sábado, 10 de dezembro de 2016

PARA TODO O MUNDO, FELIZ NATAL

PARA TODO O MUNDO,
FELIZ NATAL!

EU, na minha melhor forma!
Em especial, para todos os meus amigos e para aqueles que lêem os meus escritos disseminados por todo o Planêta Azul.
 Não quero deixar passar mais esta época natalícia, sem vos deixar os meus agradecimentos pela paciência que tivestes em me terdes “aturado” ao longo de anos; ao mesmo tempo, pretendo também desejar-vos um Natal cheio de alegria junto das vossas famílias e daqueles que mais próximos estarão do vosso círculo afectivo; é minha vontade também, manifestar-vos um desejo que habita no mais profundo do meu ser: que o Novo Ano, 2017, traga no seu odre para vos ofertar, tudo que de melhor desejais.
Espero que a boa vontade supere a má, para que possa haver… “PAZ NA TERRA AOS HOMENS DE BOA VONTADE”!
Feliz Natal e um Ano Novo carregado de prosperidade!
A Todos, o Meu Fraternal Abraço.
António Figueiredo e Silva
Coimbra/Portugal, 10/12/2016
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domingo, 4 de dezembro de 2016

A AMIZADE







Não são as coisas bonitas que marcam as
 nossas vidas, mas sim, as pessoas que
têm o dom de não serem esquecidas.
(?)

 A AMIZADE
(Reflexão)

Quando me afasto de tudo o que me rodeia e começo a confrontar e a escabulhar entendimentos que há muito tempo se hospedam na minha venêta, inúmeras vezes  arribo a conclusões que vale a pena transpor para palavras, por fazerem parte da realidade dos nossos dias, onde os interesses por vezes conseguem escamotear amizades incertas, substituindo-as por um manto de falsidade bem disfarçada, que aspira, com muito requinte, mostrar uma realidade ainda que aparente, de uma realidade latente, bem dissemelhante da primeira.
A amizade não é mais do que a identificação de sensibilidade em relação aos infortúnios dos nossos semelhantes. Como verdadeira virtude, não é fácil de encontrar, porém não é de todo impossível.
Reconhecer estas pedras no plaino caminho do nosso convívio quotidiano não é por certo tarefa simples, mas se tivermos nascido com agudeza no entendimento de observação entalhado no nosso ser, e durante a “curta” estadia por cá o tivermos aprimorado, conseguiremos abrir a Caixa de Pandora profundamente escondida no fundo reservado dos nossos amigos, ou supostos como isso.
O obstáculo principal que se opõe à sua descoberta (a benquerença) é sua a raridade; podemos compará-la a uma agulha perdida nos fardos de palha da hipocrisia constante que a envolve. É precisamente essa falsidade, adornada com um já muito usado, porém robusto capote, concedido pela manha, que na maioria das ocasiões por muito prudentes que tenhamos sido, embarcamos no lodo do erro e ficamos desiludidos porque as nossas supostas certezas se volatilizaram. Eram apenas aparentes! É bem verdade que as aparências iludem por muito que tenhamos a mente aberta, mas… existe sempre um mas… com uma análise cuidada, conseguimos distinguir a toca do “lobo mau”, da do "lobo bom".
Muitos imaginam, erradamente, que essa virtude se encontra no burburinho das festas onde a alegria extravasa – às vezes até em excesso; nas tascas onde os vapores etílicos fazem arreganhar os dentes; nas ocasiões de mais pesar onde guião deve ser carpimento e angústia; em aparvalhadas excursões (algumas) de romagem às amendoeiras em flor ou para fazer um apalpanço à cortiça dos sobreiros alentejanos e olhar com ar de palonço, as varas dos pata-negra freneticamente a tricar bolotas.
Traduzindo por miúdos: não, ela não se encontra a pontapés, nos casamentos, nos baptizados, nos mortórios, nos aniversários, nas tavernas, nas discotecas, etc. Estes são precisamente os eventos onde o fingimento atinge a sua mais alta magnitude, mas todos ficam aparentemente felizes, porque reuniram muitos “amigos”! Outros porque se encontraram com os palitadores de jaquinzinhos fritos afogados com uns copázios de tintol – a mais sincera companhia – entremeando nos intervalos de mastigação, algumas baboseiras manchadas de um picante tosco e por vezes abrutalhado, das quais não se tira qualquer pitada de aprendizagem; para não falar dos que se alardeiam, “tive muitos amigos convidados”, no funeral do Ti Manel havia muita gente e eu também estava lá! Tinha muitos amigos, caramba! Tinha, tinha!?-Digo eu.
Isto são maneiras imprudentes de contabilizar a amizade que no fundo nunca existiu. Permanece sim, é o medo de que o parceiro se ponha a cuspir palavras pouco abonatórias sobre quem não colabora com a falsidade social estilizada no espaço incorpora. Isto é verdade; todo o resto são cantigas.
A amizade, podemos encontrá-la sim, nos momentos mais desafortunados da nossa vida. É nessas alturas que temos necessidade de ter alguém por perto “que nos dê a sua mão”, que nos escute, que nos aconselhe, que nos apoie. É nessas “tenebrosas” ocasiões que nós ficamos realmente a saber onde está a verdadeira amizade, que muitas vezes brota espontaneamente de onde menos esperávamos, enquanto as ditas falsas amizades se acocoram encasuladas no aconchego sua cobardia e mostram-nos desse modo quão falsa era a sua afeição.
Apesar de tudo, tenho uma coisa para dizer, que, pela verdade que confina vale a pena verbalizá-la: quando um invulgar gesto de amizade com toda simplicidade nos faz um “ataque” de surpresa, invariavelmente apossa-se de nós a vontade bravia de teimar e tentar vencer ou ultrapassar os objectivos a que nos tenhamos proposto, porque sabemos que não estamos sozinhos.
Uma virtude a conservar em molho de gratidão:
A AMIZADE.

