quinta-feira, 4 de junho de 2009

DESASTRE AÉREO

O DESASTRE AÉREO

(Este parecer refere-se ao acidente do avião AIRBUS A 330 da AIR FRANCE)


Naturalmente que não é minha pretensão fazer aqui qualquer afirmação sobre o que motivou o acidente onde pereceram 228 pessoas. Porém, reunindo algumas das notícias que têm sido veiculadas através dos órgãos de comunicação e adindo os meus parcos conhecimentos de aeronáutica através dos cursos que me foram ministrados, - por lá passei uns bons anitos - julgo ter fundamentos para emitir uma opinião sobre tão catastrófica ocorrência.
É evidente que as provas com mais certezas só poderão ser dadas pelos investigadores depois de serem encontradas as Caixas Negras.
Este nome, para quem não saiba, não obedece a uma tradução literal mas idiomática, que quer dizer “Caixas do Segredo ou Mistério”, por conterem as gravações dos últimos trinta minutos de voo, que constituem, até serem encontradas, as fontes concretas dos motivos provocadores dos acidentes. Estas “caixas”, são tecnologicamente concebidas para resistirem a altíssimas temperaturas, ao choque violento e à oxidação provocada por qualquer produto corrosivo. Elas gravam toda a conversação da tripulação da aeronave e os pontos de controlo em terra, os parâmetros dos reactores, como temperaturas, pressões, fornecimentos de energia eléctrica etc; gravam pressão barométrica exterior, pressão de cabine, velocidade da aeronave em relação ar, sua direcção, a sua altitude e muitas outras coisas que se tivesse que as descrever não chegariam uma dúzia de páginas iguais a esta.
Em aeronáutica sempre me ensinaram que as piores nuvens que pairam na atmosfera são as chamadas cumulonimbos, sendo destas que provém o granizo ou saraiva. São núvens em grande agitação no seu interior, com rajadas violentas, trovoadas, chuvas torrenciais e cristais de gelo, que lhes impõe uma densidade fora do normal, subsistindo deste facto a afirmação de que avião que entrasse num cumulonimbo tinha grandes possibilidades de sair aos bocados; tal não é apocalíptica convulsão no seu interior. Estas nuvens chegam a atingir aproximadamente 10km de altura, a partir da sua base isto é, pode elevar-se até a tropopausa que se inicia a 15km da altura, tendo como referência a superfície da terra e por norma têm a forma de uma bigorna.
As aeronaves comerciais pressurizadas voam normalmente entre os 30.000 a 35.000 pés de altitude (que não é a mesma coisa que altura), o que representa em metros 9.000 a 10.500.
Quer isto dizer que um cumulonimbo de grande envergadura pode atingir uma altitude igual ou superior à do vôo de um avião comercial e este se o atravessar, certamente que estará condenado à desintegração total.
O impacto de uma aeronave que em voo de cruzeiro rasga o céu a uma velocidade de 900 km a 950km por hora, ao entrar num cumulonimbo cuja densidade e turbulência são de enorme grandeza, sofre um violento e repentino impacto em que a única “travagem” é a dissipação da energia cinética da massa voadora, com a criação de vibrações, passando à ressonância, seguida de cargas de ruptura criadas pelos cristais de gelo, culminando no seu total desmembramento. Por analogia, é como se o avião abruptamente fosse atingido pelo tiro de uma grande caçadeira com zagalotes.
Não afirmo que foi isto que aconteceu, porque as aeronaves possuem radares concebidos para a detecção dessas nuvens, contudo, por vezes o ser humano deixa der ver a realidade. Não quero nem devo com isto, culpabilizar seja quem for. Isto não passa de uma mera conjectura. Oxalá que as Black Box apareçam. Elas falarão por mim.
No entanto, como na zona onde se presume ter dado o acidente, existe uma confluência, um choque, de pressões e temperaturas diferentes - segundo dizem os especialistas em meteorologia, evidenciando esta hipótese, com base na vista por satélite - a existência de cumulonimbos, pela mancha de óleo que apresenta uma distância de cerca de 20km e pela distribuição de alguns destroços que concluíram não ser por destruição em radial, pode ter sido mesmo o impacto com a alta densidade destas nuvens e a sua convulsão eléctrica aproximada de 1.000.000 de voltes, que tenham causado o brusco desmembramento da aeronave.
Se tivesse havido uma explosão a bordo provocada por algum engenho, o avião ter-se-ia partido, pela zona da explosão e o tamanho dos seus destroços certamente que seriam de maior dimensão e não estariam tão fragmentados como parecem estar, por uma longa área com sentido rectilíneo.
Por estas razões e a meu ver, a causa mais provável do acidente foi provocada por um cumulonimbo.
Para quem se dedicou ou dedica a fundo, a aeronáutica foi e é uma grande escola que encerra grandes “cumulonimbos” de intensos e vastos conhecimentos.
Esta é a minha opinião.

