terça-feira, 28 de abril de 2009

O CARÁCTER FAZ A DIFERENÇA

O CARÁCTER FAZ A DIFERENÇA!...

Mesmo em gémeos homosigóticos, em que as diferenças não sejam notadas, uma existe que faz toda a diferença: o carácter.
Se a diferença desta particularidade é acentuada nos análogos, quanto mais o não será em indivíduos cujo parentesco não tem qualquer ligação!?
Nos casos que se seguem, um foi um verticalista, de carácter forte, acreditou até ao derradeiro suspiro na razão que defendia. Era fortemente aguerrido e nunca virava as costas à liça, assim houvesse inimigos para botar abaixo do cavalo. Não era uma pessoa de ostentações e, que eu saiba, sempre teve a coragem de viver com uma sobriedade invejável, para aqueles que nunca tiveram coragem de o fazer e se julgam uns páxás sem turbante.
Soube, na altura devida, retirar-se das luzes da ribalta, marcando o espaço temporal com a austeridade da sua figura e dos seus ideais, sem deixar contudo de ser o mentor de toda a estratégia política que acèrrimamente, na altura defendia.
Conseguiu uma coesão partidária que nenhum dos seus sucessores até hoje alcançou.
Nunca usou de mimetismo político ou oportunismo, para seu interesse pessoal; foi sempre frontal nas suas contendas onde era bem presente a coragem de um gladiador.
Era um homem de carácter forte e obstinado, que manteve sempre o mesmo objectivo sem cobrear.
Não quero com tudo isto dizer que ele estivesse certo!?... A liberdade que defendia, se tivesse ido avante, seria uma liberdade condicionada, o que não quer dizer também, que estejamos actualmente numa democracia totalmente aberta porém, talvez menos apertada.
Não fazendo eu parte dos seus ideais políticos, sempre o admirei pela sua tenacidade e persistência sendo a razão porque ainda hoje me lembro daquela figura; magra, de voz intempestiva e trovejante quando necessário, acentuada com um semblante parecido com o de uma águia-real de garras sempre afiadas e prontas para o ataque!...
Assim foi: Álvaro Barreirinhas Cunhal.

O outro, de voz cálida, com palavras cheias de odor a paternalismo, manhoso que nem uma mula porém, com uma particularidade inegável que era a diplomacia, hoje em decadência por culpa da idade e da rabugice.
Interesseiro, ambicioso em demasia, oportunista, não olhando aos meios para atingir os fins, em que política por ele defendida, tem sido até hoje não a única, todavia das principais causas da nossa pobreza monetária e intelectual, onde as favelas crescem à sombra do desemprego em desenfreado desenvolvimento, e os valores da ética se têm decepado a toda a brida.
“Criou” uma Fundação cujas fundações e conclusões foram por conta do erário público, cujo fundamento ainda hoje não sei bem qual é, mas sei que por conta própria nada parece ter feito.
De todos aqueles que procuraram combater o fascismo, foi o ”fascista” que mais dinheiro gastou aos cofres públicos em passeatas e comezainas, acompanhado por mongólicas comitivas parasitárias, dignas de um Kublai Kan à portuguesa.
Vingou-se com acentuado anatocismo, do ódio que sentia pela sua pátria (dele) e concomitantemente pelos portugueses; ódio esse demonstrado no decorrer de uma viagem a vários países europeus, subsidiada pela Internacional Socialista, durante a qual manteve uma “batalha” de descrédito do Governo Português com maior incidência sobre a política ultramarina, decorrendo daí a acusação pelo Ministério Público de actos contra o bom nome e prestígio do nosso País, que culminou com um mandato de captura em 31/07/1970, disto resultando a sua escolha voluntária de exílio em Paris, onde foi professor na Sorbonne.
Na política jogou os interesses pessoais acima da Pátria e dos portugueses, desconhecendo ainda, que uma bandeira representa um povo e não um governo; simulou uma “virtuosa filantropia” no esbanjamento das economias deixadas pelo “fascista” António de Oliveira Salazar, que como todos sabem, morreu sem chorudas contas bancárias, sem Fundações infundadas, sem nada.
Mais não era de esperar, facto este por mim foi vaticinado, quando pela primeira vez, no “Jornal de Notícias” de Lourenço Marques, vi a sua figura à janela de um comboio, aquando da sua chegada a Lisboa, regressado do seu principesco “exílio” em França.
Actualmente existem amigos meus que ainda bolem, e se lembram do meu mau presságio.
Ziguezagueando pelo leito lodoso da política, pensei que tivesse feito tudo o que ambicionava; porém, como a ambição ainda tinha vida, tentou jogar uma péssima cartada nas últimas eleições presidenciais, saindo-lhe o tiro pela culatra.
Não governou mas governou-se à sua maneira; contudo, esquecendo o passado, provavelmente por senilidade, por um alento de inveja ou ambição ainda por concluir, não se mostra muito de acordo que outros se governem!...
Assim tem sido: Mário Alberto Nobre Lopes Soares.

