terça-feira, 8 de novembro de 2016

domingo, 6 de novembro de 2016

AGRADECIMENTO


AGRADECIMENTO



Quase restabelecido da emoção que me envolveu, quero apresentar em público os meus sinceros e reconhecidos agradecimentos a todos os que, de uma forma ou de outra, estiveram – e continuam a estar – a meu lado, no caso da injusta condenação que me foi imposta pela “douta” confirmação do Tribunal da Relação de Coimbra, da decisão anteriormente tomada pelo Tribunal da Comarca de Gouveia.
  Assim:
Ao “Jornal I”, ao “Expresso”, ao “Diário de Notícias”, ao jornal electrónico “Observador”, à “TVI 24, no seu programa “Governo Sombra” com a intervenção de, Ricardo Araújo Pereira, Pedro Mexia e João Miguel Tavares e com moderação de Carlos Vaz Marques, e ainda na 21ª hora, com a cooperação de Constança Cunha e Sá e moderação de José Alberto de Carvalho.
Não posso deixar também de estender este manifesto de gratidão à APRE (Associação de Pensionistas e Reformados) na pessoa de Maria do Rosário Gama, presidente daquela instituição; alargo também o meu muito obrigado a outras instituições que de momento não me apraz lembrar.
Quero contemplar também o grosso da população portuguesa, de todos os extractos sociais; desde o mais simples pastor, ao mais elevado causídico, professor universitário, ou cientista, o auxílio moral que me emprestaram
Penso ser meu dever juntar a esta ladainha de reconhecimento, as minhas testemunhas de abonação, que se prontificaram de imediato e sem reservas, a atestar a minha educação cívica e moral:
António Pereira Coutinho (professor na Universidade de Coimbra), CarlosArtur Abranches de Pina Amaral (ex-professor do Instituto Superior de Engenharia de Coimbra), José Vieira Lourenço (professor de Filosofia) e Bruno Domingos Miranda (professor e Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Vendas de Galizes).
Aqui fica também um grande carimbo de agradecimento, a uma pessoa, cuja nobreza de carácter é meu dever enaltecer, por me ter dado o seu total amparo, disponibilizam-se sempre com ilimitada vontade e paciência, para me acompanhar em todo o sinuoso e complicado trajecto jurídico cujos honorários foram pagos apenas com a satisfação das virtudes que a sua condição humana lhe outorgou: humanista, leal, compreensivo e defensor dos “fracos”; é ele, João Saldanha, Digníssimo Advogado de Coimbra.

Para findar, faço questão - apesar de grisalho contaminado - de agradecer também ao sr. Carlos Peixoto, o autor indiscutível de frase que irá ficar para a História de Portugal, “A nossa Pátria foi contaminada pela já conhecida peste grisalha”, por me ter facultado também, a possibilidade de poder conhecer bem fundo, a diferença existente entre a imbecilidade e sapiência, velhaquice e bem-fazer, ética e incorrecção, e, finalmente, a diferença entre elite que devia ser refugo e refugo que devia ser elite. 

  Coimbra, 06/11/2016
António Figueiredo e Silva
    (O CONDENADO)
Ou:


segunda-feira, 31 de outubro de 2016

O MELRO

O MELRO
(Não tem nada a ver com Guerra Junqueiro)

