quarta-feira, 28 de maio de 2025

A ESCRITA



 Apesar de sermos uma infinitesimal

partícula a bulir na infinidade do Universo,

 temos o Universo dentro de nós.

(António Figueiredo e Silva)

 

A ESCRITA

Não é meu propósito doutrinar ninguém; mas olho a escrita, como uma manifestação dos elementos cósmicos que são projectados no nosso estado de espírito, e na mais ínfima partícula de matéria, por muito amorfa que ela se nos afigure. São eles, a Polaridade, a Energia e a Vibração; estes elementos constituem em si, o Supremo da Substância Universal. O Supremo, ao qual me quero referir, é o Universo; do qual me apercebo ser de extraordinária dimensão, cuja essência até hoje mantém o enigma no seu Absoluto, - de todo, complexo e inexplicável. Este mistério, ultrapassa a mais fina e conceituada erudição de qualquer ser humano, por mais letrado e sapiente que seja.

Desse Mundo, “incógnito” e infinito, já não ouso dizer que dele faço parte; porém, atrevo-me a asseverar que sou ele próprio. Ainda que, uma manifestação ínfima, que certamente ultrapassa a escala nanométrica da complexidade do seu Todo Ecuménico. Paradoxal! Não sou nada, mas sou ele próprio.

A escrita não é mais do um que a transmutação da cadência Universal, que varia em consequência de três factores, que passo reiterar: polarização energia e vibração. É a conjuntura das mesmas, Criadas no Espaço Cósmico, que se reflecte em todos os seres viventes, com procedente incidência, no actual Homo Sapiens, porque “sabe ler e escrever” - apesar desta matéria, lamentavelmente, ainda não estar ao alcance de todos.

A palavra escriturada, se satisfatoriamente ordenada e bem consolidada, tanto pode configurar uma hostil e violenta arma para a guerra, como um suavizador emoliente para promover o caminho da paz de espírito.

Nos nossos dias, as provas disso mais manifestas, são veiculadas pela psicologia e pela psiquiatria; que fundamentalmente, são os braços articulados da psicanálise, onde verdadeiros cárneos, com afinco e dedicação se terão debruçado, e continuam.   

A escrita, devido à sua musicalidade e força eloquente – nem sempre -, tem a capacidade de estimular ao amor, à paixão, e apelar à calma e à compreensão; transportar ao deslumbramento ou à desilusão, ou ainda, incitar à raiva e à luta desenfreada e selvática; estas componentes dependem do estado de espírito daquele escreve, da maneira como escreve, e do modo como compreendem e aceitam, aqueles que interpretam a leitura real e nas entrelinhas, que por vezes se apresenta sinuosa, e com “rostos diferentes”.

No que respeita à natureza caligráfica, a disposição dos caracteres linguísticos, são tão relevantes como a ordenação dos símbolos, alinhados numa partitura musical. Contudo, existe uma diferença; a precisão. Na harmonia, a polissemia não existe. O rigor do seu recheio é concreto, preciso e inviolável.

A música, apesar de não vestir o método discursivo da fala grafada, congrega todas as particularidades acima referidas; esta, não deixa de não gerar uma “dissertação” fónica, com indubitável capacidade de bulir com os índices de energia que afectam todos os seres – não só os humanos -, e provocar-lhes calma e brandura, sonolência e bem-estar, ou até mesmo, descontrolada agressividade hidrofóbica.

A variedade das árias musicalizadas, através dos tempos assim o têm vindo demonstrar.

Devo ressalvar que, sobre a música, não existe na História nada que reconheça e esclareça, quando e como germinou o Princípio da Harmonia. No entanto, não alimento dúvidas de que ela abrolhou espontânea e naturalmente da Força do Universo, muitos biliões de anos antes do ser humano surgir, e ter começado a “gatinhar e a grunhir, e antes de consumar erecta verticalidade de que hoje desfruta. Esse primórdio da Grande Energia Criadora, espontaneamente brotou do âmago do Cosmos e foi dispersa pelo seu Todo e sentido por todos os seres, cuja existência até aos dias de hoje vem estimulando. Neste ponto, não alimento incertezas.

