quarta-feira, 2 de novembro de 2016
segunda-feira, 31 de outubro de 2016
O MELRO
O
MELRO
(Não
tem nada a ver com Guerra Junqueiro)
Eu conheci-o! Não era jovial,
nem alegre, nem luzidio e não soltava risadas de cristal… as suas anafadas
“melodias”, mais pareciam o cacarejar de um garnisé irreverente, cantado de
galo em riba do poleiro, antecipadamente organizado para ele. Quando o vi pela
primeira vez, assomou-se-me à minha já astigmática visão, uma figura caricata,
que, pelo ar tosco que apresentava a orbitar o ridículo, parecia ter saído da
pena sarcástica e contestadora do já falecido José Vilhena – que a sua alma de
guerreiro, descanse em paz.
A
sua plumagem era nevoenta, surrada e em desalinho. Até os sapatos onde as bases
das suas canetas assentavam, eram tão disformes na medida, que os dedos muito
teriam de penar para chegar às biqueiras, sem nunca o conseguirem. O seu
pescoço depenado, de reles galináceo, era atabalhoadamente enrolado num farrapo
pintalgado, de mau gosto, mais parecido com um Kafie árabe; o seu revestimento epidérmico era trigueiro, como um
chouriço minhoto - na sua aparência e não no gosto - antes de ser defumado,
encimado por umas urzes capilares mal aparadas e em desalinho, - à reguila - seboso
ou encharcado de brilhantina e polvilhado com alguma caspa à mistura - ou era
da minha vista - com traços de rebeldia puerilizada que, no seu todo, exibia falta
de uma presença respeitosa, como é requerido ou exigido a uma figura
aristocrática, na cultura em que vivemos.
Olhei
para aquele espécime da fauna governativa, e critiquei para com os meus botões:
“então é esta avis rara que exige ressarcimento
pelas suas baboseiras”? O que é que este saltimbanco quer?
Fiquei
pasmado ao ouvir o seu tagarelar! “Aureolado” por uma simpatia e uma descontracção
constrangidas, onde era notório que a sua linguagem gestual atraiçoava a
fidelidade dos argumentos arrancados pela picareta da sacanice atada por um
baraço fibroso de mau fígado, ao cabo acasmurrado de velhaca vingança, porém,
desfavorável ao estabelecido no seu juízo. Pelo menos, naquele momento, assim o
entendi.
Não será fundamental
muito conhecimento científico, para um velho como eu analisar um comportamento
defeituoso, muitas vezes mal incutido no reino da petizada, que, por se
sentirem homens a sério, - que nunca serão - face à alcândora onde que foram pousados,
posição essa, consequente da cegueira reinante que em determinado tempo
contaminou os sentidos de muitas pessoas, e serviu de trampolim a manhosas
conveniências de outras, que, destituídas qualquer sentido ético, destes
espécimes se serviram para atingirem os seus fins.
Ao
entrar no alvazil, olhei para a ave e murmurei para comigo, em reservado
solilóquio: este merda não presta; não vale a ponta de um corno.
Era
realmente um melro que não interessava, nem ao Menino Jesus – como é costume
dizer-se na gíria depreciativa do nosso povo.
Era
uma ave de franzina estrutura, que, parodiando, mais se assemelhava à de uma
carriça; não tinha bico amarelo, a totalidade do seu aspecto era tosco,
escanzelado e não sabia chichorrobiar.
Sentado
no seu “galho” com as pernitas traçadas, numa clara falta de respeito para os
princípios mais elementares estabelecidos para um Sinédrio, postura pela qual
não foi admoestado, sinal de que por ali havia uma certa intimidade.
Não
parecia uma ave; mais parecia uma autêntica abécula, um fiasco, um triste arremêdo
à passarada da sua estirpe.
Lá
encetou a sua lengalenga num arengado assobiador, condimentado com um intenso
cheiro a falso sofrimento, de certeza cozinhado numa rábula partitural antes
ensaiada, numa tentativa maléfica de mudar o rumo à razão que não estava do seu
lado.
Mas
que rico melro!?
António
Figueiredo e Silva
Coimbra,
07/11/2015
www.antoniofsilva.blogspot.com
Ou:
www.antoniofigueiredo.pt.vu
sábado, 29 de outubro de 2016
"PESTE GRISALHA/CONDENAÇÃO
“PESTE GRISALHA”/CONDENAÇÃO
(A
MINHA PRENDA DE NATAL)
Para
a estação, o dia até estava com uma temperatura agradável, se bem que, no céu
pairavam tufos de nuvens ameaçadoras de fortes bátegas. Estava eu para entrar na
minha “chicolateira”, mas sentia-me dominado por uma uma sensação de que
algo de estranho iria acontecer.
Por bem ou por mal, acertei. Apesar da
omnipotência Divina, por vezes o Diabo também prega as suas partidas… e de que
que maneira!?