António Figueiredo e Silva
Coimbra/04/12/2016
www.antoniofsilva.blogspot.com

     



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quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

A REVOLTA DA "PESTE GRISALHA"

   O conhecimento torna a alma jovem
 e diminui a amargura da velhice.
Colhe, pois, a sabedoria. Armazena
 suavidade para o amanhã.
(Leonardo da Vinci)

A REVOLTA DA “PESTE GRISALHA”

É mesmo uma sublevação a sério! Nunca esperei que a ferocidade do meu ataque, a imprudência de um deputado e as decisões dissemelhantes entre juízes, viessem a resultar no ciclone de indignação que ultimamente têm bulido com a percepção de uma tão grande fatia de portugueses. Esta reacção de cariz condenatório, já se arrasta um mês e ao que se me quer afigurar, ainda está para durar.
Perante tão catastrófica revolta, onde as hostes grisalhas, e não só, constroem paliçadas à minha volta numa cerrada defesa e erguem as espadas dos seus argumentos os contra o que dizem ter sido uma injustiça, a minha condenação. Que poderei eu depreender, desta lição de solidariedade e indignação? Nada mais, nada menos, do que, nos trilhos cobreantes da lei, algo devia ter sido mal conduzido ou mal interpretado.
Agora apraz-me questionar:
Como é que o mesmo Tribunal (Tribunal da Comarca de Gouveia) que me absolveu na instrução do processo, mais tarde me veio a condenar, cuja condenação foi confirmada pelo Tribunal da Relação de Coimbra?
Só mais uma questãozinha, quiçá de mau gosto, todavia não quero alimentar dúvidas dentro de mim, porque que funcionam como uma camisa de forças para minha incomodativa maneira de ser:
Em face da minha resposta, não ao artigo “Portugal de Cabelos Brancos” – veiculado pelo “Jornal I” em que o autor se assinava por Carlos Peixoto, Advogado e Deputado do PSD – contudo, unicamente à frase que deu origem à polémica réplica, “A nossa Pátria está contaminada pela já conhecida peste grisalha”, eu fui acusado de um Crime de Difamação Agravada, pelo autor da frase constante no seu artigo de opinião. Foi a “nobre” resposta que obtive, à carta aberta que lhe enderecei.
Nos seus argumentos processuais assumiu com grande ênfase que era deputado; “choramingando” arguiu que foi muito mal tratado, difamado, e outras interpretações nocivas que ele entendeu na sua trasladação linguística. Até aqui, certo.
Como não ficou satisfeito com a minha absolvição, encetou um recurso para o Tribunal da Relação de Coimbra, pedindo “o meu pescoço à guilhotina”; com vista a ser submetido a um julgamento no “Sinédrio” de Gouveia, o supracitado Tribunal retirou a Agravação, alicerçando a sua tomada de posição, no argumento de que o queixoso não escreveu a sua crónica - “Um Portugal de Cabelos Brancos”- como Deputado, mas sim, como simples cidadão, transformando desta hábil forma, este crime, diga-se Publico-político, em um crime particular, tendo como resultado o meu julgamento, donde culminou a minha controversa condenação; justa ou injusta, não cabe a mim julgar.
A sociedade grisalha - e não só – com a sua escamada revolta, está a encarregar-se-á dessa espinhosa missão, que consiste no julgamento donde proveio a minha condenação em que os julgadores é que são os condenados ao suplício do martelo da moral e do senso comum, onde me parece abundar uma justificada razão para que tal aconteça.
Apesar da dureza e da conclusão e da refrega, sinto-me bastante confortável, e, com os meus setenta e dois anos de idade, mas com os miolos e o resto no devido lugar, ainda que contaminado pela grisalhice, até agora não foi necessário recorrer ao xanax para ter sonos repousantes.
Jamais me arrependi e nunca me arrependerei de defender, atacando raivosamente, quem eu entendo que despreza os princípios da reciprocidade no respeito mútuo, catalisador de uma boa e saudável vivência, e muito menos perdoo as ofensivas arremessadas àqueles que, com mais ou menos saúde estão na rampa de lançamento para o além, mas que deixam cá as suas lições de vida agrupadas em pequenas histórias de sangue, suor e lágrimas, com parcas alegrias pelo meio, e que devem ser aproveitas pelas mentes mais sensatas, para que no futuro possam contribuir para uma estabilidade social mais condescendente e por isso, mas judiciosa.
E para finalizar, espero que esta sublevação fique para a História, a fazer parte da tão badalada revolta social, contra a minha condenação, em:
“O CASO DA PESTE GRISALHA”.

António Figueiredo e Silva
(OCONDENADO)
Coimbra, 01/12/2016
www.antoniofsilva.blogspot.com     
    



sexta-feira, 25 de novembro de 2016

"NIM"! (Reflexão)

                                                        O débil, acovardado, indeciso e servil não conhece,
nem pode conhecer o generoso impulso que guia
 aquele que confia em si mesmo, e cujo prazer não
é ter conseguido uma vitória, se não de se sentir
 capaz de conquistá-la.
  (William Shakespear)


*“NIM”! (?)
(Reflexão)