António Figueiredo e Silva

Coimbra

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quarta-feira, 3 de junho de 2009

A CORJA


A CORJA


Afinal, Vale e Azevedo é um herói!!!
Aquela brilhante mona desprovida de seborreia e piloris, sabe muito! No meio de tanta cambada semelhante, ele é um genuíno Ali Baba. Invejo-lhe a argúcia e a afoiteza, ferramentas com que “granjeou” a sua “paupérrima” fortuna que lhe permite viver faustosamente, contornando os pensamentos e objectivos economicistas das mais “sérias”, eficientes” e magnânimas (?) mentes, algumas delas agora colocadas em causa.
Deixaram-no zarpar para a ínsula dos camones, de onde se arroga a gozar a passividade da investigação e da justiça portuguesas. Gracejando ainda com sarcástica descontracção em tom de desafio, argumenta: “venham cá buscar-me”!...

Os órgãos de informação apresenta-nos também o caso Freeport que de tão confuso que está e com as qualidades da canzoada metida pelo meio, mais tarde ou mais cedo acaba por ser silenciado e ponto final. Os portugueses são pessoas de boa fé e acabam por esquecer o passado muito rapidamente.

Assomou-se também às seteiras da falcatrua o BPP, que como se pôde reconhecer, pôs na “miséria” muitos gatos selvagens da floresta financeira, incluindo o lavador de terras auríferas Joe Berardo. Deste, coitado, sinto profunda comiseração.
Como sou puritano e moralista, até estou a pensar seriamente em fazer-lhe uma proposta, que pela sua soberbice, é bastante aliciante; permutar a minha riqueza pela sua miséria. Um dia, se me der na tinêta, escrever-lhe-ei uma carta na qual lhe proporei a negociata, caso ele não se antecipe depois de ter lido esta crónica.*
Penso que se algo de bem tenho que fazer neste mundo para ganhar o outro, onde não há ambição e os cheques sem cobertura são desconhecidos, vejo neste gesto altruísta uma boa oportunidade para o “desgraçado”.