Tratamento: exorcizá-lo.
No
dia 21 de Outubro, de 2016, pelas 17.03 h, recebi antecipadamente a minha
prenda de Natal, por decisão do TRC (Tribunal
da Relação de Coimbra) na sequência da instauração de um processo judicial por Crime de Difamação Agravada, interposto
pelo sr. António Carlos Gomes da Silva
Peixoto, em 2013, à época deputado do PSD pelo distrito da Guarda, onde era
colocada em questão uma carta minha titulada “PESTE GRISALHA” (Carta aberta a um deputado do PSD), que lhe foi endereçada,
saiu em vários periódicos, inclusive no “Notícias de Gouveia”, sua terra natal,
foi colocada no meu blog, www.antoniofsilva.blogsopt.com,
e, como não podia deixar de ser, foi também remetida ao Sr. Presidente da
República Portuguesa – à época Aníbal Cavaco Silva – do qual ainda conservo a
resposta arrolhada no odre silencioso do tempo, até que algum interessado em
história o consiga desarrolhar e trazê-lo à luz do dia. Mas não será tão cedo!?
Por sinal foi um presente “engraçado”,
que a meu ver roça o caricato no que refere à cabal interpretação do conteúdo
nela redigido, daí resultando que não foram contemplados os conceitos metafóricos
e polissémicos, pedras basilares onde é edificada riqueza da nossa língua, a
Língua Portuguesa; significando isto, que uma interpretação deficiente ou
preconceituosa, abastardada ou não por influências do poder político ou
judicial, pode arredar a lâmina da espada da lei, do in dubio pro reo e ao mesmo tempo infectar a figura icónica da justiça
de acentuado estrabismo, a qual, devido à deficiência ocular provocada, não
deixa safar-se o mais pequeno carrapato… mas pode passar impune o mais alentado
paquiderme; dependendo, como é óbvio, este paradoxo, da doutrina interiorizada,
formação moral e ética do julgador, ou da dominância e não da razão de um dos
contendores.
Bem, de preâmbulo bonda.
Como atrás referi, foi-me instaurado o supracitado
processo, ficando assim em lento brotamento a semente germinadora da presente
ratificação condenatória.
Houve a instrução do processo no TCG
(Tribunal da Comarca de Gouveia), que tinha por objectivo, provar a
culpabilidade do acusado, neste caso EU, cujo resultado foi aminha absolvição,
que, em abono da verdade se diga, foi sabiamente fundamentada num autêntico
tratado jurídico, elaborado por uma Juiz com uma amabilidade e uma serenidade,
que eu na realidade não esperava.
Ressentido e não conformado com o
resultado da decisão, com todo o direito que a lei outorga, o queixoso recorreu
para o TRC, cuja instância doutamente (?) modificou a letra do crime de que eu
vinha acusado, considerado um Crime Público-político, para um Crime Público,
isto é, retirando a agravação do processo acusatório e remetendo-me deste modo para julgamento, cindindo-me simultaneamente,
desta forma singela (selecta), a possibilidade de recurso para o TEDH (Tribunal
Europeu dos Direitos do Homem).
Fui julgado no Tribunal de Gouveia, do
qual saiu a dita sentença; 3.000:00 euros de indemnização ao demandante e
duzentos dias de pena, a pagar ao tribunal, a 6 euros por dia, e, como é óbvio,
mais as custas de justiça; tudo somado deve rondar os 5.000 euros.
Agora que as circunstâncias estavam à
minha disposição e a lei o permitia, recorri da punição para o TRC, apelando no
sentido de que, se a penalidade não pudesse ser neutralizada, pelo menos, que
viesse a ser reduzida.
O demandante contrapôs com a sua
argumentação e o TRC confirmou a sentença do TCG, que constituiu, a meu ver a
prenda de Natal mais “emocionante” que em toda a minha vida recebi.
Tudo isto demorou cerca de três anos.
*Fim
da história.
(que
agora parece que continua).
António Figueiredo e Silva
Coimbra, 29/10/2016
Ou:
*Para entendimento do MUNDO,
penso
que está tudo sintética e
devidamente
esclarecido, no entanto, por
detrás da
cortina da narrativa, ainda
subsiste uns
largos cêntimos de paleio para
mangas.
sábado, 15 de outubro de 2016
QUANDO A TERRA TREMER
QUANDO A TERRA TREMER!
O homem não
tem emenda. Desde os horrores de Hiroxima e Nagazaki, que o nosso planeta se
tem vindo a defrontar com uma fragilização na sua estabilidade.
Por um lado graças à ciência, que vasculhando no
âmago da matéria, conseguiu concluir que o infinitamente pequeno conseguia
destruir o infinitamente grande graças a uma desprezível partícula chamada
neutrão ou através de outro pequeno elemento chamado vírus, que pode rebentar
com toda a cadeia de ADN. Por outro lado, graças também ao fanatismo ideológico
que atrofia a percepção analítica, e limita assim, os horizontes da razão.