Eu conheci-o! Não era jovial, nem alegre, nem luzidio e não soltava risadas de cristal… as suas anafadas “melodias”, mais pareciam o cacarejar de um garnisé irreverente, cantado de galo em riba do poleiro, antecipadamente organizado para ele. Quando o vi pela primeira vez, assomou-se-me à minha já astigmática visão, uma figura caricata, que, pelo ar tosco que apresentava a orbitar o ridículo, parecia ter saído da pena sarcástica e contestadora do já falecido José Vilhena – que a sua alma de guerreiro, descanse em paz.
A sua plumagem era nevoenta, surrada e em desalinho. Até os sapatos onde as bases das suas canetas assentavam, eram tão disformes na medida, que os dedos muito teriam de penar para chegar às biqueiras, sem nunca o conseguirem. O seu pescoço depenado, de reles galináceo, era atabalhoadamente enrolado num farrapo pintalgado, de mau gosto, mais parecido com um Kafie árabe; o seu revestimento epidérmico era trigueiro, como um chouriço minhoto - na sua aparência e não no gosto - antes de ser defumado, encimado por umas urzes capilares mal aparadas e em desalinho, - à reguila - seboso ou encharcado de brilhantina e polvilhado com alguma caspa à mistura - ou era da minha vista - com traços de rebeldia puerilizada que, no seu todo, exibia falta de uma presença respeitosa, como é requerido ou exigido a uma figura aristocrática, na cultura em que vivemos.
Olhei para aquele espécime da fauna governativa, e critiquei para com os meus botões: “então é esta avis rara que exige ressarcimento pelas suas baboseiras”? O que é que este saltimbanco quer?
Fiquei pasmado ao ouvir o seu tagarelar! “Aureolado” por uma simpatia e uma descontracção constrangidas, onde era notório que a sua linguagem gestual atraiçoava a fidelidade dos argumentos arrancados pela picareta da sacanice atada por um baraço fibroso de mau fígado, ao cabo acasmurrado de velhaca vingança, porém, desfavorável ao estabelecido no seu juízo. Pelo menos, naquele momento, assim o entendi.
Não será fundamental muito conhecimento científico, para um velho como eu analisar um comportamento defeituoso, muitas vezes mal incutido no reino da petizada, que, por se sentirem homens a sério, - que nunca serão - face à alcândora onde que foram pousados, posição essa, consequente da cegueira reinante que em determinado tempo contaminou os sentidos de muitas pessoas, e serviu de trampolim a manhosas conveniências de outras, que, destituídas qualquer sentido ético, destes espécimes se serviram para atingirem os seus fins.
Ao entrar no alvazil, olhei para a ave e murmurei para comigo, em reservado solilóquio: este merda não presta; não vale a ponta de um corno.
Era realmente um melro que não interessava, nem ao Menino Jesus – como é costume dizer-se na gíria depreciativa do nosso povo.
Era uma ave de franzina estrutura, que, parodiando, mais se assemelhava à de uma carriça; não tinha bico amarelo, a totalidade do seu aspecto era tosco, escanzelado e não sabia chichorrobiar.
Sentado no seu “galho” com as pernitas traçadas, numa clara falta de respeito para os princípios mais elementares estabelecidos para um Sinédrio, postura pela qual não foi admoestado, sinal de que por ali havia uma certa intimidade.
Não parecia uma ave; mais parecia uma autêntica abécula, um fiasco, um triste arremêdo à passarada da sua estirpe.
Lá encetou a sua lengalenga num arengado assobiador, condimentado com um intenso cheiro a falso sofrimento, de certeza cozinhado numa rábula partitural antes ensaiada, numa tentativa maléfica de mudar o rumo à razão que não estava do seu lado.
Mas que rico melro!?

António Figueiredo e Silva

Coimbra, 07/11/2015
www.antoniofsilva.blogspot.com
Ou:
www.antoniofigueiredo.pt.vu

   


sábado, 29 de outubro de 2016

"PESTE GRISALHA/CONDENAÇÃO

 “PESTE GRISALHA”/CONDENAÇÃO
(A MINHA PRENDA DE NATAL)

Para a estação, o dia até estava com uma temperatura agradável, se bem que, no céu pairavam tufos de nuvens ameaçadoras de fortes bátegas. Estava eu para entrar na minha “chicolateira”, mas sentia-me dominado por uma uma sensação de que algo de estranho iria acontecer.
Por bem ou por mal, acertei. Apesar da omnipotência Divina, por vezes o Diabo também prega as suas partidas… e de que que maneira!?
Tratamento: exorcizá-lo.