Agora vem o BPN. Coitado do BPN! Lá tiveram os cidadãos portugueses de contribuir involuntariamente para a vacina contra a crise monetária que arruinou aquela instituição bancária, com a modesta esmola de quatrocentos milhões de €uros.
Foi um algar de, por enquanto, “apontados benfeitores”. Esperem que ainda a procissão vai no adro!... Isto é só a uma ponta de um tentáculo do polvo.
O cidadão, “Zé” Oliveira e Costa já me parece um bocado zonzo da cabeçona ou então é um bom actor; caso se venha a atestar esse dom, certamente que vai ter pela frente um brilhante futuro como “músico” nas telenovelas, actualmente muito popularizadas.
Mas se a abóbora pifa e ele começa a regurgitar, é que vão ser elas!?
Olhem agora para o que lhe havia de dar!?... Denegrir o nome do Digmº. Cidadão “Manel” Dias Loureiro. Isso não se faz.
Eu sempre o conheci como uma pessoa de abastadas posses económicas. Já há muitos anos ele possuía um carro de alta gama a bater válvulas por todo o lado, pegava de empurrão, e arrotava baforadas de potência negra, quando era professor em Cantanhede. Nessa altura andava eu à pata. Se ele continua rico é porque tem “trabalhado” para isso. Como, onde ou a quem, a mim não diz respeito.
Claro que não advogo a possibilidade, ainda que remota, de “Zé” de Oliveira e Costa não ser culpado no caso BPN, mas de uma coisa estou certo: o buracão é tão grande que não pode ter sido criado por um só homem. Foi necessário remover muitas pazadas de argúcia, “arrumar” alguns incomodativos pedregulhos do caminho e criar estreitos laços de conivência convergente nos interesses comuns em torno de uma távola redonda que não se conhece, enquanto o Banco de Portugal nas horas de labor, curtia uma mexicana siesta à sombra de uma árvore chamada incapacidade.
Existem evidências que fogem à minha compreensão e com as quais não estou de acordo, bem assim como uma maioria dos portugueses; evidentemente que da minha conjecturada sondagem, também fazem parte aqueles que vêem só de um olho ou pensam somente com metade da massa encefálica. É que os factos são de tal relevância que não é necessário ser-se muito esperto para enxergar o que se está a passar.
Todas as indagações ou processos de alçado litigioso que metam “cães grandes”, arrastam-se por tempo indefinido utilizado na confecção de saladas russas, até se diluírem em conserva letárgica e serem postos de lado nas prateleiras, presumivelmente carcomidas e cheias de pó, dos arquivos judiciais, se antes não tiverem escapulido desse sepulcral destino, alimento com o qual, um dia a História se irá nutrir.
É tudo uma cambada, cuja seriedade está encharcada pela dúvida, para não fazer afirmações de certeza!
Podemos sustentar a convicção de que tudo acabará numa boa!
No código deontológico das corjas, existem laços de apadrinhamento mútuo, rodeados por malquerenças fingidas, mas acaba tudo por dar certo.


António Figueiredo e Silva

Coimbra

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*Se as crónicas que há alguns anos venho
a escrever são inseridas em tantos jornais,
pode ser que esta lhe vá parar à mão.
Espero bem que sim.

