eu era um miúdo
imberbe, sempre me foi ensinado a honrar a velhice; hábito que procurei manter
ao longo da vida. Mas hoje, mesmo abafado pela vetustez, (não por uma terceira
idade), ainda com neurónios em “plena” actividade, observo que a velhice está a
ser considerada um peso social. Um sério estorvo. Esta, é remetida para a
imprestabilidade, com recurso a frases pouco abonatórias, despejadas por muitos
que não sabem se lá chegarão; já deu o que tinha a dar, não sabe o que diz, não
pode com as botas, está tatibitate, é surdo que nem uma porta, está engelhado,
treme por todos os lados, borra-se e mija-se todo, repete sempre as mesmas
coisas, etc. Enfim, noto que a velhice tem vindo a ser desprestigiada, quando às
pessoas que a atingiram, escasseiam as capacidades para manifestarem os seus
sentimentos, - não quer dizer que deles não usufruam.
Quando esta carência ocorre,
apesar do seu declínio, elas passam a representar um odre aurífero para
ambiciosos, oportunistas e exploradores, que sem pudor e sem moral, que
deleitam a desgastar alguns aforros por essas pessoas amealhados.
Descoram que os idosos,
são a consequência de uma regressão a crianças com o avançar da idade; são o
resultado de uma oxidação promovida pelo gás que através dos tempos lhes foi sustentando
a vida; o oxigénio. É este nobre gás, que suporta a vida a todos os seres
viventes no Globo.
Aqui não há terceiras
idades; existe apenas um túnel passageiro por onde viajamos, e que se vai
dissolvendo no tempo da longevidade, - quando a atingimos.
É de reconhecer que, por
esse trecho acidentado, que é apinhado de obstáculos, embora com alguns
momentos de prazer, aprende-se muito; todavia, nunca o suficiente. À medida a
erudição vai penetrando em nós, esta faz-nos compreender que o seu limite é
infinito. Logo, temos que nos dobrar perante a sua magnitude e aceitar que,
mesmo não sabendo nada, não a terceira idade, mas a velhice, deve ser estimada
e compreendida.
Com um pouco de sorte e
saber, todos lá chegam.
António Figueiredo e
Silva
Coimbra, 10 de Julho de
2026
Nota:
Não utilizo o AO90

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