terça-feira, 9 de junho de 2026

DIFERENÇAS

 

Já tem uns anitos, mas, cada dia que passa, está mais actulizada; assim sendo, entendo que devo republicar.

(O Autor)

A ironia é uma forma educada

 de ser mal-educado.

(Camila Bill)

 

DIFERENÇAS

(Brutalidade e falta de educação)

 


    Há quem argumente que a brutalidade equivale à falta de educação, ou seja, à incorrecção. Pessoalmente não estou convencido disso, e, à guisa dessa questão, ajuízo que pode ser-se bruto, mas saber o lugar que se ocupa na sociedade regida pelas normas da ética, em que o comportamento relacional tem o seu valor implícito e certamente podemos não ser mal-educados.

Há ocasiões em que, quando a verdade está à vista e no-la querem extorquir, podemos naturalmente enveredar pela resposta bruta, ciliciante, ácida e dilacerante, sem, contudo, enveredar pela falta de educação.

O indecoro classifica negativamente a pessoa que faz uso dele colocando-a no lado negro da crítica social, conquanto que a brutalidade perante a realidade de um facto, provida de ética é censurável, mas ao mesmo tempo desculpável e passível de correcção suportadas pela perseverança e pelo diálogo.

Com a falta de educação já assim não acontece; a interlocução deve ser imediatamente encurtada, ou radicalmente trinchada, para evitar atingir o patamar máximo do desentendimento, que é a altercação.

Ao bruto, ainda se pode permitir falar; é natural que a sua brutalidade seja consequência de uma razão aninhada no seu interior, mas que pela forma como a expressa, se torna desagradável a sua audição, não sendo porém, de desprezar; ao mal-educado, que inicia de imediato o seu paleio bafioso, quer seja de ataque, de resposta ou opinativo, recorrendo a palavras menos próprias ou insultos, perde toda a razão logo à partida.

As pessoas que voluntariamente se deixam devotamente orientar pela falta de educação, que há muita, acho que perdem um fragmento bem abonado do conceito respeitante ao prazer de viver, onde a harmonia é uma constante que elas deviam procurar conhecer e adaptar-se.  

É apanágio destas pessoas desprovidas de educação, criarem à sua volta um mundo pedregoso e inaceitável, sendo por isso comunitariamente sentenciadas, por causa das suas solturas cerebrais.

Concluindo: os brutos ainda podem falar verdades; os mal-educados, apenas irritantes baboseiras, com a perda de razão logo ao iniciar a sua “comunicação”.

Toda esta dissertação é desnecessária às pessoas educadas; apenas serve aos bactrianos mal-educados, sem formação cívica, que fazem da falta de educação a sua profissão de fé.

Ouviste, ó camelo?

Tenho dito.

 

António Figueiredo e Silva

Coimbra, 21/08/2018

www.antoniofsilva.blogspot.com   

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