domingo, 31 de maio de 2009

O ARBÍTRIO

O ARBÍTRIO



Uma criança que por estar sob o jugo tutelar lhe é castrada a vontade própria, colocando-a deste modo em agonizante sofrimento. Ainda para mais agravar a sua desventura, é empurrada para o exílio num país que não é o seu, não conhece, nem fala a sua língua, começando a sofrer logo em tenra idade. Isto para fazer prevalecer que bem ou mal quem manda são os adultos de corpo, de idade, mas não de cabeça, porque está concluído que por vezes a matemática intelectual falha nas suas equações.
Não devemos culpabilizar a lei, contudo, a sua aplicação. Reconheço no entanto que é difícil sentenciar, porque a lei, bem assim como a sentença, não obedecem a uma exactidão absoluta, como também as apreciações de quem a aplica que apesar de tidas como conscienciosas, são alicerçadas nos factos e pareceres que servem de base à sua aplicação.
Entre a lei, a sua interpretação e a posterior aplicação da sua doutrina, as diferenças podem ser ténues ou abissais. Todavia, esses fossos podem e devem ser minorados, através das linhas da ética e seu consequente entrosamento na moral, que constitui o factor primordial da consciência. Evidentemente para quem a tem e não para quem a julga ter.
O ser humano, apesar de instituir parâmetros coercivos e tutelares que regem a sua vivência em sociedade, tem os seus momentos de imponderabilidade e principalmente quando se trata de por em prática um acto decisório, ainda que fundamentado nesses mesmos parâmetros. Ao conceito destas três linhas que supra escrevi, eu catalogo de falta de discernimento momentâneo, não digo individual, mas colectivo.
Foi isto que sucedeu na decisão da sentença que traçou o destino da Alexandra. É por isso que a Lei levada ao extremo, pode na realidade tornar-se injusta; porém, não cabe ao juiz andar no meio social a investigar e urdir relatórios, mas sim basear-se nos factos que lhe são apresentados, por técnicos ou “técnicos” devidamente credenciados para o efeito. Foi o que aconteceu. E agora, extinguiu-se a maneira de repor o passado no presente, subsistindo apenas um futuro quiçá amargo para aquela criança.
Não avento aqui a hipótese de defesa ou ataque a alguém e muito menos ao decisor de tal sentença, porque é humano e está sujeito a errar como os demais, por vezes em inconsciência, outras – com maior quinhão – pelos factos que lhe são expostos, escritos ou verbais, por pessoas que se pensa serem de esmerada credibilidade, na investigação das ocorrências e sua equação. Estas coisas por vezes podem falhar, quer por defeito, quer por excesso.
Sabe-se lá o peso psicológico, que o interior da cabeça não sustentará, o juiz que por força da lei e das circunstâncias apresentadas se viu obrigado a decretar tal sentença!?... Já repararam quantos milhões ou até biliões de dedos estão apontados à sua figura por uma decisão que a meu ver foi mal ponderada em relação à ética, mas em todavia em conformidade com os acontecimentos epistolados que a isso deram origem?... É por isso que a Lei é dura mas é Lei.
Isto é susceptível de acontecer e certamente que muitos em todo o mundo estarão pagando por actos que não cometeram.
Por muito que o ser humano estude e apreenda com o rumo à sua intelectualização, ele será sempre uma perfeita imperfeição da Natureza.
É certo que os vaidosos não pensam assim, criando desta maneira barreiras e patamares de divisão social onde a impunidade passa à tangente como é do conhecimento geral.
Contudo, se quem é mandatado para tomar decisões e proferir sentenças, não gozasse de imunidade, talvez o mundo entrasse numa crise de jurisprudência. E depois?... Andaria tudo sem rei nem roque?
Não seria pior a emenda que o soneto?!
Agora, se me é permitido avaliar, penso que sim, o caso da Alexandra foi mal avaliado. A narrativa dessa avaliação culminou na sentença que se viu. O que se pode agora fazer? Nada. Todavia, devo confessar que não me queria concavar, não digo na consciência, mas não posição do juiz que deu o veredicto. O sentimento de “culpa” e o incómodo derrotam uma pessoa por mais forte que ela seja!
Alexandra é mais uma criança como tantas outras, que neste mundo-cão começou a carregar uma cruz desde a nascença.
E agora para concluir: aos fazedores de leis portugueses, aos sentenciadores das mesmas e também aos investigadores e relatores, ainda quero acrescentar: MÃE não é aquela concebe e deixa a cria ao Deus-dará, mas aquela a cria e ama.



António Figueiredo e Silva

Coimbra

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sexta-feira, 29 de maio de 2009