Ainda por outro lado, o alastramento do egocentrismo que prolifera como uma
peste e faz com que cada um seja escravo de si próprio e por arrasto escravize
os outros.
São estas três
razões que, em tresloucada inconsciência hão de fazer a terra tremer num
estertor apocalíptico onde nem as bestas escaparão.
Isto pode
acontecer –que vai acontecer- enquanto subsistirem meia dúzia de cabeças onde a
noção de vida não tem espaço para existir. E não tenhamos dúvidas quanto à sua
existência. Estão hibernando no frio dos seus pensamentos maquiavélicos à
espera que germinem as condições adequadas para encetar a destruição, que eu
considero factível perante os elementos de prova de que tenho conhecimento.
Na América do
Norte, Rússia, Ucrânia, China, Índia, Paquistão, Iraque, Irão, França e muitos
outros, estão os condimentos prontos para gerar um caldo que atingirá
temperaturas acima dos vinte mil graus centígrados, milhares de milhões de quilowats
de energia e ciclópicas tempestades com ventos capazes de aplainar a face
da terra, ou mesmo fragmentá-la.
Encafuados em
fortes silos de betão armado e escrupulosamente bem guardados por sistemas de
alta segurança, estão armazenados os fazedores de fogos de artifício de um
futuro escuro como breu, que trarão a destruição maciça à vida neste planeta e
se calhar até o seu próprio fim como matéria palpável.
Estes monstros
destruidores estão à mercê de cabeças que eu não confio, e basta que eles saiam
do seu casulo para que os neutrões libertados, na sua fúria desenfreada, se
encarreguem de seccionar tudo quanto é vida, transformando a sua equivalência
em energia no momento da destruição.
Irá ser um
“parto” aterrador onde muitos nem vão ter a possibilidade de ranger os dentes
num último alívio de aflição. É à velocidade da luz que tudo isto funciona e
nada mais; onde o tempo e o espaço possuem um estado referencial diferente
daquele que conhecemos nesta existência.
Quando a terra
tremer, não irá sobrar ninguém para contar a história. O homem, aprendiz de
feiticeiro, passou a outro estado de matéria, fenómeno que ele próprio criou e
inconscientemente fez deflagrar.
E lá fica a
terra! “Vã, informe e vazia”!... Ou apenas um lugar no
cosmos onde antes existiu vida, substituída por uns milhares de meteoros,
resultado da sua fragmentação, que vagueiam pelo espaço até serem capturados
pela força da gravidade de qualquer outro astro nesta ou noutra galáxia
existente nos incomensuráveis confins do Universo.
António
Figueiredo e Silva
Coimbra, 05/06 2007
terça-feira, 30 de agosto de 2016
A DIGNIDADE E A POLÍTICA
Pode
haver honra entre ladrões,
mas
não entre políticos.
(Lawrence
da Arábia)
A
DIGNIDADE E A POLÍTICA
Realmente,
o afastamento entre as duas tem alongado bem a distância que cada vez mais as desarticula.
Insistem em não se darem bem; não pela orientação das suas bases doutrinais,
mas porque à política não interessa.
Essa virtude que outrora existia com
robusta solidez e que era erigida nos alicerces da seriedade, no compromisso
mútuo e mantida pela pureza responsável da palavra, foi entrando em decadência
tão acelerada, que actualmente está a atingir a sua extinção, como um facto e
não como uma ilusão.
Isto tem a ver com o sistema
disfuncional educacional, que começa no seio familiar - o mais importante - passa
pelas instituições de ensino - seu prosseguidor - e acaba na criação dos
regulamentos que nos regem, que são inquinados pela manha, cuja chancela que
atesta a sua realidade em que a imparcialidade é inexistente; é um autêntico embrulho
atado com retesados fios tecidos por ambição e desprezo pelo semelhante. A
vergonha, incrédula, vai-se escapando, deixando o seu lugar à disposição da
desfaçatez e da arrogância sem fundamento.
É perante a falta de equidade de
equilíbrio inseguro, por isso duvidosa, que os alcandorados fazem o que querem
e dão azo às maiores vigarices, sem contudo mancharem a honra que nunca
tiveram; e mais… dão-se ao luxo de etiquetarem com um preço de venda real, uma
integridade nunca esteve ao seu alcance, a não ser no patamar nevoento da
virtualidade, onde o carácter é uma falácia. Porque a honra, essa virtude magnífica,
é pertença de todos nós, contudo, uma grande maioria não a usa e ela não reside
apenas em ostentações geradoras vaidades amorfas e sem qualquer valor, mas no
interior de cada um, onde a felicidade se aninha e serve de credível e robusto
suporte à nossa identidade. Aqueles que, por vontade própria são
“desprotegidos” pela dignidade, não passam de uma escória social porque o seu
real valor está suportado apenas pela ambição materialista, sobre a qual fazem
erigir compulsivamente o bom nome, sem contudo terem honorabilidade para o
fazerem.