A falta de carácter é equivalente a veneno; por isso, “o carácter faz a diferença”!... Entre as pessoas.

António Figueiredo e Silva
Coimbra

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terça-feira, 14 de abril de 2009

…O ROSTO DO PASSADO

…Que eu agonizo ao enxerga-lo!... “Estou enjoado” das suas palavras cínicas e tendenciosas, que apesar do carcoma que mina toda a estrutura daquele rosto do passado e depois de tudo o que fez para ajudar ao cortejo fúnebre deste país, ainda se julga imaculado e com prestabilidade para lançar afrontas sem nexo como se fosse o Czar deste bocado de terra, que graças aos seus ideais e à qualidade dos miolos dos seus aborígenes, já não produz o suficiente para a sua sobrevivência.
Estou deveras enjoado de tão bolorenta retórica e ainda não compreendi como é que a comunicação social lhe atribui algum crédito.
Existe nas palavras proferidas por este rosto do passado uma manifestação de inveja, cuja latência só acabará quando o oxigénio deixar de alimentar as células sanguíneas que o têm irrigado.
Ainda se julga certamente, com capacidade para ser um presidente da União Europeia!... Quão grande é a sua ganância e sede de poder!
Já não consegue ver que o partido que fundou não lhe liga patavina, evidenciando esse sinal nas palavras de José Sócrates no apoio a Zé Manel Durão Barroso?!
Durão Barroso não é por certo uma figura do passado; apenas mudou de ideias. Contudo, o importante não é mudar de ideias, mas sim ter ideia para mudar as mesmas. Digo isto, não porque Durão Barroso me caia no gôto ou porque eu seja sectário de algum partido, mas porque as evidências factuais a isso me instigam.
De Mário Soares, já não poderei dizer o mesmo, face às barbaridades cometidas, decorrentes da sua política exemplar, que para a maioria não pode servir, como se pode concluir.
Ainda hoje, depois de tantos anos decorridos, muita gente, daquém e dalém mar, está a sofrer no corpo e na alma, as consequências virusais dos acordos da sua política socialista. São factos que não podem nem devem ser esquecidos.
Não vejo força moral alguma que possa contribuir para que este sr. esteja sempre a “refilar” com o propósito de impor as suas ideias envolvidas numa aragem de maldizer e pouco democrática. Sim, porque onde há vento impositivo não existe democracia. E plagiando o Rei de Espanha, “porque no te callas?”.
Dá a impressão de que Mário Soares chancelou na cabeça que é o pai de todos os portugueses – meu não é com certeza – mas se tem essa metida no caco, tem sido um pai muito tirano e aproveitador das circunstâncias e do suco vertido pelas glândulas sudoríferas dos portugueses e não só. Não poderá ser isto resultante de uma grave maleita? Se fosse comigo ia à bruxa.
Apesar de não gostar dele, tinha-o como uma pessoa instruída, sabida, astuta; não daqueles que sabem tudo, porque isso é uma quimera, mas dos que sabem muito. Agora, perante o que ouço, já não tenho a mesma opinião. Ele é mesmo um rosto do passado, mas não o único, do qual não alimento quaisquer saudades.
Ó sr. Mário Soares… deixe lá o Zé Manel governar-se, caramba!... O sr. também não se governou à grande e à francesa?!..
Afinal que democracia é essa?
E pela manhã, depois de ter descansado bem se a consciência não lhe pesou, mire bem o espelho enquanto com as mãos trémulas alisa a sua brilhantina do seu parco matagal capilar e pode nele ver reflectido o que realmente é o rosto do passado. E com um grande passado!...

António Figueiredo e Silva
Coimbra
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quarta-feira, 25 de março de 2009

LEMBREM-SE

LEMBREM-SE!...