A escrita, apesar de desfrutar de um teor harmónico equivalente ao da cadência, só despontou com o “Raiar-do-sol da Humanidade”; na estrutura sinalética e no seu aperfeiçoamento relactivo, foram dissipados anos e anos a estabelecer e alcançar a realidade dos parâmetros, hoje à nossa disposição; conquanto que, as alterações não suspenderam. 

Quando alguém redige um trecho discursivo ou compõe uma partitura musical, expressa o que lhe vai na alma! O que lhe mareia dentro do espírito naquele momento, não é mais do que aquilo que o Universo lhe “determina”.

É isto que eu entendo por ESCRITA.

A HARMONIA, embora com características semelhantes às da ESCRITA, já nasceu como o Universo e a ele se mantem unida; lidera todos os estados de espírito, embora os resultados de ambas não comunguem do mesmo rigôr.     

Por agora, já não me almeja lavrar mais “disparates”! Estou estafado da moleirinha! Mas penso que, “para bom entendedor, de palavras basta”.

 

António Figueiredo e Silva

Coimbra, 26/05/2025

Nota:

Não uso o AO90

  

 

 

  

 

 

 

domingo, 25 de maio de 2025

UMA LIÇÃO DE VIDA P’RA VIVER


  

Quem não fraterniza, não vive;

apenas existe.

(António Figueiredo e Silva)

 

UMA LIÇÃO DE VIDA P’RA VIVER

(Dissertação sobre a importância da comunicabilidade)

 


    Vou encetar esta cavaqueira, cujos fundamentos que a vão tecer, há muito tempo andam a fervilhar na minha floresta emocional, e, como já atingiram o pico da elasticidade da película silenciosa que os circundava, levaram-na à ruptura compulsiva e consequente libertação do seu recheio.

Mesmo sabendo que a introversão não é uma patologia, nem tão pouco uma imperfeição, porém uma condição genética, sinto que essa compleição castra a interacção social, e por arrastamento, afasta o indivíduo dos estímulos exteriores, indispensáveis à lapidagem da sua maneira de agir, que deve ser reformulada em função do ambiente e meio onde reside.

Antes de prosseguir, devo frisar que não associo ao mutismo, qualquer privação ou defeito intelectivo. Por vezes, ocultam gemas diamantíferas de sabedoria.     

Não obstante esta escrevedura ser direccionada a todos os introvertidos, por uma questão de comodidade e conveniência, vou discursar na primeira pessoa. TU – espero que não fiques ofendido.

Considerando que já transpuseste as vinte primaveras, és um adulto, - sobre todos os aspectos -, quer físicos quer anímicos, quer legítimos; creio ainda, que a tua percepção não se assemelha à de um qualquer imberbe burrancas; suponho igualmente, que não te escassearam as normas de civilidade e delicadeza esmeradas; no entanto, permanece em ti uma essência que, apesar de genética, - penso -, tu, e somente tu, com alguma força de querer, poderás contornar; a comunicação sóbria e mais aberta, - porém sempre defensiva da tua integridade -, para com a sociedade que te rodeia, e  da qual fazes parte integrante, e a família que imensamente te estima, e também sente prazer com a tua presença.

Sabes, nunca deves pensar que os outros só existem ou que vives apenas para ti próprio. É um engano. O contacto de proximidade através do diálogo, é essencial para a tua vivência; espevita o afecto, gera a amizade, carinho, dedicação e estima; são razões que dificilmente conseguem desabrochar no espaço salobro do mutismo.

O silêncio, - quando estamos sós -, é realmente muito bom para uma reflexão intensiva, orientada a fazer uma avaliação do nosso interior, sobre os nossos actos e a nossa conduta, perante os outros e perante nós mesmos; para analisar o estado do nosso EU. É a prova mais evidente de que existimos. Isso é verdade; contudo, somente para nós próprios. É por isso, essencial, que manifestemos a nossa presença através da interlocução, para que aqueles que tendem a lidar connosco, saibam “verdadeiramente”, a nossa identidade.