EU, NUNCA VI TAL!?...
Com o testo sobre a cachimónia por causa da calmaria e o tacho na mira como fé, começou a “peregrinação” às eleições Europeias. No nosso país, cada partido apresenta o seu postulante como sendo a melhor opção para aquela caçarola, que a muitos faz activar as glândulas salivares constrangendo-as a trabalhar até à exaustão no sentido de transformar a ambição em torrentes de densa e pegajosa baba, necessária à lubrificação dos efusivos discursos, onde é dissipada sob a forma de “infecciosos” gafanhotos. Não é caso para menos! Cuidado com a gripe suína.
Todos são bons, uns mais do que outros, nas imaginações políticas que futuramente prometem defender, todavia isso não passam de atoardas.
Para o efeito, o PS foi “pescar” uma rémora ao oceano cerrado do PCP, não pensando evidentemente que era uma rémora, mas um tubarão de grande envergadura. Contudo, pelo que tenho visto e ouvido - apraz-me dizer - que quem escolheu aquela figura, provavelmente sentir-se-á bastante arrependido porque lhe deve ter saído uma moeda falsa.
Ainda que o nosso Primeiro-ministro se coloque em primeiro plano para lhe dar a sua força tutelar, quer me parecer que o “tubarão” não vai lá das “barbatanas”, nem com o auxílio de muletas.
Vital Moreira não consegue esconder o seu sísmico nervosismo atrás do sorriso “esquálido” que apresenta e disfarçar a sua insegurança interior através da calma que simula, apesar de “pincelada” com uma verbação lânguida e de fino timbre. Não possui o essencial: o domínio catalisador de massas. Por isso, este não apavora os antagonistas que também estão em frenética passada à dourada manjedoura da União Europeia.
É este o cabeça de lista que diz ainda estar à espera de um pedido de desculpas do PCP ao PS (a ele) por causa das agressões e dos insultos de que foi alvo durante a manifestação da CGTP, comemorativa do 1º de Maio. Penso que bem pode esperar sentado! Não deve certamente conhecer bem o partido a que pertenceu, que é duro e obstinado como um arrocho, no seu traçado político. Deve ter aprendido muito pouco, apesar de ter passado por uma grande escola.
Por acaso, quem com ironia, desprezo e em poucas palavras, bem caracterizou Vital Moreira, foi Alberto João Jardim, que com toda a boçalidade e descontracção que lhe são inseparáveis, o catalogou, “é um rato que abandonou o navio”. Esta foi boa, não foi?... Recostei-me ao meu puído sofá e ri até os músculos do diafragma me alertarem para o perigo do meu excesso de contentamento.
José Sócrates o Primeiro-ministro, em conturbada apoquentação, até mendigou ajuda ao seu “amigo” José Luís Roriguez Zapatero para apadrinhar o lançamento e ajudar na clivagem não daquele diamante político, mas do bocado de xisto meio politizado, isto é, se não houver tramóia por detrás de tudo isto!? Nunca se sabe?!...
Neste contexto, não é Vital Moreira, coitado, que assusta, mas sim o que poderá estar a ser cozinhado nos bastidores da politiquice.
Porque foi o nosso Primeiro-ministro importar um “padrinho” de nuestros hermanos? Suponho que não foi certamente para convencer os portugueses!? Eles estão fartinhos de falácias e muito menos vindas de além fronteiras.
Não teremos nós figuras de proeminência comprovada para o desempenho de análogo papel? Ou, à semelhança de alguns sistemas bancários, também já entraram em falência os nossos intelectuais de alto gabarito?!... Fiquei deveras boquiaberto.
Eu, nunca vi tal!?...
António Figueiredo e Silva
Coimbra
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terça-feira, 26 de maio de 2009

A BARRELA
(É SÓ PARA LEMBRAR!)