Para aqueles cuja memória é de pequena dimensão volumétrica ou sofrem de amnésia por conveniência, factos existem que por imperatividade circunstancial têm e devem ser historiados.
Há quem ouse, por irreflectido hábito, dizer que contra factos não existem argumentos; todavia, isso não é verdade, porque são precisamente os factos que dão origem aos argumentos mas que, por se tratar de factos, por norma são incontestáveis.
Não sei se me fiz perceber, no entanto vou procurar argumentar sobre factos, que muitos interessados devem reter em memória e aos desinteressados convém atirar para o esquecimento. Por isso, vamos à brasa com todas as letras, arguindo acontecimentos e guindando a verdade à tona do “descrédito” forjado pela imbecilidade, que tem pairado sobre a CEL (Cooperativa Eléctrica de Loureiro), da qual sou sócio devidamente credenciado, o que me confere o direito e o dever de dar pareceres, emitir ideias, condenar erros se eles existirem; tudo em franca harmonia, sem altercações ou faltas de educação, próprias de alguns elementos que transportam acima dos ombros não uma cabeça, mas um pedregulho amorfo. É-me também conferida a faculdade de voluntariamente meter o papel do voto na greta da urna, quando aparecem eleições para os corpos gerentes desta instituição, que contribui, dentro das possibilidades, para o bem-estar de todos Loureirenses.
Existem, como é natural em todos os sectores de ajuda social, arrufos de maldizer lançados por mentes menos bem formadas ou revoltadas com elas próprias, que por vezes põem em causa quem dirige, apenas com o objectivo iconoclasta, numa tentativa, espero, frustrada, de subirem ao palanque para o qual não demonstram qualquer credibilidade. Pobres “diabos”!...
É certo que isto é condenável porque quando o fazem é sob a cobertura do betão cerrado de covarde do anonimato. Isto não deixa de ser irritante, se bem que facilmente suportável. Porque, de anónimos, incógnitos, filhos-da-mãe e ranhosos, basta um para irritar toda uma sociedade, pelas parvoíces, ameaças e chantagens deles decorrentes, baseadas em princípios ortodoxos cuja filosofia é, “se não és por mim, és contra mim”.
Não é também dúbia a presença, isenta de qualquer virtualidade, de outros que num tom raivoso e palavreado arruaceiro cheio de baba e ranho, ensaiam “agredir” verbalmente a estabilidade emocional e a integridade daqueles que por carolice têm feito algo de bom pelo povo dessa terra; Loureiro.
Agora, que se aproximam as eleições para os novos corpos gerentes, penso que todos os sócios devem votar em consciência, libertos de quaisquer pressões e sem medo, porque, que eu saiba, os papões não passam de velhas quimeras e por isso não comem ninguém.
Só a coesão pode levar à victória e consequentemente, à estabilidade!


António Figueiredo e Silva
Coimbra

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sexta-feira, 20 de março de 2009

O(s) MELRO(s)

