UMBIGUISMO AGUDO
Aquele
que olha com extasiada admiração
para
o seu umbigo, demonstra ser um
derrotado
em si mesmo.
(A.
Figueiredo)
(B.
UMBIGUISMO
AGUDO
Por
analogia, quando nos referimos ao centro de qualquer coisa é comum aplicarmos a
palavra umbigo ou embigo (mais arcaico), consoante a preferência de cada um,
sem nos arredarmos contudo, da genuinidade da linguagem portuguesa. É pois,
nesse sentido que vou dissertar.
Esta “excrescência” a transformar-se num
centro de atenções de tal relevância, que a sociedade em que vivemos olha muito
para ela, como se nada mais houvesse à sua volta. É uma tendência generalizada;
ou antes, uma maleita genérica a que eu titulo de, umbiguismo agudo, cuja
propagação tem tendência para se desenvolver na razão directa do número de
parvos que entre nós pululam, assente na abundância de patetas que
beatificamente lhes dão crédito.
Existe uma infinidade de palermas que se
julgam superiores a tudo e todos, e consagram a vida a olhar para o seu umbigo,
deixando que o resto da manada entre em imersão para que ele possa boiar,
marejando ao sabor da sua cismática bolina. O lhes interessa é manterem-se no
topo do monturo, aquilatando-se como o umbigo principal da récua de que fazem
parte integrante.
O seu semelhante não lhes diz nada; a
única coisa que os preocupa é atingirem os fins a que se auto-propuseram, nem
que para isso tenham de esmagar o próprio pai ou chamar pai a outro que nunca
conheceram e nem sabem o seu paradeiro.
O umbiguista é descarado, arrogante,
convencido, vaidoso, auto-bajulador, tem um bom salmear, e, acima de tudo, é
burro que nem uma porta – como é costume dizer-se; é com estas particularidades
que o sofredor de umbiguismo por vezes consegue encobrir a sua burrice e progredir
“alegremente” no formigueiro de cegos que o ouvem e lhe sustentam o jogo,
alavancando-o a cumes para os quais na realidade ele não está devidamente preparado
- mas lá chega.
Um facto é certo: fazer emergir um
umbiguista da porcaria e fabricar com ele um burro com jactância não é difícil;
os fracos de espírito e os calculistas, disso se encarregam; o que não é empreitada
simples ou quase impossível é remover a porcaria da jactância do burro, porque
esta escória pasteleira faz parte da matriz da sua imagem; lavada por fora mas
sebenta por dentro.
Devido a muita palermice por falta de
autoconhecimento, esta “complexa” imperfeição de olhar para o seu próprio umbigo
com estúpida admiração, tem vindo a transformar-se numa moda de contornos tão
evolutivos, que podemos titulá-la de UMBIGUISMO, NÃO AGUDO, MAS CRÓNICO; a
maleita dos parvos dos incompetentes, dos mentecaptos; enfim, daqueles a quem a
natureza, por motivos alheios à nossa compreensão, deixou que eles fossem
abraçados pelos braços fortes da idiotice, tornando-os nuns seres fracos por
natureza.
Estes anómalos, quando olham de cima
para baixo com extasiada expressão de cagança erradamente cientes somente da
sua existência e do seu falso valor venal, se se mantiverem em silêncio, essa
forma de arrufo ainda vai passando; se abrem a matraca, ficam a descoberto e a
sua cotação enfraquece, atingindo a realidade do que realmente são. No fundo,
não passam de uns pobres diabos, por quem a comunidade até deve ter alguma comiseração
porque nessas pessoas, o tal UMBIGUISMO AGUDO, passou a CRÓNICO, sendo por isso
incurável.
Transformou-se numa perturbação
psicológica auto-imune.
António Figueiredo e Silva
Coimbra, 26/06/2017
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