Como não podia deixar de ser e atendendo a que tudo na vida é cíclico, voltou em grande força a moda da barrela à nossa área geográfica, não assente num paradigma para nos beneficiar, mas com um objectivo bem definido, que é a tal “vocação de poder”, tão convictamente fincada.
Começou a corrida às eleições; se bem que a temporada ainda venha longe e muitos acontecimentos poderão suceder-se por entre surpresas agradáveis ou nauseabundas, ditos e boatos peixeirescos, pregões duvidosos com cheiro a bafio, apresentados por mixordeiros e barreleiras da verbação sem nível, que embriagados de sectarismos doentios, apenas têm como fim único promover uma lavagem encefálica aos desgraçados dos portugueses, que, mesmo de tarraxas apertadas ainda são capazes de vir a cair na mesma patetice, na esperança de miragens que como sempre, se traduzem em promessas por cumprir.
Atenção que esta moléstia, esta febre-amarela ou febre-oxigenada como lhe queiram chamar, já chegou às terras Oliveirenses.
É bem verdade que Luís Filipe Meneses afirmou que só sairia da liderança do PSD à bomba. Mas saiu e não foi à bomba!... Talvez por razões que por certo só ele saberá. Porém o que está aqui em causa não é mudar de ideias, mas sim o ter ideias para fazê-lo, virtude que não está ao alcance de qualquer sabujo/a, que se preze de ter uma personalidade vincada e muito própria.
Sou de opinião que quando uma pessoa não está bem deve retirar-se e não andar a fazer de sola de alpergata, por uma questão de posição social de que muitas vezes a sua cabeça não é merecedora.
Criou-se de facto um grande alarido à volta desta tomada de posição, que a meu ver não tem nada de transcendente, manifestando apenas “uma luta de família” cuja contenda se vem arrastando com toda a normalidade que lhe é inerente, e, não só a uma, mas a todas do nosso estrelato, constituinte das nossas galáxias políticas.
Existem de facto outros actualismos que pela sua excomunal dimensão, muito mais dores de cabeça têm dado aos portugueses.
Para avivar a memória daqueles que procuram desviar a atenção dos portugueses dando grande relevo a querelas resolúveis e ao mesmo tempo difundir a sua imagem desgastada pelo tempo e pelo bater sempre na mesma bigorna, só quero relembrar três actualismos que deram, dão e darão água pela barba a todos nós e não foram obra de Luís Filipe Meneses nem da sua “família”, alaranjada.
Começando pelos serviços de saúde, cujos problemas cada vez mais se vêm avolumando, passando pelo busílis da educação, que não sei no que irá dar, mas pelos ventos que sopram são capazes de arrastar uma cambada de futuros analfabetos e incompetentes, como se actualmente a sua existência seja diminuta!?… E já agora, para temperar a caldeirada, que tal fazer emergir à tona da memória, a questão da segurança, onde já nem dentro de uma esquadra de polícia se está seguro e lembrar os recibozinhos verdes?... E agora a vergonha bancária?...
Pois é!... Nada disto foram obras de Luís Filipe Meneses, nem do PSD ou de quaisquer outras alas partidárias de esquerda ou de direita; apenas do PS (Partido Socialista).
Porém, no meio de toda esta algazarra, não compreendo como existem pessoas que depois de terem passado pelas universidades, adquiriram um discernimento tão fraco e desaferrolham umas arremetidas com um vocabulário doutorísticamente tão pobre!... Essas é que são mesmo dignas de um “bailinho” à laia de ensaio de rancho folclórico, porque é muito feio falar-se com a saia trilhada. A meu ver, talvez até não fosse mau um “bailinho” da Madeira, que eu muito aprecio pela exigência do seu frenético ritmo, contundência de movimentos e afirmação no bater do pé (…se queres, queres; é para já; se não queres, vira-te p’ra lá!...).
Penso que os meus lentes me entenderam.
E agora, “amigos” Oliveirenses, aconselho-vos que abram os ouvidos e fechem os olhos, para poderdes ver melhor.
Não vos deixeis iludir por palavras com cariz falacioso, que não passam de saloias barrelas à moda antiga. Protejam os olhos da potassa que acinza contém.


António Figueiredo e Silva
Coimbra
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segunda-feira, 25 de maio de 2009

“A TOMADA DA BASTILHA”
(carta aberta à Ministra da Educação)