Conceito assente em fundações de indecisão que deambula no vazio intelectivo das pessoas onde, por inexistência, o “presumido” carácter não vai além de uma falácia.
Isto porque quando não somos capazes de emitir opiniões próprias, isto é fundamentadas no ajuizamento das nossas análises, é sabido que a inteligência não nos assiste por consequência genética de um bloqueamento das sinapses neuronais. Opinar é, a meu ver, condição fundamental dos sortudos bafejados pelo entendimento, atributo que muitas vezes a própria Natureza é forreta e não distribui com a devida equidade.
É por isso que, para esses desprotegidos da elite natural, foram criadas e aceites com certificada validade, frases usuais que, como fósforo apagado, não fazem fogueira; “não concordo nem discordo”, “assim, assim”, “mais ou menos”, “nem confirmo nem desminto” “tanto se me dá como se me deu”, “nem sim nem sopas”,  “caguei e andei”, até àquela mais corriqueira, “nem me aquenta nem me arrefenta” etc.   
Todas estas composições vocabulares são a réplica dos indecisos, dos fracos de espírito, a qualquer questão, por mais melindrosa que ela se apresente; é a resposta da cobardia ou o grito sêco da ignorância.
O covarde ou o ignorante nunca desfruta do prazer de sentir a liberdade de expressar a sua opinião como uma realização da sua vontade própria onde a interferência da censura não põe o pé. São seres viventes que se acomodaram ao “nim” para qualquer situação, com pavor de arcarem com a responsabilidade de uma corajosa tomada de posição, quando por via dos factos isso é exigido – a um cérebro normal, claro. Estes acéfalos, deixam-se ensurdecer pelo cagaçal dos outros, permitindo deste modo que o seu parecer seja abafado. O medo de cometerem um erro empacota-lhes a coragem e não se convencem de que errar é humano; o que não humano sim, é não reconhecer o erro; isso é de parvo.
A minha posição, isto é, o meu carácter, nunca se dobrou à casta da vassalagem e sempre pugnou pela propagação - a meu ver - da justeza dos meus pareceres que por vezes são achacados à impertinência de retaliações como gélida vingança de cérebros entorpecidos pelo vazio de um egocentrismo apodrecido, cujo fruto, não vingará, ou na verdade não existe. 
Quer concordem quer discordem, esta é a minha opinião muito sincera, amadurecida ao sabor dos vendavais e quietudes que durante setenta e dois anos burilaram a minha maneira de ser e de estar na sociedade que me rodeia.
Este escrito, que não tem nada a ver com os escritos do Mar Morto, redigi-o para que as mentes mais iluminadas possam ler e meditar sobre quão nefasta é para a sociedade em que vivemos a indecisa resposta com um “nim”. Se este “nim”, fosse por ventura uma resposta generalizada, que felizmente não é, o intelecto científico pararia, a evolução estagnava e o Mundo apresentar-se-ia cinzento e frio, como o denso nevoeiro que envolve o cérebro criogenado de onde germina a resposta, “NIM”!  

António Figueiredo e Silva
Coimbra, 24/11/2016

*Nem sim, nem não.     


