domingo, 31 de maio de 2026

LEMBRANÇAS AFLORAM À MEMÓRIA!

 

Quando começamos a relembrar muito,

é predição de que o tempo se está a esgotar.

(António F. Silva)

 

LEMBRANÇAS AFLORAM À MEMÓRIA!

 

Há muitos anos!

Ainda agora alimento no meu ser as memórias que a borracha do tempo se recusa a apagar; e ali, arrumada, um canto, e talvez assaltada pela poeira, a aplaca gráfica, que decerto não se recusa a imprimir.

Esta ilustração humorística, encerra uma cronografia, que pela sua graça, merece ser libertada do baú do silêncio.

Não me recordo do nome do artista que alinhavou com precisão os perfeitos traços que lhe deram alma e muita semelhança com a minha fronha.

Se algum dia, (que será pouco provável), ele se deparar com este caricato desenho, e se der ao trabalho de ler o que aqui vai manifesto, certamente que também não irá lembra-se, - tal não era a piela que lhe toldava a mioleira! São acontecimentos, próprios da idade, decorrentes de grupos de amizade e da petisqueira, - quando atravessei o comportamento disparatado da juventude, a esses momentos também não me safei.

Recordo-me que o magnífico desenhador se formou e Direito pela Universidade de Coimbra. Se exerce a profissão ou não, não sei.

Esta distorção irrisória da minha fronte, pelo que diz quem me conhece, dentro do burlesco, a mim se assemelha.

O artista, que tinha estado numa petiscada com amigos e a emborcar uns tintos de boa marca, destinados à lavagem do seu canal de deglutição, entre o “tempero” da cavaqueira e o trincar do pitéu, como acontece a muitos, esqueceu-se de que a descida da quantidade do tintol, devia ter esquecido que este também subia à cabeça e danificava a bússola, tresmalhando-lhe a orientação.

E certo é que quando o grupo saiu, por simples casualidade olhei para a mesa onde tinham estado, e fiquei perplexo; entre cascas de camarão, migalhas de pão e máculas de briol espalhadas pelo toalhete de papel e havia servido de aparador, olhei para esta figura artisticamente bem feita, rasguei o bocado do toalhete e fiz a sua integral reprodução que mandei fazer em metal, e guardei até aos dias de hoje, como uma relíquia do antigo café “O PAINEL”, outrora sito na Rua Lourenço Almeida Azevêdo, 80, em Coimbra.

Não tinha assinatura, nem data. É a razão porque desconheço o nome do talentoso criador.

Pode ser que ele, se vir esta caricatura se recorde, e possa mencionar o seu nome. Este rabisco vale mais do que um quadro de Salvador Dali.

Actualmente, com quase oitenta e dois anos no pêlo, quero expressar o meu reconhecimento ao desconhecido, (até agora), Criador.

 

António Figueiredo e Silva

Coimbra, 1 de Maio, de 2026

 

Nota:

Não uso o aborto do AO90.

       

Sem comentários:

Enviar um comentário

LEMBRANÇAS AFLORAM À MEMÓRIA!

  Quando começamos a relembrar muito, é predição de que o tempo se está a esgotar. (António F. Silva)   LEMBRANÇAS AFLORAM À MEMÓRIA...