Ser humano que se preze por ser edificativo,
não deve ambicionar honras, mas honra; aparentemente iguais, mas bem diferentes
no seu sentido.
A respeitabilidade tem um valor muito
superior ao do dinheiro, contudo, na actualidade, muitas mentes corroídas pela
ambição, onde a honra emigrou, servem-se do património material que possuem ou
da sua fama “elitista”, não passando todavia de uns broncos, para,
descaradamente e com grande arrogância, manchar a honra de quem a tem, apesar da
sua exemplar conduta de dignidade dentro da comunidade onde vivem, se
apresentar como uma negra e lamentável realidade.
A dignidade já não serve de “moeda” de
troca e afirmação de propósitos honestos; houve uma inversão de valores, em que,
os sem sem valor algum, trepam como lianas na parasitagem dos materialmente
mais frágeis, contudo mais virtuosos nas suas acções, e sufocam-nos com os seus
tentáculos musculados pelo capital e intumescidos de fatalidade e sobranceria
esclavagista.
São esses cabrões que hão-de contribuir
para que as trevas desçam à terra e tudo isto termine num caos até deixar de ser
ouvido o último suspiro.
Mas eles deixam cá tudo e a igualdade
volta ao seu ponto inicial; estaca zero.
Então um novo ciclo recomeçará, com uma
estabilidade plena, até que apareça o primeiro político para azedar a vida do
ser humano em rendimento próprio.
António Figueiredo e Silva
Vila Verde/Vidago, 30/08/2016
Ou:
www.antoniofigueiredo.pt.vu
terça-feira, 2 de agosto de 2016
OS IMPOSTOS/(POUP)PANÇA
Caros leitores.
A revolta que me abala é tão
grande, que não consigo
ortografar os meus entendimentos
sem recorrer a
vernaculismos inconvenientes para
consumo linguístico;
porém, independentemente dos gostos de cada um,
eles constituem o tempero acre da minha opinião.
OS
IMPOSTOS/(POU)PANÇA
Decorrentes
de arranjos mal enjorcados, sazonados no interior de abóboras porqueiras que
espontaneamente nasceram sobre montes de estrume pseudo-intelectualizado e que
o sol da insensatez impiedosamente amarelece, as justificações para as
consecutivas subidas de impostos, não param de germinar. É imperativo por isso,
que os tempos verbais do Presente do Indicativo do Verbo Poupar têm
forçosamente que ser adaptados à realidade dos nossos dias tristes da injustiça
por inexistência do sol da razão.
Assim:
Eu
poupo (ainda penso que tenho cabeça para isso).
Tu
poupas (se não o fazes, a tal serás coagido).
Ele
não poupa (ou é desmiolado ou tem poleiro alto).
Nós
poupamos (se outra via não houver, que remédio temos)!?
Eles
não poupam (estão-se cagando porque vivem à nossa custa e
ninguém lhes pede contas).
Bem, perante todos os agravamentos
impositivos que se têm vindo a verificar, eu, pela minha parte, depois de muito
cismar, - realidade a que ninguém corta as asas – faço questão apresentar uma
sugestão que penso poder resolver a dificuldade em controlar o aforro forçado
aos lacaios dos nossos governantes, para pagamento das agravações de que eles
se servem para delapidar.
Podiam
instalar um contador de merda, para quantificar a pesagem do que cada família
caga, e, por comparança, saber a quantidade que agregado come, chegando por fim
a uma análise concreta sobre a poupança geral, porque “quem não come não caga”. Ora, sendo este acto fisiológico uma
demonstração correcta do nosso aforro obrigatório
no
que trata à manutenção física pela sobrevivência, vai dar certo, até atingir o
limiar sombrio mas não longínquo de, “quem
não caga não come”.
Quando o Ser Supremo criou o Universo, a
fertilidade da mente humana, ainda embrionária, criou, e com uma certa lógica,
a metáfora de que, “o sol quando nasce é
para todos”; actualmente, pelo menos em Portugal, esse privilégio já não
vai estar ao alcance de todos.
Ao
que nós chegámos!!!
Por este andar, qualquer dia, quem
tencionar expôr os tomates aos infravermelhos naturais, ainda que em casa, vai
ter de pagar uma taxa pela torra; o que significa que, meus caros concidadãos, “o sol quando nasce já não é para todos”, pelo
menos no nosso país.
António Figueiredo e Silva
Coimbra, 02/07/2016
Ou:
www.antoniofigueiredo.pt.vu
Subscrever:
Mensagens (Atom)