Se assim não procederes, passarás despercebido, e iniciarás a tua imersão num limbo social insonoro, até te afundares no esquecimento, dependurado a enxugar, no bengaleiro da incomunicabilidade. Ficas sozinho. Obviamente que isso não te poderá conduzir a lado algum.

Os horizontes que interiormente desejarias atingir, têm tendência a ficarem muito longe dos teus propósitos. Reflete bem nisto.

É natural que a polidez que te foi proporcionada, talvez tivesse sido alimentada por princípios com alguma “rigidez”, provinda de um grande bem-querer afectivo e protector, no sentido de que um dia pudesses adquirir um futuro brilhante e seres respeitado socialmente. Esse sentido apadrinhador, por vezes metamorfoseia-se em pesarosa preocupação. É natural que isso tenha acontecido contigo. É normal, embora contraproducente.

Mas, com o teu amadurecimento físico e intelectivo e o calcorrear entre por entre os andurriais da sociedade, de onde deflagram exemplos bons e maus, com os quais sem querer tropeças, estes devem servir-te de leccionações variadas, para as quais deves usufruir de poder analítico e bom senso, para te desvinculares das que para nada servem, e aproveitares aquelas que te podem transmitir algo de bom e proveitoso. Isto é, aprenderes a viver; aprenderes a dominar o teu voo sob o teu próprio comando.

Foi deste modo que muitas pessoas se remoldaram a si próprias, independentemente da maneira como a civilidade lhes foi transmitida, e aplicam os valores da deontologia, da compreensão e da afinidade, para navegarem no meio comunicacional onde hoje ainda vão existindo de cabeça erguida.

 Devemos ser bons alunos da vida.  

As nossas lições, - que nos ficam sempre mais dispendiosas -, são as mais eficientes para podermos viver em harmonia com todo o mundo e ter sempre quem nos socorra nos momentos de maior angústia, que sem aviso prévio, por vezes se nos deparam!

Não deves acobertar-te no casulo hermético e viver unicamente para ti próprio, escoltado por uma mudez incomodativa e “ensurdecedora”. Deves sim, presentear um pouco de ti próprio àqueles que te rodeiam, sem abandonares de todo, a tua firmeza interior, e sem te deixares espezinhar.

Para todos aqueles que cogitam, a integridade é de valor incalculável. Ser capacho social, nunca.

Por isso, sugiro aos introvertidos que descerrem um bocadinho a ourela do capote do silêncio, no sentido de assinalarem a sua presença, na família e na sociedade em geral. Enquanto o não fizerem, tão só irão viver uma existência virtual, da qual, certamente não irão colher grandes mercês. Não passarão de uma espécie de penumbras meio extintas, que, solitária e melancolicamente vão vagueando no seio da comunidade, mas, à parte dela.

Dispõe de uns breves momentos, e medita nas tolices deste velho, doido varrido, já com acentuada senilidade a infectar-lhe o interior do caco.

 

António Figueiredo e Silva

Coimbra, 21/04/2025

Obs:

Não faço uso do AO90.

 

 

 

      

 

      

quarta-feira, 14 de maio de 2025

ADVERTÊNCIA WARNING 警告 WARNUNG चेतावनी ПРЕДУПРЕЖДЕНИЕ

 

O peixe grande sobrevive,

porque devora o pequeno.

Mas nem sempre!?

(António F. Silva)

 

ADVERTÊNCIA

WARNING

警告

WARNUNG

चेतावनी

ПРЕДУПРЕЖДЕНИЕ

 

Por prudência minha, começo por referir que não entendo patavina de técnica comunicacional e seu controlo, que consiste no que se titula de cibernética; não desconheço, porém, que esta é o conhecimento que estuda sistemas, tanto nos seres vivos como em máquinas.

 Apesar de tudo, como um mau, ou mesmo péssimo aluno, ou ainda, como um patético ignorante, vou aqui tecer algo sobre uma ocorrência passada, que ajuízo ter sido um ataque cibernético.

Isto porque, as consequências provindas dessa incursão “pirata”, me têm andado a esfarelar os miolos; se em vez de onze horas, tivesse atingido a longevidade trinta dias, duvido que a minha presença permanecesse aqui, neste momento, a ortografar esta meia dúzia de “disparates”.