Exm.ª Sr.ª

Preambulando o que abaixo vou dissertar, quero informar V. Ex.ª de que não sou nem nunca fui ensinador, mas sei que não tenho necessidade alguma de ser cozinheiro para dizer se a comida está boa ou má.
É certo que não se tratou do caso (Tomada da Bastilha), mas fez-me emergir à memória esse histórico acontecimento que mudou o rumo a um país, face ao mar de gente oriunda de todo o nosso território, que a “revolta” movimentou. No entanto ficou bem evidente a exteriorização indignada daqueles que se sentem “injustiçados”: os professores.
Sr.ª Ministra, isto tinha de acontecer. Pela minha parte, e, que nada tenho a ver com a carreira docente, já me estava a impacientar com o tardar de uma tomada de posição gritante na direcção certa de reivindicar a dignidade que um professor deve ter.
Mais de cem mil pessoas exteriorizaram os estigmas que o mau legislar pode provocar, por ter sido feito sem o condimento da sensatez.
O professor, * esse plantador do conhecimento científico, certamente que merece outro tratamento e não aquele que ora lhe querem atribuir.
Queria que V. Ex.ª tivesse presente, que castrando o incentivo ao ensino com o estabelecimento de legislação nociva à integridade e à competência daqueles que amestram, o horizonte tornar-se-á limitado, porque o progresso estagnará, abafado pela falta de estímulo e valor a essa notável profissão.
Na realidade, Sr.ª Ministra, a imagem do professor tem sido enlameada, enxovalhada, denegrida e depreciada; a sua autoridade, condimento de manifesta importância para optimização do ensino instrutivo e controle comportamental dos instruendos, tem sido impunemente françada. O fedelho é quem manda, quando não é a ele que compete fazê-lo. Ele tem que obedecer e sujeitar-se às regras e não ser apaparicado, como obrigatoriamente tem vindo a ser feito. Até das faltas que os alunos dão querem imputar a responsabilidade ao professor. Isto é gritante, não acha?
Face a uma fronteira cuja penetrabilidade é impossível, não sei o que se passa na cabeça da Sr.ª Ministra, mas arrogo-me a colocar-lhe uma questão que pela sua pretensão merece ser posta na mesa da comunicação social ao dispor de V. Ex.ª, cuja dureza não será de fácil digestão: de um ensino deficiente, sem ordem e sem motivação próprias, que resultado espera amanhã, das cabeças que por lá passaram? Certamente que a “profissão” de política não poderá acolhê-las todas porque o tacho é limitado e já está a rebentar pelas costuras!... Se os que agora lá estão não têm primado pela ponderação e qualidade das suas decisões, num futuro próximo o que será de nós?!
Sr.ª Ministra da Educação, afinal que qualidade educativa vamos a ter em Portugal?... A meu ver, se já não tem sido muito boa, certamente ficará pior. Queira V. Ex.ª equacionar, se tal virtude lhe foi concedida, que cem mil descontentes na área do ensino, já é muita fruta para a dimensão deste cesto tão pequeno. Quanto mais não será, como aconteceu, um número acima deste, segundo os cálculos transmitidos pelos media?
Se bem que a comunicação televisiva não tivesse dado grande ênfase à situação e nós sabemos porquê, penso que a Sr.ª Ministra ficou numa situação deveras debilitante e apreensiva, mas tenha paciência porque isso são manifestações de calos nos trilhos da política.
E agora?!... Já viu o que arranjou?... Suponho que não vai ser fácil o descalçar a bota!?
Bem, analisando ainda os resultados de toda esta justa turbulência provocada pelos elementos da carreira docente, julgo que a V. Ex.ª apenas lhe restam três hipóteses de combater o infortúnio, mas nunca a de sair com a imagem imaculada: demitir-se, ser demitida ou continuar a lutar no campo da teimosia sujeitando-se a capitular no decorrer da peleja, que como vê já teve início. Queira desculpar-me dizer-lhe isto, contudo é aquilo que penso e que por certo acontecerá.
Já poucos dias antes de ele cair do cavalo abaixo, eu havia vaticinado o “acidente” do ex-Ministro da Saúde Correia de Campos!?
Sr.ª Ministra da Educação Maria de Lurdes Rodrigues: não queria terminar esta salgadela sem mais uma vez frisar, que OS PROFESSORES TÊM RAZÃO.


António Figueiredo e Silva
Coimbra

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*Quero aqui salientar e afirmar, que tudo o que escrevi
é somente em defesa dos verdadeiros professores e não
a favor de muitos que pelo ensino deambulam, ostentando
vaidosamente a sua (in)capacidade “científica” armados
em inteligentes e deviam era repetir o curso, mesmo assim
correndo o risco, quase certo, de voltar a cavar batatas.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