quarta-feira, 23 de novembro de 2016

A "Peste Grisalha"; a entrevista no canal 1 da RTP no programa A PRAÇA com Jorge Gabriel, no dia 23/11/2016.

Para ver, copie o link em baixo:

https://www.youtube.com/watch?v=NVlYhtg2Row&list=UU4Nb4QAkdt1odE5kpawjJhA&index=1

domingo, 20 de novembro de 2016

A QUEM EU NÃO CONHEÇO (O caso da "peste grisalha")

A injustiça que se faz a um, é
 uma ameaça que se faz a todos.
(Barão de Montesquieu)


A QUEM EU NÃO CONHEÇO
(O caso da Peste Grisalha)


Sinto-me bastante sensibilizado, porque, no meio das tempestades que por vezes surgem no caminho andarilheiro da nossa vida, aparece sempre alguém que nos lança uma bóia de salvação, livre de quaisquer interesses materiais ou na busca de um possível protagonismo. Fazem-no única e simplesmente motivados pela sua índole própria e empurrados pela força da razão que, pela sua observação, entendem ter motivos para tal.
O que acabei de dizer, ou por outra, de escrever, passou-se comigo, em relação à minha “notável” condenação, no caso não menos famoso, O CASO DA “PESTE GRISALHA”.
Entendeu uma grande fatia da sociedade portuguesa, que a minha pena foi uma injustiça; não cabendo a mim julgar a decisão, apenas me apraz dizer que quando o entendimento social fala mais alto, algo certamente está errado.
Muitas vozes se levantaram, puseram-se a meu lado e elevaram em uníssono um baluarte de revolta para me protegerem com o seu robusto apoio, manifestado pelas mais diversas formas, expondo o auxílio que a sua consciência lhes ditou.
É gratificante, quando aparecem personalidades vindas de todos os extractos sociais em “gritante berraria”, munidas unicamente com paus de revolta e escudos de rectidão, prontos para implacavelmente fazerem condenação à condenação, por se lhes afigurar que esta tem contornos de injustiça. Pelo menos é a cristalina realidade que se me tem apresentado, difundida com força, pelos mais distintos meios de informação.
São vultos que eu não posso deixar de admirar para toda a minha existência!
A maior parte é constituída por pessoas sem rosto, mas que sei terem uma identidade, que voa de rasante no meu imaginário, deixando um lenitivo mais forte do que xanax, que me tem permitido não adormecer à sombra da passividade.
Desde as figuras mais simples às mais eruditas, as opiniões convergem e agrupam-se num centro comum, onde argúem que, A MINHA CONDENAÇÃO FOI UMA INJUSTIÇA.
Se o foi ou não, não cabe a mim dizê-lo porque não me fica bem ser defensor em causa própria, uma vez que pode despoletar – como é normal – erros de juízo e eu não pretendo que tão “douta” sentença seja posta em causa!? No entanto, a analisar as reacções tumultuosas embriagadas de sublevação que com incansável coragem me tentam amparar, a quem fico imensamente grato, o que poderei eu pensar?
Apenas e tão só, que realmente nesta minha condenação algo de errado se passou.
O quê? Não sei.
Mas imagino; porque, como cantava o já falecido Zeca Afonso; “não há machado que corte a raiz do pensamento”.