Apesar das a ilações de “reputados experts na matéria”, e teletransportadas para o público com recurso aos diversos sistemas de comunicação social, de modo algum me vou coibir de urdir umas “larachas” SÉRIAS, sobre tão melindrosa, e acima de tudo, perigosa matéria.

 

 O APAGÃO (the blackout).

Este rápido, longo e inesperado “relâmpago de escuridão”, que lançou milhões e milhões, pessoas nas trevas, varreu integralmente as comunicações, fez parar portos e aeroportos, cindiu os abastecimentos de combustíveis, desmembrou sinalizações de trânsito, instalou a inércia nos comboios e autocarros, afectou hospitais, etc. eu não considerei, (nem considero), uma avaria técnica; porém, uma deflagração intencionada, estrategicamente urdida por ácaros, entendidos em incursões cibernéticas, e subjugados a alguém todo poderoso, ou dominados por combalida exultação.

 Desde que tive conhecimento da produção de chips com dois nanómetros de dimensão, estou convencido de que a cibernética é outro mundo dentro do Universo em que vivemos. Só que, um mundo mais temerário para todos os seres que nele “distraidamente” cirandam.

Imagine-se que este sinistro, - que credencio ter sido intencional -, cuja duração foi de onze horas, houvesse tido um período de trinta dias; as grandes, e mesmo, pequenas metrópoles, ficariam à mercê do infortúnio; sem água, sem gás, sem transportes; quem tinha algo armazenado, apodrecia dentro dos dispositivos de frio; a fome apertaria a sua tarraxa, a imundície atulharia as ruas, ruelas e recantos, e transformaria as cidades em autênticas nitreiras; nesse caso, a putrefacção faria o seu papel “brilhante” e transmitiria os resultados nefastos a todos os restantes seres vivos – há sempre alguém que se safa -, o frenesim sem piedade, a todos atacaria, - bons e maus, de igual modo -, e dar-se-ia início a uma alienação generalizada sem precedentes, porque as mioleiras deixariam de raciocinar; começariam os roubos, assaltos e chacina desenfreada, numa luta psicótica pela sobrevivência, - que a maior parte, jamais conseguiria obter.

Ao fim de poucos dias de apagão, começariam a ouvir-se gritos de sofrimento e comiseração daqueles que iam resistindo até ao derradeiro fôlego; alguns, ainda meios vivos, a ranger os dentes com quase abafados gritos de dôr, a serem estraçalhados por cães vadios (ou que pela míngua se converteram em tal), que identicamente, num conflito encarniçado entre eles, ladrando, ganindo e rosnando, se digladiavam pelo maior quinhão, até que não sobrasse um só osso ou tendão.

Depois de tudo isto, começaria o ar a ser impregnado pelo o odor nauseabundo e fétido da morte, apregoando que, no lugar das cidades com o seu habitual movimento, proliferava agora, um silêncio fatídico e amontoados de corpos estirados sobre as nitreiras que entulhavam as vias, onde apenas se podia ouvir o grasnar de abutres e corvos, que se revigoravam a encher o papo, espicaçando e arrancado, restos de matéria putrefacta de físicos inertes, que já tiveram vida!

Lembrem-se; isto pode acontecer. Por agora, foi só um aviso.

Com toda esta panóplia de “patacoadas” até aqui expostas, pretendo apenas fazer ver a todos os que me leem, que não são necessários drones, mísseis, nem quaisquer outras espécies de canhoneios, para desfazer várias urbes, ou mesmo, continentes, e varrer toda a existência que deles faz parte.

Cuidado!... Que o recente blackout, disso foi prova manifesta.

É sabido que:

Quando os grandes não têm juízo, são os pequenos que “pagam”; mas, eles, (os graúdos), não devem deslembrar, que não se erigem grandes e faustosos palacetes, se não houverem malcheirosos e pobres casebres.

António Figueiredo e Silva

Coimbra, 12/05/2025

Nota:

Não uso o AO90.

 

 

 

NAQUELE TEMPO!

  Honestidade sem erudição, é franzina e escusada; sabedoria sem rectidão, é indesejável e aterradora.   (António Figueiredo e Silva) ...