VATICÍNIO

VATICÍNIO


Fins do século XXII. Se o ser vivente ainda não tiver desaparecido, as pessoas passarão umas pelas outras num apressado corrupio quase nem se apercebendo da existência do seu semelhante. Com a face esquálida marcada por uma expressão de introvertida ânsia e semblante doentio, dirigem-se aos seu postos de trabalho transportando uma pequena mochila; acondicionada no seu interior levam a bucha, que não passa de uma comida de “plástico”, selada num saco também comestível ou bio-degradável, pois nessa altura já pouco haverá que possa ser degradado. Os mais pobres, esses levarão apenas uma caixinha com meia dúzia de pírulas para diluir a larica enquanto estão a ser sugados pelo trabalho, que nessa altura será privilégio dos afortunados, fazendo só uma “refeição” diária.
As pessoas já farão parte não da sombra, mas de uma penumbra que o sol a todo o custo tenta projectar através da atmosfera poluída, consequente da herança do actual progresso e da sua ilimitada aceleração.
Indústrias de transformação de lixo farão uma massiva publicidade à “boa” qualidade da sua comida. Depois de transformado, tudo serve para que o ser humano não sucumba por inanição.
Esses cães vadios e eczematosos, cheios de pulgas e carrapatos, que vagueiam pelas ruas e becos das nossas cidades e aldeias, vão desaparecer misteriosamente nos estômagos de muita gente.
Serão necessárias licenças para a caça aos ratos de esgoto, não por constituírem uma peste, mas porque de cabidela ou grelhados na brasa, se ainda houver madeira para queimar, serão uma iguaria para muitos estômagos famintos.
Os pedintes, que lamentavelmente nunca deixarão de existir, farão o controlo das suas áreas de pedinchice através de telemóveis com surround e fotografia tridimensional, que serão oferecidos na aquisição de uma barra de sabão.
Os homens serão landinhos e frágeis, as mulheres fortes, peludas e com alicerces de grandes bigodaças, que às escondidas vão rapando, mantendo sempre o perfil bonito do seu busto, através de compostos de silicone, que mais do que hoje, será o pão-nosso de cada dia.
As estações do ano mal se farão sentir, o planeta visto do espaço será cinzento azulado, onde as flores mal desabrocham; os frutos serão raquíticos e desprovidos de doçura porque os raios solares que lhes chegam são em pequena quantidade.
Os únicos animais que irão progredir nesse clima serão os insectos, donde o homem irá tirar todas as proteínas necessárias à sua sobrevivência.
Não se verão estrelas no firmamento e o reflexo da lua deixa de penetrar nas nossas retinas.
Os seres humanos não terão nome, serão identificados pela emanação magnética de um chip que à nascença lhes é colocado no antebraço direito, onde está armazenado um número na sua memória. Actualmente já é quase assim. Através da acelerada informatização do sistema financeiro, em que o número de contribuinte é um importante factor, qualquer dia o governo saberá quantos metros de papel higiénico são gastos não per capita mas per ânus, podendo deste modo sancionar os que abusam dos movimentos peristálticos intestinais, obtendo desta forma um melhor controlo nos gastos dos cidadãos, não se coibindo castigá-los; não poupam?! Não há futebol, fado, telenovelas, nem revistas Maria para os mais intelectualizados.
Roupas finas, só cobrirão o pêlo dos ricos e abastados. A plebe, comprará nos supermercados, em promoção, como é óbvio, pacotes com roupas descartáveis fabricadas à base de papel reciclado a imitar pano, que usa e deita fora.
Não haverá respeito por ninguém e a lei do mais forte é a que prevalecerá. Os mentecaptos e os inimputáveis aumentarão em proporção ao consumo de novas drogas piores do que a heroína e a cocaína.
Muitos filhos irão ter muitos pais, sem nunca saberem qual é o verdadeiro, - já hoje acontece - e o mundo continua de mal a pior.
Nessa época já deverá ser aplicada a lei da eutanásia, não por vontade própria, mas por vontade daqueles que se querem ver livres de alguém. Haverá uma selecção não natural, mas propositada. Só por isto, deficientes, mal-formados, incapacitados e improdutivos, pura e simplesmente desaparecerão, com a finalidade de diminuir os trinca-palha, porque a comida além de ser de má qualidade, é pouca e tornar-se-á imperativo contornar a situação. Certamente que à terceira idade também será dado um empurrãozinho. Já cumpriu a sua missão!...
Quem visionou o Apocalipse não era tolo de todo!

António Figueiredo e Silva
Coimbra

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