Não sei como pessoas que demonstraram falta de carácter, reaparecem agora com uma apresentação empedrada de seráfico empenho no zelo pelos Loureirenses, como se até agora, no cumprimento dos seus deveres autárquicos, ninguém tivesse feito nada que os houvesse favorecido, quer na sua catalisação social, quer na melhoria do espaço geográfico que a todos congrega.
Agora, pareceu outra vez alguém que, rodeado de uma virtual aura libertadora, se propõe a salvar o que nunca esteve perdido, e a concavar o que jamais esteve desconchavado, graças à frontalidade, clareza, coerência, humildade, compreensão e respeito, que sempre pautaram o elenco autárquico cessante, que é parte tentacular de um partido; o PSD. Depois das asneiradas que se têm visto, foi aquele que na sua globalidade, me pareceu ter jogado mais limpo ao longo do acidentado trilho político pós 25 de Abril.
Eu sei qu'andam p’raí uns “melros”, não de bico amarelo, mas de bico cor de rosa, liderados por um caudilho, pairando na penumbra do céu ainda cinzento da alvorada eleitoral Autárquica, à procura de bichinhos sem cerne intelectual para encherem o papo, há muito reclamando comida (tacho).
Qual será a credibilidade de um proponente cabecilha, que se deu ao luxo de administrar um blogue tendencioso e bafejado pela puerilidade, em que deixou passar todos os impropérios e muito mal articulados - diga-se - por mentecaptos, onde imperou o maldizer e a iconoclastia perversa, a coberto do anonimato?
Possuirá, esse sr. Rui Cabral, maturidade necessária para o exercício do cargo a que se propõe, ou propuseram?... Pela parte que me toca, ainda que lamentando, não lhe posso atribuir essa virtude.
Recordam-se, caros conterrâneos, o burburinho que deu o blog mal gerido por essa figura, quando das pretéritas eleições para a governança da CEL (Cooperativa Eléctrica de Loureiro)? Até Polícia Judiciária meteu.
Penso eu que o cargo – Presidente da Junta de Freguesia – não é incumbência que a esse sr. deva ser atribuída.
Esta é apenas a minha opinião e não me sentiria bem se estivesse a sufocar a minha consciência, que em abono da verdade, devo dizer, tem muita gente a convergir no seu sentido.
Alega este sr. que “a motivação (…) é apenas a de servir a comunidade Loureirense, como forma de dotar a freguesia de Loureiro dos níveis de qualidade de vida a que têm direito” (?...).
Querem lá ver que o homenzinho vai criar mais empregos, dar muitos subsídios, construir mais um Centro-de-dia, um novo edifício da Junta de Freguesia ou alguma creche; arquitectar mais espaços ajardinados, alcatroar todos os pavimentos em mau estado ou mandar limpar com mais eficácia a bosta deixada pelos atrelados dos tractores nas suas lides agrícolas etc?!...
É tão fácil falar falaciosamente!...
…”a liderança política é – deve querer dizer está - cada vez mais enfraquecida”.
È verdade sim senhor; se levarmos em linha de conta que a algazarra e o mal dizer são sinónimo de fraqueza e esquecendo que entre silêncio e o cagaçal, a obra fala por si.
De boas intenções está o mundo cheio.
…“está preparado para unir a maioria dos loureirenses em torno de um projecto ambicioso e credível”…
Qual projecto, qual carapuça?!...
Até à data não tenho conhecimento de qualquer projecto; todavia, da credibilidade falaciosa já possuo um bom baralho; por outro lado, é de salientar que onde existe ambição a honestidade morre à nascença.
Quanto à sonhada catalisação da maioria dos Loureirenses à roda do projecto, faz-me lembrar “Os Meninos do Huambo”, à roda de uma fogueira…
Não passa de uma canção!
Conterrâneos!… Amigos, inimigos, assim e assim, conhecidos e desconhecidos: matutem bem; tenham muito cuidado com O(s) Melro(s).



António Figueiredo e Silva
Coimbra

Blog: www.antoniofigueiredo.pt.vu

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

TRABALHO INGLÊS…

…É para trabalhadores Ingleses!...
Este Gordon Brown!?... É puro pedigree Inglês. Trabalhei com alguns e conheço como aplicam a sua sorridente mordidela.
Talvez por ser muito medíocre em narração, ainda não percebi porque é que D. João I foi casar com D. Philipa de Lencastre. Certamente que naquele tempo não havia mulheres belas em Portugal, hoje facto de irrefutável dúvida; assim saibamos apreciar e valorizar as beldades que borboleteiam à frente das meninas dos nossos olhos, depois, obviamente, de arredarmos alguns montes de sucata acéfalos, que muitas vezes se escondem por detrás de uma triste e fingida cobertura ensopada em peróxido de hidrogénio.
Bem, neste facto histórico, afigura-se-me que o interesse superou o gosto, que com alguma submissão viemos a pagar com os devidos juros de mora; desde a estadia do general Beresford, que fez trinta por uma linha, passando pelo Mapa-cor-de-Rosa que deu origem ao Ultimatum vindo de Sua Majestade britânica dirigido ao Rei D. Carlos de Bragança, até ao último favor que foi o brutal empurrão para forçar a entrega das colónias Ultramarinas.
Estes Ingleses!?
Naturalmente que o Sr. Gordon Castanho, mais cinzento do que castanho, talvez devido a uma má noite de bowlling ou dor de calos, não deve ter ponderado muito bem naquilo que disse, “trabalho inglês é para os ingleses”.
Em vez de ser diplomata, encarar a crise que está lá instalada e ajudar a debelá-la, procura acicatar os ânimos e conduzi-los á revolta. Inteligente, já não digo, mas é esperto.
Se calhar ele, no costumeiro tee time das five, nunca usou cabo da colher de mexer o chá para coçar o cérebro através do ouvido e por tal facto nunca lhe passou pela cabeça que se todos os imigrantes dessem corda às sapatilhas a Inglaterra entrava em vertiginosa derrocada.
Então aquele pobre insular, não compreende que a Inglaterra por si só não consegue sobreviver?!
Quer isto dizer que o trabalho existente em cada país é para os cidadãos desse país.
Eu muito gostava de presenciar, que se todos os países onde trabalham british citizens tomassem a decisão de lhes cortar o trabalho e os enviassem de retorno à Inglaterra, se aquela ilha tinha espaço geográfico para os acolher, sem que muitos batessem com os testículos na água salgada do mar que os rodeia.
Mas que tão infeliz frase, Sr. Gordon Brown.