Coimbra, 20/11/2016

António Figueiredo e Silva
    (O CONDENADO)
www.antoniofsilva.blogspot.com   
  

   

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

O RAPZITO

Esta crónica devia ser escriturada daqui a
 cinquenta anos, mas eu já cá não estarei;
por isso, aqui fica ela a marcar o seu lugar  
para a posteridade.
(A.  Figueiredo)


O RAPAZITO
*(Crónica futurista)


 Quando veio ao mundo houve logo mãos protectoras que ampararam o fedelho para ele não ter batido com a cabeça no penico, acidente que, se tivesse acontecido, talvez lhe tivesse feito despertar a parte cerebral mais complicada que durante a vida o abandonou; a do raciocínio.

 Egocentrista assumido, não por doença mas por parvoíce, foi, indubitavelmente a particularidade mais marcante da sua maneira der ser. Começou em miúdo, ainda a tresandar a cueiros, por levar uma vida de adulto e passou à de adulto com modos de miúdo, apanágio que também o acompanhou pelo resto da vida, todavia cada vez mais refinado, e se manteve até ao bater a caçolêta.
Foi um triste! Quando abria a matraca, nada de jeito desembocava, a não ser umas graçolas salobras e sem piada nenhuma, em que ele ria sozinho, de alma vazia, extravasando a sua patetice com um rir forçado, falsamente adubado pelo bater de palmas e sorrisos de favor, vindos dos parasitas que o rodeavam por dele carecerem e que sub-repticiamente faziam questão em estender-lhe o tapete cinzento da manha, para também satisfazerem as suas ambições.
Não estudou mas dedicou-se ao “encornanço” e tartarugamente lá conseguiu sacar uma licenciatura; depois, de cabeça atulhada de pevides de abóbora porqueira, mas com alguns apadrinhamentos, alcançou uma cómoda posição na hierarquia social onde granjeou uma intocabilidade que lhe permitia fazer e dizer tudo o que lhe ia na puta da alma danada, sem disso ser responsabilizado.
Como foi um rebento duma família abastada, onde toda a protecção lhe era incondicionalmente concedida, nunca saboreou as agruras da vida, que fazem calos, dão saber e vincam a força de carácter nos verdadeiros homens de bem, a fina flor de uma elite, independentemente da sua proveniência.
Foi um rufia merdoso no seu tempo, onde o egocentrismo de meia tigela imperou e ultrapassou de longe a sua capacidade de pensar, afundando a cotação da sua imagem na sociedade em que viveu vindo mais tarde a cair na desgraça.
 Assaltado por um descrédito de consciência, onde o remorso lhe moía o juízo, morreu sem ele!
Certamente que, em algum momento de lucidez, há-de ter cogitado para consigo, imerso numa pesada tristeza: era preferível eu ter sido pastor nos Montes Hermínios onde, apesar dos extremos climáticos sazonais, a liberdade é quase absoluta e as ovelhas ter-me iam compreendido melhor, do que esta sociedade parasitária que em breve deixarei.
Agora já é tarde! – Deve ter pensado.

António Figueiredo e Silva
Coimbra, 17/11/2016
www.antoniofsilva.blogspot.com

*Esta pequena história encerra algo que me faz lembrar
“O Mandarim”, de Eça de Queiroz, cujo personagem por
ele criado, arranjou uma “carga” com a qual não pôde, vindo
cair no hemisfério da sua insignificância.