No dia 21 de Outubro, de 2016, pelas 17.03 h, recebi antecipadamente a minha prenda de Natal, por decisão do TRC (Tribunal da Relação de Coimbra) na sequência da instauração de um processo judicial por Crime de Difamação Agravada, interposto pelo sr. António Carlos Gomes da Silva Peixoto, em 2013, à época deputado do PSD pelo distrito da Guarda, onde era colocada em questão uma carta minha titulada “PESTE GRISALHA” (Carta aberta a um deputado do PSD), que lhe foi endereçada, saiu em vários periódicos, inclusive no “Notícias de Gouveia”, sua terra natal, foi colocada no meu blog, www.antoniofsilva.blogsopt.com, e, como não podia deixar de ser, foi também remetida ao Sr. Presidente da República Portuguesa – à época Aníbal Cavaco Silva – do qual ainda conservo a resposta arrolhada no odre silencioso do tempo, até que algum interessado em história o consiga desarrolhar e trazê-lo à luz do dia. Mas não será tão cedo!?
Por sinal foi um presente “engraçado”, que a meu ver roça o caricato no que refere à cabal interpretação do conteúdo nela redigido, daí resultando que não foram contemplados os conceitos metafóricos e polissémicos, pedras basilares onde é edificada riqueza da nossa língua, a Língua Portuguesa; significando isto, que uma interpretação deficiente ou preconceituosa, abastardada ou não por influências do poder político ou judicial, pode arredar a lâmina da espada da lei, do in dubio pro reo e ao mesmo tempo infectar a figura icónica da justiça de acentuado estrabismo, a qual, devido à deficiência ocular provocada, não deixa safar-se o mais pequeno carrapato… mas pode passar impune o mais alentado paquiderme; dependendo, como é óbvio, este paradoxo, da doutrina interiorizada, formação moral e ética do julgador, ou da dominância e não da razão de um dos contendores.
Bem, de preâmbulo bonda.

Como atrás referi, foi-me instaurado o supracitado processo, ficando assim em lento brotamento a semente germinadora da presente ratificação condenatória.
Houve a instrução do processo no TCG (Tribunal da Comarca de Gouveia), que tinha por objectivo, provar a culpabilidade do acusado, neste caso EU, cujo resultado foi aminha absolvição, que, em abono da verdade se diga, foi sabiamente fundamentada num autêntico tratado jurídico, elaborado por uma Juiz com uma amabilidade e uma serenidade, que eu na realidade não esperava.
Ressentido e não conformado com o resultado da decisão, com todo o direito que a lei outorga, o queixoso recorreu para o TRC, cuja instância doutamente (?) modificou a letra do crime de que eu vinha acusado, considerado um Crime Público-político, para um Crime Público, isto é, retirando a agravação do processo acusatório e remetendo-me deste modo para julgamento, cindindo-me simultaneamente, desta forma singela (selecta), a possibilidade de recurso para o TEDH (Tribunal Europeu dos Direitos do Homem).
Fui julgado no Tribunal de Gouveia, do qual saiu a dita sentença; 3.000:00 euros de indemnização ao demandante e duzentos dias de pena, a pagar ao tribunal, a 6 euros por dia, e, como é óbvio, mais as custas de justiça; tudo somado deve rondar os 5.000 euros.
Agora que as circunstâncias estavam à minha disposição e a lei o permitia, recorri da punição para o TRC, apelando no sentido de que, se a penalidade não pudesse ser neutralizada, pelo menos, que viesse a ser reduzida.
O demandante contrapôs com a sua argumentação e o TRC confirmou a sentença do TCG, que constituiu, a meu ver a prenda de Natal mais “emocionante” que em toda a minha vida recebi.
Tudo isto demorou cerca de três anos.

*Fim da história.
(que agora parece que continua).

António Figueiredo e Silva
Coimbra, 29/10/2016
Ou:

*Para entendimento do MUNDO, penso
que está tudo sintética e devidamente
esclarecido, no entanto, por detrás da
cortina da narrativa, ainda subsiste uns
largos cêntimos de paleio para mangas.