António Figueiredo e Silva
Coimbra

domingo, 8 de fevereiro de 2009

RUMINAÇÃO

Pensava eu ser uma acção natural que concernia apenas aos animais de pança. Actualmente uma americanice que se estendeu a um grande número de animais “pensantes”, isto é, se o “bicho” em causa não usa dentadura postiça ou só tem dois ou três irrisórios dentes a abanar numa reles e descalcificada estrutura mandibular. Isto porque no primeiro caso a pasta cola-se entre os postiços artefactos e arranca-lhe a cremalheira; no segundo já não possui trinca palha para remoer o que lhe pode acarretar sérios problemas gengivais.
Deslocamo-nos a uma repartição pública, a um escritório ou gabinete qualquer há sempre um alguém que nos atende a ruminar “ilusões”, e não raramente o gesto lhe imprime uma cara de imbecil. Somos perseguidos na rua, nos autocarros, nos comboios, nos aviões, nos barcos, nas filas e até nos mortórios, por esse nham, nham, sórdido e melancólico, a roubar a César o que é de César, com grande revolta e indignação para os animais de pança, trejeito somente sua pertença ingénita.
Alguns, animados de indecorosa veia artística, até conseguem fazer um repugnante balãozinho e rebentá-lo com um pum!.., como se fosse um peido com casca que confundiu a saída e ficam todos contentes ao mostrarem um pluvioso sorriso embutido numa deslavada cara de cú. É engraçado não é?...
A chicola, chuinga, chicla, chicléte, na ilha Terceira (Açores) gamas ou para os mais eruditos shwingum, (tudo menos goma de mascar) tem servido para fortalecer os músculos maxilofaciais; com a desculpa de uns, de que ajuda a lavar (chafurdar) os dentes, enquanto é ruminada; escusa de outros, porque é um coadjuvante para a minorar o nervosismo enquanto ruminam; por outros tantos, e, os mais pessimistas, aludem a uma questão de precaução, pois será mais que evidente que o mundo vai acabar à dentada, e ganha quem mais força tiver, pelo menos nos caninos, que são os dentes que mais se adaptam à crise dos nossos dias, porque a carne já outros andam a comê-la há muito tempo.
A “proeza” de ruminar sem ter direito a isso, não tem nada a ver com a índole de quem o faz. O indivíduo pode ser bom ou mau, de alta ou baixa classe, futrica ou doutor, camelo ou inteligente, que os camelos me desculpem, mas inteligente não é com certeza; se o fosse não ruminaria. E não o faria porquê?... Porque, sem ser necessário meditar muito, chegaria à conclusão de que o ruminar chiclas ou lá o que lhe queira chamar, activa-lhe uma digestão simulada, que congrega todos os componentes do ácido gástrico ou estomacal, podendo deste modo contemplá-lo com umas ulcerazinhas que até podem degenerar e virem a dar maus resultados.
Por outro lado, se esta moda se normaliza completamente até se tornar impositiva por lei, - já vi coisas mais aberrantes - adeus ò médicos!... Vamos é carecer de muitos veterinários, apesar de já não haverem poucos!?... Ainda que uma catrefada deles com os diplomas trocados.
Abaixo a chícola!...


António Figueiredo e Silva
Coimbra

O CORNO (LIÇÃO DE AUDIOLOGIA)

Estamos em crise.
Todos sabemos que o Governo se tem arredado a aumentar das comparticipações, dos medicamentos, das taxas moderadoras, das estadias hospitalares, dos elementos protésicos para os mais necessitados etc., que no final de contas são todos os portugueses, exceptuando alguns, grandes “investidores”, que depois de falências fraudulentas, o Estado ajuda com seringadelas de capital, em substituição da pena capital ou, em substituição desta, o completo congelamento dos seus bens, colocando os “negociantes”, comparsas de Ali Baba, que são muito acima dos quarenta, completamente na merda.
Assim de relance, é imperativo e pertinente questionar, o que tem a ver o corno com a crise, com as comparticipações ou com as falências fraudulentas?...
As falências fraudulentas ajudaram à crise; esta por sua vez afectou as comparticipações no sector da saúde e, para não falar em todos, vou pegar apenas no sector da audição pois é precisamente neste sistema que por uma questão de medidas de austeridade compulsiva, o dito corno pode fornecer uma prestimosa ajuda.
Provavelmente nem todos os que me lêem e sofrem de perda auditiva, irão andar com um corno dependurado ao ombro ou disfarçado num atabalhoado embrulho de papel pardo, prensado sob a cova do braço à espera que a emergência surja para o seu uso efectivo.
Já sei que nem todos sabem, mas com o avanço da tecnologia e o abuso de ganhar muito em pouco tempo, um minúsculo aparelho para rectificar os níveis de audição, quando é necessário, não está ao alcance da bolsa de todos os moucos portugueses, ou concorrentes a essa endemia, que apesar de aflitiva, nos premeia com murmúrios imperceptíveis ou com o silêncio absoluto, dando-nos um certo refrigério por não ouvir-mos as baboseiras insípidas ou escabrosas saídas de bocas ou matracas que nunca se deviam abrir, (talvez como a minha, não sei!?...) com grande incidência na parte política.
Ora bem, então vamos ao corno todavia, antes de mais, gostaria de engendrar um pequeno prólogo sobre a audição.
Os aparelhos auditivos são construídos para a captação do som normal, aumentar o seu nível de frequência e canalizá-lo o mais próximo possível do tímpano, para que este possa vibrar, transmitindo essa vibração a uma cadeia “mecanizada” de ossinhos (martelo, bigorna, osso lenticular e estribo) que por sua vez a dirigem ao nervo auditivo, cuja função consiste em transforma-la em impulsos neuronais (“eléctricos”) sendo encaminhados para o cérebro de onde nos é dada a percepção do som. A grosso modo é isto que se passa.
Então e o que tem o corno a ver com isso?... Com pertinência perguntarão.
O corno, depois de corriqueiras modificações pode, em muitos casos, substituir perfeitamente esses aparelhos electrónicos que custam os olhos da cara. Os mais aconselhados para o efeito são os cornos de boi, que pela sua configuração pouco retorcida e afunilada permitem uma condição melhorada do efeito de Dopller ao conjunto auditivo debilitado.
O corno de boi tem um formato cónico; depois de se lhe cortar a ponta até aparecer um buraquinho, limpá-lo por dentro e acertar-lhe a base ao gosto de cada um, é só encostar ao ouvido a ponta e orientar a base para a frente e… Aí está o milagre da audição melhorada. Não duvidem, porque isto é verdade!
Os mais sofisticados aparelhos auditivos são programáveis. O corno também o é; começa-se com um corno curto, e à medida que a audição vai diminuindo arranja-se um novo corno, porém com mais um bocadinho de comprimento e assim sucessivamente. Quando um corno inteiro já não der, é muito provável que a surdez absoluta esteja instalada e aí acaba o meu conselho tecnológico.
Claro está, que basta ouvir somente de um ouvido, para ouvirmos muitas vezes aquilo que não gostamos; por isso, os que por ventura queiram tirar proveito dos preceitos desta minha opinião, aconselho-os a não se alambazarem e quererem logo usar um em cada orelha. Isto porque tornar-se caricato, o seu transporte incómodo, cansa os pulsos por se ter que estar a agarrar dois cornos simultaneamente, para além de poder deflagrar alguma confusão de cariz pouco abonatório e também provocar alguma algazarra à concorrência que os tem virtualmente e sem qualquer benefício para melhorar a audição.
E para aqueles que tão mal nos governam e que me leva a crer sofrerem de cofose generalizada, aconselhava-os a usarem um artefacto destes, que para além de serem praticamente de borla, davam um bom exemplo de austeridade, porque o exemplo deve vir de cima, e ouviriam melhor os gritos de dor e de raiva que os portugueses vomitam acometidos de biliar descontentamento, decorrente da crise que grassa neste país, mas que o nosso Primeiro-ministro, naturalmente pela falta de audição, com acentuada teimosia e arrogância desvaloriza.
Ah!… Só um à parte: a peça em evidência, o corno, pode ser personalizado ao gosto do seu utilizador, com uns baixos-relevos, rendilhados na base, consoante a paciência e o dom artístico de cada um, envernizados, ou simplesmente polidos, que também devem ficar com boa aparência.


António Figueiredo e Silva
Coimbra